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sexta-feira, 1 de junho de 2018

Diário do fim do Mariano Rajoy e da sua Trama Gürtel - Olha a falta que nos vai fazer o Mariano Rajoy :-)

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terça-feira, 13 de junho de 2017

Elogio da saída de Trump do Protocolo de Paris, seguido de ascensão e queda de Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro





                             


                            Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas 


Toda a gente sabe que os grandes responsáveis pelas emissões de CO2 são os vulcões, as plantas, quando estão a dormir, e as vacas. Como não se pode andar a tapar os vulcões todos, resta impedir as árvores de dormir e tentar pôr um travão nas vacas. Ora, creio que impedir as árvores de dormir deve ser das tarefas mais penosas do mundo, talvez só comparável com andar a tapar os vulcões todos, pelo que se torna inevitável debruçarmo-nos mesmo sobre as vacas.

As vacas dividem-se em duas espécies, as que deus e o intelligent design já conceberam como tais, e as outras, que são fruto de um longo processo de sociedade e aculturação. As vacas naturais existem na forma atómica, ou seja, uma vaca, um corpo, uma emissão. Já as vacas culturais subsistem na forma molecular, mediante uma ligação covalente, em que a vaca capta um ou mais bois, e entra numa situação dativa, em que é apenas o boi, ou os bois, a fornecem os meios de subsistência da relação.

Crê-se que isto é assim, pelo menos, desde Eva e Dalila, até ter culminado no Santuário da Casa dos Bicos E nada disto é chocante, nem penoso, posto fazer parte da mais elementar História do Mundo. Torna-se, sim, inquietante, quando nos debruçamos sobre os números da Demografia, que nos dizem que, aquando da Revolução Industrial, ainda andávamos pelos 1 000 000 000 de andantes, quando agora, séc. XXI, já andamos a sonhar com a poluição de dez mil milhões de almas penadas.

Num célebre exemplo da Estatística e da importância da correlação na análise de dados, ocorrido na Inglaterra, de novecentos, da vaca pré-May, já se tinha sinalizado um simultâneo aumento de criminosos e padres anglicanos. O Marques “Magoo” Mendes, na sua iluminação, imediatamente extrairia de aqui uma relação profunda entre o sacerdócio e o crime, quando a correlação é, de facto, nula, e apenas se deve à existência de um terceiro fator, o do aumento brutal das gentes, que simultaneamente conduziria a um brutal aumento de crimes e também de... sacerdotes.

E já que aqui falámos de brutal aumento de população, creio que é o tema ideal para começar este texto, esgotado o que fica para trás, e vocês devem ler apenas como prolegómeno.

Deve entender-se que o brutal crescimento da população é, a par com os vulcões, o sono das árvores e as vacas, a principal fonte de emissão de CO2. E é-o por dois motivos, um imediato, o de que qualquer humano, na sua qualidade elementar de qualquer vaca, é um libertador direto de CO2, e igualmente um potencial libertador de CO2, na infinita plêiade de lixo e pegada ecológica que a sua apetência por filhos, carros, casas, hambúrgueres, roupas, viagens, festivais, skates, surfs, barbas, iPhones, iPads, Samsung Galaxy e outras coisas afins provoca.

Deve entender-se que a simples existência de cada humano, apesar de constituir tão-só 1/1 000 000 000 000 (e este número é mera ficção) da atividade de um vulcão, já é cerca de um milhão de vezes pior do que os puns das vacas, e apesar de ser este número igualmente fictício, creio-o largamente mais eloquente do que todos os puns dos vulcões.

Por outro lado, e pela sua própria natureza, toda a gente sabe que, sendo todos os humanos iguais, há uns que são bastante mais iguais do que os outros.

Assim, é já dentro dos humanos que ocorre a explosão, ainda mais prejudicial, da vaca humana, a qual junta todos os defeitos das vacas aos defeitos do humano. Sendo que, como disse, cada vaca se faz sempre acompanhar, por covalência, por um corno manso, e que a mansidão do corno se encontra, na maioria das vezes, associada à potência da exibição da alta cilindrada, a emissão de CO2 começa, só por cada vaca, a tornar-se realmente inquietante.

(Dirão os otimistas que, se a vaca se expande toda em CO2, já o boi é mais modesto, e põe a alta cilindrada, por economia, a emitir o seu CÊ Ó UM (CO). No meu entendimento, a poluição deve ser vivida como a mesma, sendo que a opção entre CO2 e CO se deve apenas a uma opção de corno manso, cujo debate químico terei de atalhar aqui).

O Donald Trump abandonou, e muito bem, o Protocolo de Paris, por que entende que ele deve renegociar-se em condições mais favoráveis para os Estados Unidos. Creio que, com o seu piscar de olho, Donald Trump nos veio dizer que pretende renegociar o papel da Ivanka e da Melania no rol da poluição do Mundo, e nós devemos ser muito respeitadores e ficar a aguardar.

Para mim, todavia, tal coisa não chega, e creio que, em vez de andarmos a assinar Protocolos de Paris, que apenas asseguram que os presentes vão ter de começar a viver pior, para poderem assegurar o viver ainda pior dos que aí vêm, por que continuam a proliferar que nem coelhos, era a altura certa de pôr um travão à Euforia do Falópio. A história da poluição do mundo confunde-se com a história da sobre ocupação do mundo, e a lógica está invertida nos termos, não é a Humanidade que está a produzir mais lixo, é apenas cada vez mais humanidade, que, produzindo o mesmo, ou até menos, lixo, estará sempre a criar maior poluição, e deve cortar-se na Humanidade e o lixo imediatamente se verá diminuído. E, já que a Religião tem andado a invadir todos os cenários, era altura de nos questionarmos sobre por que é que ainda não foi retirado do clausulado religioso o célebre “crescei e multiplicai-vos”’, e esta é a minha primeira proposta para a revisão do Protocolo de Paris, que eu vou já enviar ao Trump da América.

O resto não é melhor, já que o “crescei e multiplicai-vos” se faz por forma direta, e por forma indireta, sendo que, se a forma direta já é má, a forma indireta ainda consegue ser substancialmente pior.

Na forma direta, creio que o futuro Protocolo de Paris, já revisto pelo Presidente Trump, deverá conter uma séria recomendação, e com multas, aos credos que continuem a incitar a procriar. Pode incluir drones que lancem choque elétricos, sempre que alguém se esconder nas moitas para práticas sem contracetivo. Na forma indireta, estas recomendações e multas deverão ser estendidos a todas as formas indiretas de procriação, a saber, fufas e bichas que, com  tanto órfão, insistem em ir à pipeta, e, mais grave do que tudo, aos que, por soberba e cobardia, recorrem às barrigas de aluguer, e aqui chegamos a um dos cúmulos da emissão de CO2, e não só, Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro, que nasceu da barriga, não de aluguer, da Dona Dolores, e até foi da mesma criação, também não por aluguer, se entretanto não se pagou para se alterarem os registos, da sua bela irmã Ronalda.

No tratado das vidas exemplares, Plutarco teria tido muito trabalho em encaixar o Cristiano Ronaldo, e, no entanto, ele foi insidiosamente ocupando um protagonismo e um monopólio culturais, cuja nocividade só os vindouros conseguirão avaliar na total extensão dos seus estragos. Começou na infância, a qual, cumprindo a profecia, teve necessariamente de ser pobre e indistinta, para depois se poder dar a revelação. Como a Irmã Lúcia, ambos não puderam ser crianças e vinham já condenados a uma reclusão na idade adulta. A primeira cumpriu um voto de silêncio, e ele deveria ter tentado cumpri-lo. Se a primeira até sabia falar e teve mesmo de se calar, já o Ronaldo deveria ter-se limitado tão-só a aprender a estar calado sempre que devia, e devia estar sempre calado.

Esta liquefação de papéis culturais só encontra paralelo no Maxwell, da fusão do Campo Elétrico, e do Campo Magnético, no Campo Eletromagnético. Em Portugal, o Campo Eletromagnético foi fechado no Carmelo, e, em contrapartida, foi deixado à rédea solta no Real Madrid.

A fase seguinte é a da ascensão e dos maus exemplos. Ao contrário do Ronaldo, a Lúcia usou sempre o mesmo par de botas, nunca se depilou, e tinha um modesto orgulho no seu bigode. Consta que nunca fez milagres, a não ser na fase terminal, e como era justa, deixou o protagonismo para os irmãos desvalidos. Um dia, caiu uma criança no Brasil, e a criança sobreviveu, apesar da perda da sua massa encefálica. Na realidade, o verdadeiro milagre é o da atual sobrevivência dos milhões de rastejantes, independentemente da conservação, ou não, das respetivas massas encefálicas. No final disto tudo, foram o Francisco e a Jacinta que avançaram para a canonização, e a Lúcia, prudente, ficou só beata, naquele princípio de que os mandatos das presidências estão sempre limitados a oito anos, enquanto as vice-presidências se podem manter vitaliciamente. Beata, mas não estúpida.

O Ronaldo começou por ser ninguém, até uma mão ignota o ter convertido no melhor da sua pequena casa. Da pequena casa, passou a ser o melhor da sua cova da iria, e, de cova em cova da iria, lá o transformaram no Melhor do Mundo. O atual processo já sonha com a extensão a Marte, e lá virá. Depois do estádio e do aeroporto, falta o nome do exo planeta e da galáxia. O processo está todo em Barthes, Castoriades, Lipovetsky, Eco e muitos outros. Só que ninguém acreditou nesta semântica cultural, até ela se ter instalado.

A pegada ecológica disto é gigante. Na ausência de um oscar wilde interior, Ronaldo não procurou o melhor de tudo, mas aquilo que, de tudo e em tudo, fosse sempre o mais caro, e o caro torna-se inevitavelmente ainda mais caro, se for por ele, Ronaldo, patrocinado.

É paradigmático que o Ronaldo seja agora caçado pelo Fisco, não pelo dinheiro do que joga, por que sobre isso as opiniões até são as mais diversas e contraditórias, mas, sim, sobre essa coisa suspeita do que são os seus “direitos de imagem”. No ar de fábula de que este texto se revestiu, é urgente relembrar o existencialismo lafontainiano de Cristiano Ronaldo, e de como não lhe chegando ser rã, tanto o empurraram que acabou por se tornar num boi.

O mais grave nem é o que tudo o que é ditado por estas estrelas do mau exemplo, mas o ser imediatamente imitado por milhões, pelo planeta fora. Pouco interessa o que o Ronaldo faz, ou não faz, mas sim a tal plateia sombra que há muitos anos estava à espera de que o Cristiano Ronaldo fizesse para validar o poderem fazer também. E assim proliferaram as depilações, os brincos, as pulseiras e as sobrancelhas arranjadas. A nossa era, a Era Trump, é deplorável, e mais deplorável ainda é o tempo de antena que a Civilização perde nisto... E, assim, é aqui chegado o momento de perorar sobre toda a (in)finitude da vaidade humana.

Nos reflexos da Natureza, compete à fêmea, no apagamento natural dos dotes do seu corpo, propagar a vaidade do seu pavão. O preço é cruel, já que ela oferece ao progenitor uma réplica eficaz daquilo que ele perdeu anos a contemplar no espelho, mas a contrapartida é sempre cruel, por que lhe exige faturação e sustento para todo o resto da existência. Estas são as leis da natureza, e tudo o resto são soluços da Teresa Guilherme,nua, desnuda, pelada, à poil & stark naked.

A comissão de promoção do fenómeno Ronaldo também aqui foi prudente, e seguiu o consuetudinário das normas da Igreja: não casar o padre, para que o património não sofra diluição. Por um princípio de máxima satisfação, conseguiu assim dar a vaidade ao progenitor, através da solução de um clone de um plano pré-pago: ela recebe à cabeça pelo serviço, e evitam-se depois protagonismos e divórcios. O Ronaldo, demiurgo, desta forma cumpre as pegadas de Jesus e de Apolónio de Tiana, e concebe, não sem pecado, mas sem gaja, por que as gajas são sempre uma chatice, exceto quando se tornam urgentes e necessárias para as foder. Os menos sofisticados preferem as bonecas insufláveis e as bonecas sem ossos, da Deep Web. A solução Ronaldo é uma espécie de meio termo moderado, para consumo lato na forma de pacote integrado. Creio que os maus tratos às mulheres também deverão estar para ser, em breve, validados.

Cristiano Ronaldo é a apoteose da misoginia, e o pontapé, do alto dos seus voláteis trinta anos, em trinta mil anos do louvor da Mulher na Cultura Humana. E assim se cumpriu mais um suspiro das claques.

Na fase sequente do milagre, passou do filho único aos gémeos, ou seja, numa ótica fisicista elementar, se, no primeiro processo, foi necessário ter uma barriga de aluguer para assegurar a parturição de um filho, já no obrar de dois gémeos devem ter sido necessárias duas barrigas de aluguer. Ora, somada a primeira às duas últimas, isto faz três barrigas de aluguer, com todo a consequente emissão de CO2 que isso comporta.

Na lógica da ascensão, passava-se da beata Lúcia e dos santos Jacinta e Francisquinho para a próxima vizinhança da virgindade de Maria. Depois da conceção sem pai se avizinhar da conceção sem mãe, era preciso apontar mais alto, e mostrar que o novo Messias ainda continuava a conter uma costela de humano. E assim se fez a Georgina, que nega a gravidez, mas a sua negação da gravidez pode ser ainda mais grave do que a gravidade do emprenhanço, por que se não é um futuro emissor de CO2 o que agora ali se anuncia, até pode ser que o inchaço nem passe mesmo de um imenso depósito de metano. Quando ela o soltar, tal bufa fará tremer todo o Protocolo de Paris e até os das cidades vizinhas, o que mais uma vez dá razão ao Donald Trump...

Do ponto de vista da Física, a coisa é ainda mais grave, já que, com a Georgina a contrapor-se às barrigas de aluguer, o problema se deslocou, quanticamente, da incerteza da maternidade para a incerteza da paternidade. Tudo o resto assenta na indecisão da numerologia: e, se, desta feita, já são três, fica só a faltar agora o matrimónio para cumprir a profecia do Hermann: sempre casados e sempre pais de três filhos.

No meio disto tudo, foi o Fisco Espanhol a finalmente vir deitar uma desagradável água fria neste noivado da indecência universalA História dos Impostos divide-se inexoravelmente entre dois atores, os que nunca pagaram impostos e os que sempre tiveram de os pagar, sendo que a segunda categoria, num horizonte ideal, sonharia sempre com converter-se na primeira. Na hora da verdade, o olhar da justiça social só se projeta sobre os que são apanhados a meio da metamorfose, e foi aqui que a Fazenda justamente atacou, no momento exato em que o bloqueio ao Qatar revela como Futebol e Terrorismo, tráficos, Daesh, branqueamento de capitais e fuga aos impostos andam de mãos dadas. A ascensão deste fenómeno destruiu o que ainda poderia haver de desporto, no Futebol: mesmo para os que gostem de Futebol, hoje é impossível falar-se de Futebol, sem que as discussões não sejam imediatamente canalizadas para a poluição provocada por Cristiano Ronaldo.

Do ponto de vista do espectador, a coisa é infinitamente nefasta. Do ponto de vista do jogador, creio que seja igualmente preocupante: sempre que o Ronaldo entra em campo, qualquer adversário seu já não se encontra a defrontar um qualquer jogador humano, mas a sofrer um choque anafilático, de que nem Plotino se lembraria: contemplar, face a face, os holofotes brutais que o encandeiam e lhe dizem que nunca deverá ousar perturbar tal inquietante máquina de manobra e iluminação. Na realidade, só um louco ousaria defrontar essa incandescência ex-machina com que a sociedade foi intoxicada, e, portanto, em campo, perde-se agora sempre, e perde-se sempre que o Ronaldo agora entra.

O Cristiano Ronaldo é o exemplo mais gritante da Pós Verdade no Desporto.

É verdade que todos os episódios sequentes são ainda imprevisíveis. Como se sabe, falta ainda o Mourinho. Avanço, como previsão, que uma vez ferida a aura de Ronaldo, os bons jogadores, um após outro, o comecem doravante a vencer. E esta reviravolta é tão miserável, na queda, como foi na ascensão, mas é a lógica das reviravoltas. Está tudo previsto nas cúspides das Catástrofes de René Thom, mas a hora desta emergência continua a não deixar de ser injusta, exatamente agora, quando iam começar a surgir os milagres da beatificação (em vida) do Ronaldo.

Como podem supor, este texto poderia torna-se infinito, fosse eu pelas emissões de CO2 da Dolores, da Katia e da Ronalda, pelo que cumpre suspendê-lo agora, até o voltar a retomar. Adianto, pois, que, sendo a canonização do Ronaldo coisa ainda em profundo segredo nos bastidores do Vaticano, apenas ouso avançar com duas pequenas inconfidências: a de que o processo decerto passará pelo reconhecer do milagre do demiurgo que ousou corrigir deus, sobretudo na forma por deus destinada aos seus dentes e aos dentes da Dolores, e também o milagre desta espantosa fraude ter durado o tempo todo que durou, e ainda continuar a durar. Assim seja.


Amén.





(Dueto do fim dos mitos, no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")
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terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Diário do Trump - "Football Leaks", o evento do ano de 2016 :-)

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sábado, 31 de janeiro de 2015

España

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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
domingo, 7 de outubro de 2012

Madrid continua nas ruas, a dizer que não quer pagar os Catrogas, os Bavas e os Dias Loureiros de lá

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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

A extinção da Fundação BPN, como contrapartida para a manutenção dos presépios de Maria Cavaco Silva

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas


Imagem do Kaos


Como já Salazar dizia, extinguir uma fundação dá de comer a um milhão de portugueses. Ora, como Salazar já passou, e estamos numa era de políticos infinitamente mais consistentes, persistentes e subservientes, há certas fundações que dão de comer milhares de milhões a um punhado de escroques cada vez menos escrutinados.

Para mim, criado no  bom gosto de uma Fundação Gulbenkian, percebo perfeitamente que, na deriva do país degradado, existam coisas como a Fundação Sousa Cintra, a ver-se intocada, sinal de que o Conde Caria, tinha uma visão de futuro, de cada vez que parava o ascensor entre dois pisos, para aviar de boca o então "lifter", que acabou como fundador da Fundação. Todavia, tudo isto são trocos, já que o leitor, como eu também, já terá recebido, por email, aquela célebre descrição da maior fundação de todas, ou pessoanamente, a Fundação-todas-as-Fundações, também conhecida por BPN.

Dizem as más línguas que dava para fazer não sei quantas pontes, dar a volta à Europa em TGV, pagar subsídios até ao séc. XXII, e até fazer o impossível, como fazer o Cavaco nascer duas vezes, ou devolver a virgindade à Teresa Guilherme, mas vamos ao que interessa: o Governo, num ato de inusitada coragem, que revela a altíssima craveira da nata que nos governa, extinguiu hoje a Fundação BPN, assim retirando, dos ombros dos contribuintes, o mais pesado dos fardos com que arcava.

A decisão é politicamente dura, corajosa, e tem imediatas consequências, posto que, como é sabido, os seus quadros sempre se esmeraram em integrar tudo o que eram os resíduos sólidos do Primeiro Cavaquismo, e, mesmo, as entradas, canapés e aperitivos, do Segundo.
Mas tenhamos calma, e não nos assustemos: Mira Amaral, um criminoso, que pilhou o Estado dos fundos próprios e dos Fundos Estruturais, no meio daquelas babas com que se borra todo de boca, nas televisões, já garantiu um pensionato próprio, assegurado pela bielo-russa ou cazaquistaneza, ou lá de que merda é, Isabel dos Santos, uma empresária de sucesso, dos salões da Nova Desordem Mundial, embora haja muitos que vão ficar de fora, ou a engrossar as fileiras dos fundos de Desemprego.
Sabe-se que a decisão não foi consensual, já que os barões do PSD, depois de queimarem Passos Coelho, dificilmente encontrarão um idiota da mesma estirpe, para representar pacificamente os interesses que nos governam, e a coisa tem de aguentar-se mais uns mesitos, perdão, mais umas semanitas, sei lá, uns dias, até que se ponham a salvo alguns capitais, que o filtro de Cabo Verde -- aquilo é territorialmente pequeno -- ainda tarda em escoar.

Decisivo, foi o telefonema de Belém, em que Cavaco Silva, o padroeiro da "Coisa" disse que já tinha desistido de acabar com decência o mandato, e já se contentava com acabá-lo "de qualquer forma".

Aqui, já o tema começa a tornar-se interessante, posto que o "de qualquer forma" já está na rua, e cada vez mais atento: as caras, as expressões, o movimentar, a adrenalina, o acumular do ódio, o derrubar de todas as barreiras, representam o despertar de um Portugal Profundo, atávico, e assustador, porque imprevisível, que, ao longo da História, atirou, do alto da Torre da Sé, o Bispo de Lisboa, em 1383-85, correu com uma puta, que andava a estender os falópios a um castelhano, e foi por aí fora, defenestrou, maria da fontinhou, regicideu, e até sidonizou.

O país está agora coberto de padeiras de aljubarrota e de alas dos namorados, e, de cada vez que um escroque ministerial tenta sorrir, e pôr a penca de fora, logo tem de engolir uma vaia monumental.

Já não há assessores de imagem que consigam corrigir o incorrigível, e, por mais cosméticas que as televisões sejam pagas para fazer, neste tempo de Penélope, tudo o que eles urdem, durante o dia, é imediatamente despedaçado, pela calada da noite, por uma antiga maneira de estar, muito Portuguesa, a da rebeldia e rebelião.

Nas ruas, as "gorduras" do Estado já não são engolir incolumemente os cortes nas pensões de 300 € da Dona Alzira, mas querer ver, por exemplo, o Ferreira do Amaral, esse suíno, espetado naqueles grelhadores da Pita Shawarma, a limparem-lhe os sebos, com um cortador.


Os não alinhados, os que nada têm a perder, os que não estão em pleno emprego, nem em semi, nem em nenhum, por não serem das seitas, dos conúbios, das promiscuidades, decidiram trazer o esboço da Nova Ordem para a rua, por mais que isso chateie os comentadores do "Expresso", as Claras Ferreiras Alves deste... perdão, desse Mundo, e o lambe solas António Barreto, mais os seus números encomendados.

Eles estão desempregados, e sem futuro, e isso é perigoso, porque têm todo o tempo do Mundo, para virem fundar, pelas praças, a Nova Democracia.

Eles são as formigas que querem os postos de trabalho que as cigarras extinguiram, para poderem continuar a cantar o seu autista fado antigo.

Como Mandelbrot previu, nós estamos perante um "Cisne Negro", uma coisa nunca vista, muito menos, para os comentadores do politicamente correto, e as danças de mãos dos sete véus do sofista Marcelo, e das velhinhas ternurentas, que ainda o escutam, enquanto adormecem.

Não se assustem, todavia, os Portugueses. Continua a haver valores seguros, como a virgindade (com mulheres) da Senhora de Mota Amaral, o sacar de bolas da Santa Casa da Misericórdia, da Serenela Andrade, as mamas descaídas até aos joelhos, da Teresa Guilherme e dos seus cobridores de aluguer, dos "Rosso Escort", de só haver um único condenado do Futebol, Vale e Azevedo -- que a Conceição diz que todos eles odeiam, "porque é chique", e é capaz de ter razão... --, as visitas de Dias Loureiro à casa do criminoso agente de Angola, o não diplomado Miguel Relvas (e faço aqui um parêntesis: quando é que a Associação de Agentes da P.S.P. se digna proteger este seu membro, sempre a guardar a porta, que, ao ver entrar, pela garagem, um ladrão, procurado por todos os cantos do mundo, e, sem logo poder sofrer represálias, imediatamente deveria informar a esquadra, de Belém, de que Dias Loureiro estava ali, e para ir a conselho, com Miguel Relvas, para que a boa nova, a seguir, chegasse ao Palácio Cavacal, onde o inconsolável Aníbal já não pode receber o seu protetor do Garrafão da Ponte, de onde mandava disparar sobre a multidão?...) e dia 13 de outubro, se lá chegarmos, a Santa com Cara de Saloia vai voltar a passear-se, no seu andor, com aquele descair de cabeça sobre o ombro, que lhe é tão característico, e representa quase 100 anos de atraso mental dos Portugueses, pura oligofrenia coletiva, sem que um "snipper" lhe faça pontaria à porcelana, e a transforme numa poeira sentimental, isso era bom demais, e não vale a pena sonhar tão alto.

Olhemos, antes, para o calendário, e vejamos o correr dos dias: cada dia é hoje uma efeméride, e, cada efeméride, uma multidão, e tantas haverão de sair para a rua que esta canalha acabará por cair, a bem ou a mal, redonda, no chão.

(Quarteto do Madrid é uma festa, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino", e em "The Braganza Mothers")
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