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domingo, 22 de janeiro de 2017

um infinito ponto verde

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Os ventos continuaram a soprar e a terra foi girando e com ela a lua e muitos esqueceram os sonhos que sonhavam com os dragões vermelhos, os verdes e os brancos e as estações sucediam-se como os jovens sucedem aos velhos até ao fim dos tempos. No reino das fivelas de jade o palácio ruíra e as fitas de seda perdiam-se agora na memória das histórias
E no entanto, a última das fivelas, a mais bela, era agora um pequeno ponto verde no universo, visível apenas para os habitantes das estrelas.
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sábado, 21 de janeiro de 2017

Yes we can :-)

"O conjunto de provas reunido pelo Ministério Público contra Ricardo Salgado na Operação Marquês indicia que este pagou várias dezenas de milhões de euros em ‘luvas’, no período que vai de 2006 a 2011, para obter decisões favoráveis ao Grupo Espírito Santo no âmbito da participação na Portugal Telecom. Os beneficiários terão sido José Sócrates (21 milhões), Zeinal Bava (18,5 milhões) e outros administradores da PT"
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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Goodbye, Obama

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Aigues Mortes (janeiro de 2017)

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terça-feira, 17 de janeiro de 2017

"Teorema das Esferas", para Hélia Reis, que agora iniciou a sua grande viagem






Para a minha Tia Hélia, para quem, num tempo, as palavras matemáticas foram vozes opostas do silêncio






A memória é escassa, e o esquecimento fundo
e as longas baías vividas no navegar profundo
dos invernos longos da inquieta solidão,
devassada nos sóis baixos da luz rasa,
e o deserto dos interiores
e as curvas planas das audácias de outrora
e os oceanos atravessados
na vertical das atmosferas,
de um tempo em que se galopavam continentes
e havia sorrisos brancos
de liberdades quentes,
namíbias ao estender da mão, 
e planaltos de escala inversa,
pela manhã, o sol, a fenecer à tarde no poente
raso e seco e brutal e ardente,
quem não lembraria hoje aquela luz cegante?

E as estações foram-se acumulando
na deriva de tantas áfricas austrais,
cantadas na voz dos insetos sibilantes
e odores das torrentes, 
e fomos recuando pelos zénites todos,
mudado o inverno pelo saudoso outono,
e, esquecida a primavera,
sentámo-nos,
frente a frente,
como se fora o verão omnipresente,
e mergulhámos os olhos nos olhos,
apenas uma criança de face apagada,
na busca de paisagens distantes,
cumes devastados em rasadas dunas,
tal o Tempo,
e o tempo, do tempo, do tempo,
ressonante, num vertiginoso circular,
e, com um dedo mágico
do iniciático evocar,
lhe tracei nos ares o inefável triângulo
de um geométrico inconsciente,
e proferi as palavras délficas
do oráculo sem nascente,
e a hipotenusa forçada ao seu quadrado
e,  do lado em frente,
inesperada e flutuante,
a apagada voz se ergueu
para completar as delidas linhas
daquela memória extinta,
soletrando a eterna vertigem dos catetos,
forçada à escravidão
um dia pronunciada por Pitágoras,
muitos éons após o Homem a ter sabido,
e assim iniciámos a nossa hipnótica ascensão,
como se,  eterno retorno
das verdades estelares,
ali pudéssemos recuperar,
na Harmonia da Esfera,
o desinteressante desfiar
da transitoriedade humana.
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domingo, 15 de janeiro de 2017

de jade

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas


Na manhã do quarto dia, o rapaz esculpiu em jade três fivelas e ofereceu-as ao rei. As fitas de seda deslizaram, umas vezes a céu aberto, outras como um rio subterrâneo e sustentaram a dança dos panos e dos quatro ventos. 
E o rei e o rapaz jogaram Mahjong até escurecer.
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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Lua cheia de janeiro

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sábado, 7 de janeiro de 2017

Soares foi fixe



Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas



Há um arranque, no Segundo Concerto, em que Beethoven desafia a Técnica pela Estética, e lança o tema do solo com uma nota tirada na tecla extrema do teclado, para mostrar que estava a desbravar ali as fronteiras e já precisava de um piano bem mais extenso. No fundo, pouco se esperou, até que Jean Henri Pape, lançasse, em 1844, o seu piano de oito oitavas. Tudo o resto foram Liszt e exercícios de bravura, e, ao falar-se de Liszt e exercícios de bravura, é inevitável que agora caiamos no tema e no homem do dia, Mário Soares, que hoje finalmente passou à eternidade.

Na verdade, o teclado dos epítetos de Mário Soares em muito se estende para lá de todas as oitavas do piano. Talvez nenhum político em Portugal tenha sido percutido com tantas das palavras do Amor e do Ódio, e isso é já uma das maiores formas de grandeza. Dizem que tinha uma forte costela de ignaro, e encolhia os ombros perante todas as provocações, o que é um modo profundamente político de ensinar a tolerância aos outros, e ensinou, pelo lado da bonomia e do bom humor. Para quem se tenha esquecido, os comunistas foram-lhe, e bem, aos cornos, na Marinha Grande, e ele nem sequer recuou, e nem sequer se encolheu, e essa foi uma das imagens que passou, e em grande, para a sua lenda.

Também corre uma certa unanimidade na fixação do seu papel na História, onde o pintam com a ambiguidade da trajetória dos icebergue, por que muito do feito ter sido invisível, e muito do que dele ficou visível talvez não passasse, afinal, de uma simples aparência de farsa, o que, no entanto, já fará parte do desbravar do futuro, no qual ele agora apenas acabou de embarcar.

Mário Soares é uma figura única do nosso paupérrimo cenário político, e um contorno incontornável dos nossos traumas culturais. Somos o país em que vingava a Segunda Escolástica, quando o Cartesianismo já invadia toda a Europa. Mais grave do que isso, foi, presentemente ainda continuarmos a achar que, no fundo, a Segunda Escolástica até era melhor, só teve "foi azar", e lá tivemos nós de papar o Cartesianismo. Esse é o mesmo Portugal que, até hoje, ainda persegue João Domingos Bontempo, só por que ele foi liberal, e por que ser liberal é um crime continuado, num país permanentemente reacionário. Mário Soares fez o mesmo, ou afim, e decidiu apontar o dedo às rançosas mazelas do nosso imaginário, pois não queria nem Igreja, nem Miguelistas, nem sucessores do Tio Caetano, e disse-o nas suas célebres três palavras, Laico, Republicano e Socialista, o que lhe trouxe uma infindável panóplia de ódios e dos afetos, embora a sua história comece muito antes, e por isso convém que se revisite este homem sobre o qual, na verdade, ainda hoje se sabe pouco.

Num essencial sobre Soares, nem sequer sei se seria interessante o Soares de antes do 25 de abril, onde foi preso, como tantos outros, mas isso sou eu, iconoclasta, a tentar enfiar uma biografia inteira pelo funil da simplificação. Soares vencia sempre, mesmo quando não ganhava. Há aqueles que adoram o Pomar, só por que que esteve na cela ao lado do Marocas, mas isso de nada serviu ao Marocas, e igualmente não conseguiu tornar o Pomar num pintor de renome mundial, por mais que muitos o empurrassem e tentassem. Para mim, também aqui basta o brilhante retrato do Bochechas da Mãozinha, uma das obras mais conseguidas da retratística presidencial, mas voltemos já ao essencial, e nem sequer vou olhar para esse Partido Socialista, fundado em 1973, na Alemanha, só o Diabo saberá, já então, posto ao serviço de quem nunca se saberá.

O Soares essencial é o de 1974, 75 e 76. Creio que a enorme unanimidade vai para as críticas sobre os procedimentos relativamente às Províncias Ultramarinas, mas creio que convém, também, fixar o guião desses tempos. O Sr. Salazar, um provinciano retrógrado, ao contrário de todas as potências europeias, com longas tradições de aculturação, exportação de procedimentos e normas imperiais, só se lembrou de começar a colonizar os seus quintais ultramarinos no momento em que a sinistra lógica mundial já tinha decidido que os iria depredar, e arrancar do marasmo lusitano, na forma de empenhados "movimentos de libertação", e nem vamos falar disso, para não nos indispormos já com os leitores. Na verdade, a "colonização" portuguesa foi uma diáspora tardia de muitas das manchas de pobreza, dos filhos segundos, e dos aventureiros que por cá pululavam, e assim puderam ir para terras extensas, para por lá fazer o que por cá não podiam, nem deviam. Na cabeça e no coração levavam, não a Fé e o Império, como muito se apregoava, mas o pior da natureza portuguesa, e até da natureza humana, com a possibilidade de fazer, com consentimento, ao "preto" de lá o que o "preto" de cá não permitia nem gostava. Quando chegou a Revolução, havia por lá uma "colonização" recente e muito postiça, e muito espalhada por toda a parte, que era um terrível estorvo para aquela comédia que se avizinhava.

Há por aí uma narrativa que igualmente põe na boca do defunto Soares a solução final, que seria "atirar com todos os colonizadores ao mar". Do Mário nada me espanta, como também não me espanta o célebre episódio de ter pisoteado a bandeira nacional, em Londres, já que na melhor nódoa cai o pano. Pessoalmente, acho que o Soares colérico seria capaz disso e até de muito mais, na primeira parte, por estar a espezinhar um símbolo que, de tão vilipendiado, se despojara do seu caráter nacional, para se transformar no triste pano bicolor de serviço de uma infindável ditadura; na segunda, por ter simplificadoramente volvido grandes massas humanas em meros agentes ao serviço de um regime que estava em agonia, e, como hoje se diz, os tinha tornado em escudos humanos de uma ideologia. Deste ponto de vista, toda a colonização salazarista não passava de uma tortuosa, cobarde e mal assumida utilização de portugueses num território de guerra aberta, no cumprimento da velha máxima, muito nacional, de, depois da casa arrombada, trancas à porta. 

É certo que estou a acompanhar a lógica do discurso, e não a lógica do que penso, já que ambos os atos e palavras do Soares seriam sempre indesculpáveis, mas eu apenas os reposicionei historicamente, e assim vamos voltar à descolonização, ou retirada apressada de nacionais, cobardemente colocados, fora de tempo e de oportunidade, num teatro de guerra, onde o desastre ou o massacre apenas estavam a ser adiados. Chegado 1975, a coisa agudizou-se, e é aqui que Soares se revela ímpar e crucial. Para os esquecidos, 1975, num mundo afundado na miséria obâmica de Jimmy Carter, correspondeu ao apogeu absoluto do espetro soviético. Um gesto mal medido, e Portugal, como a Etiópia, o Sudeste Asiático e todos os cenários de fronteira poderia ter mudado de hemisfério politico, aliás, a par com a Espanha e a Grécia.

Não sei se esta conversa teve lugar, mas Soares, tal como Churchill em Ialta, quando estava a atirar meia Europa para as trevas da Cortina de Ferro, e, subitamente, levantou o dedo e disse, "não, a Grécia... não", por que a Grécia também estava incluída no pacote das roménias, hungrias e bulgárias, para ir parar às mãos do criminoso Estaline, Soares, digo, deverá ter tido uma visão Churchill, e, homem de rasgos abrangentes, e de finíssima sensibilidade para o devir da História, deverá ter tido, por um momento, a balança dos tempos defronte dos olhos. A decisão todos a conhecem: ou a cabeça continental de um império a ficar a salvo da tormenta, com o custo de todas as suas possessões mundiais, ou agarrar-se às suas possessões mundiais, e naufragar com elas, numa qualquer decisão e destino imprevistos.

Sei que o que escrevi é horrível, mas não sei se estará tão longe da verdade quanto isso. Um cenário, muito semelhante, deverá ter vivido outro grande estadista, Ataturk, quando se tratou de salvar os estilhaços do colapso do Império Otomano. No fim, safou Istambul, e umas tiras europeias, até Andrinopla. Se também a culpa aí não foi de Ataturk, só a História dirá qual a quantidade e qualidade da culpa de Soares.

Como diria Epicteto, há os amigos de Soares e os inimigos de Soares, sendo que os primeiros só deus saberá se não foram mais nefastos do que os segundos. O homem que hoje morreu terá levado consigo os segredos das conversas com Carlucci, um pedófilo mundial, cujos apetites, in extremis, conseguiram, para Portugal, uma estranha proteção americana. Muito se discute qual o preço desse escudo, mas certamente  o seu preço foi uma hábil conquista de Soares, e creio que lhe devemos estar gratos.

O Soares, de 76, foi uma mera consequência do Soares dos dois anos anteriores. Para os de curta memória, Portugal era então um estado deprimido e vexado na comunidade internacional. Passava, semana após semana, por ridículos semelhantes aos dos que hoje se riem da ditadura cubana, ou norte coreana: um quintal anquilosado, fora do tempo, a tentar resistir a coisas sem sentido, e gerido por um bando de abutres vestidos de negro. Coube ao mal preparado Soares criar um figurino internacional, e conseguiu-o magistralmente: era um tipo de bochechas, bem humorado, que falava mal línguas, mas conhecia todos os dialetos e aldrabices internacionais. Internamente, traçou, para sempre, o perfil ideal do Presidente da República. Externamente, e aproveitando a maré das ternuras e complacências para com um estado estilhaçado por uma revolução de excessos e insuficiências, deu-lhe uma cara moderna e uma velocidade contemporâneas: dez anos depois, já tinha conseguido que fizéssemos parte do mosaico europeu, se bem que em troca da perda do mosaico ultramarino, e nem vou discutir a pertinência ou a possibilidade de outro rumo que este, já que não sou historiador, mas apenas intelectual atento.

Para quem tenha dúvidas sobre a grandeza de Soares, deveremos sempre contrapor-lhe a menoridade de Cavaco, pietista, provinciano e reacionário. Cavaco foi a continuidade de muitos dos 900 anos de costas voltadas para o progresso, que Soares, um verdadeiro social democrata, nunca representou, e todo o país ingrato se revelou, quando depois permitiu, em refluxo, que durante dez anos o Saloio de Boliqueime inenarravelmente vexasse a Presidência. Enquanto o Clã Soares multiplicava os seus golpes e negócios, por toda a parte, os amigos de Cavaco iam traçando os seus futuros perfis de vigaristas, ladrões, assassinos e homicidas involuntários, e estou a falar de Dias Loureiro, Duarte Lima, Leonor Beleza, Mira Amaral e Ferreira do Amaral, entre outros tantos. Se um apontava os golpes para o Mundo, o outro limitava-se a apontá-los para as velhas paredes do seu quintal, e o resultado disso tudo foi o presente estado de abandono e pobreza em que vegetamos e continuamos a estar.

Na verdade, se excetuarmos Pessoa, Soares foi o maior português do séc. XX, e apenas refiro esse século, por que foi nesse século que nasci e não em nenhum qualquer século outro. Morreu o Pai da Democracia Portuguesa. Depois de Soares, toda a Política será menor.

Para o fim, os últimos desafios decerto foram ainda interessantes: é já o Soares do séc. XXI que se opôs a outro espetro do ranço e do clubismo, Manuel Alegre, cuja vaidade e estupidez nos atirou para dez perversos anos do Neocavaquismo. Antepassado de "The Braganza Mothers", e causa direta da sua existência, foi "The Great Portuguese Disaster", blogue de campanha anticavaquista e assumidamente soarista. Não estou arrependido, e aqui fica a memória, no dia da partida para a Eternidade do maior estadista português do nosso tempo: quando Soares concorreu, queria evitar que os Portugueses perdessem dez anos da sua Democracia, e perderam mesmo, como veio a acontecer. Ganhou Soares e perderam os Portugueses. Ele foi previdente, os Portugueses é que não, e aqui voltamos ao início, já que este é apenas um pequeno esboço de um texto que poderia ser infinito. Como Mário Soares, nenhum político, em Portugal, rimou tanto com todas as palavras do Amor e do Ódio. De todas elas, vou agora relembrar apenas duas, essenciais, de que ele foi nosso professor, e das quais lhe teremos de ficar eternamente devedores, Liberdade e Democracia. Creio que tudo o resto foram meros trocos da Necessidade.




(Trio de grande despedida soarista, ó, Bochechas, está na hora, vai-te embora!..., no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")

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"Sei que nenhuma arte é tão viva como o teatro, que nenhuma é tão efémera, e que nenhuma teme tanto como ele que a vida lhe fuja, que nenhuma tem tanto medo de a matar."

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