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Para a minha Tia Hélia, para quem, num tempo, as palavras matemáticas foram vozes opostas do silêncio
A memória é escassa, e o esquecimento fundo
e as longas baías vividas no navegar profundo
dos invernos longos da inquieta solidão,
devassada nos sóis baixos da luz rasa,
e o deserto dos interiores
e as curvas planas das audácias de outrora
e os oceanos atravessados
na vertical das atmosferas,
de um tempo em que se galopavam continentes
e havia sorrisos brancos
de liberdades quentes,
namíbias ao estender da mão,
e planaltos de escala inversa,
pela manhã, o sol, a fenecer à tarde no poente
raso e seco e brutal e ardente,
quem não lembraria hoje aquela luz cegante?
E as estações foram-se acumulando
na deriva de tantas áfricas austrais,
cantadas na voz dos insetos sibilantes
e odores das torrentes,
e fomos recuando pelos zénites todos,
mudado o inverno pelo saudoso outono,
e, esquecida a primavera,
sentámo-nos,
frente a frente,
como se fora o verão omnipresente,
e mergulhámos os olhos nos olhos,
apenas uma criança de face apagada,
na busca de paisagens distantes,
cumes devastados em rasadas dunas,
tal o Tempo,
e o tempo, do tempo, do tempo,
ressonante, num vertiginoso circular,
e, com um dedo mágico
do iniciático evocar,
lhe tracei nos ares o inefável triângulo
de um geométrico inconsciente,
e proferi as palavras délficas
do oráculo sem nascente,
e a hipotenusa forçada ao seu quadrado
e, do lado em frente,
inesperada e flutuante,
a apagada voz se ergueu
para completar as delidas linhas
daquela memória extinta,
soletrando a eterna vertigem dos catetos,
forçada à escravidão
um dia pronunciada por Pitágoras,
muitos éons após o Homem a ter sabido,
e assim iniciámos a nossa hipnótica ascensão,
como se, eterno retorno
das verdades estelares,
ali pudéssemos recuperar,
na Harmonia da Esfera,
o desinteressante desfiar
da transitoriedade humana.
popular
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Pronto, já está: certamente deve ter reparado na voragem dos últimos dias, com o Cristiano Ronaldo, “The Special One… percent”, a aparecer na televisão, como se nada tivesse acontecido, em tudo o que é anúncio, caríssimo, com criancinhas ao lado, e na multidão de gajas de aluguer, nereidas e putas afins, a quem se diz que ele em tempos pagou para que aparecessem, como alibi, nas capas de revistas, a virem dizer que ele é bom menino, incluindo aquele “one percent”, pois a verdade é que a Kathryn Mayorga acabou de despejar no “Der Spiegel” os pormenores todos, sobretudo aquele que vai atirar o “The Special One… percent” para o lugar próprio de onde nunca devia ter saído, e vai pôr a mamã Aveiro e a mana apoiante do Bolsonaro a calmantes, coitada da Kathryn: pois, então, parece que o “The Special One… percent” lhe saltou mesmo para cima, e como é testado de três em três meses, para ver se apanhou algum bichinho, a encavou brutalmente, SEM PRESERVATIVO NEM LUBRIFICANTE, e a deixou toda ferida e a sangrar, a dizer “NÃO, NÃO, NÃO”, e cheia de medo de ter apanhado alguma doença sexualmente transmissível, a célebre SIDA/AIDS, que se apanha mesmo assim, em sexo desprotegido, na forma bruta de penetração anal, com ferimentos expostos aos líquidos seminais com que “The Special One… percent” ficou nos dedos, depois de a ter brutalmente violado. Pagou-lhe $375 000 US para ela se calar, mas nós agora somos mais exigentes, e queremos que ela fale de graça e lhe descubra esse One Percent de que tanto gostamos 😊
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"Fake News" - Sim, é um exclusivo "The Braganza Mothers": o emir do Qatar, Tamim bin Hamad al-Thani, estaria disposto a comprar João Félix para o PSG, oferecendo 200 000 000 €, numa operação inédita de petroputos. Condições prévias, que João Félix nunca tenha jogado, nunca tenha entrado em campo, e que, caso já esteja lesionado, não se importe com ser comprado por mais 50 milhões. 250 000 000 €, quem não gosta?... Os lobbies da "branca", da "branca de neve", como se diz na Sierra Nevada, que vão ter de subir a sua parada.... Viseu é uma festa, parabéns, João Félix, por mais este grande salto :-)
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Sr. Aníbal, de Boliqueime, sabe que um punhado de Portugueses, embora vergonhosamente, votou em si, para desempenhar as mais altas funções da Nação, e uma delas é a de defender a soberania nacional, uma coisa que obriga a que, quando uma potência externa ladre, o senhor, ou a corja que o rodeia, deva reagir, não como no Caso BPN, baixando as orelhas, metendo a cauda entre as pernas, e fugindo para a América Central, mas olhando quem lhe ladrou de frente, e dizendo que os Portugueses não estão cá, há 900 anos, para que lhes ladrem, e esperam de si, um cobarde nato, que pelo menos seja polido e decente, na resposta ao ladrar, tanto mais que, já que nunca conseguiu ser mais do que a Vergonha da República, ao menos saiba ser, em potência, o Comandante Chefe das Forças Armadas? Claro que lhe damos a folga do costume, de achar "que não é a altura certa para falar sobre o assunto", é verdade, não foi, como perceberam depois aqueles a quem a História traçou o destino por... outros modos. Tenha um boa dia, que lhe vai ser bem longo...
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a memória reencontrada, na grande viagem