sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Grandes êxitos do "The Braganza Mothers" (2007), a propósito da acusação da "Operação Marquês": "The Very Last Hours of "Independente"



Olhando para o meu "Burberry", faltam exactamente 22 horas e 5 minutos para a Universidade Independente fechar as suas portas.

Escrevo, pois, aqui, com a dor de um condenado do Corredor da Morte.


Como Poeta, é verdade que gostaria de saber o último desejo dessa gloriosa instituição.


Talvez, como Saddam Hussein, berrasse, "Go to Hell!...", talvez, romanticamente desejasse nunca ter nascido; talvez, estoicamente, como o Lino, das Obras Feitas, acreditasse num milagre do Último Segundo; talvez, pragmática, gostasse, depois de cremada e transformada num cenotáfio, ter, como lápide, as suas notas mais gloriosas, quais Tábuas da Lei, e falo aqui das classificações das Cadeiras nela honrosamente cursadas por José Sócrates: tudo altas notas, e a altas velocidades, como aquele T.G.V. Francês, que, mais uma vez nos veio relembrar a perpétua Cauda da Europa em que permanecemos.
Ao pé do monumento, cada qual, entre intermináveis lágrimas e flores na mão, por lá passarão os que por lá deambularam, entre Docentes e Acelerados,
"Armando Vara, também socialista, que lá concluiu o Curso de Relações Internacionais, três dias antes de ser nomeado para a Administração da Caixa Geral de Depósitos. Pelo Centro de Estudos de Televisão, dirigido por Emídio Rangel, nomes como José Alberto Carvalho, Ana Sousa Dias, Catarina Furtado, Margarida Marante, Júlia Pinheiro, Teresa Guilherme, Manuel Luís Goucha e Baptista-Bastos. A modelo Bárbara Elias, a ex-miss Portugal Fernanda Silva e o cantor Axel, que também passaram pelas cadeiras da UnI, como estudantes do curso de Ciências da Comunicação. O secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e das Florestas, Rui Nobre Gonçalves, que lá deu aulas, tal como o assessor do ministro da Saúde, Miguel Vieira. Os nomes de Alberto João Jardim, Joaquim Letria ou Filipe La Féria, que também também estiveram ligados à Universidade Independente, como professores", e obviamente, o demitido Narciso, justamente, quando estava a terminar a SUA Licenciatura...

Olhando para isto, fica-se com uma sensação, sei lá, muito séc. XVIII, muito... Casanova, muito "Hameau de la Reine". Afinal, a "Independente" era uma nobre casa, onde muy nobres gentes iam pôr, e retirar, alguns "Grains de Beauté", para que os seus gentis fácies melhor corressem no enorme Palco das Vaidades do tempo presente.


(Há uma segunda série, a dos P.A.L.O.P.s, mas o pudor leva-me a ignorá-la, pois prefiro os perfumes da Lamballe e da Polignac às Catingas do Bié...)


Por último, uma palavra de carinho para Fernanda Câncio, que, ao contrário dos outros, que queriam acelerar habilitações e percursos de vida, luta, desesperadamente, para que não apaguem a sua entrada na
"Wikipédia". Acho injusto, para uma mulher de vida tão vasta e rica, que os seus longos pergaminhos possam ser delidos em 6 dias.

Para todos efeitos, sempre é matéria de sorte: ao contrário da "Independente", a Lógica do Corredor da Morte deu-lhe uma folga de mais 6 dias.


É só saber vivê-los, moça!...
Fernanda Câncio a namorada nunca desmentida de José Sócrates, Hiroshima meu amor, Indian Song, Licenciaturas do Bié, Universidade "Independente", Hoje jantei com os lindos olhos de Mariano Gago e discutimos o fim da "Independente"

Mariano Gago convidou-me hoje, para o nosso tradicional Jantar de Páscoa. Amanhã é tolerância de ponto na Função Pública, e sei quanto lhe vai custar, entrar pelo Palácio das Laranjeiras dentro, aquele som do "tac", "tac", "tac" no soalho envelhecido, nem um porteiro para o receber, nem um assessor, nem uma secretária, ele, sozinho, com o fundo garrafal dos seus óculos, a sentar-se, numa semi-penumbra, para assinar o epitáfio da Universidade "Independente".
Deus quis, a
Ferreira Leite sonhou, o Cavaco anuiu, os diamantes de Angola pagaram, e o Gago enterrou.


Hoje, não me apetecia nada aquela treta do Pâté de Andorinha, mas ele adora, diz sempre que não é uma andorinha que traz a Primavera, aliás, citando Aristóteles, e que não vai ser o encerramento de uma Privada que arrastará o encerramento de todas. Aí, eu, que até nem sei assobiar, comecei a assobiar para o ar um tema muito antigo, do tempo do meu pai, "A Mula da Cooperativa, ai, a Mula da Cooperativa, ai, deu três coices, etc...", e depois fiquei muito corado, porque o restaurante estava cheio de Assessores, todos licenciados nas Privadas, alguns já Mestres, e bastantes quase Doutores, médias altas e a ganharem tanto como eu, enfim, gente de bem, e eu a dar ali escândalo...
Enquanto acabávamos o "João Pires" -- 2ª Garrafa -- ele olhou discretamente para o relógio,
e eu, está quase, não é?...,
e ele,
... pois...

Era a fatídica Quinta-Feira Santa da decisão, que se aproximava, com o rodar daqueles ponteiros caros, na direcção da Meia-Noite.

Então, "Suddenly First Sound", a Cúpula de Santa Engrácia começou a dar as 12 badaladas, e, de cada vez que uma soava, os seus lindos olhos contemplavam os meus, pobre olhos de tísico, acho que, "ambos os dois" a ver quem se transformava primeiro em abóbora...
Confesso -- mas deve ser freudiano -- sempre considerei Mariano Gago o Sapo Encantado da minha vida, os óculos, a mente maquiavélica, conselheira de Maria de Lurdes Rodrigues, o magnífico clavicórdio que tem por detrás dos lábios grossos, e, à medida que o dia seguinte começava, mais sentia eu aquela pulsão, aquela afinidade electiva que me dizia que estava, perante mim, o homem involuntário que ia abrir a Boceta de Pandora do Fim do Socratismo.
Estávamos nós nisto, no ver que não ver quem se transformava primeiro em abóbora, toca-lhe o Nokia, e ele, pálido, a ouvir uns gritos estridentes, andróginos, do outro lado, nos quais, imediatamente, apesar de ser surdo como Beethoven, reconheci o timbre cuidado da voz do nosso futuro ex-Primeiro-Ministro.
Era Sócrates, a cantar-lhe a "Marselhesa" aos ouvidos.
Desligou,
e eu,
e então?...
E aproximei-lhe o Santo Graal da mão,
toma bebe, Judas não está aqui, graças a Deus,
e ele,
Pai por que me abandonaste?...,
e eu,
está, então, tudo consumado?...

Eli, Eli, Sabacthani!...


(Cruzes, canhoto, um toque novo da Vodafone!...)

E chorou, juro-vos, defronte dos meus olhos, choraram os lindos olhos de Mariano Gago.

Até a garganta se me aperta, só de vos escrever isto, juro...
 
 

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