domingo, 18 de janeiro de 2015

dois pássaros

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Ao anoitecer chegou o pássaro viajante. Pousou em silêncio no ramo mais baixo da árvore, perto do solo, sacudiu a cabeça, abriu e fechou as asas duas vezes. As suas penas exalavam o odor dos grandes espaços e nos seus olhos vagueava ainda a lua cheia de tanto.
O pássaro pequeno, que ocupava o terceiro ramo a contar do topo, recebeu-o com um pio e três assobios de boas vindas. Estás grande, disse-lhe. Acinzentaste as penas do peito, afilaste o bico, cresceram-te as asas, acrescentou, enquanto saltitava ora num pé ora no outro. O pássaro viajante levantou a cabeça, olhou-o, ficou calado durante uns segundos e depois disse, está tudo tão pequeno aqui. E voou até ao cimo da árvore. O pássaro pequeno sentiu um arrepio de culpa, esticou as pernas, endireitou o pescoço, tentou piar mais forte, mas não conseguiu. E o pássaro viajante riu-se e julgou avistar no céu a ursa maior e o pássaro pequeno dividiu com ele um punhado de sementes de abóbora e outras tantas de linhaça e duas ou três de chia.
A chuva não atinge as asas de um pássaro.

3 Responses so far.

  1. Os belos pássaros do inverno voarão alto, na primavera :-)

  2. .

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    . __________________ . brávô.nélitá.brávô . :))) .

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