#Post Title #Post Title #Post Title #Post Title
Mostrar mensagens com a etiqueta Primavera. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Primavera. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 21 de março de 2019

Jogo da lua cheia de primavera

[ Read More ]
sábado, 16 de junho de 2018

Santa maria dei fiori

[ Read More ]
domingo, 29 de abril de 2018

premonição

[ Read More ]
domingo, 15 de abril de 2018

abelharuco pousado num ramo à espera do sol

[ Read More ]
domingo, 8 de abril de 2018

o urso acordou

[ Read More ]
domingo, 25 de março de 2018

horário de verão

[ Read More ]
sábado, 24 de março de 2018

Horas densas

[ Read More ]
terça-feira, 20 de março de 2018

No lugar do primeiro dia da primavera, e ao som suave de Botticelli

[ Read More ]
sexta-feira, 9 de junho de 2017

A última lua cheia da primavera

[ Read More ]
domingo, 28 de maio de 2017

o que o rapaz contou

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Confio-te o meu livro de viagens por dois ou três dias, talvez uma semana ou quem sabe, um mês. O tempo é relativo. Demasiado curto quando nos sentimos bem, longo na inquietação, infindável na tristeza.
O rapaz falava devagar e as suas palavras pareciam vir de uma outra pessoa que não ele. Estranhei-o assim tão sério, mas não disse nada.
Como devem estar recordados, o livro a que ele se referia é secreto e invisível e apenas sabemos que está presente pela inclinação súbita dos raios solares, pelo ladrar de um cão, pelo cheiro forte a pão acabado de fazer.
Está bem, disse-lhe. Guardo-o, escondo-o para que ninguém o veja. E estendi as duas mãos para o receber. O rapaz perdeu o ar composto e gritou, que desajeitada, deixaste-o cair. E bateu os pés, morto de riso. Depois baixou-se, apanhou-o e disse, lê o que eu escrevi sobre a minha terceira viagem.
Sentámo-nos ali mesmo nos degraus da escada, a trovoada ao longe e o ar quente carregado de humidade. O rapaz insistiu, desde quando é que precisas de ver para ler. Não preciso, respondi. E lemos os dois.
Caiu a primeira gota de chuva, pesada, gorda e seguiram-se as demais, espaçadas, quase mornas. Foi quando nasceu a filha de um rei e era bom o rei e rejubilaram todos os habitantes daquele reino de árvores de grande porte e muita chuva, porque quando nasce uma criança abre-se uma porta e deita-se fora a chave e o futuro cumpre o seu destino.
Mais à noitinha, já as chaminés fumegavam e os velhos dormiam, é que perceberam que a criança tinha sete dedos em cada mão, para que gostassem dela as folhas das árvores de grande porte naquele reino de muita chuva.
Um dia, atraídos pelas árvores e pelas folhas esguias, chegaram a bicicleta azul e o rapaz molhado até aos ossos e receberam-no o rei e a filha pequenina. Ficou por muitos dias e ensinou a filha do rei a andar de bicicleta e ela com os sete dedos em cada mão, nunca caía. 
Quando regressou, trouxe consigo algumas folhas e muitas gotas de chuva.  
[ Read More ]
domingo, 7 de maio de 2017

domingo violeta

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Morava numa casa de pedra coberta de hera e antiga era a casa e velhos os avós e os bisavós e ela tão pequena ainda. Ouviam-na mal. Ela dizia, bom dia e eles respondiam, parou de chover minha filha. Esqueciam-se de tudo, das horas, da sopa no fogão, das idas ao dentista, de fechar as janelas, de chamar o cão. Perdiam-lhe as meias e os casacos de lã e trocavam-lhe o nome. Maria, Ana, Carlota, Luísa, Margarida. Raramente acertavam e quando o faziam, já ela ia longe.
Liam-lhe os livros das estantes, ensinavam-lhe provérbios, advérbios e as palavras esdrúxulas acentuadas e as outras esquisitas, estranhas como ela. Falavam-lhe da raridade das flores de pessegueiro numa terra prenhe de pedras e escassa em húmus e em vida.
Ela amava os avós e estes gostavam tanto dela.
Às vezes perguntava:
-Onde estão as outras crianças?
E os avós dormiam.
No espelho do quarto escondia-se uma rapariga como ela, mas feia, antipática, agressiva. Invejava-lhe a voz e o brilho dos olhos e se ela dizia, olá, a outra baixava a cabeça, cerrava os punhos como se quisesse bater-lhe e respondia-lhe o silêncio das superfícies desertas. Um dia fartou-se, tapou o espelho com um papel branco e desenhou uma árvore despida. Num impulso, desceu as escadas a correr e gritou aos avós:
- Vou buscar as flores de pessegueiro e encontrar as crianças perdidas.
- Parou de chover minha filha. 
Lá fora a hera dos muros crescia reptante e os pássaros debicavam-lhe os frutos ávidos de alimento e cantoria.
[ Read More ]
segunda-feira, 1 de maio de 2017

1º de Maio, uma herança dos Estados Unidos socialistas da América

[ Read More ]
domingo, 30 de abril de 2017

pimenta do reino e açafrão

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

E por fim riu-se. Num gesto ainda bonito, atirou para trás os cabelos pretos azeviche, lustrosos como veludo, pegou no saco e desceu as escadas a correr. Eu acenei-lhe e pensei na impossibilidade de duas pessoas tão diferentes conseguirem ser iguais. Às vezes estamos mais de um ano sem nos vermos e a conversa é reatada no ponto em que ficou e rapidamente unimos os pontos separados e os outros que pintamos por aí. Fazem uma linha.
Ela pergunta, lembras-te daquela casa com um portal, duas colunas, a varanda toda à volta e os espanta espíritos que afinal não espantavam nada e até atraíam os morcegos? Lembro-me. Da cozinha negra de carvão, as vasilhas de cobre, o poço? Também. Dos macacos zangados a arrancar telhas, da chuva forte, dir-se-ia eterna, do cheiro da terra. E do rio ao fim do dia? Sim. Divertimo-nos como loucas. Pois foi. Quem diria este tempo desapiedado que estamos a viver agora.
O vendedor de açafrão tem duas filhas esguias como juncos, os cabelos presos numa trança. Um dia rolou um grão de mostarda pelo colo de uma e um grão de pimenta pelo colo da outra. O pai zangado ordenou-lhes, procurem os grãos perdidos, pois um não é nada sem o outro e é com eles que eu encho os sacos para levar ao mercado e compro o arroz que cozinhamos à ceia.
As filhas, esguias como juncos e sensíveis como asas de borboleta, desfizeram as tranças e soltaram os cabelos e as lágrimas e estas eram grãos de água transparente. Procuraram debaixo da mesa, nas gavetas, nas traves do teto, na rua, no mercado, no templo, entre a areia da praia. E as filhas esguias como juncos, sensíveis como asas de borboleta, frágeis como a lua nova, cansadas, adormeceram.  
Desço atrás dela e apanhamos jarros, margaridas e uma braçada de hortelã. Na cidade as flores estão-lhe distantes e há pouco ar em redor das casas.
Os jarros não gostam que se lhes corte o pé. Vingam-se, largando um líquido castanho que põe nódoas na roupa. Assim nunca mais nos esquecemos.
Foi então que dos sonhos das filhas do vendedor de açafrão surgiu uma ave rara e abriu a sua enorme cauda, estendeu o bico e largou na almofada do pai dois grãos, um de mostarda e outro de pimenta. Depois pegou nas raparigas esguias como juncos e levou-as para um reino distante.
[ Read More ]
domingo, 2 de abril de 2017

II - o imperador

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Quando se olhava, via-se outro. Podia ser nas águas paradas do lago dos peixes vermelhos, no olhar das pessoas que o rodeavam, na chapa exterior da fechadura da porta ou tão somente no espelho que o pai lhe tinha deixado como legado.
- Deixo-te esta serra onde cresce o carvalho negral, as aveleiras e os medronheiros, este palácio arruinado e este espelho. Um dia verás como ele é especial – disse-lhe o pai.
E ele olhava-se e via-se pequenino, o manto a roçar o chão, as mangas a sobrarem pano, os sapatos de veludo azul escondidos nos pés quase invisíveis. Sabia-se um homem e o espelho refletia uma criança assustada. Com o passar do tempo habituou-se e desviava o olhar das superfícies lisas e espelhadas.
Na serra coberta de verde existiam muitos e variados reinos e não raras eram as vezes em que se pegavam a discutir e a guerrear. O reino dos seres pacíficos era invejado pelo reino dos seres insuportáveis de rancor. O reino das plantas era aniquilado pelo reino dos destruidores compulsivos. O reino dos homens corajosos vivia em sobressalto temendo a ira dos homens mal falantes. Justificado de uma outra forma, o direito e o avesso de cada reino, tal e qual o imperador e a sua imagem no espelho.
O palácio era composto por sete alas, um pavilhão, uma torre sineira e um jardim onde cresciam desordenadamente ervas aromáticas e abóboras-menina. Na primeira ala viviam as crianças órfãs, na segunda ala, os poetas. Na terceira, os que não possuíam casa. Na quarta os que sabiam um ofício e o ensinavam a quem desejava aprender. Na quinta ala, os pássaros exóticos, na sexta, uma companhia de teatro e por fim a sétima e última ala estava reservada aos passantes e a quem, sem destino, lhe apetecesse ficar. Ele, despojado que era de ambições mas repleto de sonhos, habitava os sótãos, onde pelas telhas quebradas umas vezes entrava a chuva, outras não. Era aí que guardava o espelho do pai e pelas janelas de mansarda olhava o longe e a distância da serra ao mar e à noite cantava com saudade dos dias que ainda não tinha vivido.
E ela ouviu-o. Volteou sobre o loureiro, a torre sineira e por fim pousou no parapeito da janela. Ele não se mexeu.
-Parece-me que cheguei – disse a andorinha.
Ele ficou calado, não lhe parecia nada.
-És tu que cantas? A tua fama é maior do que tu - disse a andorinha e sem esperar pela resposta continuou – gosto destas ruínas, daquela torre, posso fazer aqui a minha casa?
E olhou-o e viu-o pequenino e de boca aberta de espanto.
A andorinha ficou e construiu o seu ninho diferente do das outras andorinhas, um túnel perfeito e depois a casa, da lama dos ribeiros onde crescem os freixos e os sanguinhos.
Todos os dias visitava o sótão das telhas quebradas e conversavam os dois, a andorinha dáurica e o imperador. Ele contou-lhe do rapaz assustado que via no espelho, ela disse-lhe que é preciso coragem para atravessar os oceanos. 
Uma noite, o espelho refletiu a lua. Abandonado o manto e uns sapatos de veludo azul.



O Imperador e a andorinha
conto em dois actos da primavera


[ Read More ]
sábado, 1 de abril de 2017

No infinito extremo do violeta

[ Read More ]
domingo, 26 de março de 2017

I - a andorinha

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Foi a primeira a chegar, não que tivesse pressa, talvez porque ouvisse melhor. O gelo estalou no cabeço dos montes, os lobos gemeram fomes de galinheiros, as sementes de papoila desenrolaram-se dois centímetros a imitar os dias a crescer. O inverno é apenas um pulo que damos de mãos frias, batemos as asas e já está.
Voa silenciosa, calma, deixa-se ir com as correntes de ar. Planar é isto, um desprendimento impensado e voluptuoso.
Rasou as praças, as avenidas, as casas de janelas abertas, os telhados, os beirais não são para ela, são das outras mais pequenas, barulhentas, as que rasgam em bando o azul da cidade.
Volteou duas vezes e pousou no segundo pilar da ponte. Quase chocou com uma gaivota gorda.
- Ai - disse a gaivota gorda
- Não te vi – disse a andorinha E ficaram as duas lado a lado a olhar o estuário do rio.
- Pareces magra, estás com fome? Mergulho ali e volto com uma tainha – disse a gaivota.
- Não como peixe – respondeu a andorinha.
A gaivota gorda virou ligeiramente a cabeça e observou-a desconfiada, não lhe parecia correto uma ave não gostar de peixe. E continuaram a olhar o rio. Um vento ligeiro agitava a água, um pouco mais longe o farol começou a piscar.
- É bonita a tua cidade – disse a andorinha – mas agora vou-me embora, procuro um palácio em ruínas onde à noite se ouve cantar. É aí que quero construir a minha casa.
- És estranha – disse a gaivota. E pareceu ligeiramente mais magra.
A gaivota não conhecia nenhum palácio em ruínas e muito menos uma ruína cantante. Mas era viajada e sabia do canto das marés e do ruído das caldeiras dos navios e do marulhar das ondas. E assim guiou a andorinha para além da ponte e do rio, alguns quilómetros terra adentro. No seu entendimento de ave marinha supôs que uma ruína apalaçada estaria mais para o interior e decerto possuiria uma torre. Não saberia explicar porquê, nem era necessário, a andorinha reconheceria o que buscava.
- Se te perderes, chama pela coruja das torres – disse a gaivota. E deu meia volta de regresso ao rio, à cidade, às casas.
A andorinha articulou um pequeno guincho de agradecimento e engoliu dois insetos que voavam por ali. Pareceu ligeiramente mais gorda. Balsâmica era a lua e a noite um cheiro adocicado a primavera.
[ Read More ]
segunda-feira, 20 de março de 2017

O Ponto Vernal

[ Read More ]
domingo, 26 de fevereiro de 2017

domingo disfarçado de pássaro

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Acordou tarde, abriu todas as janelas da casa, bebeu três chávenas de café sem açúcar e inesperadamente o domingo acertou-lhe em cheio na cara. Se fosse cágado, gostava do domingo e não gostava do sábado. Mas não era. 
Foi então que se vestiu de pássaro e foi para a rua assobiar.


[ Read More ]
sábado, 24 de setembro de 2016

Ácer Selvagem, Segunda Primavera, Aurora do Mundo

[ Read More ]
domingo, 24 de abril de 2016

cacheiro

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Era uma vez um ouriço, tímido, solitário, lento, crepuscular. Possuía uma toca escavada na terra, um pé de morangueiro silvestre e seis mil espinhos aguçados que soltava quando lhe queriam fazer mal. Quando lhe queriam bem, enrolava-se sobre si próprio e fingia que não estava ali. Gostava da noite e na sua lentidão, gostava ainda mais das noites de lua cheia porque fazem de conta que são plenas. Um dia encontrou um coelho.
[ Read More ]
 
 

Blogger news

Powered By Blogger

Blog Archive