domingo, 21 de janeiro de 2018

palavras de uma ausência tardia

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas


Ouve meu anjo

o navio tinha partido
e o vento 
nesse dia era forte

muito forte

a saudade 
de ter o pajem
de volta para o leito

a praia dos tesouros.

Era uma ínsua a secar.

Ouve meu querido
menino; foi
um tiro na noite

no peito de todas
as noites
até o dia te trazer

e a noite vingar.



sem título, poema de Jorge Aguiar Oliveira


2 Responses so far.

  1. Há poemas que podiam (deviam) ser cantados
    entre grasnares de gaivotas e imagens de barcos
    Mas também podia ser
    simplesmente com o sol a nascer

  2. O poema encaixa demasiado bem nas circunstâncias. É uma grande perda, embora eu nem consiga ainda perceber a extensão das coisas. Por vezes, só me ocorre o Fantasma da Ópera, onde eu fui a voz oculta, por detrás das paredes, a orientar alguém que estava sempre a fugir contra o Tempo.
    Isto é muito pessoal, mas creio que a corrida terminou.
    Julgo que agora mais ninguém voltará a perturbar o Raul, que era mais mais criança do que todos os seus predadores alguma vez poderiam pensar.

    Pela minha parte, acho que nunca mais me habituarei a não ter a mais atenta das atenções do outro lado das paredes da minha parede das vozes.

    Se alguma vez alguém pudesse chegar a saber um décimo de tudo isto...

 
 

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