#Post Title #Post Title #Post Title #Post Title
Mostrar mensagens com a etiqueta Outono. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Outono. Mostrar todas as mensagens
sábado, 13 de outubro de 2018

Nas tardes dos frutos sextos e bissextos

[ Read More ]
domingo, 12 de novembro de 2017

o rapaz, o cavalo branco e os negros como breu também

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Quando nasceu, o céu coloriu-se de azul-marinho e por uns momentos dir-se-ia que a linha do horizonte se desvanecera e os habitantes da terra seriam peixes e que acabara de chegar alguém marcado com um sinal.
É um bom presságio, disseram os homens que cultivavam os campos levantando a cabeça e logo continuaram a cavar e a semear. Não se interrompeu o curso dos ribeiros nem tão pouco se alterou o sentido do vento.
O pai prometeu-lhe um cavalo branco e enquanto a mãe dormia, as mulheres da casa riram-se e troçaram, imaginando-o tão pequeno montado num potente corcel.
Cresceu manso e pacífico sem ter de enfrentar perigo algum, mas inquietava-se o pai que sabia a fortaleza frágil, temia a cedência dos baluartes em forma de estrela e as colheitas pouco abundantes.
Aos oito anos o cavalo era de sela, baixo como ele, que assim aprendeu a trotar e a galopar.
Aos dez, o cavalo era alazão e montava-o sem sela nem freio, sussurrando-lhe palavras doces, como doces os rebuçados de melaço que lhe enchiam os bolsos, recompensando aquele que se deixava cativar. O desejo que as pernas lhe crescessem fortes e saudáveis era tão grande, que todas as manhãs se levantava ainda todos dormiam. Nem servos, nem senhor davam por isso e o rapaz corria como um potro selvagem pelos carreiros, os campos de centeio, à volta das árvores do pomar, subia aos torreões onde uma eterna bruma lhe fazia companhia.
Das armas defensivas preferia o arco. Ágil e o olhar certeiro, mas incapaz de atirar a uma gazela ou sequer um urso e o pai lançava-lhe um grito.
- Como poderás defender esta cidadela e a paz que nela reina, se alguém nos atacar?
O rapaz não sabia responder. Contudo, não se inquietava e na manhã em que completou dezasseis anos o pai deu-lhe um cavalo branco, porque aquilo que se promete deve ser cumprido, sob pena de descrédito e mágoa.
Foi tanto o brilho que lhe sobejou nos olhos, que as lamparinas se apagaram nos corredores e nos salões, nas cozinhas e nos quartos, claro como se fosse dia. Assaram dois bois, o vinho correu nos jarros e nos copos e de todos os cantos da fortaleza chegaram os convidados, dançaram e cantaram e pasmaram perante a beleza de um cavalo assim.
O rapaz cresceu ainda mais do que as suas pernas, enfeitiçou o cavalo branco e os dois eram a mesma voz que sussurrava desígnios na aurora dos dias. Ousaram até sair das muralhas protetoras, chegaram ao mar e aos portos de pesca e num campo onde pousavam já as folhas vermelhas de um fim de tarde, encontraram os bandos de cavalos negros como breu, que se diziam valentes e com fama de invencíveis.
Depois vieram tempos duros. Por mais que os homens trabalhassem, os celeiros permaneciam quase vazios, cada pão dividia-se por dois e cada dois, por quatro e alguns murmuravam:
- Se vierem os nossos inimigos, de que nos vale um cavaleiro e um cavalo, se o cavaleiro é tão manso que não ousa atirar a matar e o cavalo é apenas belo e branco?
O rapaz fechava-se a estas vozes vãs e todos os dias patrulhava a muralha para cá e para lá e os campos de centeio, os pomares e as hortas, certo de que um dia teria de enfrentar o medo.
Quando os viu muito ao longe, não se sobressaltou, não gritou, não acendeu fogueiras, não deixou cair um lamento. Segredou longamente ao ouvido do cavalo branco, que ouvindo batia com o casco dianteiro no chão em sinal de assentimento e partiu à desfilada, virando apenas uma vez a cabeça para trás, as crinas espantadas ao vento.
Eram milhares e armados, de espadas, arcos, setas, facas dentadas, lanças e venenos. O ruído que faziam assemelhava-se a uma tempestade seca, à fúria cruel dos deuses. Mas quanto mais se aproximavam, menos viam e no lugar onde pensavam existir a cidadela, vislumbravam apenas uma escuridão cerrada como breu, onde nem um simples malmequer se abriria.
- Fomos enganados. Aqui existem poços fundos e negros e do nada, nada se pode roubar. E retiraram-se, acabrunhados, sujos e feios. 
E só quando os pressentiram muito longe, desarmados e derrotados, os cavalos negros como breu relincharam e gritou de alegria o rapaz e empinou-se o cavalo branco, deixando a descoberto a cidadela que protegiam.
[ Read More ]
domingo, 8 de outubro de 2017

sete de outubro

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Não fora este calor, ia para a escola outra vez. Sujar as mãos de tinta, esconder uma folha vermelha entre as páginas treze e catorze do livro de leitura, jogar à barra, saltar o plinto, comer pão com marmelada e chá gelado. Eventualmente, aprender a escrever.
[ Read More ]
domingo, 24 de setembro de 2017

retrato de raposa no outono

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Chegou ontem, com o outono. Vestida das cores da terra e do branco das nuvens. Saltou o muro, bateu à porta e perguntou, tens um quadradinho de chocolate? Não tinha, não tenho, respondi-lhe. Apenas cacau amargo, três castanhas, uma beterraba. Ela torceu o focinho afilado e espetou um pouco mais as orelhas. Aceito um ovo cru, condescendeu. E bebeu-o.
Não estás muito longe de casa? perguntei. Depende, respondeu a raposa. De quê? Insisti eu. Ah, isso não te conto. E regougou um riso descarado. 
Como não parecia ter pressa de partir, fui buscar um bloco e os lápis e para não me esquecer dela, fiz-lhe o retrato. Mostrei-lhe. E as patas e a cauda? disse a raposa. Ah, isso não te faço, respondi. Está bem, então volto pelo Natal
[ Read More ]
sexta-feira, 22 de setembro de 2017

22 de setembro: Equinox (Peter Lowenstein)

[ Read More ]
quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Última lua de outono

[ Read More ]
domingo, 11 de dezembro de 2016

quase a nevar

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Todas as manhãs o homem constrói um crocodilo com a areia da praia. De cauda virada para a água, olhos salientes, boca escancarada, a mandíbula assustadora e para ilustrar melhor a cena, um braço humano decepado e muita tinta encarnada a salpicar. Por fim, rodeia-o com um fosso, estende uma toalha azul e espera as moedas e as fotos. As pessoas parecem gostar, mas fica mal ali, o homem, o crocodilo, o sangue, o fosso, o braço.
Uma rapariga pergunta-lhe, porque é que não fazes uma baleia, um golfinho, uma sereia, um peixe-martelo, uma tartaruga e soltas o crocodilo no rio Nilo?
O homem responde torto, sobe-lhe uma voz de réptil, um instinto fatal. A rapariga não se intimida e replica, não tarda, vem a maré alta e leva-o. E levou. 
Eu por mim gosto da praia quando chove e os crocodilos regressam a casa para o Natal.
[ Read More ]
domingo, 20 de novembro de 2016

Contos de outono II - a traição dos esquilos voadores

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Quando chegaram ao sopé das montanhas, Brama e o esquilo descansaram. Por esta altura já o veado entendia a linguagem da cauda do esquilo e os movimentos e as cores que lhe estavam associados. Para inspirar respeito e assustar os inimigos, a cauda triplicava de tamanho, abria como um leque e ganhava tons mais escuros. Para demonstrar alegria, agitava-a ligeiramente para a direita e quando a deixava tombar, queria dizer que estava triste ou cansado. Se a abanava de trás para a frente, significava perigo mortal. Os seus olhos enormes e redondos davam-lhe o conhecimento animado dos objetos e dos bichos e ele pressentia, até mesmo, o que se passava nas suas costas. E Brama chamou-lhe Timóteo. O esquilo riu-se com os dentes de fora e desatou aos saltos e às cambalhotas.
Nas montanhas existiam três torres invisíveis aos olhos humanos, mas perfeitamente percetíveis para os olhos dos animais da terra seca. A cada torre correspondia um patamar e destinavam-se a abrigar os caminhantes na sua subida até os cumes gelados. Na Antiguidade Primeira tinham sido habitadas por velhos e pacíficos guardiões que tanto poderiam ser animais como homens, a única condição era possuírem um coração manso e corajoso. Na Antiguidade Segunda, parcialmente destruídas e tomadas de assalto pelos violadores de pensamentos, ficaram desoladamente abandonadas, tornando a subida mais penosa e solitária. Na atualidade, eram habitadas por uma feroz comunidade de esquilos voadores sob a égide de Perfidus, o rei dos esquilos voadores.
E porque a aproximação, de quem não provoca, não intimida, não magoa, não causa tumulto, incomoda os que se julgam poderosos, começou a crescer na cabeça de Perfidus o rei, um plano diabólico, maléfico, vingativo.
Perfidus odiava os esquilos comuns, os veados, os lobos, os ratos, as aves, os peixes e praticamente todas as criaturas. Perfidus tinha cinco filhos. O primeiro era feio como o lodo, o segundo, assustador como as trevas. O terceiro era falso como as finas camada de gelo, o quarto era magro e escuro como as varas de bater nos porcos, e por fim o quinto, era belo, o pelo lustroso, o nariz perfeito. Mas mentiroso, frio, calculista. Perfidus não amava os filhos. Amava o que os filhos tinham de ruim. Enganando a sua própria natureza, excluíam-se do equilíbrio das espécies e excluíam todos os outros.
Brama e Timóteo subiam. O veado levava entre os dentes um último ramo de pinheiro bravo, manchado de pequenos flocos de neve que lhe matavam a sede. O esquilo guardava nas bochechas nozes e bolotas para os tempos de penúria e não se podia rir, nem mostrar os dentes, sob pena de perder todos os seus víveres.
Quando atingiram a primeira torre sentiram um silêncio assustador. A cauda de Timóteo abanava de trás para a frente e os olhos abriram-se como se quisessem rodar. E vindos do nada, como se o nada fosse o mais temível desconhecido, surgiram cinco esquilos voadores e rasaram as suas cabeças e quatro deles seguraram nas patas de Timóteo enquanto o quinto, belo, perfeito, frio e calculista, desatou a corda que trazia na boca e prendeu Timóteo com treze nós tortos. Cego de raiva Timóteo gritou, fez sair as unhas dos quatro dedos dianteiros, mais as cinco unhas dos dedos traseiros, mas os esquilos voadores eram mais fortes, mais negros, mais falsos, mais feios, mais escuros e num segundo, levaram-no dali.
Brama sentiu uma dor aguda dentro do peito. Como se o frio da montanha lhe tivesse paralisado o sangue nas veias, nas artérias e nos capilares. Firmou as patas dianteiras no solo, escavou, baixou a cabeça, investiu com força contra uma rocha, impotente e desolado. As hastes caíram. 
Foi então que soltou o maior dos bramidos. E tornou-se tão destituída de sentido aquela subida.
[ Read More ]
domingo, 13 de novembro de 2016

contos de outono I - Brama

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Nasceu em junho no tempo das folhas tenras, das bolotas doces, do aconchego do grupo. Quando o calor do verão se tornou insuportável procuraram as encostas viradas a norte, as mais sombrias. Aos doze meses de idade, separou-se da mãe.
Era um veado pequeno. Assustava-se com o ruído das folhas secas, das gotas de chuva, dos ouriços a soltarem-se dos castanheiros. Enquanto os jovens veados seguiam as fêmeas e concentravam a sua atividade na busca de alimento, ele distraía-se, ficava para trás preso às asas das borboletas, ao reflexo dos seus olhos na água dos ribeiros. O seu pelo castanho avermelhado mantinha ainda as manchas brancas da infância e as suas hastes continuavam aveludadas e macias. Indiferente à luta pela posse do território e das fêmeas, Brama virava o dorso e afastava-se, sempre, cada vez um pouco mais.
Um dia foi incapaz de regressar para junto dos outros veados. Levantou o focinho, inspirou, a cabeça estonteada e caminhou na direção oposta. Atravessou os bosques de carvalhos, os matagais, os pântanos de águas paradas, reconheceu os sobros e as azinheiras e teve o cuidado de se afastar das aldeias.
Vagueou assim seis dias e ao anoitecer do sétimo dia, descansou. A cabeça pousada nas patas dianteiras, o dorso encostado a uma árvore, o azul escuro da noite sem lua. Mal tinha dormitado uns minutos, foi acordado por um ruído de unhas a arranhar a terra e um resmungo sinuoso semelhante ao assobio de um pássaro. Deu um salto e levantou-se. Um esquilo desapareceu na entrada da toca escavada no tronco da árvore. Brama baixou o pescoço, aproximou o focinho do buraco, o esquilo lançou-lhe duas nozes na ponta do nariz. Nessa noite o veado não tocou nas nozes e o esquilo não saiu da toca. Na manhã seguinte ao ver as nozes fechadas, o esquilo abriu-as e deixou-as sobre a terra. Brama comeu-as.
Delimitado o território de um e de outro, no silêncio dos dias e na ausência de linguagem humana, Brama e o esquilo tornaram-se inseparáveis. O esquilo trepava até ao topo das árvores de onde se avistavam os picos das montanhas mais altas, mais altas que o garrote de Brama a crescer, a muscular, a engrossar, e ele desatento sem dar por isso.
Nos finais de novembro a chuva chegou e com ela, o gelo e a rigidez do solo. As ervas no bosque e as nozes na toca escasseavam, o esquilo saltou para o pescoço de Brama, as patas bem firmes presas às hastes, lançou um piar de pássaro e começaram a caminhar em direção às montanhas.
Os picos das montanhas cobriram-se de flocos de neve como as manchas do pelo castanho avermelhado do veado e eram semelhantes na forma e na textura de veludo das hastes. Brama não se interrogou porque caminhava assim, o esquilo também não.
O chamamento é a razão mais forte que nos faz quebrar as regras de um grupo ou a casca de uma noz. 
[ Read More ]
domingo, 23 de outubro de 2016

com um brilho nos olhos

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas 

Logo após as primeiras chuvas, faço as limpezas de outono. Com um pano macio dou lustro à casca das abóboras-menina e das maçãs encarnadas. Coloco as primeiras na beira do telhado e as segundas, junto-as às maçãs reineta e às nozes num cesto de vime, com um pau de canela para enfeitar. Limpo o pó às castanhas novas e asso-as lá fora na cinza quente de uma fogueira quase a apagar. Lá para o fim do dia, lavo e seco as tigelas antigas da marmelada, aquelas brancas, com uma risca azul. E como castanhas até ser manhã.
[ Read More ]
sábado, 22 de outubro de 2016

Sinais de Fogo

[ Read More ]
domingo, 16 de outubro de 2016

Lua Cheia do primeiro outono: solenes mudanças em Ariès

[ Read More ]
sábado, 15 de outubro de 2016

Das muitas coisas que o olhar do viajante vê, quando viaja entre os lugares diários da sua longa viagem

[ Read More ]
domingo, 9 de outubro de 2016

os segundos dias

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Seguiram-na, as da lua e as outras, a abrirem caminho pelo oceano adentro. E nos recantos mais ocultos do universo, nenhum ser se sentiu sozinho no instante da travessia. Porque é mãe de água o mar, a embalar.
[ Read More ]
sábado, 8 de outubro de 2016

Os meus dias de verão dos primeiros dias de outono

[ Read More ]
domingo, 2 de outubro de 2016

retrato de família

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Mal dei pela sua partida, não fizeram ruído, abalaram, avoaram. Atravessaram o estreito, sobrevoam agora o deserto do Saara. Arriscadas as travessias. Destas três, a que tiver os olhos mais brilhantes regressará na primavera.
[ Read More ]
sábado, 1 de outubro de 2016

São Roque

[ Read More ]
sábado, 24 de setembro de 2016

Ácer Selvagem, Segunda Primavera, Aurora do Mundo

[ Read More ]
 
 

Blogger news

Powered By Blogger

Blog Archive