terça-feira, 24 de novembro de 2015

Diário da Guerra - Eu sei que hoje ele teve mesmo de fazer o que não queria, e sei que é um dia muito importante, um dia de muito sofrimento, e por isso hoje é o mais um dia em que eu vou estar o tempo todo a agarrar-lhe na mão, a segurar-lhe bem na mão, a fazer-lhe sentir que ele está mesmo de mão dada comigo, e, se o sentir o tremer, eu aperto com mais força, não o largo, e continuo a dar-lhe a mão, e se sentir que ele está a ficar para trás, aperto-o com força, e puxo-o muito para perto de mim. E, quando já tiver a mão cansada, vou passar para o outro lado, e dar-lhe a minha outra mão. Vou deixá-lo andar um pouco sozinho, um pouco sonhador, mas depois volto a pôr-me ao lado dele, e volto a dar-lhe a minha mão, e a apertar, e quando eu achar que ele já não precisa mais de mim, eu vou voltar para o pé dele, e voltar a dar-lhe a mão, e a apertar, muito apertada, muito com força, muito apertadinha, como se estivesse a apertar-lhe a mão pela última vez, por que hoje, e amanhã e depois de amanhã vão ser muitos dias em que ele vai precisar muito, muito, de mim...

 
 

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