quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

A Loja do Sino e as seis badaladas da Morte, da Praia do Meco

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas


Portugal, enquanto Cauda da Europa, sofre de todos os males dos lugares estreitos: o primeiro, é que todos se conhecem; o segundo, que tudo aquilo que todos conhecem nunca consegue elevar-se muito acima da subcave em que há séculos se arrasta.

O falecido Pacheco tinha uma termo próprio para este estado de permanente de apatia espantada em que vegetamos, a palavra "espantação: o Português de Lineu, diariamente anestesiado pela Teresa Guilherme, pelo analfabeto funcional, Ronaldo, pelas injeções do Saramago, Fátima, Mariza, Gatos Fedorentos e por uma Comunicação Social, monótona, repetitiva e incapaz de veicular mais do que "la voix de son maître", ainda consegue a proeza de constituir um study case, dentro da irreversível decadência europeia.

Como tudo é sempre mal contado, semi escondido e desvirtuado, ao fim de meio minuto de reflexão de bancada, desde dezembro que andamos a analisar um homicídio qualificado, ocorrido na Praia do  Meco, em plena noite de tempestade de inverno. Algures, uma senhora, cujo filho já foi vítima desse puro exercício de sadismo, a que chamam "praxes", chamou a atenção "para as famílias das vítimas ainda não terem acordado". É um facto, mas, dado estarmos em Portugal, este acordar implicava acordar duas vezes: a primeira, contra o constante estado de anestesia; a segunda contra a anestesia local que lhes foi dada, para que, realmente, não acordassem.

Como cidadão livre, avesso a qualquer tipo de disciplina que não a ditada pelo livre arbítrio, assumidamente adversário de tudo o que seja seita, sociedade secreta, ou grupo de pressão destinado a coartar a liberdade do indivíduo, que tantas guerras custou, e está gravada, lapidarmente nos custos de morte que originou, todo o assunto se torna ainda mais revoltante.

Pelo senso comum, seria função universitária a valorização académica do indivíduo, ou, de acordo com os valores do Iluminismo, a sua ascensão pelo conhecimento. Como é sabido, a linha que acabei de escrever, é, nesta vergonha atrasada da Europa, uma espécie de teimosa ingenuidade de quem não quer ver a realidade, e, de facto, não quero. Como escreveu o José Gil, o Português não gosta de Liberdade, mas sim, de Igualdade, entendendo-se por igualdade o nivelamento pelo patamar mais baixo que se possa encontrar. A Teresa Guilherme é especialista nisso e os comentadores políticos, a soldo do Sistema, patrocinam, num patamar ligeiramente acima, esse permanente declinio que nos colocou na cauda dos povos. No fim, chegam ao mesmo resultado: a bifana e o derby do Pinto da Costa, já que, neste país miserável, tudo o que não é Futebol, mais tarde ou mais cedo, nele se transforma.

A história do Meco, com todas as prudências, as cautelas, as omissões, as intoxicações, os receios, os silêncios ministeriais, as anomalias declarativas de gestores e reitores, deixa supor uma espécie de tentativa de segunda Maddie, ou seja, deitar para os olhos do cidadão comum o máximo de poeira possível, para evitar que ele veja, ou medite, nas terríveis conexões que se escondem por detrás do que se pretende fazer passar por inexplicável.

O cenário seria irrelevante, se não se tratasse da "Lusófona", de há vários anos para cá, após o encerramentos das suas congéneres, antros do crime, como a "Independente" e a "Moderna", a primeira fechada compulsivamente, depois da fraude do Diploma de Sócrates; a segunda, para deixar ao desamparo a atual gestora dos interesses sombrios da Bancarrota de Portugal, Maria Luís Albuquerque, de onde saltou bem a tempo, em 2006, antes do seu encerramento compulsivo ("uma coisa horrível, que metia droga, mulheres e armas..."), em 2008. Como com a transmigração das almas, tudo o que era podre imediatamente se transferiu para o lado, neste caso, a "Lusófona", conhecida pela "universidade onde os político dão aulas uns aos outros". A preceito, já que está urgentemente mais próxima de nós, também esta deveria ter sido fechada, aquando do "Caso Relvas", mas eles são tantos, tão entrançados, constituem um sarro tão profundo, que se mudou, em massa, para lá, que, à falta de melhor, se teve de recorrer aos grandes meios, e o massacre do Meco veio mesmo a calhar, mas aposto que ainda não vai chegar, porque os interesses por detrás disto são para lá de sinistros.

Talvez um dos Rangéis -- não me lembro de qual -- tenha posto o dedo na ferida, já que Miguel Relvas, a par do criminoso Dias Loureiro, e do seu padroeiro, Aníbal Cavaco Silva, continuam a dominar o arruinado xadrez político português. Na verdade, eles constituem a aliança mais perversa que alguma vez se conseguiu estabelecer na sociedade portuguesa, desde a Santa Inquisiçaõ, a aliança entre duas coisas incasáveis, mas que, um belo dia, descobriram que fariam melhor, se funcionassem em parceria. Assim, uma vez casada a "Loja do Sino" com os comportamentos e práticas de pendor sado masoquista da "Obra", estava criado o cenário perfeito.

Uma sociedade gerida por bestas é, obviamente, o sonho de toda a politica de desaculturação em que nos imergiram, e desde que os mais aptos se tenham de sujeitar aos que têm "mais matrículas" -- leia-se, aos animais que mais estão a custar as bolsos dos contribuintes portugueses, já que um bom aluno navega com rapidez pelas universidades... -- o sistema está subvertido. Este tipo de ordem é típico das sociedades onde o mais forte domina, oprime, e, se necessário, extermina o mais apto. A preceito, os Romanos resolviam isto mais rapidamente nas arenas, deixando-os chacinarem-se uns aos outros. Nós tornámo-nos mais perversos, e permitimos que a Besta, em estado puro, tente oprimir e destruir a liberdade do espírito, já que a pirâmide da Mediocracia, instalada após a total inversão de valores que se seguiu ao solavanco de 1974, permitiu que os lugares de topo fossem ocupados pelos menos capazes.

O Ecosistema de Pedro Miguel Cruz é um ligeiro aflorar disso, já que, se fossemos por outros campos adentro, perceberíamos como este processo de estupidificação geral pode levar às apoteoses de Saramagos, ao chavascar nas Joanas Vasconcelos, tristes exemplos da gloriosa "Recycled Art", ou ao miserável exemplo de "Mirós" de segunda e terceira linha, que bem caros nos vão sair ainda dos bolsos, pela incapacidade de haver uma Opinião Pública capaz de dizer, "eh, pá, isso oscila entre uma grande e uma pequena merda!..."

A este processo designei, e creio que adequadamente, "Cauda da Europa", e assim ficará, até  vocês encontrarem um termo melhor.

Se Lombroso visse as faces da "Copa" da "Lusófona", certamente teria um nome para eles...

O problema das Praxes é igualmente de Lineu, e tem uma explicação de Colombo: começa pela hierarquização dos mais imbecis, dentro das Universidades, com queimas de fitas, claques de futebol e associações de "estudantes", até que cheguem aos primeiros "degrais" das sociedades secretas, que mantêm, há décadas, a qualidade oprimida, no país inteiro. Uma vez chegados aos primeiros "degrais", é só começar a subir por ali acima: em três tempos, entre o "aventalinho" e o "cilício", o mais medíocre chega aos primeiros lugares parlamentares. Depois, galambiza-se a coisa um pouco, e , com uns pózinhos certos, se chega à terrível ascensão da Extrema Direita, "le dernier cri" da Nova Ordem Mundial. A última a rir é, claro, a Le Pen, e, pelo meio, para lamentar, vão ficando uns pobres sacrificados, amordaçados, vestidos de morcegos, de pés amarrados com fita colante e pesos nos pés, os quais, se fossemos um país decente, nos deveriam ter posto de luto a todos. Como sempre, preferimos o silêncio, não vamos ser apanhados na maré da culpa...

Um país que chegou a este estado precisa, necessariamente, é claro, de uma desinfestação global, ai, precisa, sim, pois precisa...


(Quarteto do fim imediato das praxes homicidas, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")
 
 

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