#Post Title #Post Title #Post Title #Post Title
Mostrar mensagens com a etiqueta Oceano da Língua. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Oceano da Língua. Mostrar todas as mensagens
sábado, 10 de junho de 2017

10 de junho

[ Read More ]
sexta-feira, 19 de maio de 2017

TCHAU, QUÊRIIIDO:-)

[ Read More ]
terça-feira, 21 de junho de 2016

Lua cheia do início do Verão

[ Read More ]
sexta-feira, 10 de junho de 2016

10 de junho

[ Read More ]
sábado, 28 de março de 2015

O Nada - V

1987 começou e eu me curei subitamente do pânico. Estava num ônibus lotado, voltando da Associação Desportiva da Polícia Militar e pensei: “Nada vai acontecer comigo”. Decidi voltar à datilografia e me matriculei novamente no SENAC, mas numa escola que ficava na Casa Verde. Eu fui à escola mais vezes. Mas passava uma hora trancado no banheiro batendo punheta. Quando saía, os outros alunos olhavam para mim com sorrisos nos cantos dos lábios. Eu fazia isso todo santo dia. Até que abandonei a escola também. Matriculei-me numa das piores escolas em que estudei em minha vida, chamada Externato São Judas Tadeu, que ficava ao lado de casa. Algumas escolas particulares de São Paulo conseguem ser deploráveis. O horário era louco: 16h às 20h. Eu nunca entendi aquele horário. Mas fiz um amigo metaleiro que mandou ler livros de filosofia. Foi o início de minha leitura de livros de filosofia, que não terminou nunca, mas que eu não sei exatamente para que serviu na minha vida. Continuei apaixonado por Andréia, prima da Lara, amiga da minha irmã, que estudava com a gente. Conto detalhes sobre ela no livro “As Gatas”. Foi meu primeiro beijo. E mais um fora doloroso em minha eterna coleção de foras. O pai da Lara, seu Kazama, me arranjou meu primeiro emprego, quando abandonei a escola. Office boy, que ele chamava “auxiliar menor”, não sei por que. Foi um saco de emprego. Eu odiava meus colegas de trabalho que me tratavam como escravo. Não tive a menor paciência e caí fora do emprego. Passei o resto do ano sem fazer nada. Comecei a usar óculos para miopia. Disseram-me que eu tinha vocação para palhaço e que eu deveria fazer um curso. Eu, fazer cursos e deixar a merda da minha vida? Arranjaram-me uma garota para eu beijar, uma menininha chamada Leuza, que fumava. Mas me pediram para não me envolver emocionalmente com ela e foi exatamente o que fiz. Resolveram me contar que ela havia saído com outro cara e eu não me interessei mais por ela. O namorado da minha irmã fazia bailes e me chamava para ajudar a dor o som, porque eu tinha muitos discos. Eu poderia ter seguido carreira como dj, mas quando minha irmã brigou com ele, não participei de mais nenhum baile. O que eu não tirava da cabeça era a ideia de publicar um livro de poemas. Apesar de ter queimado todos os meus poemas, quando tomei o fora da Andréia, eu escrevia tanto em 1987 que logo tinha um calhamaço de poemas novamente. Mas o que eu gostava de ler eram livros de terror, especialmente os livros de Stephen King. Tentava escrever prosa, mas não saía do lugar. Além das incontáveis tentativas de escrever a história da minha vida, também tentava completar aquele mesma história que havia começado lá pelos 13 anos e havia batizado de “A Órbita”. Minha casa tinha um bilhão de baratas. Não havia um dia sequer em que não enfrentávamos uma barata. E como sempre dormíamos no chão, por falta de espaço e falta de camas, já ocorreu de uma barata passar no meu rosto com aquelas perninhas que pareciam agulhas. Mas já me deparei com baratas subindo no sofá também. E eu dormia no sofá com muita freqüência. Vi uma cena terrível. Houve uma inundação no quintal e alguém resolveu destampar um bueiro. Saíram 800 baratas de uma vez. Um gato aproximou-se e começou a comer as baratas. Há cenas que não saem da cabeça da gente jamais. Aos 16 anos, eu já estava desesperado de vontade de transar.
[ Read More ]
sexta-feira, 13 de março de 2015

O Nada - 1

Eu nasci em São Paulo, no dia 30 de dezembro de 1970, filho de Pedro Papoy  e Rosilda de Moura Montarroios.
            Os Papoy tinham origem húngara. Na verdade, eram Papay. Mas meu avô, apesar de se chamar Miguel Papoy, teria nascido na Áustria, em Viena. Ou teria nascido em São Paulo mesmo, ninguém sabe ao certo. Meu pai nasceu em 1930 e já tinha um filho, Marcos Aurélio, que por algum motivo, escondeu de nós até quando eu estava com uns 12 anos. Meu pai sempre foi meio maluco. Aliás, quando eu era criança, ele dizia se chamar Maurício e não Pedro.
            Minha mãe nasceu em Recife, em 29 de setembro de 1950, e tinha vindo para São Paulo com uns 2 anos de idade.
            Meu pai tinha um irmão e seis irmãs. Minha mãe teve cinco irmãos. Quando eu nasci, eles eram ainda adolescentes. Como meus pais não viveram juntos, cresci com eles.
            Morávamos na Vila Antonieta, que, por algum motivo, chamavam de Vila Rica e há quem a chame assim até hoje. Zona leste de São Paulo.
            Quando eu estava com uns três anos, mudamos para o bairro da Vila Nilo, na zona norte de São Paulo, numa rua que era travessa da Rodovia Fernão Dias. Não tinha água nem asfalto. Era uma casa particular, paga a prestações.
            Minha mãe trabalhava primeiramente num supermercado, como caixa, depois foi trabalhar como vendedora numa loja de roupas.
            Quando eu tinha seis anos, entrei na escola. Educandário Nossa Senhora do Carmo, uma escola particular. Não que éramos bem de vida, mas a escola não era tão cara, minha mãe não ganhava tão mal e havia a ideia de que escolas públicas não eram boas. Até uma perua vinha nos buscar em casa, conduzida pelo mal humorado Senhor João, que também trabalhava na secretaria da escola.
            Não fiz o jardim da infância, comecei no pré-primário. Assim, só aprendi a ler no ano seguinte. E aprendi a ler instantaneamente.
            O que importante aconteceu naqueles primeiros anos de escola e eu gostaria de contar hoje, aos 44 anos? Já contei esta história muitas vezes e só estou contando de novo porque joguei todas as minhas memórias no lixo.
            Lá para 1980, quando eu estava com nove anos, minha avó perdeu a casa da Vila Nilo e nos mudamos para o Jardim Modelo, mas dizíamos que morávamos no Jaçanã. Deixamos uma bela casa com um quintal gostoso e mudamos para um casebre podre com um quintal tenebroso cheio de capim, a frente de uma favela. E ainda havia outra favela na mesma rua, que também era travessa da Rodovia Fernão Dias. Por sinal, tínhamos medo de ir até lá no fim da rua, onde havia a favela e, em todos os anos em que morei ali, devo ter passado ali, cagando de medo, umas duas vezes. E a favela na frente de casa pegou fogo duas vezes. A primeira vez foi logo que nos mudamos e nem tínhamos montados os móveis ainda. Ou não havia móveis para montar. Sei que estávamos dormindo no chão, um hábito que não abandonei, infelizmente, até hoje.
            Dos irmãos de minha mãe, só dois estavam casados. Havia mais três solteiros. No total, éramos oito pessoas dividindo o mesmo quarto. Obviamente, alguns dormiam na sala. Não sei por que foi que os adultos perderam a casa da Vila Nilo nem porque alugaram aquela porcaria de casa, que viveu nos meus pesadelos durante décadas.
            Meu pai aparecia de vez em quando. Eu até gostava, porque as crianças gostam das coisas com mais facilidade do que os adultos. Meu pai gostava de ter Mavericks e me dizia que quando eu completasse 18 anos, iria me dar um. Eu acreditei.
            Minha avó arrumou um namorado. O nome dele era Severino e era sargento da polícia militar. Minha avó conhecia muitos militares porque trabalhava na Caixa Beneficente da Polícia Militar, emprego que conseguiu através de seu marido, meu avô, que também havia sido sargento da PM e tinha morrido bem cedo, com 30 e poucos anos.
            Severino ficou comovido com o fato de que oito pessoas estavam aglomeradas no mesmo canto e tomou uma decisão. Alugou a casa dos fundos, fez um buraco na parede para juntar as duas casas e comprou móveis. Eu gostava do Severino. Jogávamos baralho e dominó o tempo todo, como se a vida fosse apenas isto.
            Mas meus tios se casaram e foram embora. Severino também foi embora. Fiquei sozinho com três mulheres. Senti-me completamente abandonado e descobri o quintal de casa e o quintal dos vizinhos como universos a ser explorados.
            Eu cavava grandes buracos, removia pedras do tamanho de tanques e jogava em esgotos, levantando dez metros de merda, plantava milho, tentava criar galinhas, fazia fogueiras apocalípticas que enlouqueciam os adultos. Quase descobri a sexualidade com uma garotinha que morava na casa ao lado e se chamava Elisângela. Às vezes, brincávamos de marido e mulher. Deitávamos juntos, em cabaninhas, e eu lhe dava uns selinhos, sem que os adultos vissem. Mas infelizmente, ela também foi embora. Uma pena, porque recebemos a visita dela e da mãe, quando ela já estava grande, e estava um mulherão. Tivesse continuado morando ali, talvez eu tivesse descoberto mais coisas.
            Fui me apaixonar loucamente com 11 anos, quando estava na sexta-série.
            Entrou uma garota na escola, chamada Helena, que foi a primeira garota evangélica que conheci na vida. Naquela época, eram raros os evangélicos e só havia uma garoto na minha classe. Helena era uma loirinha de 13 anos linda de morrer e super gostosa, com uma bunda fenomenal, que enlouquecia a escola inteira e gerava ciúmes nas outras garotas da classe. Alguns dias depois que Helena havia chegado, pediu para se sentar ao meu lado e disse que queria namorar comigo. Fiquei absolutamente apavorado, como uma criança indefesa andando no parque e atacada por uma maníaca. Sem saber o que dizer, falei a ela que iria pensar. Pensar no que? Fui incapaz de responder qualquer coisa e parecia que a escola inteira estava esperando minha resposta. Outras meninas da classe e da escola ficaram desesperadas com a ousadia de Helena e passaram a me mandar bilhetinhos, dizendo que gostavam de mim. E eu fiquei completamente atordoado. Outros colegas também esperavam minha resposta porque estavam interessados na Helena. Um deles me disse: “A Helena quer saber se você é gostoso”. “Como assim?”, falei, para a gargalhada geral. Eu era um cabaço completo. Mas Helena me pressionou e eu disse que não gostava dela. Era uma mentira terrível, porque eu estava loucamente apaixonado e ficava até nas nuvens, pensando nela. Os adultos em casa me perguntavam se eu estava doente.
            Helena, infelizmente, não fez a sétima série no Educandário. Uma pena porque eu iria ficar encantado com aquela bunda, já que aos 12 anos eu já estava me masturbando desesperadamente. Batia umas dez punhetas por dia. Não havia nada que me interessasse mais além de punhetas.
            Ela voltou na oitava série e desta vez, a escola inteira tinha desenvolvido uma cruzada para catar Helena. Ela provocava. Usava shortinhos enfiados no cu e ainda dizia que eram discretos quando usava para ir à escola, porque na rua e em casa usava shorts piores. Mesmo quando usava o uniforme da escola, quando ela andava de um lado para o outro, a única coisa que víamos era sua bunda. Vários caras tiveram o primeiro beijo com ela. Eu ficava bem enciumado, mas falei para ela que a achava uma galinha. Ela dizia que eu não tinha o direito de dizer aquilo porque nunca havia acontecido nada entre nós, além de umas bolinadas que lhe dei. Não foi por falta de iniciativa dela, porque ela quis muito que acontecesse, mas eu sempre saí correndo, por puro medo de que os adultos em casa ficassem sabendo e dissessem: “Olha aí, tá namorando!”, o que me daria vontade de enfiar a cabeça dentro da terra.
            O primeiro grau acabou e só vi Helena mais uma vez. Cruzei rapidamente com ela no metrô. Ela parou para conversar, mas eu passei direto. Depois, me arrependi. Passei o resto da vida sonhando em encontrar Helena, mas nunca a achei nem nas redes sociais.

(continua)

Gostou? Quer ler mais? Mande uma mensagem para papoy3@gmail.com .
[ Read More ]
segunda-feira, 2 de março de 2015

Os 450 anos do Rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa :-)

[ Read More ]
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Primeiro de Dezembro

[ Read More ]
domingo, 23 de novembro de 2014

vozes de rato

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Gostava de ser jornalista, jogador de râguebi ou pai de família numerosa para escrever um livro de culinária, confidencia-me ele. Cem gramas de pelo, os dentes de fora a rapinar-me o cebolinho das floreiras. Não estou muito certa de que seja um rato, mas é ambicioso.
Falo-lhe da concorrência, da mediocridade, do excesso de oferta. Ele encolhe as orelhas e diz, quero lá saber, sou rato.
Afinal, é.



[ Read More ]
domingo, 5 de outubro de 2014

Brasil

[ Read More ]
quinta-feira, 13 de junho de 2013

125 anos de Fernando Pessoa, o Nobel da Literatura Portuguesa

[ Read More ]
sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Dia do Mar

[ Read More ]
domingo, 11 de novembro de 2012

aos domingos




Era um coelho triste. Gostava de cenouras e de poemas satíricos. Morava no último andar de um prédio antigo de frente para o rio e do outro lado a banda de lá onde já não existem os estaleiros e a linguagem perdida dos guindastes é apenas a memória de um livro que se leu.

Ninguém entendia como é que sendo ele triste, não preferia os poemas de amor, profundos, impossíveis. Um coelho apaixonado pela filha de um rei daria um poema épico e ele poderia chorar desesperado e chorariam com ele as senhoras sós que saíam à rua sós, os lábios desenhados sós, as rugas a espreitar enganos sós. Ou os jovens fumadores cigarro após cigarro, os dedos amarelados, a tosse no sótão, o veneno engolido em desespero de causa, o passado sempre o passado. Não. O coelho era mordaz, sentia o riso difícil, labiríntico e em tempos de complexidade, melhor será sermos complexos do que simplistas, ter graça requer mais talento do que fazer chorar.

Na varanda plantava coentros, cenouras e couve-galega. Pelo meio cresciam papoilas. Não podia tocar em alface, fazia-lhe mal e no inverno agasalhava-se em si próprio e ia para o jardim das amoreiras roer a casca das árvores. Sempre aos saltos e isso aborrecia-o, o coelho desejava saber andar.
No primeiro direito morava um rapaz que tinha um aquário com um peixe-palhaço e eram amigos os dois, o rapaz e ele. À tardinha o rapaz batia-lhe à porta com o aquário debaixo do braço, o gato branco e preto sempre atrás deles, alucinado com o peixe, o peixe a fazer glu. Depois sentavam-se na beirinha do telhado, o rapaz com as pernas para fora, o aquário em equilíbrio e o gato agora distraído com o voo das andorinhas a fazerem raseiras na cabeça dos anjos. Tirava duas cenouras do bolso das calças, dava uma ao coelho e dizia, lê-me os poemas. E o coelho lia. O rapaz sorria e a seguir ria e dobrava o riso, mordaz e perdido. Às vezes ficavam com soluços os dois e as pessoas vinham à janela ao entardecer e o riso contagiava as varandas e os olhos dos velhos.

Aos domingos o coelho prendia uma papoila ao peito e dizia, vamos viajar.

                                Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

[ Read More ]
sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Jorge Amado: 100 anos de Literatura

[ Read More ]
segunda-feira, 5 de março de 2012

A Curva

O caso de "A Curva". Quando houve a masterclass com Lloyd Kaufman, no ano passado, sequestrei Fábio S Thibes, oriundo de Curitiba e fizemos um filme muito louco, aqui em Guarulhos. Não gostei da primeira edição. Resolvi fazer outra, mais demente. Coloquei no Megaupload e uma semana depois o site foi fechado. Resolvi colocar agora no Youtube. Quem quiser baixar, pode usar aTube ou outro site de captação e conversão de videos do Youtube. http://youtu.be/PGsbSsv4DPM
[ Read More ]
 
 

Blogger news

Powered By Blogger

Blog Archive