sábado, 23 de dezembro de 2017

o sonho da raposa

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Habitava uma caixa de madeira antiga, juntamente com um soldado, um anjo, um boneco de neve, um tambor, dez bolas douradas e uma estrela. Embrulhada em papel de seda, apenas saía uns dias pelo Natal. Sacudiam-lhe o pelo, ajeitavam-lhe as orelhas, rodeavam-lhe o pescoço com um fio de nylon e penduravam-na numa agulha de pinheiro. A casa cheirava a sonhos e a rabanadas e ela nauseada, a baloiçar, a andar à roda cada vez que alguém passava e fazia estremecer o chão, o pinheiro, a agulha. Uma noite o fio quebrou-se e ela caiu. Desequilibrou-se um pouco mas logo esticou as patas, abanou a cauda e levantando o focinho sentiu a liberdade lá fora. 
Fugiu pela porta da cozinha, um sonho no céu-da-boca, a neve, o gelo e as estrelas a galopar-lhe na cabeça. 




3 Responses so far.

  1. Bonito
    isso

    mas... se eu fosse raposa
    abria a porta de par em par
    para a liberdade entrar
    na caixa de madeira antiga,

  2. Luis says:

    Belos natais e grandes entradas de raposas por 2018 :-)