segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Transcrições das escutas da "Operação Marquês" - "Pá, eu pago tudo o que for preciso, carago!..."



Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas




Imagem do Kaos





Do CD 25 e 26, da série "collector's prize" do procurador Rosário Teixeira

(1.30 da manhã, toca o telefone Louis XVI, na Avenue du Président Wilson)



R.P.S. - 'tou, Zé?...

Zé - 'tou, que número é este?

R.P.S. - Sou eu, Zé, o Rui...

Zé - Qual Rui?...

R.P.S. - O Rui, carago!...

Zé - O Rui, com este número?... Mudaste de número?!...

R.P.S. - Mudei, pá, sou do Porto, o pessoal do Porto anda sempre a mudar de número, não sabes?... (risos) Os gajos "andêm" ai, carago, o Jorge Nuno a primeira coisa que me ensinou, quando eu fui para o clube, foi mudar de número, pá..., ter vários números, rodar, de mês a mês, para os gajos não criarem vícios... (risos) E tu 'tás bem, Zé?... O Carlitos disse que estavas a precisar de trocar uns bafos comigo... (pausa) Pá, aqui estou, sou todo "óvidos", chuta!...

Zé - Pá, eu hoje não posso estar muito tempo ao telefone, as gajas estão quase a chegar...

R.P.S. - Quais gajas?... Tu agora recebes gajas?...

Zé - (pausa) A "condessa" deve estar a chegar de Zurique, e eu não quero estar com isto na mão e no ouvido, quando ela chegar...

R.P.S. - Tu e as condessas, carago, os jornais agora andam cheios de condessas, é?... (risos)

Zé - Não é essa, pá..., esta vem da Suíça..., é a outra, e deve estar quase a chegar, o Perna foi buscá-la ao aeroporto...

R.P.S. - Olha, é assim, eu não vou demorar, o Carlos disse que até era uma boa, de aqui a dois anos, quando o espantalho for de cana, ou internado, empurrar-te para Belém, não sei se é isto, mas é mais ou menos, ou, se não é, desembucha, carago!...

Zé - Pá, Rui, isso ainda são conversas muito no ar, um gajo solta uma ideia assim..., o Carlos faz logo crescer tudo, parece um enredo, esse gajo adora teatradas.... pá, eu ainda não sei nada..., o que eu sei é que os gajos queriam compor um cenário, a narrativa política pode-se construir depois, eu não sou muito da linha do Chamuça, mas o gajo até pode estudar a coisa, quando "houverem" eleições e ele ganhar, ficam com o Governo e depois com a Presidência da Assembleia... para aí é mais simples... o resto ainda não...

R.P.S - Mais simples?...

Zé- Sim, parece que para a Assembleia da República vão querer o "Chuvas Douradas"

R.P.S. - Mas o "Chuvas Douradas" não tinha ficado queimado no "Casa Pia", e no "'tou-me a cagar para o segredo de justiça"?...

Zé - Pá, nós estamos em Portugal, em Portugal um gajo chamusca-se um coche, mas depois volta tudo ao mesmo, parece que não sabes, olha o Portas, em Portugal, nunca ninguém fica definitivamente queimado, também o Monhé se queimou, mas depois pôs-se de pé, e eu... também diziam que eu já me tinha queimado de vez..., queimado o tanas, eu depois fiz subir em força os foguetes nos comentários daquela porra da televisão, e agora, agora... quando começarem a andar à procura de um candidato para Presidente, pá... eu, mesmo sendo modesto..., eu até acho que tenho esse perfil... 

R.P.S. - Mano, eu também acho que sim, aliás, depois do algarvio, qualquer merda serve, não é?... até por que se fala que os cabrões, os fachos,  vão mesmo empurrar ou o Rui ou a Velha. O Rio está completamente queimado, daquelas merdas de Macau, é lá mais conhecido c'á potassa.... Agora a velha.... Pá, tu já uma vez ganhaste à Bruxa, não ganhastes?... Pronto, concorres e ganhas outra, não é, mano?  Ainda para mais, parece que a gaja tem aquela doença dos ossos, porra, dizem que se a empurrarem ela desfaz-se logo em pó ... (risos)

Zé - Mano, eu não sei se a Bruxa vai desta, os gajos devem querer mesmo agarrar o lugar... pá, os gajos agora vão jogar mesmo pelo seguro..., salvo seja... (risos) não vão querer andar em cenas...

R.P.S. - Deixa-te de caralhos, Zé, cenas era se empurrassem o boiola do Marcelo, esse gajo se percebe que pode perder qualquer merda agaça-se logo e foge, e eu acho que ele já perdeu muitas vezes, vezes a mais, o gajo está velho para essas cenas, gato escaldado tem medo de água fria, carago!... (pausa) O meu tio e a minha tia até aposto que curtiam ver-te Presidente, há muito tempo que não temos um dos nossos, da casa, carago, a falar de cima..., e, se a cena for... for... se a cena for livros, mano, o meu tio tem duas grandes bibliotecas, pá, uma, em Lisboa (risos) e a outra, em Nafarros, como tu sabes... (risos)

Zé - Pá, isso não sei, nós depois falamos, daqui a dois anos, quando for altura, de qualquer maneira, isto, agora, com o Carlos, foi só uma conversa, nós ainda estamos muito longe disso, eu aliás acho que não estou nem aí, pá, o que eu queria mesmo era ver se para o ano já levava daqui o mestrado e o doutoramento...

R.P.S. - Andas na Lusófona?...

Zé - Não, pá, estou em Paris, pá...

R.P.S. - E não há aí uma Lusófona?... Já sabes, Zé, se isso é uma questão de fotocópias,  eu arranjo as que forem precisas... (risos) as que tu precisares... (risos) um gajo que anda a estudar muito, como tu andas, deve ter a casa cheia de fotocópias... (risos) Pelo menos é o que dizem: os estudantes gastam uma pipa de massa em fotocópias (risos) É "Engenheiria" que tu andas a fazer, não é?...

Zé - Não, Engenharia eu já tenho, agora queria mesmo era... ou Filosofia, ou Sciences Po, o doutoramento vai mesmo ser em Sciences Po, isso eu já decidi...

R.P.S. - Sciences é aquela coisa de abrir ratos e rãs, não é?... Curtia bués essa cena, porra, quando andava na Escola do Furadouro, era só espetar e ver o sangue a espirrar, carago, aqueles bichos têm tantas peças lá dentro, como é que um gajo ia imaginar, caraças, não é?... um dia abri um, tirei tudo e joguei aquilo para o chão, as tripas e os bofes, para ver se ele corria..., não correu, estava a estrebuchar, mas acho que já estava assim... morto, ou o que era... fogo... eu até acho que, pensando bem..., essas cenas até me influenciaram a depois ir para a Noite..., o Jorge Nuno, aquelas cenas de facadas..., no fundo, os rapados do contra, os cabrões da cicatriz, são como os bichos, só que em grande... (risos) carago, nunca tinha pensado nisso... (risos) Um dia vi um todo aberto, até parece que tinha lá dentro mais peças c'um rato, 'tás a ver, nunca tinha visto tanto "instestino", pá, o gajo tinha "instestinos" até ao pescoço, foi uma cena do caralho, as gajas a saírem e a vomitarem... um charco de merda de sangue no chão, parecia uma morcela que tinha rebentado, tudo com a assinatura do dragão, o Jorge desvia os olhos, mas eu gosto de ver, curtir aquela cena a fundo..., quer dizer, quando se pode curtir e se pode ver, que no Porto as noites são escuras, carago... o Porto é um nação, um gajo aqui, é só noite, gajas e estrelas... da noite... (risos)

Zé - Em Paris não temos disso... assim...

R.P.S. - ... e quando é que tu vens ao Algarve, pá?... Quando é que tu vens ao Algarve?... Aquela merda está a bombar...

Zé - Pensei ir para o mês que vem, mas o Carlos ainda ficou de combinar, depois podemos marcar, preciso de ver na agenda quando é que o Zé vem de Inglaterra para acertar uns números...

R.P.S. - Qual Zé?... Não é o dos livros?... Esse não para, vai lançar outro, ainda gostava de saber quem os escreve...

Zé - Não, não é esse, é o Mourinho, pá, ficamos de marcar um jantar, e na volta vem logo ele e o Figo, assim arrumo tudo de uma só vez, por que eu agora queria era mesmo concentrar-me nos estudos...

R.P.S. - Mas concentras-te, pá, por que é que não te "há des" concentrar?... E, se precisares de alguma coisa, já sabes. O Carlos disse ainda que parece que querias que eu metesse uma bucha nos jornais...

Zé - Ah, sim, isso é mais ou menos no encadeamento dessa cena, pronto, eu fui para as Sciences Politiques, quer dizer, fui a duas conferências disso... Pronto, eu sei que estas coisas universitárias não é muito a tua praia, mas eu entrei nas duas conferências, eu até não sou muito estiloso em francês, pá, mas estive muito calado, como fiz na "Independente", nestas cenas, o importante é não dar muita cana, lá ao fundo, e depois, sair com o diploma (pausa) Pronto, a merda...

R.P.S. - Qual merda?...

Zé - A merda foi que depois ao fim fui ter com os gajos que estavam à frente daquela cena, e fui pedir um diploma, e os gajos disseram que aquilo não era para dar diplomas, e que devia, não percebi bem, mas acho que queriam que eu me inscrevesse... Ora, pá, inscrição... isso ia levar muito tempo...

R.P.S. - E queres que eu mande fotocópias para eles?... Eu dessas merdas não pesco boi, portanto, se eu estiver a pensar mal, tu corrige-me... portanto, no meu pensar, um gajo entra ali, vai ter com o boss, tira os livros da mala, estende os livros e diz qual é o diploma que quer, não é?... Foi isso que correu mal?... Explica-te, pá, carago, já sabes que eu sou todo "óvidos", carago!...

Zé - Pá, ia demorar muito tempo, não é bem assim, eu só queria que telefonasses para os gajos para evitar que esta cenas da bronca das conferências saia nos jornais... o "Jornal de Notícias" já liguei eu, agora...

R.P.S. - Queres que eu ligue para o "Diário de Notícias" e disfarce a voz?....

Zé - Não, esse também não é preciso... São os outros, pá, os outros é que ma andam a lixar, porra...

R.P.S. - Mas isso eu ligo e ameaço. Se eu pudesse fodia esses cabrões todos!... Se eu apanho um na "Night", ele que se cuide!...

Zé - Não, é melhor esqueceres, Rui, eu depois ligo para o Rato, os gajos arranjam a coisa...

R.P.S. - E quando é que tu vens ao Algarve?... Aquela cena está a bater, a bombar. A Quinta do Lago, carago, noites quentes, o pessoal de Angola, g'anda batida, havias de ver as brasileiras que chegaram, aquilo, qualquer dia, parece o Rio, só gajas daquelas da Bahia, muita chichinha, cabeludas em baixo, foda-se, uma gajo mete a mão, vem úmida, parece as chuvas no Pantanal (risos) no Mato Grosso... ui...

Zé - (silêncio)

R.P.S. - Os pretos vêm comer as gajas, aquelas castanhas e pintadas de louro, as brasileiras gostam todas de apanhar no cagueiro, são estimadinhas, quanto mais levaram atrás mais ficam com a fachada intacta, aquilo são só gajos com a carteira cheia de papel, brutas toras, havias de ver os gritos, saem dali todas rebentadas, (risos) parecem os ratos do laboratório... (risos)

Zé - (silêncio)

R.P.S. - ... mas do que eu gosto mesmo é das angolanas, brutas selas, uma carapinha em baixo, parece que estou a fazer festas na palha de aço (risos), foda-se, limpeza de cromados ... (risos) sempre que quero polir a aliança, meto as mãos naquelas coxas, depois levo os dedos (risos) à boca, carago, só de escrever isto já estou todo em pau, foda-se!...

Zé - (silêncio)

R.P.S. - Que foi, mano, estás tão calado... Estás aí?... (pausa) Pá, desculpa, já me esquecia dessas cenas, cada um nos seus colos..., se tu quiseres, a gente fala de outras cenas, naquela urbanização onde costuma ficar o Zé...

Zé - Qual Zé?...

R.P.S. - O Zé, o tubarão de Angola, naquele seguimento de casas é só cenas, já é a segunda vez esta semana que o chavalo de lá, o João, o que trata daquela merda quando o patrão está fora (risos) foda-se, teve de fugir pelos telhados, a judite atrás, a branca a voar, caiu o saco ao chão, parecia neve, foda-se, o que vale é que depois acaba tudo bem, o pessoal até se conhece, como é escuro e a maior parte deles é preto..., foda-se, perde-se tudo, carago, escondidos na noite, grand 'Algarve, fogo, g'andas festas, este país devia estar sempre assim, na "night"...


(Fim da escuta)




                                                (Quarteto das chuvas douradas no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e no "The Braganza Mothers")