#Post Title #Post Title #Post Title #Post Title
domingo, 19 de fevereiro de 2017

domingo pérsico

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Depois chega aquele tempo dos dias a crescer, dos rebentos de frésias pela relva. Não sei se é a luz ou um fio efémero a baloiçar a primavera.
[ Read More ]
sábado, 18 de fevereiro de 2017

Zealandia

[ Read More ]

Zealandia

[ Read More ]
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Marcel Proust, Église de la Madeleine, Marriage d’Elaine Greffulhe avec Armand de Gramont-Guiche (1904)

[ Read More ]
domingo, 12 de fevereiro de 2017

Alex Verhaest - arte digital

[ Read More ]

Caretta caretta

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Quando o homem lhe falava suavemente, ela esticava a sua grande cabeça e ficava imóvel a ouvi-lo, o bico entreaberto, suspensa ao mais leve movimento da sua mão direita, enquanto a esquerda segurava o balde de zinco e os joelhos dobrados num equilíbrio perfeito tremiam um pouco.
Era como um jogo, em que cada um tirava o maior prazer da companhia do outro e à primeira mão-cheia de caranguejos e camarões lançados para a água ela escancarava a boca e engolia-os com enorme sofreguidão. Depois dava uma volta sobre si mesma e num agradecimento mudo afastava-se, as barbatanas dianteiras empurrando-a para a frente, as posteriores, como os remos seguros de um barco.
Não ia muito longe, porque o tanque era pequeno e a algazarra das crianças não a deixava sossegar, gritavam, mais! E ela comia mais, só para lhes agradar. Às vezes, distante, muito distante na sua memória de criatura das águas profundas e das correntes potentes, sentia o cheiro da maresia e não sabia que era assim o cheiro mar e vinha-lhe uma saudade imensa de algas, moluscos, águas-vivas e camarões, cascos de navios, praias de areia quente e os recifes de coral que apenas ela saberia encontrar.
Um dia, depois de tantos dias, que se os soubesse contar não os contaria nunca arriscando-se a morrer cativa de tristeza e medo, caladas as vozes agudas dos meninos e vazio de comida o balde de zinco, o homem falou-lhe de uma outra forma que ela não entendia, de liberdade e profundidade, da crueldade que terminava e da coragem que ela teria de sentir para se soltar. Do peso que teria de ganhar, das corridas para exercitar os músculos e as barbatanas e o pescoço forte e o olfato apurado para procurar o seu próprio alimento e a maior de todas as lições: não confiar nele, nem em qualquer outro humano, esquecer-se para sempre de quem a cativou para que o seu próprio cativeiro terminasse.
Ela que ouvia tão bem as baixas frequências, sentiu que perdia o que não desejava perder, mas imaginou o cheiro da maresia e esticou um pouco mais a sua enorme cabeça e o homem disse pela última vez, minha querida cabeçuda e fez-lhe uma carícia mesmo por cima dos olhos.
Largou o tanque pequeno onde ecoavam as gargalhadas das crianças e o apito do comboio que a ajudava a dormir, perdeu o medo de águas um pouco mais fundas e aprendeu a identificar o seu alimento, a procurá-lo sem a ajuda do homem, a nadar, a mergulhar, fez-se forte, cresceu, ganhou peso e determinação.
Os homens, orgulhosos dela, soltaram-na então no mar alto, já ela sabia há muito que estava preparada para o fazer e eles ainda não. Mergulhou no oceano e na memória de um tempo guardado no seu coração, em que os perigos espreitam e as barbatanas fortes e a carapaça de uma tartaruga não são nada, comparadas com a luta de todas as horas por uma sobrevivência ameaçada, pela doçura de uma areia quente onde irá desovar, multiplicando as formas hidrodinâmicas dos seres que não são peixes, nem algas, nem caretas, nem homens, nem aves. 
De longe em muito longe, ainda sente uma leve carícia entre os olhos e a frequência baixa da voz do homem que a ensinou a voar.  
[ Read More ]
sábado, 11 de fevereiro de 2017

Nicolai Gedda (1925 - 2017)

[ Read More ]
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Manifesto pela Democracia nas Escolas - 2017

"Apesar dos princípios consagrados na Lei de Bases dos Sistema Educativo, assistimos a uma crescente desvalorização da cultura democrática nas escolas e à anulação da participação coletiva dos professores, dos alunos e da comunidade educativa. Verifica-se, pelo contrário, uma tendência para a sobrevalorização da figura do(a) diretor(a) de escola ou de agrupamento de escolas, sendo, ao mesmo tempo, subalternizado o papel de todos os outros órgãos pedagógicos, e desencorajada a participação de outros elementos da comunidade escolar. Esta situação é igualmente reveladora da erosão da identidade de cada escola quando esmagada pelo peso da estrutura de direcção unipessoal de governo dos agrupamentos".


Participe AQUI
[ Read More ]
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Lullaby, op. 3


Andantino molto gentile, para o aniversário da artista Manuela Baptista

Vieram os pássaros anunciar-lhe ter nascido outra vez, mas nem o senhor Buda ousaria tanto, e se sentia apenas outro reviver. Todo o amarelo dos campos nos falava da primavera precoce, como se primaveras se pudessem ler no surdo cantabile de giestas. Lembrou-se de que a Senhora da Música teria partido e deixado nas areias do jardim um só rasto de sorriso. E pegou-lhe com as duas mãos, e aceitou essa herança de eternidade.


[ Read More ]
domingo, 5 de fevereiro de 2017

primaverar

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Veio à luz. Num primeiro instante não existia, um agitar de pássaro e ela estava lá. Fez-me visível, essa pequena folha verde escura a alumbrar a manhã.
[ Read More ]
sábado, 4 de fevereiro de 2017

Almada

[ Read More ]
domingo, 29 de janeiro de 2017

os chineses festejam o ano do galo... os americanos o do Trump!...

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas




[ Read More ]

litania II

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Ainda não o grito das andorinhas. Ainda assim cantam os pássaros na madrugada. Por ora os jarros invasores e as azedas dos campos, as flores de pessegueiro, os rebentos das ameixoeiras e o cheiro a húmus e a terra molhada.
Sonha o urso e o seu coração pulsa a vaguear superfíciesgeladas. A compassar binários, a imaginar ursas maiores, enroscados um urso, dois ursos e o firmamento azul tão escuro. 
Dizem os mitos que é o homem do gelo quando sai à caça e veste essa outra pele quente assente nas patas traseiras, mas dorme ainda o urso e assim cantam os pássaros.
[ Read More ]
quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

no caminho das estrelas, das serpentes e das imagens...

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas
[ Read More ]
domingo, 22 de janeiro de 2017

um infinito ponto verde

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Os ventos continuaram a soprar e a terra foi girando e com ela a lua e muitos esqueceram os sonhos que sonhavam com os dragões vermelhos, os verdes e os brancos e as estações sucediam-se como os jovens sucedem aos velhos até ao fim dos tempos. No reino das fivelas de jade o palácio ruíra e as fitas de seda perdiam-se agora na memória das histórias
E no entanto, a última das fivelas, a mais bela, era agora um pequeno ponto verde no universo, visível apenas para os habitantes das estrelas.
[ Read More ]
sábado, 21 de janeiro de 2017

Yes we can :-)

"O conjunto de provas reunido pelo Ministério Público contra Ricardo Salgado na Operação Marquês indicia que este pagou várias dezenas de milhões de euros em ‘luvas’, no período que vai de 2006 a 2011, para obter decisões favoráveis ao Grupo Espírito Santo no âmbito da participação na Portugal Telecom. Os beneficiários terão sido José Sócrates (21 milhões), Zeinal Bava (18,5 milhões) e outros administradores da PT"
[ Read More ]
quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Goodbye, Obama

[ Read More ]

Aigues Mortes (janeiro de 2017)

[ Read More ]
terça-feira, 17 de janeiro de 2017

"Teorema das Esferas", para Hélia Reis, que agora iniciou a sua grande viagem






Para a minha Tia Hélia, para quem, num tempo, as palavras matemáticas foram vozes opostas do silêncio






A memória é escassa, e o esquecimento fundo
e as longas baías vividas no navegar profundo
dos invernos longos da inquieta solidão,
devassada nos sóis baixos da luz rasa,
e o deserto dos interiores
e as curvas planas das audácias de outrora
e os oceanos atravessados
na vertical das atmosferas,
de um tempo em que se galopavam continentes
e havia sorrisos brancos
de liberdades quentes,
namíbias ao estender da mão, 
e planaltos de escala inversa,
pela manhã, o sol, a fenecer à tarde no poente
raso e seco e brutal e ardente,
quem não lembraria hoje aquela luz cegante?

E as estações foram-se acumulando
na deriva de tantas áfricas austrais,
cantadas na voz dos insetos sibilantes
e odores das torrentes, 
e fomos recuando pelos zénites todos,
mudado o inverno pelo saudoso outono,
e, esquecida a primavera,
sentámo-nos,
frente a frente,
como se fora o verão omnipresente,
e mergulhámos os olhos nos olhos,
apenas uma criança de face apagada,
na busca de paisagens distantes,
cumes devastados em rasadas dunas,
tal o Tempo,
e o tempo, do tempo, do tempo,
ressonante, num vertiginoso circular,
e, com um dedo mágico
do iniciático evocar,
lhe tracei nos ares o inefável triângulo
de um geométrico inconsciente,
e proferi as palavras délficas
do oráculo sem nascente,
e a hipotenusa forçada ao seu quadrado
e,  do lado em frente,
inesperada e flutuante,
a apagada voz se ergueu
para completar as delidas linhas
daquela memória extinta,
soletrando a eterna vertigem dos catetos,
forçada à escravidão
um dia pronunciada por Pitágoras,
muitos éons após o Homem a ter sabido,
e assim iniciámos a nossa hipnótica ascensão,
como se,  eterno retorno
das verdades estelares,
ali pudéssemos recuperar,
na Harmonia da Esfera,
o desinteressante desfiar
da transitoriedade humana.
[ Read More ]
domingo, 15 de janeiro de 2017

de jade

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas


Na manhã do quarto dia, o rapaz esculpiu em jade três fivelas e ofereceu-as ao rei. As fitas de seda deslizaram, umas vezes a céu aberto, outras como um rio subterrâneo e sustentaram a dança dos panos e dos quatro ventos. 
E o rei e o rapaz jogaram Mahjong até escurecer.
[ Read More ]