quarta-feira, 20 de abril de 2016

Correio da Lola - "O meu marido diz que eu devia ter um cartão de cidadona..."


Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas



Querida Lola:

O meu marido voltou ontem do Futebol, aliás, ele já nem volta, está lá sempre, e, quando volta, é para se pôr defronte dos canais de interesse público, a assistir horas e horas a debates sobre Futebol. Fiquei muito desgostosa, por que ontem ele virou-se para mim, depois da reeleição do Pinto da Costa, estava eu a preparar mãozinha de vaca para o jantar, e disse, "Teresa, tu devias era ir tirar um Cartão da Cidadona...", ai, fiquei tão desgostosa, chorei tanto..."


Teresa Borralho, Fornos de Alpôdres



Querida Teresa:

Compreendo que as palavras lhe pesem, por que as palavras tanto matam quanto salvam. Sabe que eu sou extremamente politicamente incorrecta, aliás, só escrevo aqui para matar o tédio daquelas horas mortas em que os homens não me usam abusivamente, pudesse eu ser ampulheta, e estar sempre a ser encavada, como a transsexual Mary, que foi abusada 2 000 vezes, nas prisões autralianas, vije maria, dá deus cona a quem tem nozes, meu deus, que alegria, mas a realidade é outra... Querida, o seu marido é um marido muito bem informado, eu até diria, um verdadeiro intelectual, já que a menina é que está completamente fora das coisas badaladas deste mundo, e não é só futebol que ele vê, pois que isso do cartão da cidadona é uma cultura de esquerda, é mesmo o coração da geringonça a pulsar, e foi aquela moça que agora vende muito, no Bloco de Esquerda, a Catarina Martins, que levantou a ideia. Sabe que a Esquerda, para ser esquerda, tem de andar sempre pela rua, a observar, e a perceber onde pode fazer a revolução e a salvação dos mártires. Eu não vi, mas posso imaginar, aquelas filas longas para irem buscar uma gamela de sopa à Isabel Jonet, as velhinhas umas atrás das outras, quando chega a hora de se identificarem, e dizerem de que colchão velho se alevantaram para ir às côdeas, chega a vez dela, e estendem um "cartão do cidadão", por amor da santa, um "cartão do cidadão" é uma coisa pesada, para homens de voz grossa, com músculos, como aquele rapaz que mataram aos murros na Irlanda, o João Carvalho, que homem tão bom, adorava que ele me tivesse desfeito à dentada, com aqueles dentes em bico, meu deus, a chamar-me de puta, com o cartão de cidadão na mão, enquanto me cuspia e dizia que ia rebentar toda, em vez de andar a gastar energias com aqueles nojentos tatuados, naqueles países cheios de umidade, olhe, não custa sonhar, mas já desabafei consigo!... Claro que aquela formiguinha do Bloco de Esquerda tem razão, quando acha que devia haver um cartão do cidadão e um cartão da cidadã. Da Cidadona, já não sei, mas isso é um assunto vosso, vocês é que devem saber da vossa vida aí em casa... A Catarina, aliás, para ser coerente com as suas ideias dela, vai mudar o nome do Bloco de Esquerda para Bloca de Esquerda, como a Partida Comunista, da Odete Santos, e como aquela moça de Neanderthal, a Assunção Cristas, que foi eleita para o CDS/PP, devia mudar o nome de Partido Popular para Partida Popular, como chegou a ser, durante o período crítico da paneleirona da Portas. Muito mais importante do que as revisões da Constituição e os referendos era esta intervenção da igualdade do género, sendo que, para cada género, deveria haver um acordo de género, o Fundo Monetário Internacional a ser a Funda Monetária Internacional, enquanto lá estiver aquele arenque fumado da Christine Lagarde. E, ao contrário, por que não há uma caderneta predial para os homens, que se devia chamar caderneto predial?... Nestas coisas, a vida é muito injusta, e ainda há um longo caminho a percorrer, neste mundo ferido pela desigualdade de género... A coisa até devia chegar aos jornais, a "Correia da Manhã", que era a versão SM do "Correio da Manhã", de cintinho de ligas, a "Pública", que seria o "Público", de cuequinha... E por que há uma "Agência Lusa" e não um "Agêncio Luso", como os garrafões de água, que, aliás, se deviam dividir em garrafões e garrafonas?... Isso é muito feio, e injusto, não acha?... E a "Expressa", que ia ser a fêmea do "Expresso", dirigida pela Maria Soez Avillão?... E a "Observadora", orientada por aquela grunha da Laurinda Alves... E a "Diária de Notícias", das rapidinhas da Câncio?... E os bancos, entre o ex "Banif" e a "Banaifa", a invendável "Nova Banca" e o "Queixo Geral dos Depósitos", e a "Milena Bicipréstia" e a "Montepia", uma coisa de comer e chorar por mais?... Mas o mais grave, querida, são mesmo aqueles objetos que não se decidem pelo género, como "o diploma" do Sócrates e "o diploma" do Relvas, que se deviam chamar "a diploma", ou "o diplomo", consoante o vigarista, a "carta de condução", que devia ter uma vertente macho, chamada "envelope de condução", e a "taça de Portugal" e o "Tacho de Portugal", as contas de água, luz e gás, que deveriam chamar-se contos afins, e o cartão de crédito, que deveria ser a "cartona de crédito", não, querida, não confunda com a Celeste Cardona, que essa foi apenas mais uma nódoa no longo percurso de nódoas e nódoos da Caixa Geral de Emplastros... E aqui voltamos ao início, meu amor, realmente, cartão de cidadão pede mesmo um cartão de cidadã, e, mesmo, um cartão de cidadona, para os casos mais profundos, e para o terceiro sexo, até devia haver uma a cartona da cidadona, tal como a Linda de Suza já o tinha prevista, mas é melhor que eu me cale agora, não vá vir daqui alguma ideia para o Zezé Castel Branco, isola, isola, isola... ou para o Cláudio Ramos, um irredutível,  que nunca aceitaria ser tratado por Cláudia Ramos, nem andar a penar como Cláudio Ramas. Como está a ver, o seu cartão de cidadona até é um meio termo muito aceitável, e até nem é o pior de todos, por acaso. Podia dar-lhe os contra-exemplos da Senhora de Mota Amaral, que foi logo anunciada, pela graça do Espírito Santo, e nascida a dar para os dois lados, muito melosa, muito dengosa, agora e na hora da sua morte, ou da Maria Luís Albuquerque, que nasceu logo com os dois géneros, sendo, para uns, a Maria, "Miss Swaps", e, para os outros, o Luís, "Mister Banif", ficando os restantes com uma vaga sensação de impunidade na corrupção, e assim sendo, tchau, querida, e seja séria, limpa e honrada, e aceite mas é a dádiva que lhe vão dar, e viva a sua vida, sempre no mais profundo amor do seu esposo em cristo, que deve ser cá uma boa peça, para comer a sua mãozinha de vaca, salvo seja....



 
 

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