#Post Title #Post Title #Post Title #Post Title
segunda-feira, 30 de maio de 2016

"Jornal de Notícias": Perseguições, ciberperseguições, stalking e cyberstalking dão origem a um novo processo por dia, desde que a Convenção de Istanbul e as suas punições foram integradas no Código Penal Portugês

"No primeiro trimestre do ano, o Ministério Público (MP) instaurou "cerca de uma centena" de novos inquéritos para investigar alegados crimes de perseguição. Foi uma média superior a um processo por dia, que já quase havia sido atingida nos primeiros quatro meses de existência deste novo tipo de crime, internacionalmente conhecido por "stalking". Entre setembro e dezembro de 2015, tinham sido iniciadas 70 investigações, começou por contabilizar a Procuradoria-Geral da República."
[ Read More ]
domingo, 29 de maio de 2016

Eu e a maconha





        Ninguém entendeu por que, no início do século 20, as autoridades mundiais decidiram proibir a maconha. Não causava dependência, não trazia danos à saúde, não induzia ao crime. Se estes eram os argumentos, por que não proibir o álcool? Mas o álcool continuou liberado, porque sua proibição trouxe enormes problemas, como o surgimento de gangsters do porte de Al Capone. Situação parecida com a proibição do tráfico de drogas, por isso hoje há um caminho inverso, em que a maconha e outras drogas começam a ser liberadas no mundo todo.
        Logo cedo, quando eu tinha uns 13 anos, tinha vontade de usar alguma droga, especialmente para espantar a timidez, mas morria de medo de ser preso.
        Entre meus amigos, ninguém usava nenhuma droga. O negócio mesmo era álcool. Comecei a ver mais maconha a partir dos anos 90. Nos anos 80, a regra era beber até cair.
        O primeiro maconheiro contumaz que conheci foi aos 15 anos, um punk que só falava em brigas e maconha.
        Só fui mesmo me deparar com maconha diante do meu nariz aos 21, 22 anos, quando entrei no teatro do Macunaíma, onde eu havia estudado teatro, e o pessoal estava fumando maconha, inclusive um professor. Odiei aquele cheiro de bosta de cavalo e saí de perto, também com medo de que a polícia aparecesse a qualquer momento e prendesse todo mundo.
        Mas chegaria o dia em que eu experimentaria maconha pela primeira vez.
        Eu tinha 26 ou 27 anos e estava saindo do trabalho, de madrugada, quando uma colega me ofereceu carona. No ramo de bares, restaurantes e casas noturnas, o pessoal usa muita droga, quase tanto quanto no meio artístico e na universidade. Dentro do carro, havia mais um amigo. Assim que eu entrei, ela disse que iria preparar um baseado. Fiquei apavorado e disse que iria ao banheiro de uma lanchonete, enquanto ela preparasse. Na minha cabeça, iria enrolar o tempo suficiente para que eles fumassem. Fiquei parado na frente da lanchonete, quando ela apareceu no Fusca e buzinou para mim, perguntando se eu não iria entrar no carro. Falei que achei que eles iriam fumar antes, mas ela me disse que iriam fumar no caminho. Entrei assim mesmo.
        Não estava com fedor de bosta de cavalo. Ela disse que havia preparado com uma seda mergulhada em conhaque. Resolvi experimentar, mas como sempre acontece na primeira vez, não senti nada.
        Só fui fumar de novo no ano seguinte. Flagrei um pizzaiolo que trabalhava comigo sentado na calçada fumando. Já naquela época, eu achava que fumar maconha na rua tinha pouco glamour. O pessoal não se preocupa sempre em cultivar sedas, mas gosta de improvisar até com papel achado na rua. Depois, acham um palito de fósforo usado para usar como pilão, ao invés de andar no bolso com um pilão de prata ou algo assim. Fiquei até com nojo de alguns maconheiros podrões como estes.
        Pedi o baseado emprestado a meu amigo e dei umas belas tragadas.
        Resolvi andar pela Avenida Faria Lima e senti que umas gigantescas bolas de energia atravessavam meu corpo. As bolas vinham rolando pela Faria Lima e me atingiam. Eu achava a sensação curiosa.
        Voltei ao mesmo lugar e entrei numa lanchonete, onde havia outros amigos. Eles estavam paquerando umas meninas e eu sentei perto delas, com olhos vermelhos, chapadaço de maconha e tentei conversar, mas elas não me deram a menor bola, porque eram muito caretas.
        Algumas semanas depois, tive uma overdose de maconha.
        Peguei uma carona com amigos. Um barman, uma garçonete, um garçom e dois gerentes de restaurante.
        Começaram a passar o baseado e eu fumei demais. Fumei até o cu fazer bico e de repente, meu corpo congelou. Virei para minha amiga e disse: “Vou morrer”. Ela respondeu: “Não vai, ninguém morre de maconha”. Insisti: “Eu vou ser o primeiro a morrer de tanto fumar maconha”.
        Já não fazia a menor ideia de onde estávamos indo e penso que o motorista também não sabia onde estava indo.
        Meu corpo alternava frio e calor. Uma hora eu me sentia no deserto do Saara, em seguida me sentia no Pólo Norte. Surgiu a pior sensação: a de ficar em miniatura. Achei que meu corpo tinha diminuído de tamanho e agora eu estava do tamanho de um bebê. Quando eu tentava falar, achava que minha voz estava saindo fina e engraçada e fiquei com vergonha.
        Paramos num posto de gasolina. Pedi para alguém comprar água para mim e não cerveja. Eu achava que iriam me comprar cerveja e insisti para que trouxessem água.
        O motorista olhou para mim e disse: “Atrapalhou aí, é?”
        Consegui me arrastar para fora do carro e achei força para despaquerar a menina que estava com a gente, porque dias antes eu havia lhe dado um beijo à força e agora queria discutir a relação.
        Voltamos para o carro e o motorista continuou andando a esmo por São Paulo, sem saber aonde ir.
        De repente, chegamos a Avenida Paulista.
        Descemos do carro. A menina já tinha sido deixada na casa dela.
        Um dos chapadões, um rapaz carioca, resolveu sentar na Avenida Paulista, porque não agüentava ficar de pé. Eu peguei ele pelo braço e começamos a andar abraçados em direção a sei lá o que.
        Entramos num café. Achei que se eu tomasse um café expresso, iria me sentir melhor, mas continuei igual.
        Perguntei aos dois amigos se eu poderia dormir na casa de algum deles, mas disseram que não seria possível. Como é que eu iria para minha casa num estado lastimável daqueles?
        Despedi-me deles e resolvi pedir ajuda no Hospital das Clínicas. Vai vendo a loucura.
        Quando eu passava ao lado dos policiais, tentava disfarçar, como se fosse possível disfarçar.
        No pronto socorro do HC, havia uma fila descomunal de idosas e alguns idosos. Achei que era dia municipal de pronto atendimento a idosos, porque não vi ninguém que não era idoso.
        Sem o menor pudor, passei na frente de todo mundo e disse que precisava de atendimento urgente porque estava passando muito mal. Acho que o pessoal só fingiu que me atendeu, porque me mandaram para uma sala de espera gigantesca, com mais mil idosos deitados em macas.
        Eu até então não havia me desvencilhado de minha garrafa d’água e não parava de beber a eterna água, porque minha sede não diminuiu nem por um segundo.
        Eu ensaiava o que iria dizer ao jovem médico que atendia os idosos. “Oi, fumei muita maconha e acho que vou morrer”. Pensava que em vez de dizer “fumei maconha”, iria simplesmente fazer o gesto de fumar, levando os dedos à boca.
        Sentei-me num banco e dormi.
        Não sei quanto tempo dormi, mas percebi que não morri e estava me sentindo bem. Considerei que conseguiria chegar em casa.
        Foda foi pegar o metrô lotado na Estação Paraíso. Eu não estava em condições de ficar de pé, mas teria que ficar. Tive a impressão que levava uma hora de uma estação à outra.
        Quando enfim cheguei ao Tucuruvi, ao entrar na lotação, o cobrador olhou bem nos meus olhos, que deveriam estar vermelhíssimos.
        Naquela época, minha mãe morava num casebre de dois cômodos e durante o dia era um barulho extremo. Mas deitei na cama e dormi como um bebê.
        Acordei pensando: é assim que se torna usuário de maconha. Porque fiquei com vontade de fumar maconha todo dia, para poder dormir em paz. Aquele meu amigo pizzaiolo me disse que iria me vender maconha fiado e tudo o que eu não queria na vida era ficar devendo dinheiro para traficante. Recusei.
        Fui morar com meu amigo carioca numa pensão da Rua Augusta e aí eu fumava maconha por tabela ou dava umas tragadas quase todo dia. Ou todo dia. Limitava-me a ficar zonzo, mas houve um dia em que estávamos bem chapados e eu convidei o carioca a comer pizza.
        Começamos a descer a Rua Augusta e eu falei: “Cara, já passamos a padaria a miliano”. “Podecrer”. Quando caminhamos de volta, percebemos que não havíamos ainda nem saído do quarteirão.
        Por culpa da maconha e dos atrasos no pagamento do aluguel, fomos expulsos da pensão.
        Só fui fumar de novo três anos depois.
        Eu tinha tomado um fora terrível de uma namorada e achei que se falasse com uma amiga minha, ela poderia me fornecer maconha, porque eu estava precisando muito. Eu já havia saído com ela e amigos dela antes e eles fumaram maconha, mas eu não quis sei lá por que. Coincidentemente, no mesmo dia em que liguei, ela me disse que estava tendo uma festa na casa de uma amiga dela e eu deveria ir.
        Cheguei lá e havia uma sala só de maconheiros. Achei engraçado que minha amiga mesmo não sabendo que eu estava sofrendo e achando que eu não era usuário, me colocou na sala da maconha do mesmo jeito, intuindo que eu deveria usar.
        Fumei, mas não muito. Mas meu sofrimento passou. “Então é por isso que as pessoas fumam maconha”, pensei.
        Na manhã seguinte, resolvi acompanhar minha amiga até a estação Tietê, onde ela pegaria um ônibus para sua cidade, e ela me contou uma história que não entendi uma palavra sequer. Esqueci de dizer que durante a madrugada, por culpa da maconha, resolvi ler tarô para ela e numa das leituras, eu perguntei quando é que a gente ia namorar. “Isso depende de você”, ela respondeu. Não entendi a resposta dela, nem quis perguntar mais, tamanha a vergonha que fiquei de ter falado aquilo. Maldita maconha. No metrô, quando ela terminou sua história muito louca, eu respondi: “Esta é a história mais louca que eu ouvi na vida”. Eu me senti dentro da música “Qualquer coisa”, do Caetano Veloso.
        Nenhum destes motivos me tornaram usuário de maconha. Nunca comprei maconha na vida. Eu achava que maconha era uma coisa tão boa que eu não deveria usar, do contrário, iria mascarar todos os meus problemas e apagar meu cérebro. Eu queria continuar sofrendo. Pensando e sofrendo.
        Não fumei maconha nunca mais. Pode ser que eu volte a fumar um dia, para matar a saudade e viver mais alguma história louca.

[ Read More ]

temporã

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Cegarrega, a ziziar entardeceres. Volta não volta ouço-as, ouço-os, porque elas não cantam, eles sim. E no entanto, há tempos em que a volta é tão longa que esquecemos o arvoredo, as copas mais altas e o que prevalece é o labiríntico e o terroso. Quem nos dera cigarrar por .
[ Read More ]
sábado, 28 de maio de 2016

Diário do Marcelo - Vídeo de violação coletiva no Rio de Janeiro torna-se viral na Internet

[ Read More ]

Diário do Marcelo - Falência do Novo Banco poderá implicar a criação de um "Novo Banco Mau", e um "Novo Banco Péssimo" (aguarda-se comentário do Palhaço de Belém, do Comité Central da Geringonça, do Poucochinho Monhé, da Mulher Centrista de Neanderthal e do Poupadinho de Massamá, mas a previsão não é nada boa)

[ Read More ]
sexta-feira, 27 de maio de 2016

Real Ópera do Tejo (1755) - Gwyneth Llewelyn

[ Read More ]
quarta-feira, 25 de maio de 2016
terça-feira, 24 de maio de 2016

Diário do Marcelo - Ao novo Estaline só falta o seu novo Beria

[ Read More ]
domingo, 22 de maio de 2016

o homem-pássaro

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

E o pássaro regressava nas noites de insónia e acompanhava o homem nas manhãs de trabalho. Pousava nas cúpulas e nos zimbórios, partia uma telha ou duas, trincava o estuque das paredes, entornava as tintas. Mas cantava e o homem assobiava. Ou seria ao contrário, não sei dizer porquê.
[ Read More ]
sábado, 21 de maio de 2016

Eu queria ser o Charles Bukowski





        Em qualquer país do mundo, mesmo países que leem muitos livros, como EUA e França, a minoria das pessoas lê livros. No Brasil, a minoria é menor ainda. Editoras, no Brasil, fecham as portas, porque não vendem livros.
        Por algum motivo, eu me tornei leitor. Não sei o que torna alguém leitor. Meus pais não tinham livros. Meu pai me dava livros sobre extraterrestres e minha mãe só tinha “O Mestre e Margarida”, de Mikail Bulgacov, não sei por qual motivo.
        A escola onde eu estudava começou adotando livros muito chatos, do século 19, como “A Escrava Isaura” e “O Guarani”. Só quando eu tinha uns 12 anos, começaram a adotar livros da série “Vaga-lume” e eu fiquei viciado em leituras. Porém, o primeiro livro que li numa única noite não foi da “Vaga-lume”: “O gênio do crime”, de João Carlos Marinho. Ler livros em 24 horas ou menos se tornou um hábito. Porém, nunca me interessei por livros chatos. Quando vejo que o livro é chato, abandono já na primeira página. Já abandonei livro no primeiro parágrafo.
        O livro que me fez ter vontade de escrever foi “Feliz ano velho”, de Marcelo Rubens Paiva, o primeiro livro que li que não era escolar ou não era o “Mestre e Margarida” da minha mãe. Eu achei o livro numa estante de livros numa casa que minha mãe alugou em Peruíbe, numas férias. Li em dois dias e pensei: vou escrever a própria história de minha vida.
        Eu não sabia naquele momento, mas existiam outros livros no mundo com um estilo parecido e que se chamava “realismo sujo”. Ninguém nunca disse que “Feliz ano velho” é realismo sujo, eu estou falando isso pela primeira vez.
        Em 1992, fomos morar ao lado da biblioteca Dinah Silveira de Queiroz, no Tucuruvi. Sem saber o que emprestar, resolvi pegar qualquer livro que estivesse lá na ponta, no meio da letra “A”. Não me lembro o que tinha na “A”, mas na “B” achei Charles Bukowski e William Burroughs. Do Charles, tinha “Cartas na Rua” e do Burroughs, “Junkie”. Enlouqueci com os dois livros e parei imediatamente de achar que “Feliz no velho” era o melhor livro que eu já tinha lido na minha vida. (Na verdade, eu já pensava isso desde que havia lido os livros de Stephen King). Mas eu havia enfim encontrado autores clássicos num gênero de literatura espontânea (o termo literatura espontânea originalmente tem outro significado) e que também estavam relacionados ao movimento beatnik, embora nem todo beatnik seja realismo sujo, embora todos sejam literatura espontânea e embora Charles Bukowski não fosse beatnik, apesar de muita gente dizer até hoje que ele era beatnik. Ele mesmo afirmava categoricamente que não apenas não era beatnik como não gostava de nenhum beatnik. É clássica sua história do dia em que o William Burroughs quis se encontrar com ele, que recusou. Ele conheceu pessoalmente apenas o Neal Cassidy.
        Antes de querer ser o Charles Bukowski, eu queria ser o Jack Kerouac. Aos 27 anos, eu havia lido pela primeira de muitas vezes o “On the road”. Jack fez sua viagem aos 27 anos, após ser casado e ter publicado um livro. Pensei: tenho 27 anos, já fui casado e publiquei um livro. Eu sou Jack Kerouac. Peguei a estrada e fiquei quatro meses longe de São Paulo, vagando sem dinheiro pelo Brasil, experiência que eu teria contado num diário de viagem, que ficou no Tocantins, de onde saí fugido de um cara que queria me matar, mas essa é outra história que conto depois.
        Minha inspiração maior em Charles Bukowski começou no ano passado. Resolvi ler todos os seus livros, algo que estava enrolando para fazer desde os anos 90, não lembro exatamente por qual motivo, talvez porque tivesse ficado tão impactado pelo “Cartas na rua” que não consegui ler outro livro do mesmo autor.
        Desta vez, eu estava mais parecido com Bukowski do que com Kerouac. Bukowski trabalhou 12 anos no correio e escreveu um livro, que publicou aos 50, 51 anos. Eu trabalhei na noite paulista 13 anos e escrevi um livro e aos 45 anos ainda não publiquei. Bukowski já tinha publicado livros de poemas e contos, sem sucesso financeiro. Tinha só sucesso literário. Nesse ponto, éramos parecidos, porque eu também publiquei livros e fiz algum sucesso com meu primeiro livro de poemas, mas nunca ganhei nenhum centavo até hoje com isso. Tudo o que ganhei até hoje foi um aparelho de dvd, num concurso literário, com um conto que eu nunca dei a menor bola, nem sei por que mandei para o concurso. A maior diferença entre mim e Bukowski é que ele faz sexo e eu não. Tem uma história engraçadíssima de Bukowski em que ele traçou a namorada e duas amigas dela ao mesmo tempo, todas gordas e horrorosas (em suas palavras) e bêbadas.
        (Outro autor que me inspira muito é o cubano Pedro Juan Gutierrez, uma espécie de Charles Bukowski da ilha, que publicou o primeiro livro – autobiográfico - aos 48 anos, mais ou menos, com muito sucesso. Falarei dele em outra crônica).
        Não vou nem considerar a quantidade de sexo que Bukowski fez após fazer sucesso com seu livro “Cartas na rua”, porque as mulheres começaram a telefonar para ele se oferecendo para ir à sua casa. É claro que todo escritor, quando fala de suas conquistas amorosas, dá uma exagerada. Talvez Bukowski não tenha feito tanto sucesso sexual quando descreve, nem as mulheres fossem tão lindas quanto descreve. Mas não tenho motivos para duvidar que um escritor famoso nos EUA dos anos 70 tenha feito muito sexo com mulheres lindas. Ele publicou um livro só sobre o assunto, “Mulheres”, que acho que é seu melhor livro.
        Agora vou falar um pouquinho sobre os livros de Charles Bukowski que estão publicados no Brasil. Há muitos contos e poemas inéditos de Charles que nunca foram publicados nem nos EUA.
       
- “Notas de um velho safado” (1969) – coletânea de crônicas escritas para um jornal alternativo da Califórnia, que lhe causaram problemas com o FBI e com os correios. Aqui começa uma parte da obra do Bukowski que nunca me interessei: as descrições detalhadas de corridas de cavalos, que eram sua obsessão e razão de viver e fonte de inspiração.

- “Cartas na rua” (1971) – memórias do tempo em que trabalhou no correio. Muitas bebedeiras clássicas. Bukowski era fã incondicional de música clássica, principalmente Mahler, desprezando qualquer outro gênero.

- “Crônica de um amor louco” (1972) – publicado nos EUA como “Ereções, ejaculações, exibicionismos e fabulário geral do delírio cotidiano”. Mais sexo, álcool e corrida de cavalos. E música clássica.

- “Fabulário geral do delírio cotidiano” (1972) – segunda parte do livro.

- “Ao sul de lugar nenhum” (1973) – título original, “South of no north”. Crônicas.

- “Factótum” (1975) – romance em que se lembra do tempo anterior ao ingresso no correio e quando começou a mandar seus contos para revistas literárias, sendo desprezado por quase todas. Não me lembro de ter lido nenhum texto de Bukowski em que conta como foi que perdeu a virgindade. Bukowski, após sair da casa dos pais e abandonar a faculdade de jornalismo, vira um semi-vagabundo, trabalhando em qualquer emprego só o tempo suficiente para pagar o aluguel e comprar bebidas. Diz que não sabe por que começou a escrever, muito menos porque começou a escrever poesia. Nos EUA, é mais conhecido como poeta do que como proseador, diferente do Brasil. Também ficou rodando pelos EUA, morando em hotéis vagabundos. É um os melhores livros de Bukowski.

- “Mulheres” (1978) – como o próprio nome sugere, memórias de suas mulheres, após ficar famoso. Como ficou famoso em 1971, as histórias eram bem recentes. É o livro dele que mais gosto.

- “Misto quente” (1982) – título original é “Ram on Rye”, ou “presunto no centeio”. Achei esse título brasileiro meio nada a ver. Memórias da infância e adolescência. Nenhum relação sexual na juventude, pelo menos não que tenha resolvido compartilhar. Apanhava muito do pai, com o apoio da mãe, fato que considera determinante para a definição de seu caráter. Um dia não aguentou e encheu o pai de porrada.

- “A mulher mais linda da cidade” (1983) – antologia.

- “Numa fria” (1983) – título original, “Hot water music”, crônicas.

- “Hollywood” (1989) – crônica de sua participação em Hollywood, quando escreveu um roteiro para Barbet Schoroder, dando origem ao filme autobiográfico “Barfly”, com Mickey Rourke, a quem Bukowski descreve como idiota estrelinha.

- “Pulp” (1994) – último livro escrito por Charles Bukowski, que teve dificuldade em escrevê-lo. Estava quase com 70 anos, tendo falecido de leucemia logo depois. É uma história de detetives, no estilo pulp fiction.

- “O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio” (1998) – único livro de crônicas que Bukowski escreveu no computador. Na verdade, são trechos de seu diário tardio.

- “O amor é um cão dos diabos” (2007) – coletânea de poemas da L&PM.

- “Pedaços de um caderno manchado de vinho” (2008) – antologia de crônicas inéditas e alguns ensaios e prefácios. Através de Charles Bukowski, eu descobri John Fante, L.F. Céline e Knut Hansum. Tenho aqui também outro favorito dele, que é o Turgeniev, mas ainda não comecei a ler. Há alguns outros livros de Bukowski publicados no Brasil, especialmente de poesia. Recentemente, eu comecei a ler os livros do autor em inglês. Faltou falar sobre o posicionamento político de Charles Bukowski. Ele era de direita? Era racista, preconceituoso? Acho que Bukowski era uma mistura de anarquista com misantrópico. Ele odiava a humanidade. Só gostava das mulheres porque fazia sexo com elas, mas não parecia amar a companhia de nenhuma. Nos EUA, há mais 13 livros não lançados no Brasil e de poesia são 33.





       
[ Read More ]

Diário do Marcelo - Dança do varão, nua, desnuda, pelada, à poil & stark naked, chega ao Campus de Justiça

[ Read More ]

Lua cheia de maio

[ Read More ]
segunda-feira, 16 de maio de 2016

"The Panama Papers" versus "The Braganza Papers": offshores de lêndeas

[ Read More ]

"The Panama Papers" versus "The Braganza Papers": the Nafarros' papers

[ Read More ]

"The Panama Papers" versus "The Braganza Papers": um offshore de lapas

[ Read More ]
domingo, 15 de maio de 2016

Diário do Marcelo - Operação "Jogo Duplo" deverá deter, após o final dos jogos de domingo, dirigentes, adeptos e jogadores do Nacional, Sporting, Benfica e Sporting de Braga. Até ao momento não pudemos confirmar os outros nomes envolvidos. Hoje, finalmente, é domingo de festa, portugueses, ó, se é!... :-)

[ Read More ]

abriam as janelas aos domingos e nos outros dias também

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

I'm grown up now de Maggie Taylor


Faz-nos falta a infância. A janela do outro lado, a caixa escondida no degrau da escada, os gafanhotos ao sol. Às vezes quebravam as asas, vá-se lá saber.
Cativo é um lugar perdido ou achado na memória e tínhamos tanto a certeza de quê?
[ Read More ]
sábado, 14 de maio de 2016

Paquera na rua





            Sou incapaz de paquerar uma mulher na rua ou nos transportes coletivos.
            Isso já foi tema até de consulta psicológica. Minha psicóloga dizia que não havia problema nenhum em falar com uma mulher onde quer que eu estivesse, porque a mulher não iria bater em mim. Não adiantou nada, até hoje prefiro a morte do que abordar uma garota na rua ou no ônibus, mesmo que ela esteja me olhando.
            Vivemos numa sociedade em que o homem é quem tem que tomar a iniciativa de falar com uma garota. Mulher não paquera, não convida para sair, não paga o jantar. É o homem quem tem que fazer tudo isso. Não sendo eu lá um homem muito tradicional, tive minha afetividade e sexualidade prejudicadas pela timidez e pobreza.
            Não tenho coragem de falar com uma mulher nem que ela esteja olhando para mim. Não consigo utilizar o esquema tradicional de puxar assunto falando do tempo. Quando vou aprender algum idioma, sempre dizem que a melhor forma de puxar assunto com franceses ou britânicos é falar do tempo. Aqui no Brasil também. Mas eu não falo. Decidi, em algum momento de minha vida, que ao falar com uma garota, sempre tentaria falar o assunto mais inteligente do mundo. Mas nem sempre isso dá certo, pois a garota pode achar que você é metido.
            Até meus 19 anos, eu não tinha coragem de falar com moças nem em baladas. Na verdade, não tinha coragem de falar com mulheres em situação alguma.
            Aos 15 anos, sempre pegava o ônibus com uma garota morena com cabelos compridos e olhos profundamente negros. Ela era belíssima. Parecia vocalista de banda de heavy metal. Ficamos trocando profundos olhares por um ano seguido, até que comentei sobre ela com um amigo, que me disse que a conhecia e iria me apresentar a ela. Falei: “Pelo amor de Deus, não faça isso!” O que eu iria falar a ela? Felizmente, nunca fomos apresentados.
            Aos poucos, fui ficando mais sem-vergonha.
            A ponto de um dia conversar com uma garota que estava me olhando num ponto de ônibus. Decidi conversar com ela e quando meu ônibus chegou, lhe dei um selinho. Eu tinha uns 31 anos, acho. Foi uma das raras vezes em que falei com alguém na rua.
            Outro papo notório que tive foi no metrô. Uma garota entrou lendo o livro “50 tons de cinza” e eu disse: “Não acredito que você está lendo esse livro”. Ela foi simpática comigo e conversamos até chegar minha estação.
            Nas outras vezes em que pude falar com alguém, não falei nada.
            Havia uma garota que morava perto da minha casa e eu tinha 32 anos quando pegamos o mesmo ônibus pela primeira vez. Durante muitos meses e anos, ela não apenas me olhava como também sorria. E eu nunca tive coragem de falar com ela. Ela chegou a se sentar a meu lado. Não sou capaz de entender por qual motivo tive um bloqueio tão grande em falar com essa garota, ao longo de anos. A única explicação que eu encontro é que tinha medo de que, ao falar comigo, ela se desinteressasse pela minha pessoa. Eu queria continuar vivendo aquele romance de olhares pelo resto da vida e não queria me decepcionar ao perdê-la, após me apresentar e fazê-la conhecer a verdade sobre a minha pessoa. Uma dia, não nos vimos mais no ônibus. Ela sumiu.
            Houve, ao longo de minha vida, milhares de garotas com quem eu troquei olhares em ônibus, metrô e trem. Outras tantas com quem cruzei na rua ou até mesmo em supermercados. Fiquei sempre em silêncio.
            A última notória foi no ano passado.
            Fui procurar emprego na Avenida Paulista e, na volta, pego o metrô. Entra uma menina muito nova, com uns 16 anos, lindíssima, e não tira os olhos de mim. Até me senti bem. Velho (tenho agora 45 anos), barrigudo, pobre, desempregado. Mesmo assim um adolescente se interessou pela minha pessoa. Mesmo com medo de que ela perguntasse o que eu tinha ido fazer na Avenida Paulista, ao que eu não conseguiria mentir e teria que dizer que fui procurar emprego, aproximei-me para me sentar ao lado dela e tentaria puxar assunto. Que calor, não? Algo assim. Mas um mané se sentou ao lado dela na minha frente. Ela desceu na Estação Santana me olhando.
            Não penso que um dia vou mudar o meu jeito de ser. Eu continuo só sendo capaz de falar com mulheres em baladas, desde que elas estejam me olhando, ou na praia. Também tenho muita vergonha da minha aparência e da minha condição social. Essa minha barriga monstruosa reduziu drasticamente minha pouca auto-estima.
[ Read More ]

Real Ópera do Tejo (1755)

[ Read More ]