Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas
Todas as manhãs o homem constrói um crocodilo com a areia da praia. De cauda virada para a água, olhos salientes, boca escancarada, a mandíbula assustadora e para ilustrar melhor a cena, um braço humano decepado e muita tinta encarnada a salpicar. Por fim, rodeia-o com um fosso, estende uma toalha azul e espera as moedas e as fotos. As pessoas parecem gostar, mas fica mal ali, o homem, o crocodilo, o sangue, o fosso, o braço.
Todas as manhãs o homem constrói um crocodilo com a areia da praia. De cauda virada para a água, olhos salientes, boca escancarada, a mandíbula assustadora e para ilustrar melhor a cena, um braço humano decepado e muita tinta encarnada a salpicar. Por fim, rodeia-o com um fosso, estende uma toalha azul e espera as moedas e as fotos. As pessoas parecem gostar, mas fica mal ali, o homem, o crocodilo, o sangue, o fosso, o braço.
Uma rapariga pergunta-lhe, porque é que não fazes uma
baleia, um golfinho, uma sereia, um peixe-martelo, uma tartaruga e soltas o
crocodilo no rio Nilo?
O homem responde torto, sobe-lhe uma voz de réptil, um
instinto fatal. A rapariga não se intimida e replica, não tarda, vem a maré alta e leva-o. E levou.
Eu por mim gosto da praia quando chove e os crocodilos
regressam a casa para o Natal.
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