quinta-feira, 21 de abril de 2016

A lésbica banguela foi presa em Milão

Esta é a história real de uma amiga minha que me fez famoso em Pernambuco. Mais ou menos famoso. Trabalhávamos na cervejaria gaúcha Beer Company, na Avenida Presidente Juscelino Kubitchek, em São Paulo, em 1996. Eu era caixa e ela era garçonete. Conversávamos, quando ela falou sobre o amor da vida dela. Revelou-me que era uma garota. Mas que parecia homem, em suas palavras. Sorriu, tímida, com a confidência. Eu tinha 25 anos e ela, uns 27. Originária de Recife. Na época, eu estava morando com uma moça, mas já ensaiando me separar. Quando chegou o carnaval de 1997, separei-me mesmo e fui morar na Vila Olímpia, com um colega de trabalho. Minha amiga, que chamarei de Cláudia Prado, aparecia sempre lá em casa e eu gostava muito de sua visita. Resolvi presenteá-la com meu livro de poemas “Suicídio Espiritual”. Pouca gente sabia da existência deste livro. Pelo fato de ter mais de oitenta e oito palavrões, as pessoas me consideravam louco, ao lê-lo, e eu não costumava anunciar ser o autor dele, quando arranjava um emprego. Mas eu fiz as pazes com minha mulher, que começou a frequentar nossa casa da Vila Olímpia, porque não voltei imediatamente a morar com ela. Certa manhã, estou dormindo na cozinha (eu dormia na cozinha), quando Cláudia Prado aparece, me acorda, tira toda a roupa e deita na cama, debaixo dos cobertores, solicitando que eu fizesse sexo com ela. Disse que estava comovida com tanta cantada que eu tinha dado nela nos últimos dias. Eu tinha dado cantadas nela nos últimos dias? Estava aproveitando o fato de que estava agora motivada por cerveja e cocaína. Ela queria transar sem camisinha, mas eu insisti em pegar uma camisinha e iniciamos a cópula. Mudamos de posição e os dentes dela quase caíram em cima de mim. Contou-me que havia perdido os dentes num acidente na infância e portanto usava uma prótese. Uma dentadura. A despeito de Cláudia Prado ter uma corpo delicioso, após três horas de sexo, eu não havia chegado ao orgasmo. Ela insistia em que transássemos sem camisinha, mas eu recusava. Decidimos tomar banho juntos. No banheiro, ela fez todas as posições imagináveis para que eu a penetrasse sem camisinha, mas continuei resistindo. Fui à farmácia e comprei mais camisinhas. Voltamos à cama e copulei por mais três horas. Tentei me masturbar para enfim chegar ao orgasmo, mas ela não permitiu. Exigiu que eu chegasse dentro dela, afinal ela já havia chegado seis vezes. Enfim, consegui e fiquei aliviado. Ela foi embora e meia hora depois, chegou minha mulher, para mais uma sessão de sexo. No dia seguinte, encontrei Cláudia Prado na cervejaria e perguntei: “Você transou comigo porque estava bêbada e chapada de cocaína. Transaria comigo de cara limpa?” “Sim”. Ficamos de combinar outro dia. Eu já estava morando novamente com minha mulher, quando levei Cláudia Prado a um hotelzinho barato e, desta vez, consegui chegar ao orgasmo rapidamente. Mas não fizemos mais sexo, pois ela disse que estava se envolvendo comigo e não queria sofrer, já que eu era casado. Ela saiu da cervejaria e nos encontramos no Orkut, muitos anos depois. Renegou a transa. Disse que jamais transou comigo porque jamais transou com homem nenhum. Era uma lésbica convicta e não faria sexo com um homem jamais. Dias depois, disse que tinha terminado um relacionamento, estava muito triste e queria saber se eu poderia viajar a Recife para ficar com ela. Eu não entendia essa garota. Não viajei. Perco o contato. Ela não responde mais minhas mensagens. Comecei a pesquisar e descobri que sua última mensagem havia sido no aeroporto de Guarulhos, onde estava embarcando para Milão, onde realizaria o sonho de sua vida. Mas aparentemente não havia chegado em Milão, pois dias e semanas se passaram e não houve mais mensagem nenhuma. Os parentes e amigos dela entraram em contato comigo, querendo notícias. Eu não sabia de nada. Diziam-me que Cláudia havia mostrado meu livro de poemas para todo mundo em Recife e eu era bem famoso lá. Uma amiga dela me telefona. Conta-me que Cláudia tinha uma amiga na Itália que ela suspeitava que estivesse por trás de seu desaparecimento. Resolvi pesquisar em sites italianos e descobri que duas mulheres brasileiras haviam sido presas em Milão. Entro em contato com a Embaixada do Brasil na Itália, que me confirma: era Cláudia Prado. Presa por tráfico internacional de cocaína. Todos ficaram absolutamente chocados com a notícia. Cláudia ainda está lá.

3 Responses so far.

  1. Eu, Biatraz Batida, fressureira, adorei. Parece a história da minha vida :-)))

    :-*

  2. Este conto é de uma maldade tão grande que parece a vida de algumas jornalistas de sucesso :-)

  3. Tem de fazer o conto da poliomielítica que aviava a polícia estadual :-)

 
 

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