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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Diário da Guerra - Fujam, vem aí um ciclo do Manoel de Oliveira!...

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segunda-feira, 28 de setembro de 2015

"Ronaldo, ou o Homem de Plástico" já é um sucesso de bilheteira, antes de ser estreado. Dizem que é melhor do que todos os filmes do Manoel de Oliveira. Cremos que conseguirá ainda ser pior

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domingo, 23 de agosto de 2015

Correio da Lola - "O Manoel de Oliveira morreu há tão pouco tempo, e já não se ouve falar dele, por que será?..."


Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas



Querida Lola:

Sou uma cinéfila, enfim, tento ser, que o Cinema anda pela hora da morte, e estou muito preocupada, por que há tão pouco que o maior cineaste de sempre, o NOSSO Manoel de Oliveira partiu, e já não se "houve" sequer falar dele. Será alguma censura dos órgãos de comunicação social?..."



Maria Adelaide Viana da Motta



Querida Milai:

Como pode imaginar, Manoel de Oliveira não é propriamente o tema que mais interesse a uma esquina de travecas, como a nossa, mas posso imaginar, pela tensão que se encontra nas entrelinhas do seu apelo, que seja sincero. Eu sei que, para pessoas que foram treinadas para acreditar que o Manoel de Oliveira existia, seja muito estranho que ele agora tenha desaparecido em meia dúzia de meses, quando se devia andar a ganir, pelos cantos, por ele, como faz a Viuvinha de Lanzarote, até que lhe doa a voz, e vai doer muito, até que se cale, e até que se cale, todos os dias muito se "houve" ela. Sabe que assim transitam as glórias do mundo, e não há qualquer censura dos órgãos de comunicação, já que o Manoel -- não se importa com que eu o trate assim, pois não?... -- se autocensurava. 106 anos, a punir-nos com a sua autocensura estética, filha. Toda a gente cumpriu o seu dever, de faz de conta, enquanto vivo, -- coitadinho, também precisava -- e a História faz hoje o seu papel, depois de morto. Mas vamos ao que interessa, já que a menina se diz cinéfila. Eu acho que, no fundo, também sou cinéfila, e muito. Pelo menos, adoro enredos, fazer teatradas e pôr os machos convencidos de que subiram ao palco do mundo, quando apenas estou a tentar que me montem, coisa que, como sabe, vai rareando, ao contrário da posição inversa... Agora, quanto à Sétima Arte, tirando os dias em que eles me levam para a fila do fundo das salas do Amoreiras, para fazer porcarias, enquanto as meninas comem pipocas e mexem nas braguilhas dos seus rastas, confesso que o que adoro mesmo são os vídeos da Sheilinha. Há mais Cinema num vídeo da Sheilinha do que em todos os filmes do Oliveira. Ela é puramente G_e_n_i_a_l, e, ao contrário do Manoel, que começou com o "Aniki Bobó" e imediatamente estagnou por aí, sendo tudo o resto uma longa agonia de mais de 100 anos, a Sheilinha tem um percurso estético muito bem balizado, pensado e conseguido, e também, curiosamente, com o bobó como grande leitmotiv. Ela é uma espécie de Grados ad Parnassum, cheio de modéstia e discrição, como compete a todas as mentes brilhantes de todos os tempos. Quem sou eu para lhe dar aulas de Cinema e de bom gosto, mas já que me escreveu, a Maria de Belém que eu tenho dentro de mim, pequenina, mas generosa, pede que lhe responda: e é assim, meu amor, a fase "Aniki-Bobó" da Sheilinha, vendo calmamente as coisas, deve começar com o seu célebre "Puto Futebolista", uma curtíssima metragem de 1' 20'', que, com escassíssimos recursos, consegue fazer reviver a densidade neorrealista de um fim de dia atrás do esférico. Uns vão para o balneário, a Sheilinha aproveitou para rodar uma obra prima, câmara estática, uma perspetiva de alçado, feita em mira fixa e com plano médio, apenas com o seu profundo e suspirado "o meu futebolista...", em que há mais poesia e naturalismo do quem em todo o Cesário Verde. Muitas vezes me pergunto, seria a Eunice Muñoz capaz de transmitir, melhor do que a Sheilinha, aquela colocação e projeção de voz?... Veja atentamente, e repare na qualidade dos cenários, dos adereços, do salto alto chinês, da liga, da meia de vidro rasgada, a evocar a "Grande Depressão", o maneirismo da média luz, da captação de som, que em nada se parece com a locução dentro de caixa de sapatos, nem com aquele grasnado falso e teatral, das múmias estáticas e ganzadas, dos filmes do Manoel. É um dos primeiros grandes papéis da nossa Sheilinha, e muito próximo do "Puto de Oeiras", outra obra prima, todo filmado à rebours, começando na leitada, e só depois recriando a esfrega que a ela conduziu, tudo em puro plongé, grandes planos, os diálogos reduzidos ao indispensável, ao "abre...", ao "castiga-me...", e um calor tão somente assegurado pelos dois intensos minutos de gemidos. Toda a inquietação da passagem da juventude à idade adulta, condensada numa mão cheia de magníficos segundos de bom cinema, é isso, e só isso. Na fase seguinte, a Sheilinha faz a sua primeira incursão pelo filme histórico. É a altura do "Pantera", uma vivida homenagem a Eusébio e ao mangalho de Barrancos, que depois virá a repetir, em "Mamada com o meu bonzão negro", e a de "Ricardão", que muitos consideram ser a sua "Salomé", dada a omnipresença da encantadora "Dança dos Sete Véus", com que a obra prima começa, e o seu São João Batista, que lhe mete a cabecinha do dedo, e acaba a enfiar a cabeçorra do caralho. Não há diálogo que ali não seja cuidado, e eu até quase que podia assegurar que lá está a mão e a visão premonitória de grandes vultos, como Agustina Bessa-Luís, Vasco Graça Moura e José Rodrigues dos Santos. Mas, na verdade, quem será o autor dos maravilhosos "Miau...", que vão pontuando todos os grandes planos que asseguram o enredo, e que a Sheilinha maravilhosamente incarna?... Há uma preocupação ecológica e de reaproveitamento de recursos: o seguinte penetra-a utilizando sempre o lubrificante do anterior. Já o "Sr. Doutor deu-me leite", querida, contornando todos os academismos e voltando a apostar num tirado polo natural, é um retorno à narrativa tradicional, que antecede a passagem às grandes produções, como "Foda à noite, em Coimbra", em que os valores do campo e da atmosfera noturna triunfam sobre a intensa voragem de interiores que a precedeu. É a sua fase Monet. Como no Período Barroco, a Sheilinha dirige os seus gloriosos concertos brandeburgueses a partir do cravo, e é simultaneamente realizadora e atriz, quando não está a levar atrás. Quer mais economia?... Quer mais precisão de estilo?... É o próprio Princípio de Maupertuis, a dizer que se pode chegar a grandes resultados com a maior economia de meios!... Presentemente, minha fofa, a Sheilinha inspira-se diretamente nos grandes clássicos, e no estar diariamente a recriar a sua "Olympia" nas molduras de espelhos das Folies Bergères. É o período atual, das crossdresser que se comem umas às outras, e parece indiciar um período intimista, muito mais autobiográfico, de uma grande carreira, que só agora começou. Outros dizem que caminhará para as épicas, a dois, a três, ou a mais, como Kurosawa, ou avançará para Shakespeare, mas... mas... who cares?... Eu sei que deve estar avidamente a ver todos os filmes que lhe recomendei, e acabará por me dar razão: neste poucos minutos da Sheilinha há, ou não haverá, muito mais arte e profundidade do que nos quilómetros de película queimada do Manoel?... Se isto não é Cinema, então, por onde andará o nosso Cinema?... Precisou de alguns subsídios do Estado, para produzir obra prima atrás de obra prima?... Não!... Quer que seja sincera?... Ela é o nosso Eisentein, sim, o nosso Eisenstein, a inspiração de todas as crosdresser deste país!... Deleite-se com o que é bom, por que, por melhor que agora se ande a anunciar por aí o "Montanha", de João Salaviza, tenho um dedinho que me diz que ainda acabarão os dois, o Salaviza e a Sheilinha, a rodar uma mega produção, que o Cinema Português bem anda há muito tempo a precisar dela, pois anda. E por aqui ficamos. Um kisse nessa xôxa, meu amor, e espero que tenha ficado saciada.


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quinta-feira, 7 de maio de 2015

"The Braganza Mothers", no dia em que Portugal descobriu que a sua contribuição para a Cinematografia Mundial continuava a ser desastrosa: depois do Manoel de Oliveira, vem agora o Fábio Poças, ó, pá, por amor da santa, não!... :-\

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sábado, 11 de abril de 2015

Manoel de Oliveira: um duplo e demasiado adiado adeus


Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas



Dedicado aos meus alunos da ESAD, onde este tema tem sido, ao longo dos anos, recursivo



É sintomático de todas as grandes civilizações endossarem longevidade e Sabedoria, pois quanto mais a longevidade se aproxima da Sabedoria mais a Civilização se torna civilizada, o que é um dos axiomas da permanência e arcano da Cultura. Pelo contrário, quando as civilizações se diluem num efémero Eterno Presente, toda esta longevidade se torna contraditória com a sua própria fluência, e se converte num obstáculo ao Mito da Eterna Juventude.

Sobre Manoel de Oliveira, muitas coisas se poderiam dizer, sobretudo pelos apreciadores ou depreciadores da sua obra, em nenhum dos quais me incluo. Manoel de Oliveira interessa-me muito mais, enquanto doença de Portugal e doença do lugar europeu.

Como delineado por D’Ors, a travessia barroca das culturas inevitavelmente apresenta sintomas de contaminação de área, com a arquitetura a ser invadida pela joelharia, a pintura pela retórica ou a música pela poesia. Com Manoel de Oliveira a transgressão deu-se, inicialmente, por uma extensão da literatura ao espaço do cinema. Enquanto elasticidade topológica, e sinal de inexistência de proteção imunológica, esta deformação literária passou a integrar o tempo e a ganhar um lastro incompatível com a contemporaneidade, conferindo corporeidade a objetos progressivamente mais monstruosos e in manuseáveis.

Concomitante com a crise do Cinema Europeu, atida, pela incompatibilidade da sua essência iminentemente política com a necessidade de uma arte acomodada e afável para com as transgressões económicas e financeiras imperantes, ao expansionismo neoliberal, o séc. XXI cinematográfico já não comportaria pasolinis e mesmo as poderosas radiografias dos submundos secretos de Polanski logo foram colocadas sob tutela, e atoladas em grotescos processos judiciais. Essa verve nacionalista, enquanto distintora das qualidades culturais dos percursos históricos locais, sempre aspirou à universalidade, o que originou o pilar plural dos anos de ouro da cinematografia europeia, por oposição ao quase monocordismo das produções americanas. Simultaneamente, o declínio do padrão francês face à ascensão do romance anglo-saxónico, com eventual exceção de Woody Allen e David Lynch, um cinema de efeitos e psicologismos elementares, assentes na força, tomou de assalto os gostos das massas desvitalizadas da contra reforma dos Anos Hippies, e fez colapsar os espaços de criação europeus. A perversidade de tal processo atingiu o seu clímax na apropriação sincrética dos mesmos atores da colonização anglo-saxónica, a par com os protagonistas da tradicional retórica cinematográfica cisoceânica, como aconteceu, num sentido, com Almodóvar, e em sentido totalmente inverso, no papel exemplarmente desempenhado pelo criador Manoel de Oliveira. Sendo que o roteiro desta colonização secreta e dos seus intervenientes ainda está por fazer, a questão, como Wenders poderia dizer, será sempre a de ter de identificar a longa linhagem de homens que traiçoeiramente venderam a Europa à América. Ironicamente, enquanto, por todo o lado, morriam Pasolini, Visconti, Bergman e Fellini, Manoel de Oliveira sobrevivia e persistia.

Os problemas estéticos de Oliveira, única matéria que nos interessa, são múltiplos e incontornáveis: o primeiro, o da longevidade, permitiu que servisse muitos senhores, orientando-se pela diversa cor das suas muitas vontades. Não é caso único, como o fluctuat nec mergitur de Almada, de quem é, em contra simetria, sombra, ou de Sade, que sobreviveu a todos os regimes, conseguindo que todos o hostilizassem. Todavia, ao contrário do Divino Marquês, e na implícita crise da criação dos totalitarismos, Oliveira foi pacífico, e assegurou, com estabilidade, o seu lugar social, transitando para a Democracia com a mesma impavidez anterior. Ao contrário de Saramago, do qual se distingue pela não negatividade de caráter e pela fidelidade aos lugares da identidade nacional, não incomodou antes e ainda incomodou menos depois, embora tal não consiga ir mais além de meras minúcias e considerações biográficas.

O segundo problema estético de Oliveira são as referências, fundindo um autismo de linguagem cinematográfica com o anacronismo das suas fontes literárias. Não por acaso, morreu no ano do centenário de “Orpheu”, persistindo nas ancoragens ultrarromânticas de Camilo e dos neocamilianos, ignorando os entrechos do nosso/seu tempo, o que seria plenamente válido, como em muitas linguagens da Contemporaneidade, não fosse esta fixação nas mesmas palavras uma implícita exclusão totalitária de quaisquer outras. Foi brilhante, enquanto desportista, e escultura humana, digna do olhar de Riefenstahl; já em “Aniki-Bobó” se encontrava obsoleto, ao colocar-se ao lado do Neorrealismo, contra a voragem surrealista.

O terceiro problema estético é o de uma clara violação do postulado da economia. Nunca, como em Oliveira, o Princípio de Maupertuis foi tão vilipendiado: passando de um cineasta da hora local, tornou-se numa referência de delapidação de recursos, que não poupou atores, cenários, adereços e meios. De simples fenómeno regional, se converteu num lugar de exibição de poderes, mas ao contrário de Arquimedes, que pedia um mero apoio, para, com uma alavanca, levantar o Mundo, Manoel de Oliveira teve nas mãos um mundo inteiro e não conseguiu senão demarcar precários apoios e permanecer no estatismo do mesmo local.

O quarto problema estético de Oliveira, do qual foi involuntário protagonista, prende-se com a dupla polarização do tempo crítico que atravessamos. Como Cesariny ironicamente dizia, Oliveira era um pretexto para o cinema mais retórico do Mundo, o Francês, ter conseguido autojustificar-se, ao forjar um ainda mais monótono do que o seu, e aqui chegamos ao fulcro da nossa crítica maior, a do papel desempenhado por Manuel de Oliveira como agente contemporâneo de um neocolonialismo cultural, tantas vezes vivenciado, entre franças e inglaterras, pelo país português. Assim como a Academia Sueca, em risco de terminar o séc. XX sem nunca ter atribuído um Nobel à monumental e milenar literatura portuguesa, incorreu no erro de o desperdiçar num epifenómeno de visibilidade duvidosa, também a longevidade de Oliveira permitiu que ele se tornasse numa inesperada testa de ferro das reações de retaguarda contra a maré de normalização do cinema de efeitos sem enredos da máquina de intoxicação hollywoodesca. Esta questão é, todavia, menos grave do que o historicismo que a acompanhou, e constitui o problema estético seguinte.

O seu quinto problema estético é o do imobilismo associado à conceção de metrópole e colónia. Num preconceito etnocêntrico, a História apenas decorre e se constrói nos grandes polos do Mundo, restando aos outros lugares o do espaço do turismo da visitação. O típico, o local, o pitoresco, o imutável e inalterável ficam assim para as franjas da Civilização, os lugares himalaicos, os espaços artesanais, os relógios do tempo. Para os buscadores das danças sagradas tailandesas a maior heresia bastaria ser a existência de uma expressão coreográfica sudoasiática contemporânea, assim como ninguém espera encontrar uma máquina automática de distribuição de cigarros no seio das amassadoras tradicionais de pão berbere, do Anti Atlas, e, no entanto, ali também se fuma… Ao tornar-se num realizador típico, coartou à cinematografia portuguesa a possibilidade de se tornar num motor vanguardista de uma hipotética revitalização da linguagem europeia, e converteu-nos, pela exposição das nossas obsessões menores, num mero lugar de peregrinação regional. Ao contrário das linguagens cinematográficas fortemente marcadas pela presença do texto, como Duras ou Syberberg, o lugar do local não ascendeu à universalidade, antes conseguiu, tão só, atrair para as periferias de um Porto sem luz uma Europa pontual, e voluntariamente, anestesiada.

O seu sexto problema estético deriva de tudo o anterior: ser um realizador cujas obras se destinavam, à partida, ao gigantesco Museu do Esquecimento, convertendo todo o Cinema numa insuportável forma de Arqueologia. Na sua fase crítica, ou apotropaica, Manoel de Oliveira eventualmente conseguiu forjar, num wagnerianismo obsoleto, uma peculiar forma de apoteose negativa da obra global, capaz de subverter a criação cinematográfica num indigerível corpo de recitativo e recitação, de musicalidade e estridência, de pletoras visuais e fotográficas, do onanismo pictórico e da própria estagnação da dramaturgia, através da negação da ação do ator e dos enredos. No seu implícito quinto império visual, Manoel de Oliveira foi um pretexto para os seus promotores fundirem, numa velha linhagem de amálgama cultural portuguesa, a anacrónica impossibilidade dos contrários. Ao tornar-se longevo, escolástico, em tempo de cartesianismo, tornou um epifenómeno num estado crónico de estagnação da nossa produção cinematográfica; ao tornar-se institucional, estendeu o dantismo literário à filmografia; ao ser patrocinado pelas culturas colonizadoras, tornou-se numa castrante e impermeável Muralha da China da nossa criatividade. Manoel de Oliveira instaurou um irremediável Mar Morto da nossa cinematografia.

A longevidade de Manoel de Oliveira, que muitos apontam como uma das suas maiores qualidades, é, de facto, um dos seus maiores defeitos. Como Oscar Wilde diria, em Arte não há boas intenções, ao que acrescento, nem máquinas de propaganda que eternamente durem. Na verdade, Manoel de Oliveira já passou à História, a uma certa História, a um lugar muito definido da nossa História Cultural, como um criador que teve demasiado tempo para sanar a insanável fratura entre a sua obra e o potencial público nunca granjeado. Ao contrário das polémicas artísticas da contemporaneidade, e do maior ou menor tempo de que gozam para atingir a pacificação, Manoel de Oliveira, um homem de província, do Norte, teve 100 anos para cativar um público, que nunca cativou. Certamente os próximos cem lhe não serão mais favoráveis…

Enquanto intelectuais e criadores, a História imediatamente nos colocou em campos disjuntos e incompatíveis. Tivemos a sorte de nunca nos cruzarmos, exceto na maior liberdade que tenho, enquanto manipulador de escassos recursos, por oposição a máquinas pesadas e inamovíveis, como a de Oliveira. Ao contrário do realizador, o escritor apenas precisa de um meio de escrita, com o qual criará a meia linha assassina que destruirá uma obra inteira. Como escritor, conheço o poder dessa força; como não frequentador da obra de Oliveira, não me compete, a mim, exercê-lo, antes traçando, como Gaius Popillius Laenas, a célebre linha de areia no chão, que delimitará o reino futuro de Manoel de Oliveira.


Para que não fique uma profunda sensação de negatividade no escrito e ainda possa presidir alguma beleza a este ensaio, que se debruçou sobre alguém que foi humanamente inócuo, e apenas, por equívoco, esteticamente nocivo, Winckelmann dá-nos uma excelente pista para o modo como o Futuro poderá salvaguardar o património de De Oliveira: à maneira do maravilhoso vidro ptolomaico, millefiori, um dia, em que os insuportáveis volumes cinematográficos do autor se estilhacem, os vindouros poderão, mas só como fragmentos, extasiar-se com alguns apontamentos fotográficos, alguns lugares de luz e cor, feridos pela nostalgia da perda da infinita, mas insuportável, Atlântida cinematográfica, de uma cultura claramente em agonia.
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quinta-feira, 22 de maio de 2014
quarta-feira, 7 de maio de 2014

Casa "Manoel de Oliveira", um horror arquitetónico, não encontra um único comprador, sobretudo, depois de se ter espalhado o boato de que a carcaça vinha incluída :-)

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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Manoel de Oliveira, completamente senil, foi recebido pela Suricata da "Assembleia Nacional", e quer fazer um filme de 20 horas sobre os 20 anos em que Cavaco esteve a destruir Portugal

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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

"A inocência dos Muçulmanos", a nova superprodução, inspirada por Manoel de Oliveira, promete ser o sucesso nuclear deste outono :-)

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sábado, 8 de setembro de 2012

Manoel de Oliveira: mais uma vez, o alerta tem de vir "de fora", para um povo iliterato e mergulhado na sua permanente autocontemplação

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Manoel de Oliveira, um grave problema de obsolescência estética, e um rosto do impasse cinematográfico português. Não, Carlos Boyero, o dilema não está entre "obra prima" ou "insuportabilidade": ele é idiossincrático, e assenta numa síndrome de autocontemplação, e autossuficiência, portuguesa, que impede a sua massa conterrânea, pasmada, de exercer o juízo crítico radical, ou, por palavras correntes, "como não se entende, é porque ele deve ser... bom". Decididamente... já não é, e há muito tempo.

"Celebro que el maestro me aclare el argumento de su película ya que a mí me resulta imposible entender nada de lo que me está hablando. Pero si normalmente su lenguaje para no contar nada se distingue por el estatismo, aquí ha superado todos sus límites. Ojalá que Oliveira viva 100 años más si ese es su deseo, aunque mi alivio será inmenso el día que ya no tenga la obligación profesional de ver sus películas en los festivales, los únicos escenarios que ofrecen admirado cobijo a su insoportable cine."
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