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sábado, 17 de maio de 2014

A saída da Troika: um Portugal mais pobre, mais corrupto, mais desigual e infestado pelas mesmas pragas de sempre

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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Peixe Gota eleito o animal mais feio do Mundo

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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
sábado, 1 de dezembro de 2012

O Manifesto anti Santas

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas


Imagem do Kaos


A notícia do dia é, claramente, um sério aviso que a Comissão para a Proteção da Família lança para todos os lares de Portugal: as mães, sérias, limpas e honradas, mesmo debaixo da forte pressão para equilibrarem os periclitantes orçamentos familiares, não devem, doravante, vender o cu dos filhos a bichas velhas, não vá o Novo Mundo renatosseabrá-los num tribunal qualquer, não controlado pelo lava-mais-branco da Cândida Almeida.

Deixo apenas uma saudação à noiva de Rikers Island, com os sinceros desejos de que, doravante, nunca lhe apareçam ovários na cloaca, porque já há gente a mais no Mundo...
Que as salsichas lhe sejam leves.

A segunda notícia do dia já é da véspera, como certos bolos, que refletem o estado de decadência das pastelarias, e atem-se a um certo manifesto, assinado por um certo número de "personalidades", cuja finalidade era pedir ao "Presidente da República", para demitir o Governo.

Quer o manifesto, quer o contexto, pecam por vícios de forma, que, caso não se lembrem, passarei a explicitar.

O primeiro, rançoso, e cansativo, é o de continuar a haver gente, em Portugal, que usa a expressão "Presidente da República", o que é um eufemismo, para dizerem que há um saloio, das brenhas de Boliqueime, patriarca de uma multidão de crimes de todo o género, que nos arrastaram para o presente estado de declínio, e que não deve ser tratado por "presidente da República", para não ofender o cargo, mas pelo nome próprio: trata-se do cidadão Aníbal Cavaco Silva, um dos maiores canalhas da Democracia Portuguesa, e responsável pela destruição de um povo com quase 900 anos de História, em todas as frentes em que um povo pode ser destruído, pela condenação ao atraso cultural, pela irrelevância no patamar das sociedades suas contemporâneas, pela miséria, pela deserção dos campos, das indústrias e dos serviços, e pela ruína das cidades, pela instalação de um sistema de compadrio, que impede o exercício e a execução das leis do Estado, pelo compadrio, pelos mais espantosos calotes financeiros, pela sucessão de escândalos, pelo medalhar, nominal, de todo o tipo de crimes concebíveis, da escumalha de que se rodeou, ladrões, assassinos, diretos e por negligência, estripadores, caloteiros, escroques e bestas quadradas.

Os homens que fizeram o 1º de dezembro, cujo sabor amargo foi libertar-nos de España, para nos entregar a Portugal, não teriam hesitado em atirar esse tal de Aníbal, mais a pantomineira com que se casou, mais a prole e o Montez, que trafica tudo, nas pluribas formas, pela janela. Os netos ainda poderiam ser entregues a uma instituição de reeducação, já que se avizinha que o pior ainda esteja para vir.

Este é o primeiro vício de forma, e continuarei a repeti-lo, até que o teclado me doa, já que faço parte dos 90% de cidadãos que nunca votaram nesse tal de Aníbal, para essa tal de "Presidência da República", mas vamos ao tal manifesto, que é o que me traz aqui.

Não o li, de maneira que, como sempre, estou à vontade para o arrasar completamente.

Parece que quer que o Governo se vá embora, na forma de abaixo assinado, e isso é uma forma tão válida, como qualquer outra, para que se vá mesmo, conquanto... vá. O problema é que não vai, já que quem o pode pôr fora, excluída a Anomalia de Boliqueime, é a multidão crescente, que, semana após semana, lhe vem dizer que a Maioria está na rua, e está.

Sendo "abaixo assinado", pelo étimo, pressupõe assinaturas, e eu, que não li o texto, tive algum tempo para me deter nas assinaturas.

A primeira é a de Mário Soares, que, por razões sentimentais, não vou arrasar aqui. Limitar-me-ei a dizer que se serviu bem de tudo quanto havia para se servir, com a cláusula de grandeza e salvaguarda que foi o único político português com escala e visibilidade mundial que se produziu, depois do 25 de abril. Bom ou mau, foi o que tivémos, e agora já não dá para corrigir a História, portanto, não choremos sobre leite derramado.
A reboque desta assinatura de Soares vem um enorme cortejo de parasitas, que eu dividiria entre os parasitas de sempre e os parasitas involuntários, aqueles que assinam depois, na forma de incautos: sem antes terem visto as assinaturas que vinham antes da sua, e os que já contam, à cabeça com esses ceguinhos, para os usarem como lastro, nas alianças do costume. É uma certa gente que se alia sempre, quando há um certo tipo de eventos, no qual quer passar por... santa.

Usando linguagem de Oceanário, quanto mais velho for o tubarão, maior deve ser o número de rémoras que o acompanha, e assim resumo eu o Dr. Soares.

E agora esperem um bocadinho, que vou buscar o mata moscas, para tratar do resto do assunto...

Bem, vejamos então o que é que a Pilar del Rio, essa rameira de Lanzarote, que viveu de um cadáver vivo, e de fugas de impostos de Portugal para España, e de España para Portugal, ou lá como foi, e agora insiste em viver de um cadáver morto, tem a ver com a demissão de um Governo Português, seja lá ele qual for?... Não tem nada, e bastava saber que havia o rabisco dessa lambisgóia em qualquer papel que o valesse, para qualquer Português decente imediatamente perceber o que aquilo era, e dar de frosques. Ela que pague a luz e se vá embora, que bem nos basta termos o país cheios de chulos machos.

O resto não é melhor: o João Cutileiro, um que viveu pendurado nos dinheiros das autarquias, para semear, como os pombos, em cada rotunda e jardim deste país, cada uma das boas/más bostas que lhe saíam do atelier. Felizmente que os Portugueses são cegos -- nem todos -- e não percebem que aquilo são meros toscos de mármore, a quem o chupista chama "Arte", e põe preço alto, na etiqueta, já que o contribuinte paga tudo. Gostaria de que o senhor Gaspar, o sonâmbulo, que é tão bom em contas, nos apresentasse a fatura global da merda "escultórica" com que o Cutileiro infestou este país. Acho que cairíamos todos para o lado.

Segue-se a Inês de Medeiros, que os Portugueses, só se tiverem memória curta, já terão esquecido ser uma das gajas mais tacanhas de Portugal, que ainda tentou o golpe do curso, na Universidade Nova, mas saiu de lá carimbada como "estúpida". Custava-nos todas as semanas 500€ de avião, para ir para Paris visitar a "família", coisa que as más línguas, também conhecidas por línguas geralmente bem informadas, traduziam ser 500€ gastos toda as semanas, para ir ter com a gaja que lhe passava a pano de chão a língua pelos grandes lábios. Uma assinatura notável, no Manifesto, e, para não vir sozinha, trouxe a irmã...

Vem o Ferro Rodrigues, uma figura cuja ética é estrutural. Dizem que assina por ele e pelo Pedroso, que o "levou para as vidas", embora os incautos pensem que foi o contrário. Só falta a assinatura do "Gastão", que deve estar demasiado vesgo, para pôr uma patada de tinta, no lugar da cruz, que não é do Carlos, mas mesmo de pata de cão.

O Manuel de dia, Maria, de noite, Carrilho, é um pouco como a Maddie, por onde passa, fica sempre um odor de cadáver, e mais não digo.
Perfumou o manifesto...

Gosto imenso da Inês Pedrosa, que foi uma invenção do Arquiteto Saraiva, por ser uma das herdeiras do Império Feteira, aquele que se resumiu à morte da Dona Rosalina, perpetrada pelo Duarte Lima, com a sua cabeleira de "Giselle". É espantoso como é que, não se escrevendo, se consegue ir ganhando fama crescente de escritora, mas a Lídia Jorge, que chegou ao mesmo patamar, uns anos antes, pela porta de levar porrada de um capitão de abril, deve explicar melhor do que a outra. Às tantas, nenhuma delas sabe como chegou onde chegou, mas eu explico: típicas causas naturais portuguesas.
Devem querer o Governo na rua, por que o Relvas as não lê, mas eu também não leio, e isso deve ser a única coisa que eu tenho em comum com o Relvas...

Do Rosas é melhor eu não falar, porque é vingativo, como o Carrilho. Pronto, juro que não trago para aqui o tema clássico dos informadores da PIDE...

O meu amigo Letria resolveu trazer o filho, mas fica só o simpático recado de que há um momento em que se tem de perceber que as coisas mudaram, e que o Mundo já não é feito dos infinitos pores do sol do Cairo, por mais que a eterna medíocre Clara Ferreira Alves aponha a sua cruz -- é mesmo cruz, no caso dela... -- no final do manifesto.
(Aproveito, embora execre a criatura, para fazer aqui uma ressalva, que vem de fonte fidedigna, do meu caro amigo Leitão Ramos: os célebres textos que circulam na Net, onde ela crucifica o padrinho de Nafarros, Soares, são FALSOS. Ela NUNCA os escreveu, mas são uma vingança de um engraçadinho do senso comum que, já que a mulherzinha é nula a alinhavar linhas, se lhe apoderou das misérias estilísticas, e lhe encheu os chouriços com carne que nunca usaria. Fica aqui esta nota, já que, embora a considere detestável, nula e inenarrável, alguém, com algum peso na escrita, teria de vir fazer este reparo. Repito: os textos não são dela. Fica feito, e acho que fiz o meu dever.)

O António Reis e a Maria Belo trazem a Maçonaria macho e fêmea, o que é bonito, até por que, para não haver discriminação sexual, também temos a Maçonaria bicha e fufa, nuns nomes que estão na lista, mas não vou dizer quem são, para não me acusarem de sexismo...

Faltam, e é uma falha, as assinaturas da Fernanda Câncio, Armando Vara, de Mourinho, Renato Seabra, Pinto da Costa e Dias Loureiro.

O pior é que tenho de dizer que já estou farto da lista: também lá estão o arquiteto do regime, o das casas de banho viradas para fora, o Siza, e o Eduardo Lourenço, das sardinheiras, e até o meu primo Armando, para não variar; a Teresa Pizarro Beleza, que não deve ter nada a ver com o Gang dos Belezas, que embelezou o primeiro Cavaquistão, e vou cessar a enumeração, não sem antes deixar aqui um carinho, muito pessoal, muito cheio de afeto, para o João Galamba, que, se o Seguro chegasse ao Governo -- isola, isola, isola!... -- ia direitinho para Secretário de Estado, num primeiro arranque, e Ministro, num segundo. O seu segredo, para quem não saiba, é um elementar watson: é o protegido doutoral do João Constâncio, filho do filho da puta do Vítor Constâncio, pelo que, quando ambos procriarem, com a gaja drogada que o acompanha, a ver, desse bater pratos vai sair uma coisa pior do que a semente do Diabo, do Polanski. Depois, não digam que não avisei...

É tão só uma farta fatia do Sistema, ansiosamente à espera de apear outra, para ocupar o seu lugar, com uns ingénuos enfiados pelo meio.

Chega, não chega?... Então, vamos à sobremesa.

Esta lista é tétrica, mas há uma ainda mais tétrica, que eu peço aos meus caros amigos Anonymous e Lulzsec que nos deem, como prenda da Restauração, como o maior segredo do Portugal contemporâneo: a listagem, completa, dos acionistas privados do BPN, também conhecidos pelos filhos da puta que empurraram o Sócrates para nacionalizar o banquinho, e nós ficarmos a pagar, eternamente, o maior calote da História.

Nunca tinham pensado nisso, pois não, mas pensam agora. como deverão imaginar, nenhum dos signatários do célebre manifesto poderia, em circunstância alguma, pertencer a essa outra lista.

Quando a tiverem, podem pôr no "Casa das Aranhas", do meu caro amigo João, que o João agradece e até já está habituado, desde o escaldão da Maçonaria.

Quanto ao Manifesto, estou completamente de acordo, depois de limpo da assinaturas dos penduras: está na altura de a rua demitir o Governo, melhor, demitir o Sistema, melhor, abolir este cancro, a que chamam "Regime", e é uma dramática transgressão do Estado de Direito.

Nesse dia, prometo, eu assino, e creio que vocês também terão um enorme prazer em assinar.
Antes disso... não.

(Quarteto do estou tão farto disto, virgem maria, tão farto..., no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")


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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Alterações climáticas trazem o dengue para Portugal, viúvas negras para Inglaterra e a Pilar del Rio para Lisboa

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sábado, 3 de novembro de 2012

Pilar del Rio, a viuvinha negra, quer que os Portugueses continuem a pagar o seu bordel necrófilo, da Casa dos Bicos

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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Coco Austin, da "Casa dos Segredos" americana, aguenta "Sandy" , e até aguentava mais :-)

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Coco Austin, nua, pelada, à poil, nuda, desnuda, ننگے, 벌거벗은, 裸, عار, обнаженный, гол, го, khỏa thân, γυμνός, çıplak, մերկ, çılpaq,оголений, biluzik, নগ্ন, hubad, noeth, עירום, შიშველი,નગ્ન, नग्न, naakt, meztelen, נאַקעט, nakinn, аголены, ನಗ್ನ, gol, го, nahý, toutouni, nag, నిర్మాణమైన, nøgen, gola, nuda, alasti, uchi, nudus, kails,nuogas, гол, telanjang, mikxufa, naken, เปลือยกายnagi, நிர்வாணமான & stark naked!!!...: "Já aguentei com tantos, filhos, que mais "Sandy" menos "Sandy" são trocos" :-)
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sábado, 27 de outubro de 2012

Javier Marías manda para o carajo o Prémio de Narrativa do Governo Español :-)

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"Dona Pilar, vá à merda", um fabuloso texto de José Paulo Fafe, sobre a viuvinha néfila de Lanzarote


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Só cá faltam os nomes que ele não lhe chamou: "NÃO É a primeira nem a segunda vez (e cheira-me que tão-pouco vai ser a última...) que escrevo sobre aquela inenarrável figura que dá pelo nome de Pilar e que exerce, desde há uns anos, como "viúva profissional". Apaparicada e idolatrada por uns idiotas que pensaram que, à conta dela e de uma fundação que ainda ninguém percebeu bem para o que serve a não ser para transplantar oliveiras e sacar uns cobres ao erário público, se promoveriam no nosso pobre "universo cultural", a criatura foi, ao longo dos anos e perante a reverência e o servilismo de quem passou pelo(s) poder(es), ganhando o estatuto de "intocável" que lhe permitiu alardear uma arrogância e uma má-educação digna de alguém lhe espetar um valente par de estalos, ou no mínimo, mandá-la aquela parte. Agora, como se já não bastassem as cenas acanalhadas que protagonizou ao longo dos tempos, esta energúmena (e estou a ser parco na forma de qualificá-la...), do alto de uma importância que só ela e o bando de imbecis que lhe lambem as botas lhe reconhecem, não arranjou melhor maneira para reagir a uma conta que recebeu da EDP relativa aos custos de consumo de electricidade da fundação de que ela se auto-nomeou presidente vitalícia: "Temos aqui uma fundação de um Nobel da Literatura que não tinha obrigação de abrir ao público e vêm-me com os recibos de electricidade? Não falo essa linguagem". Assim, como se lê... Desconheço se da linguagem da criatura fazem parte expressões como "proxeneta" ou "chulo" e mesmo se esses termos se aplicam no feminino. O que sim sei é que desta não resisto: olhe D. Pilar... vá à merda!


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quarta-feira, 13 de junho de 2012

Casa dos Bicos: a derradeira nódoa de Saramago, em Lisboa


Dedicado aos meus alunos e amigos da E.S.A.D., onde, ao longo de tantos anos, temos. metodicamente, discutido e dissecado este tema


A função da Literatura, no  contexto da Cultura Humana é demasiado complexa, para que se possa reduzir a duas linhas. A Escrita, enquanto metáfora da comunicação, ocupa um patamar subtil, tal como a moeda, enquanto inefável mediadora de categorias do apreço inquantificável, ou, por palavras mais simples, como possibilidade de forçar uma confrontação entre dois termos, que, à partida, não poderíamos comparar, através de um mediador palpável, que, elementarmente, os torna em quantidades mensuráveis.

Tudo começa com a noite dos tempos, em que o redor hipnótico das sociedades humanas era gerido pela magia da Palavra. Porque a Palavra é uma flexão sonora, que nunca se libertou completamente da Música, o que, implicitamente, a leva a comportar sinestesias com a própria Dança, ou seja, a envolver, no seu Signo, simultaneamente, todos os sentidos do homo aestethicus.

A musicalidade de grandes poetas, como Camões, há muitos séculos que levou a Língua Portuguesa, ao extremo da flexão perfecionista, a que alguma vez poderia aspirar. Todavia, a Literatura é uma história sem fim, e o correr dos tempos nunca será necessariamente homogéneo, bem pelo contrário, ir-se-á revestindo de períodos de abundância e escassez. Como Cesariny disse, numa célebre entrevista, nunca pode ascender acima da "mediania", porque, quando, no seu tempo, olhava para cima, todos os horizontes eram vazios, ou insuficientes, ou seja, ele era sistematicamente forçado a ser o maior acima de si próprio, o que, para além de tautológico, conduziu, por inerência, às formas mais solitárias da criação.

O séc. XX português, com a distância que uma década, agora, nos permite, não é, decididamente, um século de prosadores, mas está recheado de uma miríade de vozes líricas, e, mesmo, épicas, no caso exemplar de alguns textos do heterónimo Álvaro de Campos. Para mim, frequentador das horas tardias das páginas grandiosas de todas as vozes do Mundo, e, enquanto sibarita, e formador de gerações, no campo inefável da Estética, onde o juízo de valor aspira à ordenação absoluta dos objetos da Arte, no cenário do Tempo, e tem, por cautela, de ser emitido com a maior ponderação, qualquer palavra pesa, em demasia.

A sociologia do Nobel, muito mais no âmbito da Sociologia do Tempo e da transitoriedade do que do juízo estético, terá um dia, os seus analistas próprios, quando a gaveta do Grande Escultor mostrar a estatística da irrelevância, e colocar, em palco, a fragilidade das coisas apressadas. De entre as categorias do Nobel, talvez a mais discutível, seja a da Literatura, como poderemos confirmar na listagem dos prémios atribuídos, desde a sua instituição: pateticamente, não é mais do que uma longa lista de ventos e poeiras, da qual poderemos retirar alguns punhados, e nada mais, nem nada menos.

A questão do gosto do leitor é pessoalíssima; a do escritor, como é o meu caso, é ainda mais íntima. Como Borges afirmava, cada um de nós constrói a sua genealogia mítica, feita de fragmentos inexplicáveis e secretos, sempre com a certeza de que o que escolhemos nos fez, um dia, correr o sangue mais depressa nas veias, e nos levou à tentação de o... ultrapassar. Só a vol d'oiseau, lembrando longas e permanentes conversas, eu nunca poderia ter existido sem Li-Bai, sem Sade, sem Voltaire, sem Proust, sem Artaud, sem Pound, sem Joyce, Paz e Pessoa, assim, num curto apanhado breve, terem, antes de mim, existido.

Alegra-me que haja um Português, nesta minha linhagem mítica, tal como gostaria de que Pessoa, essa sombra de todas as escritas, e esse exemplo do homem plural e universal, pudesse ter recebido o Nobel da Literatura. Nenhum outro dos nossos criadores melhor o teria merecido, findo que foi o séc. XX, depois de longos séculos de exercício da Língua, nos seus mais elevados patamares, desde a malícia das cantigas de escárnio e mal dizer, passando pela épica da ironia, que é Fernão Lopes, do chocalhar satírico de Gil Vicente, e, por Camões, e, de aí para a frente, sempre às costas de gigantes, até chegar ao tempo da nossa contemporaneidade, e do seu triste esvaziamento. Como Oscar Wilde dizia, em Arte, não há boa intenções, ou há Arte, ou as boas intenções não servem para coisa nenhuma, a não ser para ocupar espaço e desperdiçar tempo. Goethe, outro dos titãs, aconselhava-nos a não olhar senão para as coisas excelentes, relembrando que somos uma finita poeira de estrelas, levada pela primeira brisa dos ventos de amanhã, e que o tempo constantemente se esvai.

Para um escritor, é grave que uma distinção, cuja presunção aspira ao universal, tenha sonhado com resumir o glorioso campo da criação linguística portuguesa a um epifenómeno do séc. XX, um escrevinhador menor, de nome José Saramago. Já noutros lugares abordei o tema, e não me apetece repeti-lo. Como disse, o tempo é escasso e a obra extensa: por mim, na meia hora em que escrevi estas linhas já se consumou uma enormidade de segundos, desperdiçada com alguém que o Futuro não recordará, mas a nossa função de criadores, enquanto sensores do sensível da sensibilidade do nosso tempo, é igualmente a de ajudar a organizar os pilares dos juízos dos séculos a vir, e, por isso, continuo, do mesmo modo que um dia desperdicei a minha mortalidade a rabiscar o texto mais violento, que alguma vez produzimos, contra a figura saramaga.

Num dos seus maravilhosos e sintéticos pequenos contos, Borges, um não Nobel do séc. XX, elogia um certo poema, como sendo um testemunho possível da reconstrução de toda a literatura irlandesa, se, por ato aziago, omen absit, ela, um dia se perdesse toda. De Saramago, com toda a menoridade que lhe está associada, não poderíamos reconstruir, em nenhuma linha, em nenhuma página, em nenhuma obra, todo o espantoso património de criação que foram os séculos de flexão do nosso falar português.

Ninguém, no seu perfeito juízo, poderia ensinar as estruturas de ser eloquente, em Português, em qualquer das suas páginas.

Se, porventura, tivéssemos de ensinar a um leigo os íntimos prazeres da leitura, só com o esforço do fracasso certo poderíamos utilizar qualquer saramago, como cartilha.


O que de mais glorioso existe em qualquer criador é o podermos identificar as suas diferentes "maneiras", ou seja, o modo como a sua estátua interior amadurece o seu percurso. Em Saramago, a maneira é a mera repetição de um tique, que apenas se vai tornando mais amargo, com a impossibilidade de se renovar, e inovar.

Quando, com Fernão Lopes, percebemos que há uma língua autónoma a emergir, daquela ambiguidade do romance da sonoridade linguística peninsular, estamos a reconhecer a um dos nossos gloriosos antepassados o que é, talvez, o papel mais guerreiro e subtil de um escritor: o de fixar a Língua em que escreve, simultaneamente, dando-lhe alicerces, e forçando as fronteiras, para poder deixar em aberto, aos que depois dele virão, todas as possibilidades de a tornar ainda mais vasta, poderosa e flexível. Glorioso Camões, que o percebeu tão bem, magnífico Cesário, que a modernizou, ctónico Pascoaes, que a fez regressar a todas as imperfeições e energias da Magia; espantoso Pessoa, que acreditou em que ela seria grande; transparente Eugénio, que a voltou a tornar caseira, como uma suave brisa de ar; solitário Herberto, que nos relembrou que a Língua é um instrumento de percussão, que nos permite lapidar, para sempre, todos os instrumentos de ónix do nosso falar.

O Norte, cuja ignorância das vozes do Mar e do Sol, como a nossa, era, e é, imensa, decidiu que nada disso era relevante, e, num tempo de burocracias, preferiu folhear uma revista de publicidade, onde uma mente menor e ambiciosa, Pilar del Rio, tinha pago uma página inteira de propaganda, para vender um produto duvidoso, que ela resolvera revestir de relevância. Como toda a História da Arte ensina, e o cavalo de batalha da Estética sintetiza, não há relevância artificial que o devorar do Tempo não vença. A chuva, o sol e vento acabam sempre por arrancar os melhores cartazes, das paredes onde os colaram.

Saramago falhou em tudo: foi irrelevante, enquanto ser humano; pela sua intolerância, pernicioso, enquanto ser social; pela sua menoridade, rapidamente olvidável, enquanto escritor; pelos seus comportamentos, não patriota, enquanto nado nas terras da Lusitânia; pela sua avareza, ridículo, na esquizofrenia da ideologia e das práticas que praticava; pela sua vaidade, em nada exemplar, enquanto figura da Criação Mundial.

Voltando a Dante, cuja recuperação das categorias de validação medievais continuam grandiosas, literalmente, Saramago escrevia mal, e era impossível ensinar um jovem a redigir, através do que ele imprimiu, e imprimiu muito, demais, demasiado; no sentido moral, nada existe que possa ser considerado exemplar na sua obra: defendeu, friamente, o crime, a perseguição, a intolerância, e as sociedades onde o ser humano foi coagido e se pode tornar cada vez mais infeliz; alegoricamente, havia sempre um fundo de mau neorealismo, fora de época, a pairar nos seus claustrofóbicos paraísos artificiais; anagogicamente, a sua Jerusalém Celeste falhou: é agora um lugar de morte e deserção, onde figuras, como ele, arrastam o penar de existências fracassadas.

Com a atribuição da exótica Casa dos Bicos, testemunho de alguns dos nossos tempos mais áureos, e do nosso ser barroco, a um lugar de propaganda de um mau caráter, um mau português e um mau escritor, Lisboa é hoje, mais uma vez, afrontada: Saramago nunca deveria ter ido mais além da sua pequena Azinhaga, onde a Erva Saramaga era atavicamente considerada aziaga, ou de Lanzarote, onde tentou ser Castelhano, numa Literatura, que, por de tão grande como a nossa, também não lhe reservou qualquer lugar.



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