segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Correio da Lola - "Estou tão preocupada, corre por aí que o António Borges tem um cancro..."

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Querida Lola:

Sou uma patriota, nunca faltei a nenhum dos comícios de eleição do Professor Cavaco Silva, e vou a todas as Universidades de Verão do P.S.D., e também iria no Inverno, se as houvesse. Agora, estou aqui num canto, desfeita em lágrimas, porque o Professor António Borges, um homem tão jeitoso, está a mirrar, a mirrar... já ouvi, nas caixas do "Pingo Doce", que ele tem uma coisa má, e... ai, querida, que dor tão grande!... não... não... não vai durar muito...

Adélia Saraiva Couceiro, Amadora

Querida Adélia:

Vamos começar pela parte do homem jeitoso, que sabe que nisso, eu, biologicamente ainda homem, embora com as hormonas penduradas na forma da sacos, e você, estruturalmente galinha, divergimos para sempre: tudo aquilo de que vocês gostam, nós odiamos, meu amor. Olhe, veja o exemplo da "Casa dos Segredos", onde acabaram de expulsar o único homem bonito que lá havia, só para ficarem à vontade os filhos das tânias soraias deste mundo. Para mim, o António Borges, como todos os deslavados do champô de camomila, benzó-deus, mal fazem 25 anos, começam a parecer-se com o terceiro sexo da geriatria inglesa, que invade as pedras dos Jerónimos, quando lhes vendem que aquilo é do séc. XVI, quando afinal não passa de uma fachada depilada, do séc. XIX. Console-se, na consolação dos aflitos, porque o estado de decadência física dele está a aproximá-lo muito do estado de decadência física do Passos Coelho. Um acha que está na dieta; do outro, já as más línguas começaram a fazer correr que tem cancro do pâncreas, sei lá, é uma questão de esperar: se nosso senhor decidir levar para junto de si um deles, a Adélia vai à Loja do Cidadão, e preenche imediatamente os papéis, para o trocar pelo restante. Não se engane, e não leve é para casa aquele que vai marchar primeiro, que ninguém sabe quem é, porque o ódio das padeiras de aljubarrota, nas ruas, é agora tal, que ainda se arriscam a desfazer o nosso querido Passos, antes do cancro do Borges... Vai ser muito mau para o país, porque vai ficar, num intervalo de tempo muito curto, órfão de três calhambeques, que o arrastaram para a ruína. O Eurico de Melo já está no Círculo dos Pedófilos, de Dante, e parece que está a adorar jogar uma sueca, para a Eternidade, com Alexandre VI, Borgia, Gilles de Rais, e Carlos Cruz, embora, por videoconferência. O Balsemão está num estado muito complicado, e já não consegue que o "Expresso" e a "SIC", e mais os pasquins que alimenta, continuem a substituir a realidade pelas interpretações, de pé de chinelo, da Clara Ferreira Alves, do António Barreto e do Miguel Sousa Tavares. A coca, meu amor, não perdoa, e não é só ficar com pele de tartaruga: mais uns anos, se deus fosse generoso, e não é, e o Balsemão, em vez de respirar pelas narinas, passava, como as baleias, a soltar jatos de vapor por dois buracos na caixa craniana... ai, querida, a vida é tão ingrata... Para lhe dizer a verdade, a ser certo que o Borges tem um cancro, até me parece que começo a compreender aquele estranho parecer do Conselho Nacional de Ética: se calhar, estavam a emparelhar com o D. Januário Torgal, e a começar a tentar fazer oposição, pelos piores meios, nesta choldra. Todavia, assim, ou assado, desengane-se, porque neoplasias nos órgãos ímpares, como o pâncreas, filha, são como as imparidades no BPN, que o Vítor Constâncio nunca detetou, e as escutas que a Senhora de Mota Amaral invalidou, nas Comissões de Inquérito em que a Opus Dei fez fretes à Maçonaria, em troca de um motorista, cheio de testosterona, e um gabinete, para poderem "estar mais descansados"... Aliás, até pode ser que o Borges encontre um dador compatível, mas dado o tipo raro a que pertence, teria de ser alguém especial, como o Mira Amaral, ou o Proença de Carvalho, mas, como sabe, essa gente é mais de tirar do que de dar, o que é pena, porque, assim, até nos livravam, em dominó, de vários males. No meio disto tudo, querida, e porque sou uma inconsolável romântica, tenho pena do cancro, porque acho que das piores coisas que pode acontecer a um cancro é ser-lhe atribuída a tarefa de minar o Borges... ai, que suspiro tão grande!... Que mais quer que lhe diga?...  De facto, ele anda muito exaltado, e só lhe saem verdades e heresias pela boca fora. Às tantas, já se vê naquela fase do "après-moi le déluge", sente-se perdido, e está a tentar apressar o enterro de Portugal, e isso é muito mau. No PREC 1, dizia-se que o Cunhal tinha um cancro, e escrevia-se pelas paredes "cancro, cumpre o teu dever". Neste PREC 2, se o Borges tem o cancro, pode, talvez, sei lá, pagar-se um spot publicitário na RTP2, a pedir ao cancro que também cumpra o dever dele, não sei, espere, e pode ser que o Mundo acabe, antes de o seu Borges se ir juntar às muitas suecas lá de baixo, ou então, como Boécio, tente encontrar uma consolação na Filosofia, e, se não lhe chegar a Filosofia, enverede pela Poesia, leia Píndaro, e pense no cancro do Borges como o cancro de um cancro, ou, à portuguesa, estando o Borges no governo em que agora está, um poema ainda mais gertrudsteiniano: faça figas, e pense no cancro de um cancro de um cancro...