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segunda-feira, 3 de junho de 2019

Adeus, Agustina. Boa tarde, liberdade



Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas



Desapareceu hoje uma pessoa que foi uma das maiores obreiras de amarrar a língua portuguesa aos padrões do séc. XIX. Nisso, foi muito mais radical do que Salazar, que se contentou com ficar pelo seu pardo séc. XX. Neste tripé, ainda falta o terceiro, José Saramago, o único que, com os dois anteriores, foi capaz de provocar estragos comensuráveis na nossa Literatura.

Da Agustina, nada mais me lembro do que um almoço, em que fiz o reparo de que o termo "gajo" era importado do dialeto cigano, sendo apodo do não cigano, pelo que usar "gajo", coisa que ela não sabia, era estar a pôr-se do lado da comunidade, e a apontar o dedo aos de fora.

Não sei se a Agustina era cigana, mas era certo que conhecia muitos dos expedientes da "coisa".

Cessam assim dois infindáveis e penosos mitos, criados por não leitores e formidáveis máquinas de propaganda, ela, encostada ao mofo estático da "Direita"; ele, ao mofo desengonçado da "Esquerda". De uma soberba infinita, a pior soberba, a de fingida modéstia, da Agustina nada retenho, exceto a dor das árvores que foram abatidas para a poderem publicar. Dos dois, posso, com certeza, dizer que nunca os li, pelo que sempre me senti à vontade para escrever dois dos mais violentos textos contra eles, sempre em defesa da liberdade do Escritor, sensação que nenhum dos dois alguma vez conheceu.

Que a terra lhes seja leve, já que não voltarei a falar deles.
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

"Grandes êxitos do "The Braganza Mothers I" (2006/07): "As "Licenciaturas" de Sócrates, deitadas no divã de Freud"







Para mim, com uma Quarta Classe das antigas, puta nas horas vagas, e mulher-a-dias do Regime a tempo inteiro, foi com enorme orgulho que recebi, no I.S.P.A., uma Pós-Graduação em Psicanálise (4 dias, de 2 horas intensivas, que bem me saíram do corpo e da carteira...).

Fiquei a saber que, para Freud, os anos mais importantes da nossa vida eram os 5 primeiros, sobre os quais -- azar -- logo tombava uma cortina de sombras, que durava a vida inteira, exceptuados os sobressaltos e as recaídas no Inconsciente.

Estou agora a terminar uma tese de doutoramento, em que defendo que, bem mais importantes do que esses 5 anos da Infância são os 5 anos da Licenciatura. Esse, sim, é o tempo da verdadeira angústia.
É, pois, com a Dor de Sócrates que eu sofro: aquela Pós-Graduação de 4 dias fez-me saber o que pode ser o sentimento de inferioridade de um cavalheiro que quer galgar a todo o custo, e sabe não ser detentor de um canudo.
Há, em José Sócrates, um pouco de Harry Potter. Ele sabe mexer a varinha -- ou o varão -- e as coisas aparecem todas feitas. "Consta-se de que", mal seja apeado involuntariamente do Governo, já se está a preparar para a Beatificação. O "Expresso" de hoje avança com o seu primeiro milagre: o de ter criado, do Nada, um Reitor.

Isso é uma coisa lindíssima, e acho que nem a Sãozinha, nem a Santa da Ladeira, nem a Irmã Lúcia, no tempo das suas melhores "performances", conseguiram tais feitos...

Nomear um Reitor é algo de bem mais profundo do que pôr um paralítico a andar, um cego a ver, ou o Mega Ferreira à frente do Centro Cultural de Belém.
Resta a matriz psicanalítica da coisa, e essa é o centro deste texto: até agora, nunca tinha percebido a raiva desmesurada contra certas classes da Sociedade Portuguesa, justamente, aquelas onde se congregam mais licenciados, Médicos, Juristas e Professores.

Era, afinal, um problema psicanalítico, não o dos 5 primeiros anos de vida, mas o dos intermináveis 5 anos da sua "Licenciatura", em irremediável forma de Quasímodo.

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sábado, 28 de março de 2015

O Nada - V

1987 começou e eu me curei subitamente do pânico. Estava num ônibus lotado, voltando da Associação Desportiva da Polícia Militar e pensei: “Nada vai acontecer comigo”. Decidi voltar à datilografia e me matriculei novamente no SENAC, mas numa escola que ficava na Casa Verde. Eu fui à escola mais vezes. Mas passava uma hora trancado no banheiro batendo punheta. Quando saía, os outros alunos olhavam para mim com sorrisos nos cantos dos lábios. Eu fazia isso todo santo dia. Até que abandonei a escola também. Matriculei-me numa das piores escolas em que estudei em minha vida, chamada Externato São Judas Tadeu, que ficava ao lado de casa. Algumas escolas particulares de São Paulo conseguem ser deploráveis. O horário era louco: 16h às 20h. Eu nunca entendi aquele horário. Mas fiz um amigo metaleiro que mandou ler livros de filosofia. Foi o início de minha leitura de livros de filosofia, que não terminou nunca, mas que eu não sei exatamente para que serviu na minha vida. Continuei apaixonado por Andréia, prima da Lara, amiga da minha irmã, que estudava com a gente. Conto detalhes sobre ela no livro “As Gatas”. Foi meu primeiro beijo. E mais um fora doloroso em minha eterna coleção de foras. O pai da Lara, seu Kazama, me arranjou meu primeiro emprego, quando abandonei a escola. Office boy, que ele chamava “auxiliar menor”, não sei por que. Foi um saco de emprego. Eu odiava meus colegas de trabalho que me tratavam como escravo. Não tive a menor paciência e caí fora do emprego. Passei o resto do ano sem fazer nada. Comecei a usar óculos para miopia. Disseram-me que eu tinha vocação para palhaço e que eu deveria fazer um curso. Eu, fazer cursos e deixar a merda da minha vida? Arranjaram-me uma garota para eu beijar, uma menininha chamada Leuza, que fumava. Mas me pediram para não me envolver emocionalmente com ela e foi exatamente o que fiz. Resolveram me contar que ela havia saído com outro cara e eu não me interessei mais por ela. O namorado da minha irmã fazia bailes e me chamava para ajudar a dor o som, porque eu tinha muitos discos. Eu poderia ter seguido carreira como dj, mas quando minha irmã brigou com ele, não participei de mais nenhum baile. O que eu não tirava da cabeça era a ideia de publicar um livro de poemas. Apesar de ter queimado todos os meus poemas, quando tomei o fora da Andréia, eu escrevia tanto em 1987 que logo tinha um calhamaço de poemas novamente. Mas o que eu gostava de ler eram livros de terror, especialmente os livros de Stephen King. Tentava escrever prosa, mas não saía do lugar. Além das incontáveis tentativas de escrever a história da minha vida, também tentava completar aquele mesma história que havia começado lá pelos 13 anos e havia batizado de “A Órbita”. Minha casa tinha um bilhão de baratas. Não havia um dia sequer em que não enfrentávamos uma barata. E como sempre dormíamos no chão, por falta de espaço e falta de camas, já ocorreu de uma barata passar no meu rosto com aquelas perninhas que pareciam agulhas. Mas já me deparei com baratas subindo no sofá também. E eu dormia no sofá com muita freqüência. Vi uma cena terrível. Houve uma inundação no quintal e alguém resolveu destampar um bueiro. Saíram 800 baratas de uma vez. Um gato aproximou-se e começou a comer as baratas. Há cenas que não saem da cabeça da gente jamais. Aos 16 anos, eu já estava desesperado de vontade de transar.
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quinta-feira, 19 de março de 2015

O Nada - 4


            1986 foi um ano complicado.
            Começou com um dos maiores porres de minha vida, no dia do meu aniversário, cuja festa costumava coincidir com o ano-novo. A quantidade de bebidas que havia em casa era imensa. Eu me tranquei no banheiro depois que meus tios tentaram quebrar ovos na minha cabeça e só saí depois de umas três horas. Quando todo mundo foi dormir, comecei minha festa particular e tomei todas as cervejas, vinhos e champanhes. Após soltar o arame farpado que separava nosso quintal do quintal vizinho e ficar completamente enrolado nele, tentei bater punheta no quintal, mas desmaiei. Acordei com minha mãe tentando me dar banho. Depois ela me jogou num lençol sobre o chão, porque não havia mais onde ninguém dormir, já que a casa estava lotada de tios, e fiquei gemendo até dormir de novo. Passei o dia seguinte vomitando.
            Não havia mais curso de mecânica à tarde. Ainda fui um dia à tarde, na esperança que houvesse e vi Eliane, que ao se deparar comigo, fez uma careta. Foi a última vez que a vi.
            Tive que me mudar para o curso noturno, onde havia uns 50 alunos, todos homens velhos. Não havia nenhum adolescente. O pessoal fumava pra caralho, o que me deixava bem angustiado. Fui muito mal nas aulas de desenho técnico e desenho mecânico. Eu não levava o menor jeito.
            Comecei a ter uma obsessão por literatura em janeiro, quando passamos férias em Peruíbe. Na casa havia alguns livros e como choveu muito, fiquei deitado numa rede, lendo. Eu pensava: “Eu também quero escrever um livro”.
            Escrevi enfim três letras trágicas para o Alvaro, que odiou, naturalmente, porque não eram letras de música, mas notícias de jornal, de tão grandes e mal-escritas. Peguei minha máquina de escrever e tentei escrever a história da minha vida, apesar de não ter acontecido nada até então. A grande revolução no meu jeito de escrever veio após ler uma matéria no Estadão sobre uma poetisa “mendiga, drogada, prostituta” que vivia em baixo dos bancos da Praça da Sé. Nunca consegui me lembrar ou descobrir o nome dela, muito embora tenha lido um livro de uma poeta chamada Lena de Jesus Ponte que escrevia como ela. Talvez fosse ela mesma. Até então eu achava que poesia era o que eu tinha aprendido na escola. Mas já que dava para escrever poesia de qualquer jeito esculhambado, comecei a escrever um poema atrás do outro. Que na época eu chamava de “letras de música”. Não tirava da minha cabeça a ideia de ter uma banda. Falei para o Álvaro que eu tinha planos de começar como vocalista mesmo, já que eu não sabia tocar nenhum instrumento. Ele pediu para eu fazer um teste na sua banda cover. Foi uma verdadeira tragédia. Tivesse eu feito um teste numa banda punk, talvez tivessem gostado de minhas letras politizadas, em que eu mandava policiais e políticos se foderem e descrevia as mazelas de hospitais públicos. O engraçado é que eu tinha um violão em casa, da minha mãe, cuja corda eu quebrei no mesmo dia em que ela comprou. Não sei por que não tentei aprender a tocar o violão sozinho. Talvez eu tivesse achado que a única maneira seria através de uma escola. E olha que ainda havia a possibilidade de aprender a tocar violão de graça com o Heraldo Dummont! Porque ele tinha um certo parentesco com a minha tia Marta, esposa de meu tio Ronaldo. Nem assim eu fui. Cheguei a ir na casa dele uma vez.
            Simplesmente parei de ir à escola. Como na época eu estava fazendo musculação, este meu mesmo tio Ronaldo, me vendo dormir o dia inteiro (durante toda minha vida dormi de dia e fiquei acordado à noite), me disse que eu seria carregador de sacos de batatas, em referência aos diversos depósitos de batatas que haviam no bairro.
            A musculação também abandonei. Igualmente não me interessei em começar a lutar kung fu ou boxe, apesar da paixão que eu tinha e tenho pelo esporte, nem fui jogar futebol ou nada mais, mesmo freqüentando dois clubes, a Associação Desportiva da Polícia Militar e o Corinthians, do qual meu pai era sócio mas não me levava nunca.
            Minha mãe resolveu me matricular no Albino César, um famosíssimo colégio estadual que há no Tucuruvi, onde estudavam diversos alunos do Educandário Nossa Senhora do Carmo. O Albino César tinha fama de ser um colégio acima da média. Alunos ricos estudavam lá. O governo do Estado diz que todos os colégios estaduais são iguais. Mas a fama do Albino César durou muito tempo. Eu não posso dizer se o Albino era melhor do que outros colégios estaduais porque não estudei em nenhum outro. Mas levei um fumo tremendo. É impossível sair de um curso técnico e ir para um curso regular. Eu era um dos piores alunos da classe. Também foi a primeira vez na vida em que estudei com gente bem pobre. Era estranho estar comendo e ter que dividir o lanche com gente faminta que não tinha dinheiro nem para pegar ônibus para ir à escola. Não sei como os alunos burgueses resolviam isso. Apesar da fama do Albino César, não davam merenda.

            Uma tragédia aconteceu no meio do ano. Um trombadinha tentou roubar meu relógio e assisti um programa na televisão que mostrava um álbum fotográfico com as piores vítimas de crimes. Fui abatido por uma terrível síndrome de pânico e não saí mais de casa durante seis meses. Pior, eu não tinha coragem de ir ao portão de casa. Queria mesmo era ficar embaixo da cama, sentindo terríveis dores no estômago, como se tivesse sido baleado e tendo sonhos terríveis em que enfrentava bandidos em estações do metrô. De vez em quando os adultos me obrigavam a sair à rua, como para levar minha avó ao médico ou fazer uma entrevista de emprego em outro banco. Mas muitas vezes, eu me apavorava e começava a correr, deixando os outros pedestres assustados, achando que eu estava fugindo de algum assaltante, ou eu era o próprio assaltante. Em meus poemas, eu dizia que não tinha vontade de me matar, porque o céu deveria ser uma bosta igual à Terra. Não acreditava em Deus. 
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sábado, 14 de março de 2015

O Nada - 2

Não tenho como me lembrar de todos os livros que li na vida porque eu não sou o André Barcinski. Mas me lembro mais ou menos dos livros que li quando criança.
            Meu primeiro contato com a literatura foi trágico. Eu tive uma professora idiota de história que conseguiu me fazer ter ódio inicial por história. Só descobri que história era minha matéria favorita depois de grande. Foi a pior professora que tive no primeiro grau. Uma maluca direitista que afirmava ter poderes paranormais. Uma retardada completa. Quando eu tinha 10 anos e estava na quinta-série, ela adotou o livro “A Escrava Isaura”, de Bernardo Guimarães. Me diz em que universo este é o livro que se adota numa quinta série? Eu não passei da primeira página e não creio que ninguém na sala tenha lido o livro. Mas a tortura não acabou aí. No ano seguinte, a louca adota “O Guarani”, de José de Alencar, e apesar de ser um bom livro, não é um livro para crianças. Também ninguém leu. A tortura não acabou. O penúltimo livro estúpido que ela adotou foi “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, cujo autor não me lembro agora nem pretendo lembrar. Lembrei: Joaquim Manuel de Macedo.
            Mas a maluquice acabou quando a escola adotou a série Vagalume, da Editora Ática. Agora sim dava para ler bons livros e eu li vários. O que mais gostei foi o primeiro, “A Ilha Perdida”, de Maria José Dupré, e me coloquei na pele daqueles dois garotos “perdidos” numa ilha no meio de um rio, como se fosse possível alguém se perder numa ilha no meio de um rio. Descobri que eu gostava de ler.
            Outro livro que pirei foi “O Gênio do Crime”, de José Carlos Marinho. Não tive contato com histórias em quadrinhos, infelizmente, à exceção da Turma da Mônica, que eu sempre colecionei. Mas não me pergunte nada sobre universos de super-heróis, porque não entendo nada disto. Não sei dizer por que nunca comprei hqs de super-heróis. Talvez porque eu só tivesse dinheiro suficiente para comprar um gibi. Então eu escolhia algum da Turma da Mônica. Mas essa tese não é satisfatória. Tanto é que eu assistia desenhos animados de super-heróis tranquilamente. Quando criança, assistia aos chamados “desenhos desanimados”, aqueles desenhos da Marvel parados que apareciam na tv e eram praticamente histórias em quadrinhos escaneadas para tv. Também adorava a série clássica do Batman, mas fui comprar meu primeiro Batman (“A Piada Mortal”) depois de adulto.
            Também é interessante lembrar de um livro adulto que tive em mãos: “O Mestre e Margarida”, de Mikail Bulgakhov. Minha mãe estava lendo este livro. Embora não tenha lido o livro todo, os trechos que li me deixaram muito impressionado.
            Minha primeira tentativa de escrever ocorreu lá pelos 12 ou 13 anos. Na época, eu era fã de uma série de tv chamada “Buck Rogers” e comecei a escrever minha própria aventura, sendo eu o Buck Rogers, mas eu tinha outro nome: Aplas Yamel, um nome inventado. Mas não cheguei a concluir qualquer tentativa de escrever esta história, a não ser uma spin off, que concluí aos 19 anos e depois outra parte aos 26. Por sinal, algumas pessoas me dizem que este meu conto dos 26 anos, chamado “Energia”, é meu melhor conto. Eu acho uma maluquice sem pé nem cabeça.
            Outra coisa que eu adorava era música. Quando criança, eu estava bem no meio da febre da discoteca e havia dezenas de discos com este gênero em casa. Havia um pouco de rock também. Da discoteca, passei para música eletrônica. Sem abandonar o rock. Apesar de o primeiro disco que eu ter comprado foi o “Ghost in the machine”, do The Police, eu pirei com o videoclipe da música “Another brick in the wall”, do Pink Floyd, que passava na tv o tempo todo. Mas só vim assistir ao filme “The Wall” anos depois, como também descobri que o álbum não era o Pink Floyd verdadeiro, mas uma espécie de viagem solo do Roger Waters.
            Eu tinha vontade de fazer música. Cheguei a sugerir que os adultos me matriculasse num curso de “órgão” (na verdade, eu queria aprender a tocar sintetizadores), mas eles não se interessaram. Aprender música era uma frescura inadmissível na periferia paulistana de 1980, onde o sonho dos rapazes era aprender a se tornar pedreiros e construir suas próprias casas.

(continua)

(gostou? quer ler mais? escreva-me no papoy3@gmail.com)
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sexta-feira, 13 de março de 2015

O Nada - 1

Eu nasci em São Paulo, no dia 30 de dezembro de 1970, filho de Pedro Papoy  e Rosilda de Moura Montarroios.
            Os Papoy tinham origem húngara. Na verdade, eram Papay. Mas meu avô, apesar de se chamar Miguel Papoy, teria nascido na Áustria, em Viena. Ou teria nascido em São Paulo mesmo, ninguém sabe ao certo. Meu pai nasceu em 1930 e já tinha um filho, Marcos Aurélio, que por algum motivo, escondeu de nós até quando eu estava com uns 12 anos. Meu pai sempre foi meio maluco. Aliás, quando eu era criança, ele dizia se chamar Maurício e não Pedro.
            Minha mãe nasceu em Recife, em 29 de setembro de 1950, e tinha vindo para São Paulo com uns 2 anos de idade.
            Meu pai tinha um irmão e seis irmãs. Minha mãe teve cinco irmãos. Quando eu nasci, eles eram ainda adolescentes. Como meus pais não viveram juntos, cresci com eles.
            Morávamos na Vila Antonieta, que, por algum motivo, chamavam de Vila Rica e há quem a chame assim até hoje. Zona leste de São Paulo.
            Quando eu estava com uns três anos, mudamos para o bairro da Vila Nilo, na zona norte de São Paulo, numa rua que era travessa da Rodovia Fernão Dias. Não tinha água nem asfalto. Era uma casa particular, paga a prestações.
            Minha mãe trabalhava primeiramente num supermercado, como caixa, depois foi trabalhar como vendedora numa loja de roupas.
            Quando eu tinha seis anos, entrei na escola. Educandário Nossa Senhora do Carmo, uma escola particular. Não que éramos bem de vida, mas a escola não era tão cara, minha mãe não ganhava tão mal e havia a ideia de que escolas públicas não eram boas. Até uma perua vinha nos buscar em casa, conduzida pelo mal humorado Senhor João, que também trabalhava na secretaria da escola.
            Não fiz o jardim da infância, comecei no pré-primário. Assim, só aprendi a ler no ano seguinte. E aprendi a ler instantaneamente.
            O que importante aconteceu naqueles primeiros anos de escola e eu gostaria de contar hoje, aos 44 anos? Já contei esta história muitas vezes e só estou contando de novo porque joguei todas as minhas memórias no lixo.
            Lá para 1980, quando eu estava com nove anos, minha avó perdeu a casa da Vila Nilo e nos mudamos para o Jardim Modelo, mas dizíamos que morávamos no Jaçanã. Deixamos uma bela casa com um quintal gostoso e mudamos para um casebre podre com um quintal tenebroso cheio de capim, a frente de uma favela. E ainda havia outra favela na mesma rua, que também era travessa da Rodovia Fernão Dias. Por sinal, tínhamos medo de ir até lá no fim da rua, onde havia a favela e, em todos os anos em que morei ali, devo ter passado ali, cagando de medo, umas duas vezes. E a favela na frente de casa pegou fogo duas vezes. A primeira vez foi logo que nos mudamos e nem tínhamos montados os móveis ainda. Ou não havia móveis para montar. Sei que estávamos dormindo no chão, um hábito que não abandonei, infelizmente, até hoje.
            Dos irmãos de minha mãe, só dois estavam casados. Havia mais três solteiros. No total, éramos oito pessoas dividindo o mesmo quarto. Obviamente, alguns dormiam na sala. Não sei por que foi que os adultos perderam a casa da Vila Nilo nem porque alugaram aquela porcaria de casa, que viveu nos meus pesadelos durante décadas.
            Meu pai aparecia de vez em quando. Eu até gostava, porque as crianças gostam das coisas com mais facilidade do que os adultos. Meu pai gostava de ter Mavericks e me dizia que quando eu completasse 18 anos, iria me dar um. Eu acreditei.
            Minha avó arrumou um namorado. O nome dele era Severino e era sargento da polícia militar. Minha avó conhecia muitos militares porque trabalhava na Caixa Beneficente da Polícia Militar, emprego que conseguiu através de seu marido, meu avô, que também havia sido sargento da PM e tinha morrido bem cedo, com 30 e poucos anos.
            Severino ficou comovido com o fato de que oito pessoas estavam aglomeradas no mesmo canto e tomou uma decisão. Alugou a casa dos fundos, fez um buraco na parede para juntar as duas casas e comprou móveis. Eu gostava do Severino. Jogávamos baralho e dominó o tempo todo, como se a vida fosse apenas isto.
            Mas meus tios se casaram e foram embora. Severino também foi embora. Fiquei sozinho com três mulheres. Senti-me completamente abandonado e descobri o quintal de casa e o quintal dos vizinhos como universos a ser explorados.
            Eu cavava grandes buracos, removia pedras do tamanho de tanques e jogava em esgotos, levantando dez metros de merda, plantava milho, tentava criar galinhas, fazia fogueiras apocalípticas que enlouqueciam os adultos. Quase descobri a sexualidade com uma garotinha que morava na casa ao lado e se chamava Elisângela. Às vezes, brincávamos de marido e mulher. Deitávamos juntos, em cabaninhas, e eu lhe dava uns selinhos, sem que os adultos vissem. Mas infelizmente, ela também foi embora. Uma pena, porque recebemos a visita dela e da mãe, quando ela já estava grande, e estava um mulherão. Tivesse continuado morando ali, talvez eu tivesse descoberto mais coisas.
            Fui me apaixonar loucamente com 11 anos, quando estava na sexta-série.
            Entrou uma garota na escola, chamada Helena, que foi a primeira garota evangélica que conheci na vida. Naquela época, eram raros os evangélicos e só havia uma garoto na minha classe. Helena era uma loirinha de 13 anos linda de morrer e super gostosa, com uma bunda fenomenal, que enlouquecia a escola inteira e gerava ciúmes nas outras garotas da classe. Alguns dias depois que Helena havia chegado, pediu para se sentar ao meu lado e disse que queria namorar comigo. Fiquei absolutamente apavorado, como uma criança indefesa andando no parque e atacada por uma maníaca. Sem saber o que dizer, falei a ela que iria pensar. Pensar no que? Fui incapaz de responder qualquer coisa e parecia que a escola inteira estava esperando minha resposta. Outras meninas da classe e da escola ficaram desesperadas com a ousadia de Helena e passaram a me mandar bilhetinhos, dizendo que gostavam de mim. E eu fiquei completamente atordoado. Outros colegas também esperavam minha resposta porque estavam interessados na Helena. Um deles me disse: “A Helena quer saber se você é gostoso”. “Como assim?”, falei, para a gargalhada geral. Eu era um cabaço completo. Mas Helena me pressionou e eu disse que não gostava dela. Era uma mentira terrível, porque eu estava loucamente apaixonado e ficava até nas nuvens, pensando nela. Os adultos em casa me perguntavam se eu estava doente.
            Helena, infelizmente, não fez a sétima série no Educandário. Uma pena porque eu iria ficar encantado com aquela bunda, já que aos 12 anos eu já estava me masturbando desesperadamente. Batia umas dez punhetas por dia. Não havia nada que me interessasse mais além de punhetas.
            Ela voltou na oitava série e desta vez, a escola inteira tinha desenvolvido uma cruzada para catar Helena. Ela provocava. Usava shortinhos enfiados no cu e ainda dizia que eram discretos quando usava para ir à escola, porque na rua e em casa usava shorts piores. Mesmo quando usava o uniforme da escola, quando ela andava de um lado para o outro, a única coisa que víamos era sua bunda. Vários caras tiveram o primeiro beijo com ela. Eu ficava bem enciumado, mas falei para ela que a achava uma galinha. Ela dizia que eu não tinha o direito de dizer aquilo porque nunca havia acontecido nada entre nós, além de umas bolinadas que lhe dei. Não foi por falta de iniciativa dela, porque ela quis muito que acontecesse, mas eu sempre saí correndo, por puro medo de que os adultos em casa ficassem sabendo e dissessem: “Olha aí, tá namorando!”, o que me daria vontade de enfiar a cabeça dentro da terra.
            O primeiro grau acabou e só vi Helena mais uma vez. Cruzei rapidamente com ela no metrô. Ela parou para conversar, mas eu passei direto. Depois, me arrependi. Passei o resto da vida sonhando em encontrar Helena, mas nunca a achei nem nas redes sociais.

(continua)

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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Oscar Wilde: 160 anos, ou a importância de não se chamar Nobel

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domingo, 12 de outubro de 2014

quando a maré sobe o rio transborda

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas


Às vezes bate-me à porta, com o bico. A seguir grasna até eu aparecer. Os vizinhos não gostam dele, dizem que é enorme, que cheira a lodo, que o meio urbano lhe é hostil. Não vejo grande diferença entre possuir um pelicano ou um Labrador, a não ser pelo facto de os cães ladrarem toda a noite a implicarem uns com os outros e os pelicanos não.
Convido-o a entrar, ele abre as asas, dá três voltas ao quintal e conversamos um pouco, sentados na beira do poço. Ele conta-me que quando a maré sobe o rio transborda e os peixes abundam. Eu confesso-lhe que gosto deles grelhados na brasa temperados com um fiozinho de azeite e limão. E um lagostim, pergunto-lhe. Ao natural, responde-me.
Depois calamo-nos a observar por uns segundos os mosquitos que a chuva multiplicou, até que ele diga, vou-me embora, para a próxima trago-te uma perca do Nilo, está bem.
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sábado, 11 de outubro de 2014

"O Espelho e a Máscara", de Jorge Luis Borges: ou breviário de escrita para todos os Nobel da Literatura, sobretudo, para aqueles que nunca souberam ou saberão escrever


                                                         Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas



“Travada a batalha de Clontarf, em que o Norueguês foi humilhado, o Alto Rei falou com o poeta e disse-lhe: - As proezas mais claras perdem o brilho se não forem cunhadas em palavras. Quero que cantes a minha vitória e o meu louvor. Serei Eneias e tu o meu Virgílio. Julgas-te capaz de deitar mãos a esta empresa que a nós dois fará imortais? - Julgo que sim, Rei - disse o poeta. - Sou o Ollan. Durante doze Invernos cursei as disciplinas da métrica. De memória sei as trezentas e sessenta fábulas que são a base da verdadeira poesia. Os ciclos de Ulster e Munster estão nas cordas da minha harpa. As leis autorizam-me a prodigalizar as vozes mais arcaicas do idioma, e as mais complicadas metáforas. Domino a escrita secreta que defende a nossa arte do exame indiscreto do vulgo. Posso celebrar os amores, os roubos de gado, as navegações, as guerras. Conheço as linhagens mitológicas de todas as casas reais da Irlanda. Domino as virtudes das ervas, a astrologia judiciária, as matemáticas e o direito canónico. Num certame público derrotei os meus rivais. Adestrei-me na sátira que produz enfermidades na pele, incluindo a lepra. Sei manejar a espada, como provei na tua batalha. Só uma coisa ignoro: a forma de agradecer a honra que me dás. O Rei, que facilmente se cansava com discursos compridos e alheios, disse aliviado: - Estou farto de saber essas coisas. Acabam de afirmar-me que o rouxinol já cantou na Inglaterra. Quando passarem as chuvas e neves, quando o rouxinol regressar das suas terras do Sul, hás-de recitar o teu louvor perante a corte e o Colégio dos poetas. Dou-te um ano inteiro. Vais limar cada letra e cada palavra. A recompensa, já sabes, não será indigna da minha tradição real nem das tuas inspiradas vigílias. - Rei, a melhor recompensa é ver o teu rosto - disse o poeta que também era um cortesão. Fez as suas reverências e saiu a entrever, já, alguns versos.

Cumprido o prazo, que foi de epidemias e rebeliões, apresentou o panegírico. Declarou-o com segurança lenta, sem deitar uma olhadela, sequer, ao manuscrito. O Rei ia aprovando com a cabeça. Todos lhe imitavam o gesto, mesmo os que se aglomeravam nas portas e nem uma palavra decifravam. Por fim o Rei falou. - Aceito o teu trabalho. É outra vitória. Usaste cada vocábulo na sua acepção genuína e cada substantivo segundo o epíteto que os primeiros poetas lhe deram. Em todo o louvor não há uma única imagem que os clássicos não tenham usado. A guerra é o formoso tecido de homens e a água da espada é o sangue. O mar tem um deus próprio e as nuvens predizem o porvir. Manejaste com destreza a rima, a assonância, as quantidades, os artifícios da douta retórica, a sábia alteração da métrica. Se a literatura da Irlanda se perdesse toda - omen absit - permitiria a tua ode clássica reconstituí-la sem nenhuma falta. Trinta escribas vão transcrevê-la doze vezes. Fez-se um silêncio e prosseguiu: - Tudo está bem, apesar de não ter acontecido nada. O sangue não corre mais depressa nos pulsos. As mãos não se agarraram aos arcos. Ninguém empalideceu. Ninguém deu um grito de guerra ou expôs o seu peito aos Vikings. No prazo de um ano, poeta, havemos de aplaudir outro louvor. Em sinal da nossa aprovação toma este espelho, que é de prata. - Dou graças e compreendo - disse o poeta.

As estrelas do céu retomaram o seu claro curso. Nos matagais saxónicos o rouxinol cantou de novo e o poeta voltou com o seu códice, menos comprido do que o anterior. Não o repetiu de memória; leu-o com visível insegurança, omitindo certas passagens como se não entendesse nada delas, ou não quisesse profaná-las. A página era estranha. Não se tratava de uma descrição da batalha, era a batalha. Na sua desordem bélica agitava-se o Deus que é Três e Um, os numes pagãos da Irlanda e os que iriam guerrear, centenas de anos depois, no princípio da Edda maior. A forma não era menos curiosa. Um substantivo singular podia concordar com um verbo no plural. As preposições eram alheias às normas comuns. A aspereza alternava com a doçura. As metáforas eram arbitrárias, ou assim pareciam. Trocando o Rei algumas palavras com os homens de letras que o rodeavam, falou desta forma: - Do teu primeiro louvor pude afirmar que era um feliz resumo de tudo o que a Irlanda já cantara. Este supera o que ficou para trás e também o aniquila. Suspende, maravilha e deslumbra. Não vão merecê-lo os ignaros mas sim os doutos, os raros. A custódia do exemplar único será um cofre de marfim. Da pena que produziu obra tão eminente podemos, todavia, esperar outra mais alta. Com um sorriso acrescentou: - Somos figuras de uma fábula e justo é recordar que nas fábulas domina o número três. O poeta atreveu-se a murmurar: - As três graças dos feiticeiros, as tríades e a indubitável Trindade. Prosseguiu o Rei: - Como prémio da nossa aprovação, toma lá esta máscara de ouro. - Dou graças e compreendo - disse o poeta.

Mais um aniversário passou e as sentinelas do palácio avisaram que o poeta aparecia sem nenhum manuscrito. Com algum espanto, o Rei olhou para ele; era quase outro. Qualquer coisa que não o tempo sulcara-lhe e transformara-lhe as feições. Os seus olhos pareciam ver muito longe, ou ter cegado. O poeta pediu para trocar com ele algumas palavras. Os escravos abandonaram a câmara. - Não fizeste a ode? - perguntou o Rei. - Fiz - disse com tristeza o poeta. - Oxalá Cristo Nosso Senhor mo tivesse proibido. - Podes repeti-la? - Não me atrevo. - Dou-te a quantia que precisas - declarou o Rei. O poeta disse o poema. Era de uma só linha. Sem conseguir pronunciá-lo em voz alta, o poeta e o seu Rei saborearam-no como uma oração secreta, ou uma blasfémia. O Rei não estava menos maravilhado e atribulado do que o outro. Olharam-se, muito pálidos. - Nos anos da minha juventude - disse o Rei - pus-me a navegar rumo ao ocaso. Numa ilha vi lebréus de prata que matavam javalis de ouro. Noutra alimentámo-nos com o aroma de maçãs mágicas. Noutra vi muralhas de fogo. Na mais afastada de todas sulcava o céu um rio em abóbada e declive cujas águas abundavam de peixes e barcos. Isto são maravilhas mas não se comparam com o teu poema que as contém todas, pode dizer-se. Que feitiço to concedeu? - Acordei de madrugada a proferir palavras que ao princípio não compreendi - disse o poeta. - Essas palavras eram um poema. Senti que tinha cometido um pecado, talvez aquele que o Espírito não perdoa. - Aquele que compartilhamos agora - murmurou o Rei. - O de termos conhecido a Beleza, que é um dom vedado aos homens. Cabe-nos expiá-lo. Dei-te um espelho e uma máscara de ouro; tenho aqui a terceira prenda, que é a última. Na mão direita pôs-lhe uma adaga.

Do poeta sabemos que se matou, quando saiu do palácio; do Rei que é mendigo e corre os caminhos da Irlanda, seu reino de outrora, sem ter voltado a repetir o poema".




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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Doris Lessing: um vazio recheado de plenitude, na suavidade da Literatura

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domingo, 29 de setembro de 2013

falemos de coisa nenhuma

De nuvens de gafanhotos por exemplo. Estamos no café, o senhor da mesa ao lado pede um abatanado e só esta palavra, abatanado, irrita-nos sobremaneira. Parece um café com dores de cabeça, pior que pingado, que abananado, que é uma banana saturada de café.
E aí atiramos, o senhor já reparou nas nuvens de gafanhotos que se formaram sobre o rio? O homem suspende o gesto de segurar na chávena dupla onde navega um grama de cafeína e nós continuamos corajosamente, às tantas devoram-nos as folhas dos citrinos e depois… Acentuamos este e depois, mas deixamo-lo em suspenso, como os ditos gafanhotos. Como uma ameaça velada de um perigo que nos roubará os limões, as tangerinas, as laranjas da baía e quem sabe, as do algarve.
Ele balbucia, não percebi, e nós respondemos, claro que não, é um absurdo.
Quem nos dera outro verde no ar.
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quinta-feira, 13 de junho de 2013

125 anos de Fernando Pessoa, o Nobel da Literatura Portuguesa

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domingo, 7 de abril de 2013

Almada

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domingo, 24 de fevereiro de 2013

pele de urso

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Não fora o vermelho vivo das papoilas, ficaria por aqui a hibernar resmungos. Um chá preto com um farrapo de leite e uma margarida para molhar. As madalenas não me pertencem. Os livros seriam sete e quando terminasse, recomeçaria outra vez. É uma busca que gosto de fazer, íntima, silenciosa, afetiva. Como os habitantes dos velhos hotéis de praia, o mar gelado, o riso das raparigas, as intrigas. Vestiam-se a rigor para o jantar. Eu também, disse o urso e emprestou-me a pele para eu me esconder. Escondi-me.
Leio-lhe em voz alta para ele entender a raridade de alguns humanos.
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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Jorge Amado: 100 anos de Literatura

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domingo, 3 de junho de 2012

Heliogabalus

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