segunda-feira, 10 de março de 2014

Correio da Lola - "Querida Lola, tanto, tanto, mas tanto, polícia... e tão mal educados..."


Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Querida Lola:

Moro na Rua de São Bento, e ando apavorada, todos os meses há multidões de arruaceiros a descer a calçada, eu sou uma mulher séria, limpa e honrada, os meus gatos deitam-me as unhas e rasgam-me os reposteiros todos, de cada vez que eles se põem aos uivos nos megafones, mas acho que esta última manifestação dos polícias ultrapassou todos os limites da boa educação... e andamos nós a pagar dos nossos impostos esta pouca vergonha, a uivarem como animais, quando deviam era ir silenciosos, e de braço no ar, a agitar lencinhos, como eu e o meu defunto  fazíamos, sempre que íamos à Procissão do Adeus, no santo lugar da Cova da Iria.



Almira Ameixoeiro, Rua de São Bento, Lisboa



Querida Almira:

Compreendo a sua posição de beata, séria, limpa e honrada, embore acho que devesse ler mais os livrinhos da falecida Fina d'Armada, para perceber o enorme embuste em redor daquele dia em que a Santa com Cara de Saloia dançou, de bunda alçada, um bruto ragtime com o solzinho. Creio que posso responder à sua carta, porque, mal me cheirou a manifestação de homens fardados, fui como uma desvairada, por ali abaixo, à paisana, a ver se tanta adrenalina junta me dava a valente foda com que ando a sonhar, desde que os dinossauros povoavam a Terra... Sim, querida, estive na escadaria da Assembleia "Nacional", também uivei que nem uma cadela, e quando os machos começaram a querer galgar os patamares, meti-me logo no meio, para ver se apanhava a maré de ambos os lados, que, infelizmente, só tenho dois, o de trás e o da frente. Ali, sim, meu amor, vivi emoções ímpares, muito melhores do que os enxertos de porrada entre as claques do mafioso Pinto da Costa e os seguranças assassinos da "Noite Branca". Creio que aquela confusão deve ter sido equivalente ao momento opaco que o Universo atravessou, quando, depois do Big Bang, ficou no mesmo estado de cadeirinha de rodas do Steve Hawking, aliás, para mim, muito mais do que um Big Bang, aquilo foi um bruto Gang Bang, em que eu me senti como uma caniche cona, a aproveitar a confusão daquelas nucas todas rapadas, cheias de músculos, a entalarem-me o bastão todo nas nalgas, e quando me cansava do do meio, estendia o cu todo para trás, para a esquerda e para a direita, e lá vinha outro, da GNR, daqueles de botas, e eu estimulava-o todo, "vamos, meu macho, empurra-me por detrás, que é para eu ser esmagada pela frente...", e deitava a mão aos bastões daqueles garanhões da Guerra das Estrelas, treinados para nem mexerem um músculo, enquanto eu lhes tateava as braguilhas..., vije maria, se fosse coisa para sentir, não havia ali nada que não sentisse, e fiz o teste do algodão a todos eles, graças a deus que os nossos impostos vão diretos para pagar estes pesados pares de colhões e varas latejantes, em vez de andarem a pagar as reformas douradas dos alzheimerizados do BPI e do Banco de Portugal. De vez em quando, virava-me para o lado, para ver se a Teodora Cardoso também estava a ser ali toda encavada, mas essas já só sentem a grossura dos orçamentos retificativos, porque já não têm o vigor da traveca, aquele ímpeto do dá-me tudo, que eu preciso de ainda mais!..., e até fiz estudos de anatomia comparada, de cada vez que era empurrada para uma nuca redonda, e confirmava que os redondos a têm mais curta e grossa, enquanto os de rosto comprido são mais tipo lampreia à moda do SEF, farinheira de Choque, paio negro de Intervenção, salsicha Judiciária, chouriço de sangue do GOE e a célebre paiola Prisional. Um cozido à portuguesa, querida, onde, com tanto chouriço, me competiu a mim, a traveca, fazer de repolho e lombardo, e ser rodada por todos eles, como uma batata mole. Há que anos que eu não me sentia tão bem, e só recordo os momentos mais altos, em que aquele, de pulseira eletrónica, me empurrou, e disse, ou sobes a escada, ou eu dou-te um enxerto já aqui, e eu, toda aguada, só lhe dizia, claro que subo a escadaria, mas podes dar-me o enxerto à mesma, para eu me sentir a tua esposa, violentada domesticamente, em plena rua, e sempre que a maré subia, lá me agarrava aos bastões, os de carne e os outros todos, que a emoção é mesmo tentar ver o que fica mais rijo, se o que entesa pela pressão, se o que já vem teso da fábrica... Graças à santa que as gravações não metiam audio, porque gemi tanto, gritei tanto, soltei tantos palavrões e simulei tantos orgasmos, enquanto pedia que me empurrassem toda, pela frente, por detrás e pelos lados, volta não volta, escorregava, e ficava à altura daqueles cinturões, e lá vinha um Corpo de Intervenção que me empurrava a cabeça toda para a braguilha do seu colega blindado, tenho o pescoço completamente cheio de marcas, de equimoses daquelas caneleiras de polietureno a empurrarem-me as cervicais para os regos inguinais, virgem maria, se há paraíso, foi o que eu vivi ali, eu e a Suricata da Assembleia "Nacional", que parece que recebeu uma delegação dos melhores machos, que lhe devem ter dado uma "geraldina" de tal ordem que até hoje não se sabe o que se passou por aquelas portas dentro!... Agora, deixe que lhe confesse uma coisa: se a guerra é guerra, e entre tantos cacetes, tantos túbaros, tantas botas para lamber, tantos cinturões de couro para agarrar, tantos embuçados que se esfregavam com a força toda, o momento mais decadente foi, infelizmente, quando um daqueles "apossentados", sem vergonha, com a reforma toda cortada, em vez de me dar aquilo de que eu precisava, me começou a meter a mão por debaixo das saias, para tentar tatear o meu clit atrofiado... Aí, querida..., não..., não resisti, e exerci o meu direito de indignação, descalcei o salto alto, e dei-lhe com ele com toda a força no focinho: era o que faltava, no tsunami dos machões, aparecer-me uma fardada passiva, para me humilhar, no meio daquela multidão!... Só me faltou perguntar se era grosso, o nojento!... Acho que não lhe estou a mentir, tanto que o momento em que lhe dei um enxerto de porrada e ele teve de ser levado em braços, passou em todas as televisões, desde a SIC-Bilderberg à Euronews. Não, querida, há limites para o que uma "mulher" pode, e deve suportar... Agora, quanto à Procissão do Adeus, acho que tem razão, filha, isto foi o começo da Procissão do Adeus do regime de corrupção generalizada, que se instalou desde o primeiro 25 de abril até ao seu quarentésimo aniversário. Uma coisa me ficou a faltar: não ter podido jogar a mão aos bastões da tropa de choque da GNR: só de ver aquelas boinas vermelhas me escorria toda de umidades..., mas acho que brevemente vou ter mais sorte, porque esta semana há mais, vai ser a apoteose das fardas, e só espero ter pele suficiente para aguentar um novo embate desta virilidade fardada, que nos vai libertar dos interesses estrangeiros que se apoderaram da Nação. Quanto a si, se não está satisfeita, filha, agarre nos gatos, e, em vez de lhe estragarem os cortinados, ponha-lhes as línguas a passarem-lhe a pano de chão aquele seu hangar onde o seu esposo nunca mais fez entrar o avião... Kisses, e cuide-se.
 
 

Blogger news

Blog Archive