quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Transcrições das escutas da "Operação Marquês" - "Pá, metes as folhas na gabardine do Soares, e o que não couber vem depois na mochila do Duda..."



Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas



Imagem do Kaos, e dedicada ao Carlos Diogo Santos, pela coragem, por outras imprevistas aventuras comuns, et... pour cause






Do CD 253, da série "collector's prize" do Juiz Carlos Alexandre


(17.30 da manhã, toca o telefone na Cela 44, Évora)



C.S.S - Posso falar?...

J.S. - Podes, pá, mas com cuidadinho...


C.S.S - Como 'tá a cena aí?


J.S. - 'Tá sombria, mas passa-se, pá, passa-se... tranquilo...

C.S.S - Tu precisas de alguma coisa?... A Sofia disse que tu andavas meio encaralhado...

J.S. - Pá, quem é que não está encaralhado, aqui fechado o dia inteiro?...E se fosse só isso, um gajo não pode estar à vontade, não pode falar, não pode comunicar. Bem basta o que basta, depois os mirones todos a toda a hora..., se eu tomar o pequeno almoço, aqueles badochas todos a olharem, a ver se tenho alguma coisa nos bolsos, porra, a marca dos sapatos, o cachecol... eu queria passar desapercebido, pá, isto não é exatamente o lugar para ter plateias, para dar entrevistas, conferências, um gajo agora precisa é mesmo de sossego...

C.S.S - Pá, de sossego, sim... mas também de resolver a vidinha. Tu viste na televisão o João a mandar a Laranjo para o caralho?... "Houve" lá, o gajo tem tudo no sítio, olhou para a gaja e disse à cara podre que ela cheirava mal, foda-se.. (risos) ah, cabrão d'um caralho, ele é cá dos nossos... (risos) havias de ver a cara da gaja, parecia que tinha levado com uma esfregona molhada naquelas trombas... (risos) O gajo é bom... E os cabrões dos jornalistas, pulhas d'um caralho, não gostam de ouvir as verdades. Ela, a perguntar aquelas merdas, e o gajo virou o focinho para ela, e disse "você chegue-se para lá, que você cheira mal!..." Não viste? Grande cena, um la feria mesmo a sério (risos) "Houve" lá, onde é que tu arranjaste aquele gajo?... Deve ter sido o primeiro que teve colhões para dizer que os jornalistas cheiravam todos mal...

J.S. - Não digas isso, que a Nanda fica fodida contigo: há os que cheiram mal e os outros, os que são nossos amigos. Acho que esse gajo ainda foi uma encomenda do tempo do Jorge...

C.S.S - Qual Jorge?...

J.S. - Pá, isso são conhecimentos do tempo de Belém, do Sampaio, não sei, o Pedro é que fez os contactos, o gajo tinha um folha pesada do tempo das FP-25, é capaz de salvar o pai da forca, até crimes de sangue ele consegue transformar em histórias da guilherme... O Jorge é que parece que o indicou, era amigo do Mortágua, das bombas...

C.S.S - O Sampaio?... A "Chorona"?... Esse gajo também está em todas, fininho, fininho, mas lá te empurrou para cima e passou um pano em cima daquela merda toda do "Casa Pia" (silêncio) Vocês, naquela altura, estavam mêmo à rasca... Andavam ou não andavam à rasca?...

J.S. - Isso já foi, pá, os gajos estavam mesmo a ver a vidinha a andar para trás, cada um nos seus colos..., os meus não metem mesmo isso, pá, como tu sabes, eu sou um gajo mais de estudos...

C.S.S - Então, é assim, a "Soufie" disse que estava com um caralho de problemas para pagar a casa de Montemor, isto já meteu o pessoal todo, é telefonemas para trás, telefonemas para a frente, e o caralho, a Tânia, a Sofia para a Mara, a Mara para Leiria... Ah, a propósito, o cheque do Francisco já foi depositado, discretamente, que estes gajos andam a controlar tudo, mas fica descansado que o cheque já foi depositado...

J.S. - Pá, agradece, quando puderes, vocês têm sido impecáveis, mas eu agora tenho de andar aqui com mais cuidado, leituras de manhã, à tarde e à noite...

C.S.S - Se o problemas são livros, eu posso ir aí levar... (risos)

J.S. - Olha, por acaso, é assim... Livros, até tenho..., queria ver era se arranjavas mais umas fotocópias dos testes do explicador do Duda, isto vai haver exames e eu e a Sofia queríamos que o puto estivesse nos conformes...

C.S.S - Mas queres que fotocópias?

J.S. - Só as dos testes do Duda. Todas as que arranjares, pá, todas as que puderes...

C.S.S - E faço como?...

J.S. - Pá, faz como puderes, mas à cautela, que os gajos andam a vigiar tudo...

C.S.S - Queres quantas, um molho de cem?...

J.S. - Traz o que puderes...

C.S.S - Vou falar com a Sofia. Vamos arranjar todas, o gajo (risos) vai fazer testes todos os dias... (risos) vai ser avaliação contínua... (risos) se o cabrão do Crato sabe disto ainda te rouba a ideia... (risos) Ah, meu sacana, quem diria que tu, aqui fechado em Évora, que tu ainda ias fazer a melhor reforma do ensino desta choldra... (risos)

J.S. - E quando é que tu trazes os testes?...

C.S.S - Olha, é assim, o cota acho que quer vir amanhã visitar-te outra vez... O gajo está mesmo apanhado, dizem que anda a identificar-se bués contigo..., chora, quando lhe falam de estares preso..., ah, caraças, os "nossos irmãos" nunca nos desiludiram...

J.S. - Pois...

C.S.S - Então, é assim, quando ele vier amanhã, podemos meter alguns testes na gabardina do avozinho (risos) acho que o vovô Soares vai pensar que são lenços para limpar o nariz... (risos) depois, para te passar aquilo para a mão, dizes que também tens a batata a pingar... (risos)

J.S. - 'Tá..., combinado... (risos)

C.S.S - ... e o resto traz o Perna. O gajo, porra, anda a odiar esta merda da publicidade, tem medo que lhe estraguem a carreira, e tem razão, isto bem visto, se não for controlado, ainda nos pode foder a vida a todos...

J.S. - ... e os testes chegam quando?...

C.S.S - Pá, já te disse que o nafarros vem amanhã, e passam muitos no bolso. Se for preciso, repete-se a visita, e vem outra vez para a semana... Quantas tu quiseres (risos), até pode vir visitar-te todos os dias... (risos) e o resto nós metemos na mochila do Duda e ele vem trazer... até acabar...

J.S. - Pá, não sei como te agradecer...

C.S.S - Mano, somos amigos, a amizade é para isto que serve...

J.S. - Eu sei, há muitos anos que conto contigo, com o Pedro, com o Man'el, pá, se não fossem vocês... (pausa)

C.S.S - Deixa lá isso para lá, pá, agora deu-te para a sentimentalidade, um gajo quando anda nestes filmes tem de deixar a sentimentalidade para o lado, ou não é?...

J.S. - Claro que é!...

C.S.S - Olha lá, se tu agora fosses um gajo livre, sei lá, como vais ser, quando a gente te tirar daí... (pausa) Escuta, posso fazer uma pergunta?...

J.S. - Claro

C.S.S - Escuta, se tu agora fosses um gajo livre..., preferias que eu te trouxesse os testes do explicador do Duda, ou... (pausa) ou... (pausa) ou... dinheiro?...

J.S. - (silêncio)

C.S.S - Zé, responde, assim na boa, na boinha mesmo...

J.S. - (silêncio)

C.S.S - Zé, escuta, 'tou eu só aqui e mais a tua mãe...

J.S. - (pausa) ... a minha mãe está aí?...

C.S.S - Sim, temos estado a discutir essas cenas dos testes. Sabes que ela sempre foi impecável em tudo, impecável, nunca disse não, e avançou sempre p'á frente... (pausa) E é por isso que eu 'tou a repetir a pergunta, Zé, se fosses um gajo normal, cá fora, com a folha limpa, um gajo pronto para avançar, para ser o nosso Presidente da República..., Zé..., um gajo com a pica toda, Zé..., escuta... vais responder?... Se yu 'tivesses na muito boa, preferias os testes do Duda, ou... money, money, money?...

J.S. - (silêncio)

C.S.S - Zé, 'tá aqui a tua mãe ao lado, tudo na boa, tranquilo, preferias os testes do explicador do Duda, ou papel do limpo?...

J.S. - (silêncio)

C.S.S - "Houve", 'tamos só nós os três, eu tu e ela... Preferias os testes, ou dinheiro?...

J.S. - (silêncio)

C.S.S - (silêncio)

J.S. - (silêncio) ... os testes

(Fim da escuta)



(Quarteto do ai, duda, duda, duda, duda a minha agulha, aduda, aduda aduda o meu dedal, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")