quarta-feira, 17 de junho de 2015

Correio da Lola - "Vão enfiar o Eusébio no Panteão. Não acha que aquilo qualquer dia fica com um ar de vala comum?..."


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Querida Lola:

O meu Henrique, não, não é o Balsemão, disse-me que também vão enfiar o Eusébio no Panteão Nacional. Aquilo não estava destinado aos grandes vultos da Pátria Portuguesa?... É que o meu Henrique, não, não é o Balsemão, também já me disse que o Panteão, qualquer dia, está pior do que uma vala comum... O que acha?...

Maria Emília Torroaes Valente, Lisboa



Querida Mila:

Percebo a sua pergunta, que poderá ser a pergunta de milhares, senão milhões de Portugueses. O Panteão é uma espécie de jazigo da Grandeza Nacional, o que não tem nada a ver com altura, já que até a própria Maria de Belém, se estivessemos numa outra incarnação, poderia futuramente integrar o seu elenco de horizontais. Como sabe, sou pouco culta em Futebol, aliás, sou pouco culta em tudo, exceto naquilo que me interessa, e sobre o Eusébio apenas sei que era grande e grosso, critério que, desde a passagem de Manuel, de dia, Maria, de noite, Carrilho, pelo Ministério da Cultura, passou a ser um critério prevalente. Todavia, temos de ser racionais: naquele tempo, Eusébio esteve para a criação da Iliteracia Nacional como Saramago veio a estar, nos nossos dias, para o pântano mental em que vivemos. Com um pouco de sorte, não fosse o útero da Pilar uma passa ressequida, ainda apareceria um qualquer descendente dele, a rodar uma publicidade dos Gatos Fedorentos, como aquele neto do Manoel de Oliveira anda agora a fazer fretes ao Mexia, que já era corrupto muito antes de haver Corrupção. O papel dele, Eusébio, no rebentar a bilha foi muito importante, dizem, e rebentou mais bilhas do que balizas, sobretudo bilhas pequenas. Foi o primeiro, como agora se diz, afro-luso-pretó-português a fazer o frete de dizermos que não eramos um país atrasado, colonial, racista e onde os que andavam de pé descalço tinham de tratar os calçados, por "Sr. Doutor", tradição que se manteve até ao Henrique Neto, que tem uma licenciatura como a do Relvas, ou o Da Nódoa, que é doutorado várias vezes em lugares comuns e até nos incomuns. Para ser o jazigo da Alma da Nação, o Panteão tem mesmo, justa e obrigatoriamente, de enfiar lá dentro os Três Éfes. Um já marchou, que foi a Amália, a cantar, a cantar, mesmo sem pulmões, até ao fim. Quanto a Fátima, com um pouco de engenho, ainda podem pedir à Gorda do Regime que faça uma Fátima dos Pequeninos, e a enfie lá dentro, mais as cinzas dos Pastorinhos, compactadas e leofilizadas, em redor de um presépio, com burro, ovelhas e vaquinha. Burros podem ser os visitantes, ovelhas, os votantes do "Livre", e vacas as que ainda lá não estão, mas faltam, e chegarão, ou pensa que a Clara Pinto Correia, quando a cirrose a levar, também não acaba lá?... O Futebol, evidentemente, tem de estar representado. Como sabe, eu sou bastante burra, e tenho uns estudos limitados, geralmente obtidos a folhear braguilhas, mas, assim como quando arrastaram lá para dentro a Amália cantadeira da boca grande, e imediatamente ligaram um dolby surround com os seus grandes êxitos, como o "Lavadeira que levas no grelo", também com o Eusébio também deverão arranjar um cantinho e reconstituir ambientes, sei lá, sobretudo da sua fase final, a mais violenta, e talvez devessem desmontar o quarto que ele tinha alugado à avença, no Holiday Inn, e remontá-lo, com as manchas de sangue originais, pelas paredes, que tanto custavam às empregadas limpar, de cada vez que ele ia lá ter um encontro do terceiro grau, com mais uma das suas vítimas tenrinhas... Acredite que o Panteão se ia imediatamente compor, como um enorme La Feria, outro panteonável futuro: num canto, a Amália a arranhar a tampa do caixão e a ganir o Fado do Bidé, o seu último vocalizo conhecido; no meio, a Fátima dos Pequeninos, toda em tampões, com as cinzas dos Pastorinhos, e até da Virgem Maria, embora eu não saiba se a porcelana é mesmo a melhor coisa para cremar; por fim, na ponta, o caixão do Eusébio, rodeado de pastas de sangue, dos seus ímpetos de garanhão, rodeado da galeria de fotos das nódoas negras, hematomas, suturas e arranhões, quando ele fazia as visitações à  mulher e à filha. E em todos os 19 de setembro, dia do aniversário de San Genaro, as pastas de sangue das paredes liquefaziam-se, e começavam a escorrer até ao chão, com cheiro a talho, e as coreanas, doidas, a disparar flashes, para mais tarde recordar... Até me vieram as lágrimas aos olhos... E, olhe, no fundo, no fundo, até sou ainda mais generosa, e acho que, já que estamos a apressar as entradas no Panteão, era melhor era fazer como o Saloio de Boliqueime, que já medalhou, nos seus 10 de junho vagais, tudo o que havia para medalhar em Portugal, e, em vez de levarmos só o Eusébio para o Panteão, faziamos como aqueles marajás que eram enterrados com as esposas vivas, e agarravamos já no Cristiano Ronaldo, no Mourinho, na Irina e na Dolores Aveiro, e diziamos, andem cá, filhos, que hoje é dia de desconto geral, arranjavamos umas urnas de casal, e despachavamos todo o problema do Futebol lá para dentro, de uma só vez, e de uma vez para sempre. Ah, sim, e o Jesus, e o Pinto da Costa, e a Carolina Salgado, também, e se eles protestassem muito, subíamos os gemidos da Amália, para abafar os gritos deles, ou levavam uma injeção, como aqueles pobres bichos que fugiram das cheias, no Zoo da Georgia. Iamos ter um Panteão digno de Portugal. Espero que tenha gostado da minha resposta, por que acredite que foi escrita com muito amor, e já que estamos na Quadra dos Santos, uma pequena marcha, para dar ao dedo, quando o seu Henrique andar nos rapazinhos, nas madrugadas da Cidade Universitária: Vulva branca, da Ribeira, vulva branca que o sangu'ensopou. Rata suja, da maruja, rata porca qu'o sangue manchou. Um clitóris e dois ovários, duas trompas e um tampão, um cheirinho a bacalhau, num buraco largueirão!... E muitos kisses na sua xoxa, meu amor. Bem haja. :-)

One Response so far.

  1. Essa do sangue pelas paredes é bem pesada, e tinha de ser posta aqui. Jà está :-)

 
 

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