segunda-feira, 7 de setembro de 2015

O império das coisas do costume


Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas




A grande novidade da semana foi os lisboetas descobrirem que existia um bunker contruído, bem no centro do Bairro dos Atores, muito perto da Alameda, o Bunker da Abade Faria. Comprovaram-no duas romarias providenciais, D. Adelaide Monteiro, de banda larga, que mostrou que as Testemunhas de Jeová são sempre as primeiras a inaugurar as novas portas, e Mário Soares, dolente e condolente, o próximo velório da República. Creio que  o caso deste bunker não deverá ser um caso isolado, e, então, a existência destas infraestruturas, em plena capital, decerto revela uma minuciosa e prudente previsão de defesa, dos tempos agrestes a vir. Os lisboetas, podem, portanto, estar descansados, pois fica claro que nesse dia, da Cela 44 para o bunker da 33, lá haverá quem se irá conseguir safar.

Comparada com esta novidade da semana, só a grande novidade do mês anterior, em que Maria de Belém Roseira veio mostrar que o manuelalegrismo, uma doutrina da decadência lusitana, não estava morto, e que tinha entrado na sua versão 2.0. Mais claramente, depois de ter colocado duas vezes Aníbal de Boliqueime no Palácio de Belém, o manuealegrismo 2.0 vinha agora colocar the next Cavaco, exatamente no mesmo sítio, e durante mais dez anos. Tal precisão de aterragem e cumprimento de tempos orbitas deveria fascinar a NASA, mas, infelizmente, não passa de matéria da nossa mais profunda inquietação: ser profeta de Argel durante 20 anos, no fundo, equivale a meia trombose salazarista, pelo que, se juntarmos os dois cavaquistões, tudo isso fará uma manhosa soma de um século entregue a três sarnentos, o que é brilhante e genial.

Para os seguidores de Varoufakis e da célebre punheta dos jogos, a questão, no fundo, até se resolveu no nível semântico: bastou meter no copo Sampaio da Nódoa, Maria de Belém e o Palhaço colossal, agitar, e deitar na mesa. Uma vez cá fora, já vinham os atributos baralhados, e convinha recompor a paciência, ou ficavamos com a Maria da Nódoa, ou a Nódoa Palhaçal, ou a Maria Palhaço, ou o Sampaio de Belém. Como o Sampaio já lá tinha estado, e demasiado, tempo, só nos restava o Palhaço de Belém, ou seja, o próximo, ou seja, aquele que Manuel Alegre, pela terceira vez, lá irá colocar. A seu tempo analisaremos quem é, já que agora a hora é só de bunkers e maratonas parlamentares.

Curiosamente, sob o pântano diáfano da fantasia, desta vez é altamente evidente a panóplia onde não votar. Resta, infelizmente, saber onde colocar a cruz, e aqui começa a dor e a inquietação, já que se trata de escolher entre um governo péssimo e um ainda pior. De um lado, temos o Cabaré do Ressentimento, em que o Partido Socialista se converteu, um longo desfile de inconseguimentos em busca de reescrever a História, como se a História fosse passível de ser reescrita, depois dos seus atos cometidos. Invariavelmente, são todos eles monótonos e patéticos, e chamam-se Ferro Rodrigues, Paulo Pedroso e Vieira da Silva, para poderem representam o gostinho da infância nacional. Do outro lado, só vejo rosnar a impaciência dos adolescentes, o Galamba, o Duarte Cordeiro e mais uma molhada de outros, ávidos de se precipitarem sobre os remanescentes poleiros do Estado. Uns pelos passado, os outros, pelo futuro, não prestam, não se recomendam, e estão geneticamente incapacitados para os cargos com que sonham. Pelo outro lado, a alternativa não é melhor, e apenas se distingue pela brilhante campanha que estão a fazer, um princípio do faz de conta, um entrar mudo e sair calado, que assenta naquela incapacidade, típica do português, de não conseguir mais do que uma memória de curto prazo, capaz de branquear todos os atos, e já quase que branquou. Evidentemente,  num mundo ideal, o juiz Carlos Alexandre deveria vir prender, à saída de um qualquer comício, Paulo Portas, por problemas submarinos, e, uns atrás dos outros, muitos dos políticos do sistema acabariam os seus dias preventivamente detidos, resolvendo, de per se, este pântano eleitoral. Quanto a Sócrates, encarregado da campanha eleitoral dos compinchas, num horizonte ideal, conseguiria, depois da cela 44 e da piscina aquecida 33, de cada vez que abrir a boca, uma bela prestação, até chegar a uma generosa fatia eleitoral de 22. Não custa sonhar, mas a realidade será outra, e fatal

Depois do interregno dos "migrantes" e dos refugiados, e de alguns entusiasmo do Futebol, assim iremos ter esta maratona de deceção, acompanhada de muitos cânticos e reclamações. Apenas num aparte, foi com imensa comoção que descobri onde paravam, afinal, os célebres votantes perdidos do Cavaco, já que, durante 10 anos todos renegaram essa estranha inclinação das urnas: de cada vez que os lesados do BES se manifestam, há sempre um olhar choroso que olha em frente e solta um, "O Sr. Presidente disse...", e eu vejo, olha, lá estão os gajos!... Qual presidente, qual caralho, há dez anos que o cargo está em sede vacante, todavia, e aqui entramos na análise fina, para os indecisos, fica a ameaça das sondagens. Não me lembro de quem soltou a poia, mas tem cheiro a "Expresso": um empate técnico entre os corruptos do PS, e o desastre da Coligação. Fica à mercê de um voto o desempate, mas os telejornais  também já tinham a coisa prevista, para evitar trabalhos ao eleitor: ficaria a cargo dessa doença rara do "Livre" e dos macacos tirados do nariz, do Rui Tavares, tanto capaz de se aliar ao PS como ao PSD, desde que proviesse ganho. Há uma outra versão, para as viuvinhas e peixeiras, em que quem faz o papel do bom é o alucinado do Marinho Pinto. Para quem, como eu, não vai votar em nenhum dos anteriores, todo o anterior é um pesadelo em busca de concretização.

O melhor vem a seguir, já que, o Sr. Aníbal, em trabalhos de agonia, vai dar posse ao que para aí vier, e portanto convém que lhe concedamos o pior cenário possível: ou empossar a prova do fracasso das suas expectativas, e a cor é tição monhé, ou os seus delfins, na forma de maiorias à justinha. O ideal, mesmo era conjugar isto tudo, e ser tudo à justinha, e, o mais possível, em desacordo com o esperado pelo Vacão de Boliqueime. Não me apetecem previsões: dentro de um mês se verá.

Estando o texto a chegar ao fim, é justo que regressemos ao bunker do início. Na sua ingénua imprudência, os jornalistas falam de "uma construção recente", o que aponta para um fechar de olhos do Plano Diretor Municipal, e um certíssimo luvear do Plano de Pormenor. Como não me apetece andar em pesquisas, fica tudo para eles: descubram quem era o Presidente da Câmara de Lisboa, quando aquela aberração foi clandestinamente (?) construída, no meio dos quintais, e quem seria o Ministro do Ordenamento do Território. Tentem lá saber até onde foi a indignação das velhas da zona, aquelas que passeiam, de combinação à vista, os cães de perna arqueada e olhos esbugalhados, que as lambem na hora da telenovela. E tentem também saber qual a composição da Junta de Freguesia do Alto do Pina, que fica mesmo na esquina do quarteirão da fortificação: há uma versão romântica que diz que, numa noite de tempestade, José Sócrates saltará os muros dos quintais, e fugirá por uma porta da sede da autarquia, para se refugiar no banco de trás de um Audi, onde a sua Câncio o levará para bem longe, para Varennes. Outra, mais prosaica, que o túnel se encontra já escavado, e o destino não será Varennes, mas um apartamento de cobertura, no Rio, comprado, mais uma vez, sabe-se lá com que dinheiros "emprestados".



(Quarteto do estes gajos são completamente, mas completamente, ceguinhos, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")

2 Responses so far.

  1. O nosso amigo, Carlos Diogo Santos, já veio trazer um pouco de luz sobre estas sombras.

    Vale a pena ler :-)

  2. imagino o susto dos alunos quando a malha urbana os cercou...


    é como eu me sinto quando penso em eleger um primeiro ministro

 
 

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