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terça-feira, 19 de julho de 2016

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terça-feira, 27 de novembro de 2012

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domingo, 25 de novembro de 2012

o peixe arqueiro


                                     Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas



Tem chovido demais. À beira dos passeios, entre os buracos da calçada, começam a aparecer peixes perfeitamente espantados incapazes de justificar o que estão ali a fazer.
Na verdade os peixes não têm de justificar coisa alguma, nem mostram grande interesse nisso. Os homens estudam os peixes, estes deixam-se observar.
Admirável é o peixe arqueiro. Vinte e cinco centímetros de escamas, guelras, barbatanas dorsais, peitorais e uma fome devoradora. Concentra-se, foca um inseto distraído, crocante e zás! uma enorme gota de água, um jacto mortal em direção à presa que lhe cai inteira na boca. Tudo isto sem grandes alterações internas, esforços, cálculos. Apenas a dinâmica da água e a cuspidela certeira. Remorsos, também não. Nunca sentimos remorsos quando comemos tiritas de milho, pois não.
No entanto, quando a fila é grande e a menina da caixa do supermercado não cala a boca e a senhora da frente se esqueceu de trazer um pacote de natas que está algures a dez corredores de distância, ou o funcionário das finanças nos informa pela primeira vez, que já nos tinha informado duas vezes e nós é que não entendemos e ele sim, ou o carro está bloqueado porque não deixámos os piscas e a roda direita dianteira ocupou cinco centímetros do passeio, ou os poderes por aí acima na hierarquia complexa dos dias nos fazem perguntar, quem somos nós que aceitamos isto.
Então, sem grandes alterações biológicas internas, esforços, cálculos, somente a dinâmica da nossa pele e zás! uma enorme e mortal cuspidela.
E nós arqueiros a pelejar com arcos.

o peixe é o black durgon triggerfish de Mark Laita reinventado por mim
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sexta-feira, 20 de julho de 2012

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