domingo, 18 de maio de 2014

nonsense fish

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas


Às vezes aos domingos, ponho o aquário debaixo do braço e vou buscá-lo à praia. Ele gosta de andar por terra, diz que lhe dá outra perspetiva das coisas. Que coisas, pergunto. Ele responde glup, glup, para disfarçar. Prefere os locais altos, uma pedra nas ameias do castelo dos mouros ou em outro qualquer. Como a visão não é o seu forte, talvez lhe agrade o ar, o balancear da água quando está vento, não sei. Se estou para aí virada e ninguém por perto, canto-lhe uma aria de Händel e ele rebola-se a rir. À tardinha sentamo-nos na esplanada, eu peço um chá gelado e ele um camarão. Há quem nos deixe dois ou três euros sobre a mesa. 
Amanhã, ele apenas recordará que é peixe e eu não.
 
 

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