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domingo, 21 de janeiro de 2018

palavras de uma ausência tardia

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas


Ouve meu anjo

o navio tinha partido
e o vento 
nesse dia era forte

muito forte

a saudade 
de ter o pajem
de volta para o leito

a praia dos tesouros.

Era uma ínsua a secar.

Ouve meu querido
menino; foi
um tiro na noite

no peito de todas
as noites
até o dia te trazer

e a noite vingar.



sem título, poema de Jorge Aguiar Oliveira


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domingo, 14 de janeiro de 2018

janeiros

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Bravo o mar, as ondas a galgar a muralha, quatro ou cinco encharcados como eu, a tiritar caminhadas. Os cães foram-se, ficaram os navios ao largo, medrosos de tempestade. 
E o farol da guia que nos guie se assim quiser.
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sábado, 6 de janeiro de 2018

os três reis

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E como o tempo esfriasse e a chuva gelasse, sopraram nas pontas dos dedos para os aquecer e beberam chocolate quente quase a ferver. Durante a noite partilharam um manto, apenas um, amarelo- torrado-alaranjado como o sol.
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terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Primeira lua cheia de 2018

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segunda-feira, 1 de janeiro de 2018
domingo, 31 de dezembro de 2017

replicante

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E então no último dia daquele ano, encontraram a fivela perdida, a que se escondera no fundo da gaveta, no bolso do casaco, na caixa antiga dos botões. Não lhe fizeram perguntas inúteis, não a criticaram pela longa ausência. Prenderam-lhe uma fita de seda e a fivela de jade dançou até ser amanhã. Ao longe as vozes, os altos, contraltos, sopranos e os tenores também. A afastar a escuridão.

...a replicar, "As fivelas de Jade" de Luís Alves da Costa

E então as árvores cobriram-se de vermelho, e o vale das ginko selvagens amareleceu. No Reino de Hongshan era o tempo breve das fivelas de Jade, e logo os cortesãos as cruzaram nas fitas de seda. Ao longe, só eram cítaras e brumas.



Nesta passagem 
e que seja luminosa a outra margem



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sábado, 23 de dezembro de 2017

o sonho da raposa

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Habitava uma caixa de madeira antiga, juntamente com um soldado, um anjo, um boneco de neve, um tambor, dez bolas douradas e uma estrela. Embrulhada em papel de seda, apenas saía uns dias pelo Natal. Sacudiam-lhe o pelo, ajeitavam-lhe as orelhas, rodeavam-lhe o pescoço com um fio de nylon e penduravam-na numa agulha de pinheiro. A casa cheirava a sonhos e a rabanadas e ela nauseada, a baloiçar, a andar à roda cada vez que alguém passava e fazia estremecer o chão, o pinheiro, a agulha. Uma noite o fio quebrou-se e ela caiu. Desequilibrou-se um pouco mas logo esticou as patas, abanou a cauda e levantando o focinho sentiu a liberdade lá fora. 
Fugiu pela porta da cozinha, um sonho no céu-da-boca, a neve, o gelo e as estrelas a galopar-lhe na cabeça. 




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quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Hiver - Solstice

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domingo, 17 de dezembro de 2017

um casaco com asas e muitos bolsos

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Era uma vez um rapaz que gostava de bolsos. Grandes, pequenos, médios e assim-assim. Nos primeiros arrumava os cadernos da escola, nos segundos, as pedras redondas e as moedas, nos médios, os pacotes de leite com chocolate e nos assim-assim, tudo o que sendo invisível para os olhos da maioria das pessoas era importante para ele. Os pensamentos e os projetos por exemplo. Não se veem, mas são reais e o rapaz guardava-os para nunca se esquecer deles. Também era um rapaz com sorte. A mãe sabia costurar e ele acreditava que os seus dedos eram mágicos e que, se ela desejasse, poderia fazer-lhe um casaco com asas que lhe permitisse voar.
À noite o rapaz sentava-se num banco baixo junto dela e as agulhas iam e vinham e as linhas de cor e lá fora na rua gelada o ruído dos elétricos sobressaltava-os sempre um pouco, apesar de ali habitarem há uma eternidade. Para ele a eternidade tinha dez anos, exatamente a sua idade acrescida dos três anos que o separavam do irmão mais velho.
Se tivesse um casaco com asas e muitos bolsos, dizia o rapaz, levaria comigo tudo o que preciso e poderia voar até ao cimo das árvores mais altas ou dos cumes das serras ou dos mastros dos navios. Ou chegar às estrelas.
E o peso dos bolsos? Prendia-te ao chão, respondia-lhe a mãe.
O rapaz mordia o lábio inferior, hesitava um segundo mas não desistia.
E todas as noites, quando cansado, finalmente adormecia, a mãe costurava-lhe um casaco com asas e escondia-lhe nos bolsos assim-assim, estrelas, pingentes e cogumelos encarnados que recortava em feltro tosco, para que ele se surpreendesse nesse natal e fincasse um pé na terra, porque o outro, precisa de ar.
Nas traseiras do prédio onde moravam, protegida do barulho e da agitação da cidade, existia uma árvore grande despida de folhas que quase tocava nas varandas antigas de ferro forjado. Na primavera surgiriam os rebentos e encher-se-ia de pássaros e folhas, mas por ora, não.
Uma madrugada, uma luz estranha acordou-o. Aos pés da cama o casaco novo que a mãe lhe fizera e o rapaz pegou-lhe, contemplou-o, revirou-o, confirmou a existência das asas e por fim vestiu-o. Era tão lindo e sentia-se tão excitado que abriu a portada e saiu para varanda. Colocou um pé em cada grade, abriu os braços e gritou. À sua frente a árvore grande e despida e junto ao tronco caída na terra estava uma estrela e nunca tal facto fora antes visto e o coração do rapaz saltou-lhe no peito e um arrepio fê-lo tremer. Num impulso desceu as escadas a correr, saiu para a rua, pegou na estrela e ela brilhava na palma da sua mão.
Ninguém poderia afirmar se ele voara, se trepara um a um os ramos nus, ou se apenas sonhara. Mas leve, tão leve era o rapaz, que colocou a estrela no cimo da árvore e o seu brilho redobrou. Depois imobilizou-se um segundo a ganhar forças para a descida e porque era glacial a madrugada, meteu as mãos nos bolsos assim-assim para se aquecer e sorriu. A cada ramo prendeu um pingente ou um cogumelo encarnado ou uma estrela de feltro tosco. E porque dormiam, ninguém poderia afirmar se ele voara, saltara ou simplesmente sonhara.


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sábado, 16 de dezembro de 2017

A pedido da assessoria de imprensa do Gabinete do Sacramento, publica-se o seguinte esclarecimento sobre os estado de saúde do ex professor..., perdão, ex presidente da república, professor Cavaco Silva (natural de Boliqueime, nas berças)





























































































































Dada a atual associação do nome da família Cavaco Silva à associação "Raríssimas", a qual se tem verificado, sobretudo na última semana, através dos órgãos de comunicação social, entende o Gabinete do Sacramento dever esclarecer que o Professor Cavaco Silva nunca teve, ou manteve, qualquer relação com a associação, muito menos, de âmbito terapêutico, ou mesmo de diagnóstico.

Salienta-se que as imagens, em domínio público, de incidentes no seu estado de saúde, se devem especificamente a episódios correntes, derivados do seu quadro clínico específico e das afeções neurológicas, que se entendem ao foro privado do cidadão Cavaco Silva, e, como tal, protegidas pelo dever clínico de sigilo.

Mais se acrescenta que tais afeções nem, em abstrato, poderiam ser consideradas raríssimas, já que os portugueses votaram sucessivamente nelas, ao longo de 30 anos, a começar em 1985 e a acabar em 2005 e 2011
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sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Publicamos, ao abrigo do Direito de Resposta, contemplado no artigo 37.º|4 da Constituição da República Portuguesa (CRP), os artigos 24.º a 27.º da Lei de Imprensa (LI), os artigos 65.º a 69.º da Lei da Televisão e dos Serviços Audiovisuais a Pedido (LTV), os artigos 59.º a 63.º da Lei da Rádio (LR) e os artigos 24.º|1 j), 59.º e 60.º dos Estatutos da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (Est.ERC), o seguinte texto que nos foi enviado pelo serviço de imprensa do Gabinete do Sacramento a pedido da Dr.ª Maria Cavaco Siva, relativamente ao nosso post do dia 12/12/17, intitulado "Diário do fim das doenças raríssimas - Sim, o gajo que era ministro da Casa Pia, quando se tratou de abafar o Casa Pia, e que se dizia que tinha um olho em frente, para mentir, e um outro em baixo, para ver o estado das braguilhas dos órfãos, pois, afinal, ele era raríssimo, ele e a Paula Brito e Costa, por amor da santa, qual raríssimo, raríssimos são os doentes, o resto é a fina flor do entulho, o estrume do costume, e todo junto, a Maria Cavaca, a Amostra Clínica, Maria de Belém, a Leonor Beleza, o Ulrich, e só não apareceu o Carlos Cruz, por que estava em período de defeso, fica para as assembleias gerais de 2018, se deus quiser :-)"

"A notícia publicada na vossa edição online de dia 12/12/17, intitulada "Diário do fim das doenças raríssimas - Sim, o gajo que era ministro da Casa Pia, quando se tratou de abafar o Casa Pia, e que se dizia que tinha um olho em frente, para mentir, e um outro em baixo, para ver o estado das braguilhas dos órfãos, pois, afinal, ele era raríssimo, ele e a Paula Brito e Costa, por amor da santa, qual raríssimo, raríssimos são os doentes, o resto é a fina flor do entulho, o estrume do costume, e todo junto, a Maria Cavaca, a Amostra Clínica, Maria de Belém, a Leonor Beleza, o Ulrich, e só não apareceu o Carlos Cruz, por que estava em período de defeso, fica para as assembleias gerais de 2018, se deus quiser :-)", pretende informar os leitores de que, na lista de políticos e entidades associadas à Associação "Raríssimas" e à "Casa dos Marcos" se pretende incluir a Dr.ª Maria Cavaco Silva, de algum modo colocando no mesmo plano os dirigentes agora sob suspeita e a esposa do ex Presidente Anibal Cavaco Silva.

Tal afirmação não corresponde à realidade, pelo que induz em erro os leitores, prejudicando assim a imagem pessoal da Dr.ª Maria Cavaco Silva, e a sua longa relação institucional com a organização, durante os anos em que, a partir da Presidência da República a acompanhou e patrocinou. Considerando que o seu nome foi indevidamente associado a uma extensa lista de gastos sumptuários, que tem vindo a ser divulgada pela Comunicação Social, entendeu vir por este meio, e para os devidos efeitos, reafirmar que, em todos os eventos em que participou, a convite da Dr.ª Paula Brito e Costa, e de quaisquer outros membros da Associação "Raríssimas", a sua indumentária foi exclusivamente assegurada a partir dos seus rendimentos pessoais, e por encomendas à sua modista de longos anos, cuja contabilidade organizada se encontra disponível no Portal das Finanças, podendo ser facultada para consulta, quer ao blogue "The Braganza Mothers", quer a outra comunidade de intervenção e perfil afim" .
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quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Publicamos, ao abrigo do Direito de Resposta, contemplado no artigo 37.º|4 da Constituição da República Portuguesa (CRP), os artigos 24.º a 27.º da Lei de Imprensa (LI), os artigos 65.º a 69.º da Lei da Televisão e dos Serviços Audiovisuais a Pedido (LTV), os artigos 59.º a 63.º da Lei da Rádio (LR) e os artigos 24.º|1 j), 59.º e 60.º dos Estatutos da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (Est.ERC), o seguinte texto que nos foi enviado pelo gabinete do Ministro da Segurança Social, relativamente ao nosso post do dia 12/12/17, intitulado "Diário do fim das doenças raríssimas - Sim, o gajo que era ministro da Casa Pia, quando se tratou de abafar o Casa Pia, e que se dizia que tinha um olho em frente, para mentir, e um outro em baixo, para ver o estado das braguilhas dos órfãos, pois, afinal, ele era raríssimo, ele e a Paula Brito e Costa, por amor da santa, qual raríssimo, raríssimos são os doentes, o resto é a fina flor do entulho, o estrume do costume, e todo junto, a Maria Cavaca, a Amostra Clínica, Maria de Belém, a Leonor Beleza, o Ulrich, e só não apareceu o Carlos Cruz, por que estava em período de defeso, fica para as assembleias gerais de 2018, se deus quiser :-)"

"A notícia publicada na vossa edição online de dia 12/12/17, intitulada "Diário do fim das doenças raríssimas - Sim, o gajo que era ministro da Casa Pia, quando se tratou de abafar o Casa Pia, e que se dizia que tinha um olho em frente, para mentir, e um outro em baixo, para ver o estado das braguilhas dos órfãos, pois, afinal, ele era raríssimo, ele e a Paula Brito e Costa, por amor da santa, qual raríssimo, raríssimos são os doentes, o resto é a fina flor do entulho, o estrume do costume, e todo junto, a Maria Cavaca, a Amostra Clínica, Maria de Belém, a Leonor Beleza, o Ulrich, e só não apareceu o Carlos Cruz, por que estava em período de defeso, fica para as assembleias gerais de 2018, se deus quiser :-)", pretende informar os leitores de que o desvio do eixo ocular do ministro Vieira da Silva advém do tempo em que tutelava a Casa Pia de Lisboa, e citamos, "o gajo que era ministro da Casa Pia, quando se tratou de abafar o Casa Pia, e que se dizia que tinha um olho em frente, para mentir, e um outro em baixo, para ver o estado das braguilhas dos órfãos".

Tal afirmação não corresponde à realidade, pelo que induz em erro os leitores, prejudicando assim a imagem institucional do ministro e dos organismos que tutela, Casa Pia inclusive. Durante o período em que tutelou tal instituição, quer enquanto Secretário de Estado da Segurança Social do XIV Governo Constitucional, chefiado por António Guterres (1999-2001), quer enquanto Ministro do Trabalho e da Segurança Social, do XVII Governo Constitucional, chefiado por José Sócrates (2005-2009), sempre defendeu que as crianças e jovens da Casa Pia têm necessidades particulares e, por isso, a instituição tem meios e uma estrutura mais forte.

Dado isso, sempre expressou a confiança em ter a Casa [Pia] "a capacidade de prevenir a existência de práticas que devem, de todo, estar afastadas de qualquer instituição e, em particular, de uma instituição com tal responsabilidade". Por tal, se deve entender que o referido desvio dos seus eixos oculares deriva de um quadro tradicional de estrabismo. O estrabismo corresponde ao desvio de um dos olhos, que se pode dar numa direção horizontal, convergente ou divergente, numa direção vertical, podendo um dos olhos desviar-se para cima ou para baixo, ou ainda segundo um eixo torsional, neste caso de diagnóstico mais difícil. Na prática, muitas vezes estes desvios são mistos, ou seja, os eixos visuais encontram-se desalinhados em mais que uma direção.

Sendo desconhecido o número de estrábicos em Portugal, mas sabendo-se que a prevalência do estrabismo para populações com características demográficas idênticas à nossa é de cerca de 3%, poderemos estimar que em Portugal existam cerca de 320.000 estrábicos e que entre estes, 50.000 sejam crianças com idade inferior a 14 anos, nem todas internadas na Casa Pia.

Dado o anterior, deve entender-se que o desvio ocular do ministro Vieira da Silva faz dele apenas um destes 320 000 estrábicos portugueses, e nenhuma outra coisa, para além disso, nada havendo que indique que um dos seus olhos olhe em frente, "para mentir", nem que o outro se dirija para baixo, para, e cita-se, "ver o estado das braguilhas dos órfãos".



(Lisboa, 13 de dezembro de 2017)
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terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Diário do fim das doenças raríssimas - Sim, o gajo que era ministro da Casa Pia, quando se tratou de abafar o Casa Pia, e que se dizia que tinha um olho em frente, para mentir, e um outro em baixo, para ver o estado das braguilhas dos órfãos, pois, afinal, ele era raríssimo, ele e a Paula Brito e Costa, por amor da santa, qual raríssimo, raríssimos são os doentes, o resto é a fina flor do entulho, o estrume do costume, e todo junto, a Maria Cavaca, a Amostra Clínica, Maria de Belém, a Leonor Beleza, o Ulrich, e só não apareceu o Carlos Cruz, por que estava em período de defeso, fica para as assembleias gerais de 2018, se deus quiser :-)

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domingo, 10 de dezembro de 2017

advento

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Pode ser uma romãzeira. Decoramo-la com bolas vermelhas, fitas amarelas, cavalos de pau e tambores. Depois numa desordem organizada, descascamos as romãs e ficamos ali a trincá-las e a conversar até de madrugada.
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sábado, 9 de dezembro de 2017

"Passos Coelho ama-te!..."

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terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Lua longa de dezembro

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domingo, 3 de dezembro de 2017

três bagas de zimbro e um salto de coelho

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Gosta do silêncio da floresta, dos atapetados carreiros de folhas, um verde seco a acastanhar-se em nervuras, pecíolos e limbos, do musgo a crescer na casca das árvores. Os raios de sol obliquam-se ao entardecer e ele ganha coragem, solta-se do bloco de notas onde plasmava há alguns dias à espera de bigodes. Tardava.
Estica as patas traseiras e num salto sai pela janela aberta, ou pela porta, ou pelos buracos não identificados que todas as casas possuem sem o saberem e por onde deslizam os pensamentos noturnos, os suspiros e as interjeições.
Eu não dou por nada. A minha cabeça pousa no braço esquerdo e este na mesa e a mesa no chão e eu adormeço cansada a largar riscos de tinta e a desejar um conto que alguém me contasse que não eu, era uma vez um coelho muito pequeno e tão manso em busca de bagas vermelhas e de fios de seda.
Ele depressa decifra os códigos de linguagem dos outros seres de quatro patas, pelo macio e cauda curta, acostuma-se às tocas e aos trevos de quatro folhas, estica e encolhe as orelhas quatro vezes, a escutar o vento e os peixes do rio a gorgolejar.
Pela madrugada esfria sempre um pouco e a minha mão direita cobre-se de frieiras e um floco de neve. O coelho regressa pelo caminho secreto dos adventos, a boca e o nariz com um pingo de rosa e três bagas de zimbro ou azevinho ou pimenta do reino para aquecer. Atrás dele um outro coelho, ainda mais pequeno, dócil e é quase natal.
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domingo, 26 de novembro de 2017

para entardecer gosto do mar mesmo que chova

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Terá sido um acaso, uma mudança brusca na direção do vento, um batimento diferente do coração da mãe, mas o facto é que nascera diferente. À medida que foi ganhando pelo e peso, tornou-se notório que os pelos da cauda não formavam riscas horizontais, mas sim, verticais. Cresceu ágil e trepador, alheio ao sentido dos desenhos do seu corpo e aos comentários hostis dos que possuíam a espécie que afinal não era a sua. A mãe defendia-o com as unhas que tinha e um dia foi ele que se cansou de estar à defesa e foi-se ao mundo. Encontrei-o ontem na praia, ao entardecer.
Para escrever, eu gosto do entardecer. Para chegar a casa e atirar os sapatos para o lado, também. Para beber chá quente, para ouvir a gritaria das aves, ainda mais. Para soltar o gato, abrir a janela, cheirar a folhagem seca dos pessegueiros, o vazio dos ramos.
Para entardecer, gosto do mar mesmo que chova. Às vezes um pargo, um caranguejo, baleias nem tanto, por isso não me surpreendi de o ver ali, embora peludo. Andava pela beira da água, as patas dianteiras esfregavam as pedras à procura de qualquer coisa. Talvez seja um rato-lavadeiro a quem pintaram a cauda de branco.
Vê lá, não te cortes nos ouriços, disse-lhe eu, assim como quem verdadeiramente diz, vê lá, pareces-me longe de casa.
E olhei em volta, não fossem os cães tardios como nós ladrar-lhe às canelas. Ele saiu da água, sacudiu o pelo e sentou-se ao meu lado. Eu tirei do bolso um punhado de amêndoas que ele comeu levando-as à boca com os dedos. Depois contou-me o que já vos contei e seguiu-me até casa.


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sábado, 25 de novembro de 2017

Há quem diga que o Proença de Carvalho é o Pinto da Costa dos advogados, mas isso é injusto, por que o Pinto da Costa é um pessoa com um coração ingénuo, e nunca se meteria em manobras de suborno do Estado, e, que se saiba, o Pinto da Costa só consegue promover "Apitos Dourados" e ameaças à família dos árbitros e jogadores, enquanto o Proença de Carvalho é mais subtil, e até dizem que é uma Paula Bobone, por fora, e um "Totò" Rinna por dentro, incapaz de fazer as coisas que estão no processo 208/13.9 TELSB, que mete tudo, desde a corrupção nas mais altas esferas da nomenklatura angola até ao preço real do voto de silêncio da Irmã Lúcia, e olhem que ela até era bastante faladora, aliás, morreu, por que era uma beata faladora :-)



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O Proença de Carvalho pode bem vir a ser a próxima vítima do presidente angolano, João Lourenço, e nós estamos muito cheios de pena disso :-)
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domingo, 19 de novembro de 2017

a rã a cantar num bote verde-folha

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Este inverno não hiberno, coaxou a rã. Não durmo, não tenho sono, tornou a coaxar a rã. As canas de água dançaram com o vento e ao longe, um rapaz assobiou. A rã apanhou duas folhas soltas e, num impulso, foi viajar.
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