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quinta-feira, 28 de maio de 2015

Correio da Lola - "Querida Lola, o meu pai mudou de sexo, e agora acho que tenho mesmo duas mães..."


Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas




Querida Lola:

O meu pai era um machão. A minha mãe sofreu horrores, por causa das mulheres que ele tinha, e teve, e foi tendo, e só conseguiu estabilizá-lo através do estômago, fazendo-o engordar 20 quilos, e então elas deixaram de ver nele um macho latino, e passaram a ver a Porca de Murça, cerdas e tudo incluído... No fundo, até estavamos a viver agora com alguma calma, quando, suddenly last summer, ele entrou pela porta dentro, e disse que tinha uma coisa para nos comunicar. Pensamos que fosse alguma prenda, mas não era, tirou o barrete, e soltou uma longa cabeleira loura; abriu a camisa e pôs um valente par de mamas, em crescimento, em cima da terrina das cerejas. Disse que queria ser operado, mas só fisicamente, já que o seu hemisfério de macho não estava afetado, e agora ia arranjar uma mulher decente, para poder viver com ela lesbianamente. Que acha que faça: mato-me depressa, ou mato-me devagar?

Maria da Assunção Gaiato


Querida São:

Sabe que este meu correio da Internet tem sido uma escola da vida: para além de me ensinar a viver intensamente os problemas das pessoas, também me ensina que o Mundo é um problema intenso que cada vez vai tendo menos pessoas e mais problemas. Posso dizer que o seu email me trouxe um pouco mais de luz sobre o mundo, por que nunca tinha ouvido falar de um caso como o seu. Aposto que o seu pai era um machão peludo, daqueles que se passa a mão pelo peito e se tem de ir pôr um pouco de creme, para não ficar tudo assado. O horror que vai ser ter de depilar esse pelo todo... Já me parece estar a vê-lo, de cu para o ar, numa marquesa, a levar choques daquelas coisas roxas de laser, que tanto matam o pelo como as moscas à porta do talho... Deixe-me que lhe diga que, com este meu nariz sensível de traveca, o problema nem vai ser tanto visual, mas mais de odores: depilar um Neanderthal tem o mesmo cheiro daqueles viveiros de galinhas nos quais caiu um raio e arderam por completo. A sua pena são os pelos que ele vai perder, mas a minha dor é o cheiro a pena dessa queimada. Houve um verão em que a Austrália acabou toda assim..., seja positiva, e pense que é melhor ver o seu pai a arder do que bandos de coalas órfãos a fugir das matas de eucaliptos. Mas, minha querida, deixe que lhe diga que percebo todo o seu sofrimento: ter um Don Giovanni, em casa, a cheirar a cavalo, e, de repente, ele inchar, vir com a pele do leitão depois de passada pelas brasas, rosadinho, cheio de hormonas, e, brevemente, com uma neovagina talhada pela nossa querida amiga Emília, em Santa Maria. Só espero que ele não entre em casa a dançar, de tutu, como os hipopótamos, de Walt Disney, senão, isso vai ser uma versão séc. XXI, da "Fantasia". Nisto tudo, só há um pequeno problema, por que, como sabe, o meu setor é o aconselhamento do homem masculino que tem problemas de necessidade de outra masculinidade. No seu caso, querida, está-me a contar a contar a verdadeira história da mulher lesbiana, prima da mulher bichona: no seu pai, o corpo nunca condisse com a alma, e, pior, a líbido andava desgraçadamente à solta, como quando se parte a suspensão, e os porcos caem todos no meio da autoestrada... Penso que, pior do que ter um pai transsexual é ter de contar às suas amigas que tem um pai fufa... Já imaginou que elas até podem ter medo de ir lá lanchar a casa?... De estarem a tomar um chá da Manuela BaPtista, cheio de menta, e a cheirar a gerânios pela casa fora, e toda a gente a pensar que se vai levantar uma brisa musical, e, de repente, o seu pai, já transformado, salta de cima do guarda vestidos e diz "surprise!...", levanta a saia e avança para as suas amigas, com um tosão negro -- já que acho que ele deve deixar intacto aquele mato grosso que lhe ia até ao pescoço... -- e lhes pergunta "posso esfregar-me em vocês todas?..." Virgem Maria, já imagino o escândalo que isso vai ser no prédio, com toda a gente a fugir pelas janelas, a chegarem a casa a ofegar, e os pais a perguntar, que foi, meu amor, e elas a responderem, foi o pai da São, que afinal não é pai, mas mãe, que nos queria violar!... Meu deus, coisa pecaminosa, isso é uma imagem do altar do diabo, faz lembrar o último "Dança com as Estrelas", em que a Teresa Guilherme foi convidada, e se lançou imediatamente nos braços do bailarino mais novo. Também foi Walt Disney, mas mais soft. Eu sei que lhe vai parecer um pequeno desvio, mas às vezes também gosto de desabafar um pouco: há anos que a Teresinha confessa que gosta de homens mais novos..., o problema é que, com o passar dos anos, ela vai ter de corrigir nas entrevistas "mais novos" por "muito mais novos", ou "muitíssimo mais novos", ou "escandalosamente mais novos", até aquilo se parecer com a distância que separa o Sol de Plutão. No fundo, parece a história da minha vida, em que comecei a satisfazer os pais, e agora, de quando em vez, já me aparecem os filhos a pedir a mesma dose dos pais. Com o aumento da idade da reforma, e as permanentes obras de manutenção da minha esquina da Rodrigues Sampaio, um dia destes ainda acabo a fazer os netos, depois de ter comido os pais, e manchado a cuequinha dos avôs.. Creio que é isto que é o Tempo, embora eu ache que é a genética a manifestar-se em toda a sua promiscuidade. Uma coisa me distingue, porém, da Teresa Guilherme, é que eu não sou como ela, que parece que lhe faltam umas vértebras. Ela parece um Violino de Ingres ao contrário, mas eu, graças à santa, sou perfeitinha, em toda a minha deformidade estrutural... Olhe, penso que já me estiquei, e vou voltar ao seu problema. Acho bem que o seu pai faça a sua operação radical, para se sentir bem no seu corpo, já que nós, direta ou indiretamente, pagamos isso tudo pela ADSE, e que ele se encha de hormonas, para aumentar o deficit da balança comercial, já que essa porcaria vem toda da China. Também acho bem que organize chás de fufas e faça reuniões de tupperwares, para discutirem quem é mais mulher, a que o Intelligent Design fabricou, ou a que saiu da mesa de 12 horas de cirurgia de Coimbra. E até lhe vou dizer mais: já que o seu pai tem essa mente tão aberta, tão século vinte e dois, não quero ser Cassandra, mas está-me a cheirar que ele se vai cansar dessa mulher que já seduziu como fufa, e vai querer mas é voltar à sua mãe, e desejar reconquistá-la enquanto fêmea. Com um pouco de sorte, ou azar, a sua vidinha ainda se pode complicar, já que, depois de ter sido forçada a ter duas mães, ainda acaba a ter duas mães lesbianas, o que é demais para um pobre coraçãozinho frágil, como o seu, eu sei... E, como é quase verão, ainda lhe vou dar mais um pequenino carinho: imagine que o seu pai, para além de galã de fêmeas, sempre teve um secreto desejo incestuoso, e anda morto por enfiar a linguinha na boquita da servidão da sua filhota?... Esta é má, não é, querida, mas como já nada nos espanta, também não nos devemos espantar com tudo o que nos possa acontecer. Pior do que isso será mesmo o seu pai, em forma de mãe, a abocanhá-la, enquanto a menina, já sem saber o que fazer, se agarra ao que tem à mão, se aproxima do crucifixo, para... para... para aviar um valente broche ao martirizado, como a outra tarada!... E, realmente, agora já só falta mesmo o final finalizante, o conselho da amiga traveca do seu coração: não se mate depressa, vá saboreando toda essa odisseia em que se tornou a sua vida, e mate-se devagar, como aquela livraria, onde as pessoas adormecem, todas encostadas umas às outras, a folhear o Louco Antunes. Kisses desta toda sua para o que quiser.


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domingo, 8 de março de 2015

Correio da Lola - "No Dia Internacional da Mulher será possível que José Sócrates tivesse cinco?..."


Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas


Querida Lola:

Hoje é Dia Internacional da Mulher, e, como sempre, o meu legítimo jantou, e saiu de fininho... Há anos que não lhe pergunto para onde vai, só sei que volta tarde, todo transpirado e a cheirar a cavalo, mas, no fundo, isso até é bom, por que me dá uma folga para lhe escrever toda a inquietação que aqui me vai na alma. Li, no "Sol", que o Sr. Agente Técnico de Engenharia, José Sócrates, tinha tido cinco mulheres, uma Fava e até uma condessa... Fiquei tão inquieta... Será que, com um harém desses, ele também é do ISIS?..."

Maria Aparecida do Serzedelo, Afurada



Querida Maria Aparecida:

Antes de mais, os meus parabéns, por este dia lindo, que é de ambas, embora mais de mim do que de si, já que eu sou a mulher completa, e a minha querida não passa da mulher incompleta, que Freud tão bem descreveu, no seu Complexo de Castração. Quanto às mulheres de Sócrates, eu sou a pessoa menos indicada para falar disso, filha, por que a versão que tenho é de que ele frequentava outros colos, logo, se frequentava outros colos, portanto... não podia ter cinco mulheres, mas, sim, cinco colos, e quem se arrima com cinco colos, mais se arrima de cinco para cima, o que, enfim... prefiro não comentar. A verdade é que, ao contrário daquela pessoa que está em agonia no Palácio de Belém, eu leio jornais, e acredito em tudo o que lá vem. Sei, por exemplo, que havia um amigo do Sócrates que pagava à irmã da minha amiga Mara, a Sofia, para fazer de Fava, e pagava bem, na casa dos milhões de euros. Sabendo, como a minha querida sabe, que as mulheres preferem o dinheiro aos homens, pelo que o Dia Internacional da Mulher se devia chamar Dia Internacional do Dinheiro, não a espanta que a outra tenha aceitado fazer o papel da fava, só para ser bem paga, neste país onde o bolo-rei serve para tudo, até para ser morfado por pessoas com degenerescências neurológicas graves, não acha?... Já a "Condessa", enfim, tratada nas escutas, com aquela pronúncia típica dos bimbos do Norte, pela "Condensa", olhe, não sei bem, por que pode identificar-se com duas personagens, uma, também minha amiga, de longa data, que tem o "escritório" no Bois de Boulogne, onde monta uma tendinha de chinês, pendurada no galho, uma coisa muito discreta, de meio metro quadrado, plástico fino, daquele que só paga imposto neste país miserável, mas que ali apenas serve para a proteger da chuva, enquanto recebe nas nalgas a fecundação dos árabes de terceira geração, que lá vão despachar-se, quando estão muito, muito, aflitinhos. Nada de aviar passivos como cá, que quando eles querem jogar-lhe a mão ao malho, ela afasta-os logo com um empurrão, e solta o seu célebre "arrête!!!... tu n'appartiens-pas à ma géographie!!!..." A verdade é que também ficando o Bois no Seizième, onde o Badochas de Vilar de Maçada tinha o apartamento, só Alá e o embaixador Seixas da Costa saberão se a dita "Condensa" não é esta minha amiga, mas, se estiver mesmo curiosa, posso skypar-me com ela, e tirar as teimas todas. A hipótese dois é que seja uma que ataca na Latino Coelho, ali, mais acima, e a quem tratam pela "Condensa", por que costuma estar, de cinto de ligas, a fumar de cigarrilha, em cima da bomba de incêndios, mas, tanto quanto sei, é do Ceará e chama-se Joseline, e faz tudo sem camisinha, como eles gostam, para depois irem com as cuecas manchadas atrás, para a mulher as lavar. E já lá vão duas!... Parece que há outra esquisita, com um nome estranho, a Dynamicspharma, que parece que atacava com uma amiga, a Octapharma, mas dessas até eu tenho medo, por que são daquela raça das que lhes metem máscaras de poppers, e depois os põem de joelhos, a comer caca de um prato, para depois ainda fazerem o beijo negro e as chuvas douradas, do Master Chef, Nicolau Breyner, deus me perdoe, essas gajas, das parafilias, estão com uma saída bué grande, parecem as sombras de Grey do Conselho de Estado, eu cá, sou mais modesta, gosto de mamar e engolir, ao natural, quando há, e quando não há, gosto de dar, como as brasileiras, embora só me calhem daqueles que ainda gostam mais de dar do que eu, mas já nos estamos a desviar do assunto... Havia a Lena, mas essa parece que era das dominadoras, que gostam de pagar, e a Abrantina, um pouco lésbica, portanto, em potência, a preferida do nosso querido "Engenheiro", já que gaja que não quer sexo é sempre a preferida de quem só precisa de conas como pretexto para aparecer no retrato da "Lux"... Dizem que havia umas secretárias do Guterres, mas ao contrário do Sócrates, que adorava Otas e obras, o Guterres era muito mais dado à Obra, e não me parece que as secretárias dele... enfim, se as havia, deviam ter o mesmo ar da Aura Miguel, cabelo frígido, ripado com escovilhão de caniches, e fixado com UHU, aquilo não fazia vista, e o papel da mulher de aluguer é sempre o de fazer vista, como fazia a Bárbara, antes de levar os enxertos da Hiena Carrilha, meu deus, já falámos de tantas mulheres, e esquecemos a mãe, que não fica nada bem falar da mãe a um edipiano, e... e parece que eram só cinco, e já vamos em dez!... E, ah, sim, ainda nos estavamos a esquecer da melhor, a Cância, que perdeu, nos tribunais o direito de ser tratada por "namorada de José Sócrates", ou ganhou, ou foram os jornais que ganharam, olhe, não sei, acho que já estou a baralhar tudo... Essa eu conheço bem, por que eu trabalho na esquina de baixo, e ela trabalha naquela ali de cima. O que nos distingue é que eu ganho muito menos do que ela, e sou muito mais procurada pelos homens por quem ela gostaria de ser, embora ache que acabava mesmo por lhes dar um chuto, quando percebesse que eles vinham mas era para ser comidos, e não o contrário... e acho muito feio que ainda o não tenha ido visitar a Évora, mas sabe como são as fêmeas, quando lhes deixam de pagar, cessam as gentilezas, e... olhe, filha, já estou farta de lhe responder, só para acabar, não, o Sócrates não é do ISIS, os únicos negócios que tinha com essa região era fechar os olhos e sacar a comissão dos urânios e plutónios que iam a caminho de Teerão, águas passadas, agora, deve estar no mesmo estado do Passos Coelho, já nem disso se lembra, e é melhor não se lembrar, e quanto a si, querida, que estava tão preocupada sobre o paradeiro do seu marido, no Dia Internacional da Mulher, pois olhe, acabou de chegar aqui, ao pé de mim, está a abraçar-me pela cintura e a mandar-lhe um beijo. Se não levar a mal, vamos ali, para o vão de escada do 65, para comemorar, com contacto de mucosas desprotegidas. E deixe que lhe diga que tem em casa um macho todo jeitoso, ui, ui!... Acho que o deve é soltar mais vezes, que só de o ver já estou toda úmida, querida, nesta noite de luar de lua cheia, do 6 de março, em que vai ficar mais uma vez em casa a chupar no dedo. Kisses nessa sua xoxa cheia de mofo, 'mor...


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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Correio da Lola - "Querida Lola, estou grávida de dois gémeos, e o meu marido insiste em fazer uma coadoção..."


Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas


Dedicada ao Ricardo Sousa, que acha que eu disparo em todas as direções, e  por acaso até disparo mesmo, como já me apontava o Cesariny :-)



Querida Lola:

Sou uma sua leitora atenta, e no fundo, nem sei se gosto mais de si, se das mamas empaladas da Teresa Guilherme ou dos comentários babosos do Marques Mendes, na "SIC"-Balsemão. Deus foi generoso, e emprenhou-me, de uma só vez, com dois gémeos. Estou de sete meses, e cada um deles pesa quatro quilos. Tive de entregar, este mês, a casa ao banco, e até achava que ia  finalmente recomeçar a minha vida, mas agora o meu marido diz que, para ser feliz, queria... adotar um mulatinho aqui do bairro... Que acha que faça?... Adotamos já, ou ficamos à espera de que as velhas que votaram no nosso Cavaquinho legalizem a nossa adoção?

Maria de La Salete Pinhão, Gondomar



Querida Maria de La Salette:

Antes de mais, deixe que lhe dê os parabéns pela sua dupla gravidez: se, aos 7 meses, já vão com quatro quilos cada um, tenho a pequena suspeita de que, quando nascerem, já devem vir com 12, no total, assim, por alto e por grosso. Embora eu não seja uma mulher de negócio, até já estou a ver no seu balão um nicho de mercado para as gruas desativadas dos Estaleiros de Viana do Castelo, o que pode contribuir para a retoma, e impedir que vão cair nas mãos dos negócios sujos da "Martifer" e do bilderberguer Aguiar Branco. Já se imaginou, a abrir os telejornais, com duas gruas dos ENVC a assistir ao parto, em direto, na TVI, SIC e RTP?... Os seus guinchos de parturiente, em direto na TSF e nos canais codificados da MEO?... Eu acho que isso iam ser os seus 15 minutos de glória, mas ainda vamos esperar dois meses, por esse maravilhoso momento. Quanto à coadoção, acho que devia informar-se um pouco mais sobre o assunto, porque parece que isso se refere àquelas coisas esquisitas que as bichas fazem entre elas, depois de irem, de flor de laranjeira, dizer que vão ser fiéis uma para a outra para o resto da vida, antes de ir cada uma passar os fins de semana nos quartos escuros das saunas e do "Construction". Depois disso, querem agora arranjar crias, para poderem andar a exibir, pelo bairro, como aquelas famílias que arranjam rottweilers, não porque gostam de cães, mas para os poderem andar a exibir e a chatear e meter medo aos vizinhos. No fundo, o que querem é mostrar que andar a bater pratos, ou a levar no cu também dá direito a procriar, o que é contra todos os ensinamentos de Aristóteles, como deve ter conhecimento. Como sabe, eu sou, o mais possível, profundamente contra esses atos contra a Natureza, e até acho que a homofobia devia fazer parte dos programas de Educação Cívica do Ministro Nuno Crato, um dos maiores intelectuais vivos do nosso país. Não há coisa mais nojenta do que um homem andar a farejar o rabo a outro homem, e eu sou a prova viva de que isso é uma aberração, porque quando eles deixam a mulher e os três filhos, em casa, o que vêm procurar em mim não é nenhum homem,  com certeza, mas estes meus silicones rijinhos, estas injecções de plástico, estes meus ganidos de cadela ardente e... e... o resto, mas isso é a coisa de que mais me orgulho, aquele meu clítoris hipertrofiado, capaz de ereções, que lhes dá todo o conforto que não conseguem obter do repouso do guerreiro. É por isso que eu defendo que o homem deve procurar, sempre, mas sempre, as formas do sexo oposto, mas na sua forma integral, e, já que lhes falta qualquer coisa no que têm lá em casa, para o resto cá estamos nós, na esquina, ao frio e à chuva, em horários próximos do do Novo Código do Trabalho, sempre com uma "surpresa" debaixo das saias, para que nada falte nos lares portugueses... Eu, por exemplo, odeio crianças, porque já me custa, tanta vez, aguentar os pais, a gemer, quanto mais as goelas das crias, em dolby surround. No fundo, acho que sofro de uma doença profissional, uma espécie de síndroma do gemido, e mesmo quando tenho a rara sorte de fazer de fêmea, costumo enfiar um lenço na boca, e morder com força, para abafar qualquer onda sonora mais extensa, confesso. A verdade é que me falou muito de si, mas disse muito pouco do seu marido, e isso poderia levar a uma reviravolta no meu discurso: por exemplo, não me disse se o seu marido era gay, porque se o seu marido for gay, bom, então, tenho de lhe dar outra resposta, porque acho que, então, ele tem o direito à sua felicidade, e a adotar o tal mulatinho - que espero que não seja o mesmo em que consta que o Ferro Rodrigues mamava -- com o homem com quem mantém a sua vida íntima. No fundo, esse mulatinho, mais os seus gémeos, fariam um núcleo familiar estável, do tipo três a três: o seu marido com o marido dele, e consigo, a sua esposa em Cristo, com Cristo e por Cristo, com cornos, e mais as três crianças, duas brancas e uma mulata, ou, se houvesse algum azar da Lei de Mendel, até nascer uma branca, uma chinesa e o mulatinho. Seria lindo, pareceria a Benetton, mas em Gondomar, terra linda, lugares do "Major" e do tráfico da Guiné. Também me falou pouco sobre si, e até receio que me esconda alguma coisa, porque a mulher portuguesa é tímida, depois de ter de ser séria, limpa e honrada... Eu não quero insinuar nada, mas... enfim... num país onde tanto se anda a cortar na investigação, muita da teoria pode ter de começar a sair da cabeça da traveca de lineu, e eu até vou considerar um cenário experimental, uma hypotypose pirrónica, em que o seu marido era uma grande paneleira, a menina, uma fressureira porcalhona, e que, nesse caso, assim como o seu marido tinha um marido, também a minha amorosa andava a esfregar-se toda noutra rata. Nesse caso, querida, acho que não haveria coisa mais linda, desde as aparições de Fátima: dois pais, duas mães, uma coadoção, e três filhos, ou para fazer a coisa par, adotarem também um mexicaninho, daqueles das barrigas de aluguer do Cristiano Ronaldo, Grã Cruz da Ordem do Truz Truz: dois pais, duas mães e quatro filhos. Lindo. Um octeto, como o de Mendelssohn Bartholdy, só que com pouca música e muita chichinha. Já viu que isso estaria próximo do Paraíso?... Era como os pneus sobressalentes dos carros: caso falhasse um pai ou uma mãe, havia sempre um, ou uma, para vir substituir... Já se imaginou, naquele dia de glória, a dar à luz, a ganir, sustentada pelas gruas dos Estaleiros de Viana do Castelo, com a sua fêmea, o seu marido, o marido dele, o mulatinho, o mexicano, a "Martifer", o Aguiar Branco e um bando de mafiosos, tudo junto, a assistir ao nascimento dos doze quilos do seu caucasiano e do seu japonesinho?... Coisa linda!... Creio que a minha resposta a deve ter deixado mais animada, mas como não quero ser ordinária, nem mentirosa, acho bom falar-lhe um pouco da realidade: no estado em que está a popularidade do Cangalho de Boliqueime, o partido a que ele pertence, o dos cambalachos PSD -- que faria o Sá Carneiro dar voltas na tumba, acredite... -- lá ajeitou um frete, criando um pequeno atrito político. Enquanto os Portugueses andam a discutir o sexo das adoções, o Padrinho do BPN vai ganhando fôlego, e, com umas injeções do Professor Lobo Antunes, um dia destes aparece, em horário nobre da SIC-Notícias, a dizer que vai... vetar o referendo. O país inteiro respirará de alívio, as velhas lá dirão que estão orgulhosas do seu cavaquinho, e até votavam num terceiro mandato dele, as bichas aplaudirão, e até a Maria, de Centro Esquerda, ficará toda saciada, com essas gentes horríveis, do CDS, do PS, do PCP e do BE a terem de se congratular com a ressureição da Múmia de Boliqueime. Sabe, querida, quando a carne está podre, tempera-se e serve-se com picante forte. Assim foi com a Bárbara e o Manuel Maria, que depois dos enxertos vão voltar a viver juntos: afinal o golpe publicitário não deu certo, e têm de contar bem os tostõezinhos. É a vida. Assim será com o Homem da Bomba, já a preparar o caminho do Professor Marcelo, para a derrota de Belém. Ai, querida, este país não é para novos: é só ovos de colombo. Kisses, nessa sua pança, e os sinceros desejos de muitas gruas de Viana do Castelo, no grande dia da epifania. Bem haja.


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