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quarta-feira, 28 de outubro de 2015

A "Branganza" Pri arrasa os vereadores de Bandeirantes. Aí, fadista :-)

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sábado, 27 de junho de 2015

Maria Barroso

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domingo, 11 de janeiro de 2015

Anita Ekberg, a liberdade absoluta

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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Este blogue está de luto, pela passagem à Eternidade de Caytana Fitz-James Stuart y Silva, Duquesa de Alba, 14 vezes Grande de España e da Iberia, e figura ímpar da Cultura Ocidental

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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

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Odete Santos, uma das glórias de Portugal, deixa os cenários da Política

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domingo, 25 de novembro de 2012

o peixe arqueiro


                                     Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas



Tem chovido demais. À beira dos passeios, entre os buracos da calçada, começam a aparecer peixes perfeitamente espantados incapazes de justificar o que estão ali a fazer.
Na verdade os peixes não têm de justificar coisa alguma, nem mostram grande interesse nisso. Os homens estudam os peixes, estes deixam-se observar.
Admirável é o peixe arqueiro. Vinte e cinco centímetros de escamas, guelras, barbatanas dorsais, peitorais e uma fome devoradora. Concentra-se, foca um inseto distraído, crocante e zás! uma enorme gota de água, um jacto mortal em direção à presa que lhe cai inteira na boca. Tudo isto sem grandes alterações internas, esforços, cálculos. Apenas a dinâmica da água e a cuspidela certeira. Remorsos, também não. Nunca sentimos remorsos quando comemos tiritas de milho, pois não.
No entanto, quando a fila é grande e a menina da caixa do supermercado não cala a boca e a senhora da frente se esqueceu de trazer um pacote de natas que está algures a dez corredores de distância, ou o funcionário das finanças nos informa pela primeira vez, que já nos tinha informado duas vezes e nós é que não entendemos e ele sim, ou o carro está bloqueado porque não deixámos os piscas e a roda direita dianteira ocupou cinco centímetros do passeio, ou os poderes por aí acima na hierarquia complexa dos dias nos fazem perguntar, quem somos nós que aceitamos isto.
Então, sem grandes alterações biológicas internas, esforços, cálculos, somente a dinâmica da nossa pele e zás! uma enorme e mortal cuspidela.
E nós arqueiros a pelejar com arcos.

o peixe é o black durgon triggerfish de Mark Laita reinventado por mim
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domingo, 11 de novembro de 2012

aos domingos




Era um coelho triste. Gostava de cenouras e de poemas satíricos. Morava no último andar de um prédio antigo de frente para o rio e do outro lado a banda de lá onde já não existem os estaleiros e a linguagem perdida dos guindastes é apenas a memória de um livro que se leu.

Ninguém entendia como é que sendo ele triste, não preferia os poemas de amor, profundos, impossíveis. Um coelho apaixonado pela filha de um rei daria um poema épico e ele poderia chorar desesperado e chorariam com ele as senhoras sós que saíam à rua sós, os lábios desenhados sós, as rugas a espreitar enganos sós. Ou os jovens fumadores cigarro após cigarro, os dedos amarelados, a tosse no sótão, o veneno engolido em desespero de causa, o passado sempre o passado. Não. O coelho era mordaz, sentia o riso difícil, labiríntico e em tempos de complexidade, melhor será sermos complexos do que simplistas, ter graça requer mais talento do que fazer chorar.

Na varanda plantava coentros, cenouras e couve-galega. Pelo meio cresciam papoilas. Não podia tocar em alface, fazia-lhe mal e no inverno agasalhava-se em si próprio e ia para o jardim das amoreiras roer a casca das árvores. Sempre aos saltos e isso aborrecia-o, o coelho desejava saber andar.
No primeiro direito morava um rapaz que tinha um aquário com um peixe-palhaço e eram amigos os dois, o rapaz e ele. À tardinha o rapaz batia-lhe à porta com o aquário debaixo do braço, o gato branco e preto sempre atrás deles, alucinado com o peixe, o peixe a fazer glu. Depois sentavam-se na beirinha do telhado, o rapaz com as pernas para fora, o aquário em equilíbrio e o gato agora distraído com o voo das andorinhas a fazerem raseiras na cabeça dos anjos. Tirava duas cenouras do bolso das calças, dava uma ao coelho e dizia, lê-me os poemas. E o coelho lia. O rapaz sorria e a seguir ria e dobrava o riso, mordaz e perdido. Às vezes ficavam com soluços os dois e as pessoas vinham à janela ao entardecer e o riso contagiava as varandas e os olhos dos velhos.

Aos domingos o coelho prendia uma papoila ao peito e dizia, vamos viajar.

                                Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

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