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domingo, 27 de setembro de 2015

conto de outono

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Foi então que o rei espirrou. É certo que soprava aquele vento do entardecer que surge vindo não se sabe de onde e se vai embora ao romper da lua e permanece a noite calma e o canto das corujas nos ramos superiores das araucárias e dos castanheiros.
Logo se fez saber que o rei espirrara e de norte a sul do seu reino muitas foram as gentes que se propuseram tecer-lhe um manto, leve como um suspiro, quente como o sol, dourado como o mel das urzes. Mas o rei recusou.
Os caçadores furtivos limparam as armas, carregaram-nas de balas, afiaram as facas e fizeram-se ao caminho. Mal soube o rei desta demanda, ordenou aos animais de grande e pequeno porte que fugissem e juntaram-se os ursos e os linces, os arminhos, as martas e os castores, as raposas, os chinchilas e os coelhos e os seus pelos abundantes brilhavam e o rei observou como era belo esse mar ondulante de animais, mais pacíficos e ternos do que os homens.
E uma a uma, recolheu todas as folhas do outono que aquele vento do entardecer espalhara. Com uma agulha e linhas finas foi-as costurando e rendilhou-se o coração do rei e passadas quatro luas deu por terminado o seu manto. Era leve, quente e dourado como o mel e nunca se vira um manto assim.


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