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domingo, 1 de abril de 2018

forget-me-not

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Vamos ao mar, na Páscoa. O coelho ficou amuado, mas na ausência de horta, uma cenoura ou duas basta para o calar. Não que os coelhos sejam palradores, mas este julga-se o protagonista da festa, a par com os ovos, os cordeiros, os folares, as amêndoas. 
No entanto, parece-me fria a água, a lua cheia e a maré vaza.


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sexta-feira, 30 de março de 2018

Lua cheia

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Sexta feira santa

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domingo, 16 de abril de 2017

retrato de domingo enquanto páscoa

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Os jarros tingem de vermelho os guardanapos brancos. Os malmequeres soltam um pó amarelo-torrado nos copos de água. As rosas lançam espinhos em dedos incautos e as estrelícias são os galos a cantar de madrugada
Este é um retrato de domingo enquanto Páscoa. A toalha estendida sobre a relva, as flores onde quer que cresçam e o coelho a esconder ovos de chocolate no ninho dos pássaros.


ave-do-paraíso
fotografia de mb
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sexta-feira, 14 de abril de 2017

Fabergé

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domingo, 27 de março de 2016

o coelho amuou

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Falo-te da Páscoa ou talvez não. Pousaram duas poupas de crista no poste velho da rua e eu nunca tinha visto duas aves assim e lançaram esse seu outro canto semelhante ao do cuco e na ausência de montados de sobro e azinho, acrescida a distância dos carvalhais, apenas posso dizer que algum pinheiro as cativou.
Quando o coelho chegou, ainda eu lhes delineava o preto e branco das asas, o pescoço ocre e sobre a cabeça, aquele leque de levar à ópera nas noites de estreia.
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domingo, 5 de abril de 2015

o coelho chega mais tarde no domingo de páscoa

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Assim que pôs uma pata no passeio foi abalroado por um grupo de turistas felizes que o apontaram a dedo. E antes que abrisse a caça ao coelho, deu meia volta e regressou a casa. Colheu cenouras, colocou um avental e a cantarolar fez uma torta doce ensopada de sumo de laranja. Ao entardecer, beberá dois cálices de Porto velho mesmo que chova.


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domingo, 20 de abril de 2014

domingo páscoa

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Almoçam tarde nesse dia. Dizem, lembras-te e riem. Brigam como sempre, não perdoam, gritam, discutem, pacificam-se. Não assam cordeiros, não atravessam mares. A mesa parece apenas um pouco mais pequena e as flores da laranjeira estonteiam o voo dos gaios, serão imensos este verão deu-lhes o sol e um golpe de vento. 
A memória é um lugar inexato. Um dia perde-se. Leve como uma pena, renasce na cabeça de um peixe estrela e ainda é páscoa neste dia.



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domingo, 31 de março de 2013

pássaro branco em folha preta


os pássaros de Johann Knopf desenhados por mim
Quando desenhou o primeiro pássaro ainda não era quinta-feira e os cantos da folha eram apenas três.
A chuva permanecia líquida e as trovoadas noturnas sucediam-se a um ritmo considerado perfeito para fazer crescer a alfazema e o alecrim. Com a primeira, enchem-se pequeninos sacos de talagarça bordados a ponto cruz. Com o segundo, tempera-se o cordeiro e as batatas novas.
Nunca tinha visto um pássaro assim, nem mesmo os que pintara nos azulejos mate da cozinha e que aos primeiros sinais da primavera, levantaram voo em busca das andorinhas dos beirais numa profusão de cantos e de gritos.
Este não aceitava a cor nem o movimento das linhas, estilizava-se provocatoriamente e resmungava, quero ser um pássaro branco numa folha preta. O homem achou perfeitamente natural ouvir a voz do pássaro e quando a sexta-feira chegou, tinha desenhado dois pássaros brancos presos numa folha preta.
Na manhã de sábado, multiplicados os pássaros, os cantos da folha eram quatro e o homem percebeu que o ar se respirava de uma outra forma, que o seu peso tinha mudado como se já não precisasse de braços nem de pernas.
No forno, os folares doces pincelados com a gema amarela dos ovos inundavam a casa de um cheiro a fermento ázimo e o silêncio pousava ainda sobre as coisas.
Abriu as gavetas, limpou o pó às cadeiras, passou a ferro as toalhas e os guardanapos, enfeitou as jarras com as rosas-chá e escondeu os ovos de chocolate nos canteiros e no vaso das túlipas.
Na folha preta os pássaros bicavam, batiam as asas e nas cabeças tinham-lhes crescido as cristas e as poupas.
Então o homem rasgou os quatro cantos da folha, soltou o pássaro branco e junto com os outros pássaros iniciaram o seu voo de passagem, dando-se margem, leito e foz.
Era domingo e o bronze dos sinos repicou.
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