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quinta-feira, 31 de julho de 2014

Anish Kapoor

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domingo, 6 de julho de 2014

a viragem

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas


Apagou a memória, a sua e a do computador. Deitou no lixo duas ou três substâncias desconhecidas que lhe morriam nas caixas do frigorífico, um pacote de leite fora de prazo, uma cenoura. Inundou os vasos de água, lavou a loiça e deixou-a a escorrer. Pegou no saco e na gaiola do pássaro e saiu a assobiar.
Parou no segundo esquerdo, largou o pássaro e a gaiola, deu-lhe um abraço, muito obrigada, pode ficar com ele se eu não voltar. Ela riu-se. Adeus, não se esqueça de virar para o lado do sol.
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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Isto é um Miró :-)

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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

"Du Côté de Chez Swann" - o centenário da (in)completa publicação do maior romancista do séc. XX, Marcel Proust


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Marcel Proust, no empíreo da criação artística
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domingo, 6 de outubro de 2013

oito e vinte e um

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas


Sentava-se sempre no mesmo banco à janela, do lado do mar, os outros passageiros de costas para si.
Sem pressas, retirava da pasta um bloco de desenho A3 e um lápis de carvão e observava as pessoas, contemplava-as, por fim elegia uma e o jovem desenhava, rápido, certeiro, luz e sombra em cada manhã.
De costas, de perfil, um pescoço fino ligeiramente inclinado, a beleza de uma nuca, as rugas de um rosto, um sorriso, pálpebras cerradas num dormitar sereno.
Quem ficava perto dele pasmava com o seu talento, cúmplice daquele elo de ligação entre o criador e o objeto criado, porque os modelos, esses, viajavam na ignorância de que eram inspiradores de arte.
Quando ainda lhe sobrava tempo, virava a folha e esboçava outro rosto, até à última estação. Os passageiros saíam apressados e o rapaz ficava para o fim. Era desajeitado, segurava o bloco, o lápis, o casaco e de joelhos no chão da gare retirava da pasta uma lata de laca e fixava os momentos aprisionados durante a viagem.
Um dia uma rapariga protestou e ali no meio de todos repetia:
- Era só o que faltava, este gajo é doido, a desenhar os outros. Eu não lhe dei autorização.
Falava muito alto, respirava vulgaridade e agressividade.
Uns diziam, tem toda a razão. Alguém observou, mas está bonito. E ninguém parecia ter pressa.
O rapaz, acossado, continuava de joelhos, a lata na mão. Então de um golpe separou a folha do bloco e entregou-a à rapariga, feia, mal vestida, agressiva e vulgar e disse baixinho, peço desculpa é seu.
Na folha A3, desenhado a lápis de carvão, o perfil daquela rapariga. Do pescoço, uma curva perfeita; dos olhos, um caminho de luz; do nariz, o equilíbrio entre a estrutura do osso e o sombreado da pele, aprisionado o momento único, em que uma rapariga feia, mal vestida, agressiva e vulgar se transfigurou.
-Esta, não sou eu!
E rasgou a folha do bloco A3 com o seu retrato a carvão.
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quinta-feira, 13 de junho de 2013

125 anos de Fernando Pessoa, o Nobel da Literatura Portuguesa

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quarta-feira, 8 de maio de 2013

"Museu do Oriente": cinco anos de qualidade, a servir Lisboa, Portugal e o Mundo. Parabéns :-)

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quarta-feira, 10 de abril de 2013

Gonçalo Ribeiro Telles: felizmente há Portugueses :-)

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domingo, 24 de fevereiro de 2013

pele de urso

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Não fora o vermelho vivo das papoilas, ficaria por aqui a hibernar resmungos. Um chá preto com um farrapo de leite e uma margarida para molhar. As madalenas não me pertencem. Os livros seriam sete e quando terminasse, recomeçaria outra vez. É uma busca que gosto de fazer, íntima, silenciosa, afetiva. Como os habitantes dos velhos hotéis de praia, o mar gelado, o riso das raparigas, as intrigas. Vestiam-se a rigor para o jantar. Eu também, disse o urso e emprestou-me a pele para eu me esconder. Escondi-me.
Leio-lhe em voz alta para ele entender a raridade de alguns humanos.
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domingo, 13 de janeiro de 2013

o pássaro do coração

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Hoshi abriu a túnica, retirou do peito o tecido dobrado em quatro, pegou em duas pontas e soltou-o. O pássaro pintado era tão real e tão belo que o velho Haru deu um grito de espanto. Nunca tal vira e sabia de antemão que não seria capaz de reproduzir uma ave assim e se isso viesse a acontecer correria o risco de replicar o irreplicável, de tocar o intocável, de agitar o que jamais deveria ser agitado.
Mas os olhos de Hoshi brilhavam de alegria e tão simplesmente lhe contava dos trezentos e vinte cinco panos guardados no cesto de vime e das moedas que juntara para os comprar e de como seria bom se todos os habitantes da sua aldeia tivessem um pássaro raro a ondear nas janelas, que Haru, o pintor a quem os deuses bafejaram as mãos com um dom inigualável, calava-se e calando consentia num sonho mais alto que as montanhas geladas a norte da sua casa.
Hoshi era jovem, impulsivo, corajoso e generoso. Haru era velho, bondoso e talentoso e no pátio brotou um segundo rebento de cerejeira e ele ousou dizer sentindo o coração descompassado: temos sete dias para transformar os teus panos e outras tantas noites para soltar os teus pássaros. Aprenderás tu a pintá-los, porque se as tuas mãos calejadas fazem crescer os arrozais e penetrar na terra o arado, também se transformam em veludo quando acaricias a cabeça do teu cão.
No primeiro dia madrugaram e atravessaram as florestas de tílias, a ponte sobre o rio gelado. Colhiam pedaços pequenos dos ramos mais frágeis e com um canivete afiado faziam os cabos dos pincéis, as cerdas de marta. Pediram conselho aos monges que conheciam os segredos dos corantes naturais e da textura das sedas e aprenderam a esticar os panos em esquadrias de madeira. Ao entardecer eram quatro as crianças que os seguiam e quando o sol se escondeu no horizonte, entraram no pátio doze rapazes e dez raparigas ansiosos por aprender a arte dos tecidos.
Nessa noite ficaram mais leves os sacos de arroz na despensa de Haru na proporção inversa ao ânimo que sentia.
Ao segundo dos dias o galo cantou e nas cozinhas as avós fritaram bolinhas de carne e de arroz e prepararam taças de chá verde e sopa de Miso.
O açafrão, a terra, o barro, as ervas esmagadas, a gema dos ovos. E os tecidos resplandeciam.
No terceiro, quarto, quinto e sexto dia eram tantas as crianças sentadas em silêncio junto ao pátio de Haru que este se assustava perguntando como é que eu aqui cheguei e eles comigo?
Todas as noites Tsuru o pássaro, largava o tecido que habitava e voava sobre as cabeças adormecidas. Fazia rir as crianças nos seus sonhos, desinquietava os jovens, soprava telas e tintas nos cabelos brancos de Haru e transportava Hoshi nas suas asas até ao reino dos peixes e das baleias brancas onde ele nadava nu como só ele sabia.
Na tarde do sétimo dia caiu a flor da cerejeira e todos os panos de seda secavam ao sol, mas em nenhum deles se via um pássaro de longo bico como Tsuru. Uma criança reconhecendo o tecido que pintara, gritou, essa é a minha mãe! e todas as outras, a casa do meu avô, a escola, o rio, a ponte, o céu, o cume da montanha.
Não se desiludiram nem entristeceram os dois homens e Hoshi disse, é tempo de eu partir. Esperam-me os arrozais, o búfalo, o arado, a minha casa, a minha aldeia e os meus amigos e a cada um darei um tecido de seda pura.
É tempo de eu ficar, disse Haru, retomar a ciência das minhas mãos e manter aberta a porta da minha casa. Não me esqueças.
Não te esquecerei, respondeu Hoshi e dobrou os tecidos magnificamente pintados e tingidos e voltou a guardá-los no cesto de vime. Depois chamou o cão, abraçou Haru e colocou junto do coração o pássaro de seda.
Gélida era a noite mas nos olhos do homem liam-se as estrelas.
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domingo, 16 de dezembro de 2012

as mãos de Haru

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Apagou o fogo da lareira, fechou as janelas e a porta, soltou o búfalo e partiram, o homem e o cão. Às costas, sustentado por cordas de sisal, o cesto de vime, um pão, um peixe, uma esteira, uma manta de lã. Junto ao peito, o pássaro pintado num tecido de seda pura. Caminhava ágil, porque leve é a seda e o coração de quem procura e procurando está certo de encontrar.
Não olhou para trás uma só vez, mas sabia as casas e os campos a diminuírem de tamanho, o fumo nas chaminés, o aceno dos vizinhos. Passou os arrozais e as plantações de soja, escolheu o caminho da direita e o atalho da esquerda e chegado ao cimo de um monte descansou. Talvez nevasse nessa noite, sentia-o pelo cheiro da terra e do ar. Preparou um abrigo para ele e para o cão, acendeu o lume e assou o peixe.
O céu tinha a limpidez de um azul escuro profundo e abismal e em intervalos regulares era atravessado por cadentes estrelas. O homem deslumbrado calava-se, acariciando a cabeça do cão.
Tão pouco eu sabia deste mundo, murmurou. E eis-me diante de tamanha beleza e eu apenas procuro quem me desenhe nas sedas um pássaro como tu, para que eu possa partilhar com os meus amigos os sonhos que me dás todos os dias da minha vida. E colocava a mão sobre o peito e o pássaro desdobrava-se em piados de assentimento.
Assim atravessou três cidades, duas cordilheiras e muitos arrozais e já todos falavam do homem que transportava um cesto de vime em busca de um pintor de pássaros de seda.
Foram muitas as falsas pistas que lhe deram, umas por escárnio e malquerer, outras por inocente acreditar. Mas nunca o homem tirou do peito o seu pássaro, porque sabia da inveja de alguns e da hipocrisia de muitos.
Uma noite chegaram a uma aldeia e tinha sede o homem e fome o cão e entre bambus e magnólias viram luz numa janela e tal era o cansaço que traziam que adormeceu o homem nos degraus da entrada e o cão ladrou de medo e inquietação.
Haru era o nome do homem.
Tinha um pátio onde crescia uma velha cerejeira, uma casa habitada pela límpida luz da manhã, tintas, pincéis e uns dedos mágicos que davam vida a tudo o que pintasse. Se ele imaginasse uma rapariga com brincos e túnica encarnada, pegava num pincel e criava as pérolas, as orelhas, a boca, os olhos, a túnica encarnada. A rapariga ganharia movimento e sairia da tela se ele desejasse.
O pátio, a casa e a cerejeira eram rodeados por três muros baixos porque Haru acreditava na ineficácia dos portões de ferro e das muralhas que escondendo nos escondem, tornando-nos vulneráveis e presas fáceis da cobiça e do ódio. Não era preciso tocar o sino para entrar, nem fechar a porta para sair. Aquele pátio chamava-se das cerejeiras, mas restava apenas uma, porque velhas eram essas árvores e Haru com elas, na sabedoria da natureza efémera da vida e dos rebentos na primavera. Quando brotavam, as flores duravam apenas sete dias e depois morriam e a cada ano Haru estava atento ao primeiro botão, que seria flor, esplendor e logo memória. E para que assim permanecessem, pintava-as, rosa forte e pétalas delicadas. Depois dizia, fiquem! e espalhava as telas pela casa.
Quando o cão uivou lá fora Haru assustou-se e acorreu à porta que permanecia aberta e arrastou o homem adormecido até à sua cama, afagou o cão e deu-lhe uma tigela de arroz com frango e ao ver o cesto de vime e os panos de seda pensou, é ele, o homem que busca um pintor de sedas.
E esperou pacientemente que acordasse.
Haru não sabia do tecido de seda pura guardado junto ao peito, mas ali sentado na quietude da noite olhou as suas duas mãos e desejou ter o poder de fazer voar os pássaros.
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domingo, 9 de dezembro de 2012

tsuru

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Era uma vez um homem que possuía um pássaro raro pintado num tecido de seda pura.
Todas as manhãs desenrolava o pano e pendurava-o na janela mais larga, mais alta, virada para o rio, para que o pássaro sentisse o sol e ouvisse o canto dos outros pássaros. Depois pegava no arado e no búfalo, chamava o cão e saía para os campos onde trabalhava todo o dia na companhia das cerejeiras e dos arrozais.
Quando os rins lhe começavam a doer endireitava-se, colocava a mão esquerda na coxa esquerda e a direita exatamente no lado contrário. Com os braços ligeiramente dobrados inclinava a cabeça para trás e contemplava o céu do entardecer. A seguir despia as roupas que trazia e entrava nu nas águas do rio, o cão seguia-o ladrando de alegria e o homem atirava-lhe pequenos seixos e nadavam os dois até que um deles tiritasse de frio. O homem apanhava dois peixes e regressava a casa. Recolhia então o pássaro pintado e colocava-o sobre um biombo de madeira.
Acendia o lume, cozinhava os peixes e comia-os com uma tigela de arroz e antes de se deitar ajoelhava-se diante do altar dos seus deuses e agradecia-lhes a casa, o arado, o búfalo, o cão, as cerejeiras, o rio, os peixes, o arroz e o tecido de seda pura.
Por fim chamava: Tsuru! e o pássaro destacava-se do pano, abria e fechava três vezes o seu longo bico, esticava as asas e voava pela casa fazendo vacilar a chama da lareira. O cão enroscava-se aos pés da cama e adormeciam tranquilos, o homem e o cão.
Então o pássaro penetrava nos sonhos do homem e levava-o nas suas asas até às montanhas mais altas, às florestas de tílias, aos países das noites eternas onde o sol coabita com a lua e às ilhas que flutuam desprendidas, desinteressadas da terra e que nunca permanecem no mesmo oceano.
Regressavam pela madrugada. O pássaro pousava o homem na sua cama e entrava no pano de seda como se fosse esse o seu lugar. 
Os vizinhos sussurravam, pobre este homem trabalha de sol a sol divide dois peixes entre si e o cão, a tigela de arroz que lhe dá a força e o búfalo que come as ervas e os botões de rosa tenros, mas tem nos olhos o brilho dos cristais. Olhavam o tecido e o pássaro nas manhãs de sol, ouviam o agitar das asas na madrugada.
O homem sabia que se interrogavam e na incerteza da bondade humana calava-se e a haver segredo dos cristais no seu olhar foi juntando todos os meses uma moeda de prata e quando já tinha trezentas e vinte cinco, com elas comprou outros tantos panos de seda, dobrou-os em quatro num cesto de vime e preparou-se para viajar.
Tsuru era o nome do pássaro.
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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Adeus, Niemeyer

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domingo, 2 de dezembro de 2012

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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Paulo "Intemporal", uma sinfonia da palavra e da imagem

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terça-feira, 20 de novembro de 2012

Na morte de António Pardal Monteiro

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sábado, 10 de novembro de 2012

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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Verão indiano: ácer selvagem

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domingo, 30 de setembro de 2012

"Revista da Dança" já está "on line"

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