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segunda-feira, 24 de setembro de 2018

A merda continua: os pais dos assassinos do Daesh, Edgar e Celso Costa, que Satã já levou para junto de si, e esperamos que de morte penosa, querem que as quatro fêmeas (duas para cada um!...) mais uma do criminoso de guerra Sadjo Turé, e as crias, mais do que dez, venham para Portugal, para os contribuintes portugueses, entre os quais nós e todos vocês, os sustentarem. Nós propomos uma solução muito mais rápida e barata, que é a que o pai dos celerados Celso e Edgar Costa seja posto fora daqui, e lhe seja pago um bilhete de ida, sem volta, para se ir juntar a essa família, da qual tantas saudades tem. "Não te esqueças de que podes fugir, mas não te podes esconder"... Que vá, que saudades cá não deixa, puta que o pariu!...

"O pai dos irmãos Costa (Celso e Edgar) tem feito contactos junto a várias entidades nacionais e internacionais para que ajudem a trazer as quatro noras (os irmãos Costa tinham duas mulheres cada um).

Celso e Edgar partiram de Massamá, Sintra, e fazem parte da designada "célula de Leyton", zona inglesa onde se radicalizaram e de onde partiram para o califado em 2013.

No autoproclamado estado islâmico tinham um papel destacado e chegaram a protagonizar vídeos de propaganda. As quatro mulheres e as crianças estão no campo de refugiados de Roj e Ain Issa, na Síria, numa zona controlada pelos curdos.

Os campos estão sob gestão da Cruz Vermelha e será também através desta organização internacional que o pai dos irmãos Costa tem feito os seus apelos. Com elas estará também a mulher de Sadjo Turé, outro da "célula de Leyton", cuja morte foi anunciada pelo DN em 2015.

As cinco mulheres têm ao todo cerca de uma dezena de crianças, a maior parte nascidos no califado, mas alguns ainda nascidos em Portugal e no Reino Unido".
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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Diário do Trump - Arábia Saudita ameaça Donald Trump, caso ele queira interromper o normal financiamento americano ao Daesh, através da Arábia Saudita

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segunda-feira, 7 de novembro de 2016

President Trump



Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas



Faço parte dos cidadãos do Mundo que têm observado a campanha americana com o sensor de tédio ligado ao máximo. Corrijo: faço parte dos cidadãos do Mundo cujo sensor de tédio há muito que discretamente me afastou dos desenvolvimentos da campanha presidencial americana. No outro dia, por desfastio, liguei a televisão e estava a passar uma gaja pausada, cheia de comprimidos. Rapidamente compreendi que ela se estava a candidatar contra um outro, bastante descomprimido e cheio de gajas, e que aquilo era o estado presente da coisa americana. Nada de estranhar, como nada é de estranhar, depois de Obama. Ela falava no mesmo tom com que as jeovás apocalipsam o fim próximo do Mundo, e ele no tom de quem acredita que é mesmo o Fim do Mundo, o que, da parte dele, é uma forma de imodéstia a mais.

A realidade é que no estado em que o Mundo está dá muito trabalho acabar com ele, ele, Mundo, e não Trump, e, depois de um pouco de observação, percebi que a senhora não tinha mais programa do que deixar que o Mundo não acabasse já, e o tipo, do que andar assustar a senhora com o trabalho que estava a conseguir dar a ela. Na verdade, numa termodinâmica de economias e consumos, ele gasta muito menos do que ela, já que, de cada vez que ladra, logo ela acorre a fechar todas as portas e janelas, o que é um colossal dispêndio de energia, para um simples ladrar. A coisa, ao fim de semanas, converteu-se num mero patético espetáculo de bancada, em que um apenas toureia os receios do outro, para que, por detrás do boneco da outra, logo venha uma multidão imensa compor o boneco, para se fingir que ela não está completamente borrada de medo, com o medo do boneco dele.

Acontece que, na nossa sociedade teresoaguilhermada, o boneco Trump até tem graça, e a graça do boneco Clinton é uma perfeita desgraça. E onde nada disto tem graça é que não estamos num reality-show, mas durante o processo de eleição para um dos cargos mais poderosos da Aldeia Global.

Alguns céticos comparam este processo penoso à fase catalética da Academia Sueca, e, num raciocínio de transitividade elementar, dar a Casa Branca ao Trump acaba por estar para o Donald, como o Nobel recentemente esteve para o Dylan, ou seja, o apertar de mão de duas formas muito próprias do vazio. O problema desta forma de analogias, é que, estando o Donald para o Dylan, também o Saramago teria estado para a Clinton, e isto começa a aproximar-se muito da realidade, já que radiografa a contemporaneidade americana, do mesmo modo que, ao longo dos tempos, o Nobel da Literatura nos foi revelando o relatório clínico da sua longa agonia.

Há muitos que preferiram lançar o Dylan no anedotário, mas o Dylan é uma coisa séria, aliás, ele é rosto de um estado de coisas muito sérias, tal como o Trump é a cara chapada de um certa seriedade do estado atual das coisas. Tudo o resto é axiomático, já que a morte da Literatura conveio muito bem à morte do Nobel da Literatura, depois de um processo em que o próprio Nobel procurou adiar a sua morte, aliando-se a alguns escritores, para depois se ter o inverso, com alguns escritores nado-mortos a procurarem no Nobel um impossível fôlego para a sua triste agonia, para chegarmos ao presente estado das coisas, em que este duplo velório mais não pode ser adiado.

Acontece que, como não sou pessimista, e a análise da coisa está mesmo num impasse, é importante que se lhe traga uma grelha mínima de leitura, e retomamos, ninguém duvida do estado moribundo da Literatura e do estado ainda mais moribundo do Nobel da dita cuja, e, não duvidando deste estado de coisas, era urgente que algo se fizesse, e assim se fez, atirando-se o prémio numa direção imprevista. A Academia fez o seu coming-out, e deu um salto kitsch, numa direção francamente hyppie. Mais friamente, e como caminhamos para uma Nova Idade Média, cheia de Webs Summits, onde a narrativa dos artefactos traz muito mais imaginação do que todos os milénios da Literatura -- sobretudo quando nessa literatura, como o Saramago, nenhum milénio estava guardado para qualquer poesia ou imaginação, -- a Academia resolveu atribuir o prémio a um bardo, relembrando que, nos anos da outra Idade Média, também a voz literária gravitava entre lugares da luz, só mantida pela voz dos trovadores, e aqui regressamos ao tema central, em debate nestas presidenciais, o próximo regresso à nova Idade Média.

Para os apologistas de que os políticos mais não são do que fantoches nas mãos dos interesses que os colocam lá, lanço agora o desafio de acreditarem piamente nas suas palavras, e olharem com os próprios olhos da sua perspetiva, na direção de Trump e da Senhora Clinton, já que, numa forma aguda, eles não representam mais do que o estado previsível dessa infeção. Para os seguidores de debates -- eu continuo a preferir os combates tradicionais de gladiadores --, esquecidos de que aquilo mais não é do que uma forma não muito sofisticada de entretimento, deve ter sido interessante perceber as jigajogas que estavam por detrás de um e de outro, sendo talvez a maior curiosidade destes eventos que, num puro desespero de causa, a viuvinha Clinton tenha desistido de defender qualquer ideia, e acabado a dizer que mais não era, afinal, do que o bastião final de defesa do atual estado de coisas.

Curiosamente, esse é o maior capital do Trump, uma personagem que se pensaria impossível, antes de termos assistido ao Putin, ao Barroso, ao Erdogan, ao Kim jong e a uns quantos outros que agora se instalaram pelos vários pelouros da contemporaneidade, já que, de cada vez que a outra se arroga vir, para defender todas as coisas tal qual como estão, imediatamente engrossam as fileiras dos cada vez mais prejudicados pelo establishment, e são muitos, e todos frutos das muitas facetas de tal estado insuportável de coisas. Trump é o Ronald Reagan possível de hoje.

Atrás, enganei-vos, quando vos disse que a Literatura estava morta. Não está, apenas mudou de palco, e escreve e continua a escrever, como eu acabei de fazer, e durante mil anos ela fez, rabiscando glosas e escólios na margem dos pergaminhos. Vocês caíram no erro e leram, validando a minha tese, e assim impugnando dylans, nobeles e saramagos, e assim vamos continuar. Creio que do desastre Clinton/Trump igualmente emerge uma leitura fria, que é a da agonia da Política. Depois de terça-feira, é provável que também regresse à margem dos pergaminhos, em glosas e escólios, queira lá isto dizer o que quer que seja. 


É óbvio que os perfis radicais podem ser perigosos, e, sem chegar a perorar, como certas cassandras, que é da massa dos Trumps que sempre se fizeram os hitlers, a verdade é que sempre foram as massas das clintons a permitir, no limite, que emergissem cada vez mais trumps, e eles são hoje, como se sabe, mais do que as mães. Está por comprovar que da massa das clintons emerjam quaisquer hitlers, mas não podemos dizer que dessa água não beberemos. Na verdade, as bolsas não têm hoje qualquer paciência para hitlers, e os catalisadores são-lhes indiferentes, desde que não colidam com a lógica dos mercados: quem se lhes oponha surge e evapora-se em dois dias, como os palermas do "Brexit", e este é o verdadeiro prognóstico da Era Trump, uma coisa que aí vem, independentemente do Trump. Depois de terça feira, iremos ver como é fraco o ladrar de qualquer político, perante as vozes de fundo das correntes que os mandataram, ou, mais frio do que isto, como essas correntes já podem prescindir do ladrar dos políticos para fazerem ouvir diretamente as suas vozes.



Aparentemente, tudo indica que o paradigma pós industrial está a querer mostrar, em direto, que já não precisa mais de atores públicos para se fazer representar social e politicamente, e isto é um ato profundamente político, já que terça irão eleger um balão vazio, perante uma plateia que está no mesmo estado do "À espera dos Bárbaros", do Kavafys, que nunca teve o Nobel. A isto chama-se "Era Trump", cuja maior encenação cenográfica, e preparação, tem sido, com bastante sucesso, o Daesh dos subúrbios.


O final deste texto é técnico. O sistema eleitoral americano -- que, no fundo, irá aproveitar esta oportunidade para mostrar que, contrariando tudo o que escrevi atrás, felizmente está vivo, mas na peculiar maneira -- assenta numa sólida topologia de alternância. A grande lógica do seu modelo matemático é uma invariância global dos ciclos de sístole/diástase, o que, trazido para a linguagem política, fala de uma estabilidade do modelo de sucessão entre períodos democratas e períodos republicanos. Por outras palavras, é o ciclo de alternância que é imutável, e são apenas os seus protagonistas que vão variando, assegurando sempre o mesmo programa eleitoral, petróleo, fabrico de armas e status quo. Os eleitores limitam-se a validar vagamente um xadrez de colégios eleitorais, e a isto se chama por lá democracia. A última demonstração da frieza deste sistema revelou-se quando Bush, a quem tinha sido incumbida a Missão Nine Eleven, teve mesmo de vencer Al Gore, independentemente da contagem local dos votos. Se é certo que este mesmo modelo revela algumas exceções, elas estão sempre associadas a períodos fortemente atípicos, que é o que aqui nos interessa, já que esta eleição, em novembro de 2016, apenas nos vai dar o sinal de estarmos perante um ciclo de estagnação, ou de necessitarmos mesmo de uma emergência de rotura, capaz de inverter a lógica do ciclo. Deste modo, creio que nos devemos serenamente concentrar em apenas três questões: "processa-se esta eleição num período de tal modo crítico que o ciclo de alternância se veja coagido a alterar-se momentaneamente?"; "É a Senadora Clinton de tal modo extraordinária que permita uma extensão anómala do ciclo democrata?" e "É Donald Trump realmente tão mau que mereça destruir a própria lógica profunda da alternância?".

Se respondeu uma vez "sim" a pelo menos uma destas questões, eu, e todos nós, já ficamos imediatamente a saber onde o meu caro leito iria votar. Pela minha parte, e sem querer ser pessimista, prefiro continuar a responder "não" às três questões, sendo certo que também não voto, nem quereria, num cenário destes. Certo é que todos nós, na próxima terça feira, nos iremos espantar com mais uma irónica solução da História.

Lá estaremos para ver, companheiros :-)




Quarteto da Era Trump, no adormecido "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e no "The Braganza Mothers"
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terça-feira, 11 de outubro de 2016

Diário do Guterres - Pronto, já está: o Marcelo tanto falou, tanto se agitou, tanto esperneou que já aparece num vídeo de caçada do Daesh

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terça-feira, 4 de outubro de 2016

Diário do Saraiva - Daesh continua a invadir a Europa, com apoio das guardas-costeiras. Ontem, foram quase mais 6000, a partir da Líbia...

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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Fábula dos filhos do Embaixador do Kebab



Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas



Já o disse várias vezes, e volto a repetir, perde-se demasiado tempo a combater gajos dopados nos desertos da Síria, quando mais valia que se começasse a caça ao dopado nos muitos subúrbios do Ocidente. É certo que é sempre mais fácil andar a bombardear o horizonte da aridez do que invadir apartamentos HLM, a Quinta do Mocho ou os arredores de Dusseldorf, mas essa poupança vai-nos sair demasiado caro, aliás, o vai-nos, situado num futuro próximo, é um erro de expressão, já que este estado de coisas se tornou inerente aos próprios tempos presentes.

Eu sei que é muito complicado para a Dona Arminda, de Baguim do Monte, ter de começar a acreditar que o seu filho, um puro produto de subúrbio, ainda sem o verniz postiço da Teresa Guilherme, de cada vez que lhe desampara a loja, e vai sair, para a "night" de Baguim do Monte, é como se fosse, com os amigos, treinar para as traseiras do quintal, as táticas do cinto bomba, do extermina assim e do mata e esfola como se nada fosse. Um dia houve em que ainda estava ela a ver as novelas da TVI e o gajo tinha acabado de limpar, com uma soqueira, um dos do bando da frente, a pretexto de uma disputa de uma recém menstruada. Foi na Domingos Baião, mas podia ter sido na Calçada de São Coitado à Lama, ou nos Champs Elysées, mesmo aqui ao lado. Depois, se a coisa se desenvolver como se pensa, ele pedirá desculpa, e depois de ter emigrado para os arredores, voltará a matar a 2000 quilómetros de casa. A versão dois é mais ou menos igual à versão um, só que em pacote: agarrou em veneno dos cães, e matou três gajas, duas delas das que já andavam engalfinhadas, e a terceira por que estava a tomar o gosto à coisa, e também ia embarcar no roço e começar,em Tires, a engalfinhar-se também. O homem é macho, e não pode permitir uma coisa dessas, rezou para a Meca dele, matou as sapatonas e toca a andar. A versão três é mais ou menos mais do mesmo: eram seis da manhã e o bacano teve fome, pôs-se na esquina, com aquelas saias de xadrez baratas que eles usam, por cima das calcinhas apertadas, a esconder o raquitismo e a falta de banho, e fez um voo rasante em cima do cota, era turco, só serve para o damo comer, depois de  o damo comer, mata-se. Deu-lhe com os ténis, e ficou com um bruto bife de kebab rasgado no focinho. A quarta, que me levou a escrever este texto, é mais sofisticada, por que mete os próprios filhos do embaixador do kebab anterior, e aqui o discurso muda de registo, posto que, se os campos de treino do Daesh são todos iguais, ainda é mais verdade que há uns mais iguais do que os outros, e eu passo já a explicar.

Na ascensão da insignificância, que silenciosamente levou a que cultura urbana fosse substituída pela cultura surburbana, num silencioso, mas imparável, deslizar, que passou por anas malhoas, marizas e cristianos ronaldos, os valores das coisas foram calmamente substituídos pelos valores de outras coisas, menores e insidiosas. Quando acordamos, já eles e elas estavam instalados. Fala-se de uma democratização, mas a democratização é um mau, péssimo, nome para um abandalhamento, na direção dos piores valores proletários. Os defensores de que o socialismo fabiano anunciava o advento do Neomaoismo, com uns comunisticamente muito ricos, no topo, e os outros, completamente acartuchados e acinzentados, muito no baixo, mas felizes, de mocilha às costas e smartphone nas unhas, convencidos de que andar na EasyJet é turismo, e que Lisboa se vê em três dias, dois dos quais na forma de noites de b'jecas e mijadela, de pé, contra a esquina, ou agachada atrás dos latões de metal, para depois acabar a atafulhar o metro, no meio de malões baratos e gajos de rastas, a precisar de uma boa mangueirada, dizia eu,
de
que,
os defensores deste espécie de alegria dos valores baratos, e do politicamente correto, sempre dominados por aquela voragem do Fim da História, arriscam-se agora a acabar com a própria História. O próprio motor e dinâmica das sociedades está indissoluvelmente ligado às clivagens e às diferenças de potencial, sendo certo de que uma cultura onde a entropia está no máximo já é uma cultura das águas caldas, que é o mesmo que dizer que está morta. Ora, uma cultura que está morta, precisa de se auto estimular, de modo a que a sensação das águas mornas não seja sufocante. De aí ao homicídio por que sim, e ao esmurrar até matar, por desfastio, vai um ligeiro passo, e já o demos.

Nas sequelas da podridão nacional, com o nome local de Cavaquismo e Neocavaquismo, foi moda sair da sarjeta e imediatamente colocar nas unhas das crias carro, com ou sem carta, e barraca no subúrbio, não falando, claro está, do casamento homogéneo e simplificado, com a oxigenada de coxa de pele de laranja. Este foi só um grau de entropia de arranque, e logo se esqueceram os avós do candeeiro de petróleo e das noites passadas com as cabras. Como nunca se deve servir nem a quem pediu nem a quem serviu, este estado de coisas criou uma primeira geração de quistos sociais, movidos pela ambição do ter, sem nunca ter chegado a ser, ou ter de saber. Chegada a crise, tudo isto mergulhou no cano, mas por colossais assimetrias, já que a sociedade diabólica do neoliberalismo estava definitivamente instalada. A métrica era simples, e fácil de assimilar: como isto não chega para todos, é fundamental que eu faça parte dos que têm, e que se lixem os que não, ou nada, têm. A segunda palavra é ainda mais simples: se puder ter, então, que tenha ainda mais, não venha o Diabo vir e tecê-las. O resultado disto tudo, em crescentes guerras e guerrilhas de bairro, conduziu às franjas do poder afastado e às terríveis bainhas do enormemente excluídos. Nestas bainhas teve origem o Daesh, subproduto do fundamentalismo cristão, com os adereços e apetrechos de um falso falar corânico. Os seus melhores campos de treino estão na guerra ao pica, nos aceleras da ponte, nas salas do insucesso escolar e nas drogas e rixas de discoteca.

Na verdade, esta métrica da posse, ditada pela impossibilidade, custa muito caro, e devora todos os recursos. São hoje falados os casos dos pais que são agredidos, e dos outros que se empenham e contraem empréstimos insolúveis, para que os filhos possam ter o necessário para participar na dinâmica da "night", já que, se não andares na "night" não existes, e, se lá andares, acabarás a existir ainda menos. Esta é a terra dos cristianos ronaldos, do oco e do vazio, e do extremamente caro do nível das representações.

Quem não tem estoura, e quem se cansou, ou não tem o que estoirar, põe um cinto bomba e começa a estoirar com os outros.

Claro que tudo o que escrevi atrás é mentira, e, se não for mentira, é demasiado simplificador. Na realidade, a corrente subterrânea, imediatamente sucedida ao atrás descrito, é uma coisa ainda pior, posto que, acabada a lógica do sucesso pela cultura, pelo trabalho e pela construção do eu, substituído pelo acaso, pelo errante e pela ditadura do Ego, os valores foram ainda mais subvertidos. Pelo que consta, os pais da geração de atrás já não se contentam com dar cartas de condução, mas começaram agora a pagar aulas de aviação aos nascituros. A coisa pegou, e desenvolveu mais uma daqueles subterrâneos à portuguesa, fazendo de Ponte de Sor (isso é onde?...) uma terra, não de campónios, mas de estrangeiros, a pingar fortunas. E, se tiverem menos de 18 anos, tanto melhor, já que não podem conduzir carros, mas então que pilotem aviões, o que até é normal, no país do "Pilinhas" e do quanto mais novinho melhor...

Faço aqui uma pausa, já que este é o novo mundo dos novos monstros. Eu Sou de um tempo em que em Cannes e Saint-Tropez uma geração de ouro esbanjava dinheiro, antes de embarcar nos iates mediterrânicos. Creio que então se refugiavam por detrás de grandes nomes e das fortunas dos papás. Um pouco mais de uma década, ou duas, esta subversão das escadas da ascensão, com o medíocre a ser platinado muito precocemente, lançou ao zénite a fina flor da escória, no meio de tumultos e invejas, para não falar dos muitos gemidos de impotência: estes novos milionários, perpetuamente adolescentes, com imunidades diplomáticas e outras armas nunca de antes imaginadas, criaram o futuro Mundo das Hienas, e estão-se a entredevorar, devorando-nos a nós também com eles. Brevemente os barulhos dos aceleras vão ser substituídos pelos estrondos das avionetas que caem, por que conduzidas sem brevet, ou só por vingança. No limite, o papá paga, e, se não pagar, o bacano vem à TVI, pedír desculpa.

O reverso, ou as consequências disto tudo, é que a apropriação destes meios, cada vez mais custosos e inacessíveis, leva a que a multidão dos que nada têm se multiplique. Desenganem-se os novos marx da cabidela, que aqui vêem a tempestade perfeita da insurreição: não haverá  quaisquer revoluções, mas apenas atos continuados de extermínio, de bandos de cintos bomba, a fazerem-se explodir no meio daqueles que têm a versão mais atualizada do smartphone, o meu reino por um tablet, e o matei-o, por que ele não me fez like. No campo das relações de trabalho e do tecido económico, as coisas não são melhores: a pirâmide dos empregos far-se-á em função dos que ali estão apenas para dar serventia ao pessoal das discotecas, os empregados do restaurante de antes da "night" e o turco do kebab que tem de estar ali a servir o preto longo das noites quentes das seis da manhâ. Não conseguiu comer a dama, e tem agora de se alimentar, e, se o cota não nos serve, a gente esfola o cota. Nós, pagadores de impostos, temos doravante de saber que estamos a alimentar esta enorme e crescente corrente do ócio, onde os subsidiados do nada fazem, mas muito têm, conseguiram transformar todas os dias de trabalho dos outros na sua maratona prolongada de permanentes noites de fim de semana, com toda a comunidade a apenas existir como seu pano de fundo, e fonte de subvenção do mais absoluto nihilismo social. Na outra extremidade da Cova da Moura, os filhos do embaixador do kebab agarraram no segurança e foram desfazer a cara dos frequentadores do "Koppos Bar", de Ponte de Sor, onde se baixam as calças, se faz picanha com os pés, e só há hematomas desfigurantes, com os carros, carros, carros...

Passamos agora dos carros para os aviões, sem aviso, e, dentro de cinco anos, lá estaremos nos foguetões. Numa velha rábula da Humanidade, haverá então os que têm e os que nada têm, e os que nada têm serão cada vez mais, e os que têm cada vez mais arrogantes e liquidadores. No fim, todos eles acabarão no terreno a exterminar-se uns aos outros, grande lição do Daesh para a História. Quanto a nós, pois, nós estaremos pelo meio, para cairmos, um a um, um após outro,  do primeiro até ao último, mercê do seu fogo cruzado.




(Quarteto do kebab, no "Arrebenta-SOL" (desativado), no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers", sempre soberbo e implacável)

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sábado, 27 de agosto de 2016

Correio da Lola - "O meu marido... acho que me quer enfiar um burkini..."


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Querida Lola:

Querida Lola: O meu Francisco viu-me a estender roupa nas traseiras, com as maminhas todas de fora, e só o ouvi dizer, anda para dentro, Mariana, senão tenho de te enfiar um burkini, para tapar isso... Ando tão assustada, querida Lola... 



Mariana Benchimol, Tires





Querida Mariana:

Antes de mais, deixe-me dizer-lhe que é realmente uma mulher moderna, informada, a quem estão a acontecer aquelas coisas urgentes que agora passam na SIC-Notícias e no Correio da Manhã-TV. Burkini, disse a menina?... O seu Francisco queria enfiar-lhe um burkini, só por que a viu toda pendurada na janela, com as tetas derreadas por cima das janelas do vizinho de baixo?... Só Deus saberá que desgosto o terá feito desejar condená-la a essa medida extrema: se o formato só e a extensão das suas tetas à janela, se o protesto do vizinho de baixo, pela tão grande carência de sol... De qualquer maneira, ainda bem que me escreve, por que foi corajosa, e não foi como as outras, que por aí comem e calam. Não comeu, não calou, e ainda escreveu à sua Lola, que tudo sabe e tudo aconselha... O Burkini, é de facto, um problema dos nossos dias, já que se passaram décadas e tentar deixar as mulheres mostrar o que têm de melhor, para depois vir agora uma maré de viúvas negras, a querer relançar os visuais na Idade Média. Transformista, como sou, pode acreditar que acho que quanto mais se vir, melhor, mas o problema está em que não estamos em França, mas na Cauda da Europa, terra das viuvinhas e das nazarenas de bigode, das transmontanas pilosas e das matriarcas de voz grossa. Deve ter visto, como eu, as elegâncias de Nice, Côte- d'Azur, a mergulhar nas águas opalinas da Croisette, ou a molhar o pezinho em Antibes. Em Fréjus já há mais vestidas do que nus. Em Juan-les-Pins e na Salis, vêm do fundo do mar e as trouxas fundamentalistas fazem ali mesmo, com o corpo, a drenagem dos fundos da areia, mas as mais lânguidas, são mesmo as de Cap Ferrat, que quando o muezzin chama, se prostram todas dentro de água, viradas para o Mónaco, que dizem umas para as outras, fica mais ou menos na direção de Meca, não fica, mas faz de conta, que aquela zona é toda cenografias. Agora, querida, quando vimos para Portugal, terra das mulheres mais feias da Europa, a coisa pia fininho. A primeira coisa é que, para fazer um burkini aqui iamos precisar do dobro, ou triplo, do tecido, para enfiar aqueles excessos, as estrias, os bofes e a pele de laranja. Podia ser bom, produzisse Portugal tecidos, mas já não produzimos, é tudo importado, e para enfiar uma daquelas orcas da Cova do Vapor, da Trafaria, da Praia da Mata, da Afurada ou de Vila Peida de Mil Fodas, ia ser mais um colossal desequilíbrio da balança comercial, a enriquecer produtores de algodão turcos, mexicanos, chineses ou monhés... Lá vinham uns contentores de Daca ou de Bombaim, ou mesmo de Taipé, com pano para fazer trouxas. Na verdade, sai mais barato ter aqui as portuguesas cristãs do que fundamentalistas, e esperando que essa crise horrível da Riviera não caia cá. Ia ser terrível ter as praias da Nazaré ocupadas por manchas negras, a contrastar com snifadores da linha branca do canhão da Praia do Norte. Há dar e dar, há ir e snifar. Eu até poderia ser mazinha, e acreditar que o seu Francisco detetou aí um problema estrutural, e resolveu esconder as suas misérias para sempre, e só deus saberia se tinha razão, mas não vamos por aí, vamos pela realidade, que ainda pode ser pior do que esta minha melancólica teoria. Só eu, Lola, e as minhas colegas, sabemos as misérias que se vivem nos lares desses fabulosos homens portugueses, quantas vezes casados com um tremendo produto de fumados, uma coisa perdida de uma feira de enchidos, quantas vezes, depois de cumprido o ato, não abrem a carteira para nos mostrar a legítima, e ainda não se falava aí dos burkinis, já eu pensava cá com os meus bicos de silicone, vije maria, se é isso que tens em casa, como percebo eu bem tu passares os fins de semana aqui... Na verdade, querida, se desse aqui uma crise islâmica, aliás, nem precisava de dar, bastava que os olhos que não vêem passassem subitamente a ver e a sentir, e eram todas enfiadas em sacos de batatas, cosidas, e ficavam eles todos a olhar uns para os outros, mortos de desejo, a serem os cristianos ronaldos uns dos outros, enquanto só se ouviam gemidos dentro das serapilheiras delas... Eu sei que isto vai muito mais além da carta que me escreveu, mas já agora, por que a cultura não ocupa lugar, deixe-me que lhe diga que essa questão da burka está toda mal vista, e muito mal analisada, já que está completamente enformada pela cultura machista, em que só se vê a pobre da fêmea enrolada em trapos, e o macho garboso a pavonear-se ao lado. A realidade é bem outra, e acredite nas minhas palavras, por que eu estou a meio caminho dos dois sexos: na verdade, a emburkada é uma gaja premeditada, amatriarcada e dominadora, que resolveu tapar a cara atrás de um trapo, enquanto arrasta pelo braço o seu macho espantoso. Ela está sempre a medir-se com as burkas do lado, para lhes mostrar que o cavalão dela é muito melhor do que o cavalão da vizinha, e não só o cavalão é melhor, como a vizinha, que não lhe consegue ver as fuças, ficará a imaginar quão mais bela do que ela a outra será, por detrás de tantos trapos, para ter conseguido arranjar um machão daqueles, de pôr as emburkadas todas lá da medina a roer as unhas... A burka, querida, não é uma coisa que os homens impõem às mulheres, mas uma coisa que as mulheres impõem a si mesmas, para fazerem as outras estoirar de inveja, por interposta pessoa. Passeiam os machos como a Brigitte Bardot passeava, há cem anos, os seus cãezinhos, e eles adoram deixar-se passear, já que o pior matriarcado é aquele que não vem declarado no IRS. Em Portugal, a coisa é muito mais realista, e já deve ter visto, como eu, os centros comerciais cheios dos melhores homens da Europa, atrelados às piores coisas que se possam imaginar.. Em Portugal, o macho anda sempre com a tralha atrás. Se fosse em Cannes, ainda se poderia imaginar que, ao lado de um macho fantástico, ia uma fêmea ainda mais fantástica, mas aqui, o olhar é imediatamente desenganado, e vê-se que aquilo que os cerca é sempre uma versão continuada, e caseira, do belo e da monstra, repetida até à quinta casa. Acho que já me perdi, e já respondi demais, e deixe-me acabar assim: burkini?... ele quer pôr-lhe burkini?... Pois deixe que lhe o ponha, e depois vá passeá-lo pelo braço, ainda vão pensar que, com um homem desses, e toda enfaixada, a menina é uma Gisele Bündchen portuguesa, e, em vez de olharem diretamente para si, de cada vez que vai pôr a roupa  a escorrer, com as tetas pingadas, e só verem em si aquilo que na realidade é, uma Joana Vasconcelos, uma Clara Pinto Correia ou uma Maria Velho da Costa falhada da Cauda da Europa, querida, uma troncha, baixa, gorda, atarracada e condenada a viver num quintal da vila de Tires. Kisses, e emburke-se, meu amor, ou emburkine-se, já que estamos no mais puro verão!...

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sexta-feira, 12 de agosto de 2016

O Daesh como lugar psicanalítico e fisiológico da decadência do Ocidente






Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas



Num tempo em que me não lembro bem de quando, nem onde, nem por quê, os órgãos de intoxicação social adotaram a mais errada das denominações para um recente grupo terrorista: começaram a chamar-lhe "Estado Islâmico", quando o seu verdadeiro nome era "Daesh", e não se encontrava sequer na Síria, ou no Iraque, mas um pouco por toda a parte, onde disséssemos Ocidente e Oriente, e nem sequer era uma invenção recente, mas antes uma longa construção da complacência e cumplicidade do Socialismo Fabiano com a destruição da Cultura Ocidental.

Há uma teoria da fisiopsicologia que diz que enlouqueceríamos, se fossemos forçados a dar todas as ordens necessárias ao funcionamento de todos os mecanismos automáticos do corpo. É algures, no bolbo raquidiano, que, entre outros, os processos autónomos da respiração e do bater do coração se desencadeiam. Que seria daquele organismo que tivesse de pensar, antes das sístoles e diástoles, ou de dar um  milhão de ordens para encher o peito?... Na realidade, todo este automatismo foi importado para toda a sociedade, e muitas das rotinas da nossa existência estão hoje ligadas ao seu automatismo próprio. Como já por vezes se disse, nas sociedades desenvolvidas atuais, qualquer indivíduo médio poderia seguir do nascimento à morte, apenas cumprindo regras e rotinas, sem sequer ter chegado aos lugares da Filosofia ou do divino.

Este acostumamento das coisas tem, na Natureza, um outro nome, já que pode ser aproximado, por analogia, da mimese, e a mimese é o poder de umas coisas passarem desapercebidas por outras, por mero efeito de infiltração e disfarce. O Daesh, camada sociológicas das sociedades ocidentais, estudou e pratica este princípio de mimese e de automatismo das nossas defesas e atenções. E ele não o faz de agora, fá-lo de há muito, sendo talvez o seu efeito mais espetacular o atentado às Twin Towers, onde nada deixaria prever que a imagem quotidiana do avião que cruza os céus ora anunciasse um terrível míssil contra um centro financeiro mundial. A suspeita caiu sobre os comboios, o metro, e todos os transportes. O Daesh tornou-nos todos os objetos familiares em inimigos potenciais. Tudo o resto são réplicas posteriores, as sociedade dos nómadas de ginásio e computador, dos turistas cegos, de fim de semana, em qualquer lugar barato da EasyJet, sempre com a perpétua mochila, onde o Daesh já infiltrou os seus sacos explosivos; os festivais de multidões alucinadas, de óculos escuros, por detrás dos quais o Daesh escondeu os seus últimos guerreiros suicidas; os idiotas de barba fardada, todos lançados nos concursos da ninfómana Teresa Guilherme, todos iguais, e todos ávidos de exibir sinais de virilidade compensadores da sua desvirilização física e mental, infindáveis multidões de burka maxilar, como se tivessem uma bota invertida calçada no queixo, e todos iguais àquele fundamentalista que se irá fazer explodir junto da Torre de Belém de Lisboa.

Por que, um a um, através das suas células adormecidas, o Daesh já infiltrou os hábitos, lugares e rotinas do Ocidente, tudo aquilo que fazemos sem pensar e todas as coisas que preenchem a normalidade da nossa escolha cultural, ou, por outra perspetiva, tudo aquilo que o Daesh odeia em nós, e jurou um dia exterminar. Na verdade, nós não poderemos viver a desconfiar de cada uma das coisas de que gostamos, nem passar a pensar em cada passo dado, com receio de que ele possa ser uma nova ratoeira do inimigo. O Daesh não é de hoje, é de há um tempo arcaico, e foi tendo várias faces, ao longo da História. Na nossa idade mediática, nós limitamo-nos a oferecer-lhe o próprio brinde de nem se ter de deslocar, para avaliar a eficácia do seu último atentado: a vertigem dos idiotas das "selfies", dos exibicionistas do "Facebook" e dos alucinados autistas do Twitter encarregou-se de o fazer, em tempo real, e de passar ao inimigo o máximo de informação por ele desejado. Este lado psicanalítico, em que o exibicionismo de uma sociedade malsã se cruza com o agrado voyeur dos assassinos é a verdadeira boda de sangue com os criminosos do Daesh.

É agosto, verão, e as próximas vagas de atentados estarão aí. Não sabemos se as sociedades continuam sem perceber que estão em risco final, e que o futuro breve pode ser uma multidão filhos da puta do calibre de Putin, Erdogan e Trump, a marcarem o Final dos Tempos. E até é provável que continuem sem perceber, ou que alguém, nelas, comece a ter de finalmente acordar. É verão, e é agosto, e são férias. Talvez seja tempo de perceber que estamos em guerra, e que um pouco de disciplina porventura fizesse bem, como treino de proteção das sociedades urbanas. Talvez vá chocar, mas que interessa, o enorme charme destes textos é exatamente a sua permanente capacidade de chocar. Poderíamos, assim, começar por impor uma disciplina de cara rapada, a todos os idiotas que visualmente se tornaram profetas de pacotilhas das cidades do ocidente. Seria uma mera prudência dos tempos de guerra, uma simples higiene contra o inimigo, uma lição de alerta e diferença, e um simples treino doméstico contra os infiltrados. Caras rapadas, e ordem de identificar, em cada esquina, quem não cumprisse este rapar obrigatório, uma medida breve, rápida e concisa, para dar a ver ao inimigo que assim lhe retirávamos, sem pudor, a forte arma da mimese.

Não iria hoje mais longe: podíamos aplicar esta medida, já, nos festivais de verão, em todos os lugares em que o Daesh, psicanaliticamente, não nos forçou a cancelá-los. E podíamos começar a rapar já queixos, por onde os víssemos e a respirar de alívio, da tarefa feita, e, porventura, a rezar (podem ser orações laicas, coisa de que o Ocidente bem, e tanto precisa, de ambos os lados da cortina...) e a rezar para o Daesh não se nos tivesse já adiantado, e acabássemos a rapar os queixos ensanguentados de mais um massacre no metro de Berlim.

Boas férias, leitores.




(Quarteto da mimese da morte, no "Arrebenta-SOL" (em pausa), no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")
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terça-feira, 5 de julho de 2016

Diário do Marcelo - Daesh está farto dos rastejantes de Fátima, e planeia ataques. Os dias 13 são considerados particularmente fatídicos :-\

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