#Post Title #Post Title #Post Title #Post Title
Mostrar mensagens com a etiqueta Histórias com mar ao fundo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Histórias com mar ao fundo. Mostrar todas as mensagens
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Hora nona, canto primeiro, na sombra da flor do imbondeiro

[ Read More ]
domingo, 27 de maio de 2018

um chapim, dois carvoeiros

[ Read More ]
domingo, 20 de maio de 2018

scolopax rusticola

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Não ficam para o verão. Gostam dos bosques, da densidade das matas. São tímidas e misteriosas, difíceis de observar. Às vezes ao entardecer encontram-se em campo aberto em busca de água. Não sei se cantam.


[ Read More ]
domingo, 13 de maio de 2018

provavelmente maio

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Se fosse jarra de barro tosco pintado à mão, as flores seriam lançadas para a direita e a água espalhava-se pelo tapete. Se fosse vaso com terra e húmus, o equilíbrio era um instante apenas a anteceder a queda. Umas vezes somos água, outras vezes somos terra. Quase sempre, luz.
[ Read More ]
quarta-feira, 2 de maio de 2018

touchpoints

[ Read More ]
domingo, 29 de abril de 2018

premonição

[ Read More ]
domingo, 15 de abril de 2018

abelharuco pousado num ramo à espera do sol

[ Read More ]
domingo, 8 de abril de 2018

o urso acordou

[ Read More ]
domingo, 1 de abril de 2018

forget-me-not

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Vamos ao mar, na Páscoa. O coelho ficou amuado, mas na ausência de horta, uma cenoura ou duas basta para o calar. Não que os coelhos sejam palradores, mas este julga-se o protagonista da festa, a par com os ovos, os cordeiros, os folares, as amêndoas. 
No entanto, parece-me fria a água, a lua cheia e a maré vaza.


[ Read More ]
domingo, 25 de março de 2018

horário de verão

[ Read More ]
domingo, 18 de março de 2018

dois anéis de prata

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

O primeiro anel, trocou-o por um chá de menta quente num dia de chuva fria. O segundo levou-o consigo para atravessar o deserto e as tempestades de areia
Talvez entre as pedras cresça um dia o tomilho e a hortelã.

[ Read More ]
domingo, 11 de março de 2018

la tempête violette

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Bruno, Félix, aproxima-se Gisele, com azar ainda se formará uma Kátia Marisa ou uma Vanessa. Alheada e sem eu lhe saber o nome, cresce no canteiro junto ao muro e vagueia já o vento a assobiar-lhe estigmas, filamentos, anteras, pétalas, sépalas e pedúnculos. Da cor da paixão.

[ Read More ]
domingo, 4 de março de 2018

Ernesto vai jantar fora ou o ponto de vista do cão

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Vou sair e não esperes por mim para jantar, disse o cão. O homem desviou os olhos do visor e pareceu ligeiramente atónito. Não me levas? perguntou ao cão. Ernesto abanou a cauda, dobrou a orelha direita, espetou mais um pouco os pelos da cabeça e ladrou.
Vadiou pelo parque, marcou o território em três candeeiros de rua, rosnou ao caniche da vizinha do 2º esquerdo e quando sentiu um ronco no estômago, entrou no restaurante e sentou-se. Pediu um bife mal passado e duas águas sem gás. Apesar da frugalidade da refeição, arrotou. Afinal um cão é um cão.

[ Read More ]
domingo, 4 de fevereiro de 2018

Cacau

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas


A loja do senhor Artur tinha muitos armários e prateleiras. Eu gostava de lá ir fazer recados à minha mãe, dois carrinhos de linha âncora, uma agulha fininha de remendar, um quilo de açúcar, duas latas de atum Tenório. Se sobravam uns trocos, comprava um berlinde ou dois dos mais brilhantes que o senhor Artur guardava em frascos grandes de vidro do lado esquerdo do balcão. Eu afundava a mão naquele mar de vidro em busca dos azuis de todos os tons, que me dariam sorte, que me fariam abafar os adversários.

Diziam que era um homem abastado, com a loja, as filhas, a mulher e a criada, frascos repletos de berlindes, caixas de lápis 2B e uma escada de pedra com um corrimão de ferro forjado que dava acesso ao alpendre do andar de cima, onde ele morava com as filhas, a mulher e a criada.

Eu era um rapaz pequenino, umas vezes tímido, outras não. Uma manhã, antes do almoço, fomos brincar para ali, eu e uns quantos da primeira classe, a saltar os degraus dois a dois e num desafio, enfiámos as cabeças nas grades da escada exatamente no espaço em que o ferro forjado formava um losango e ríamos muito a macaquear tontices. De repente senti um frio no estômago, tentei tirar a cabeça das grades e não consegui. Senti-a enorme, as orelhas apertadas naquele losango e entrei em pânico. Os outros rapazes não tiveram dificuldade em libertarem-se e gozavam-me perdidamente. Eu gritava e via o meu futuro estranho, a cabeça agarrada a um corrimão e nunca mais um berlinde sequer e a minha mãe a castigar-me por ser cabeçudo e pateta.

Foi então que ela apareceu. Tinha um vestido azul berlinde e um avental branco, o cabelo castanho preso numa trança que lhe chegava a meio das costas, uns olhos meigos e numa voz calma enxotou-os, aos rapazes que riam de mim. Colocou as duas mãos sobre a minha cabeça, disse, não chores, já vais sair daqui e rodando-a um pouco, soltou-me daquela espécie de guilhotina. Eu soluçava e ela pegou-me pela mão e levou-me para a cozinha. Numa chocolateira de esmalte ferveu cacau e eu sentado num banco, as pernas a balouçar de medo ainda, queria falar e não era capaz. E ela disse-me o seu nome, mas eu não fixei e bebi cacau quente e espesso e comi línguas-de-gato e foi a melhor refeição que comi na minha vida. Fiquei mais um pouco para animar, ajudei-a a fazer as camas de lavado, ela ensinou-me a lengalenga da criada lá de cima que é feita de papelão e quando vai fazer as camas diz assim para o patrão.
No dia seguinte regressei com umas flores do campo e como não me recordava do seu nome, chamei-a do fundo das escadas, Cacau, ó Cacau, abre-me a porta. E ficámos amigos, a Cacau e eu e as línguas-de-gato.

Muitos anos depois encontrei-a a trabalhar numa torrefação. Já não era a criada lá de cima, era a menina Rita, mas eu insisti, és tu Cacau? Era. Ela deu-me um cartucho de papel cheio de grãos de café para a minha mãe e sentámo-nos num caixote de madeira a trincar amendoins torrados. 

Hoje sou um homem, às vezes tímido, outras vezes não. No entanto o meu coração oscila entre o odor do cacau quente e do amendoim torrado.
[ Read More ]
domingo, 14 de janeiro de 2018

janeiros

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Bravo o mar, as ondas a galgar a muralha, quatro ou cinco encharcados como eu, a tiritar caminhadas. Os cães foram-se, ficaram os navios ao largo, medrosos de tempestade. 
E o farol da guia que nos guie se assim quiser.
[ Read More ]
sábado, 6 de janeiro de 2018

os três reis

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

E como o tempo esfriasse e a chuva gelasse, sopraram nas pontas dos dedos para os aquecer e beberam chocolate quente quase a ferver. Durante a noite partilharam um manto, apenas um, amarelo- torrado-alaranjado como o sol.
[ Read More ]
domingo, 31 de dezembro de 2017

replicante

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

E então no último dia daquele ano, encontraram a fivela perdida, a que se escondera no fundo da gaveta, no bolso do casaco, na caixa antiga dos botões. Não lhe fizeram perguntas inúteis, não a criticaram pela longa ausência. Prenderam-lhe uma fita de seda e a fivela de jade dançou até ser amanhã. Ao longe as vozes, os altos, contraltos, sopranos e os tenores também. A afastar a escuridão.

...a replicar, "As fivelas de Jade" de Luís Alves da Costa

E então as árvores cobriram-se de vermelho, e o vale das ginko selvagens amareleceu. No Reino de Hongshan era o tempo breve das fivelas de Jade, e logo os cortesãos as cruzaram nas fitas de seda. Ao longe, só eram cítaras e brumas.



Nesta passagem 
e que seja luminosa a outra margem



[ Read More ]
sábado, 23 de dezembro de 2017

o sonho da raposa

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Habitava uma caixa de madeira antiga, juntamente com um soldado, um anjo, um boneco de neve, um tambor, dez bolas douradas e uma estrela. Embrulhada em papel de seda, apenas saía uns dias pelo Natal. Sacudiam-lhe o pelo, ajeitavam-lhe as orelhas, rodeavam-lhe o pescoço com um fio de nylon e penduravam-na numa agulha de pinheiro. A casa cheirava a sonhos e a rabanadas e ela nauseada, a baloiçar, a andar à roda cada vez que alguém passava e fazia estremecer o chão, o pinheiro, a agulha. Uma noite o fio quebrou-se e ela caiu. Desequilibrou-se um pouco mas logo esticou as patas, abanou a cauda e levantando o focinho sentiu a liberdade lá fora. 
Fugiu pela porta da cozinha, um sonho no céu-da-boca, a neve, o gelo e as estrelas a galopar-lhe na cabeça. 




[ Read More ]
domingo, 17 de dezembro de 2017

um casaco com asas e muitos bolsos

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Era uma vez um rapaz que gostava de bolsos. Grandes, pequenos, médios e assim-assim. Nos primeiros arrumava os cadernos da escola, nos segundos, as pedras redondas e as moedas, nos médios, os pacotes de leite com chocolate e nos assim-assim, tudo o que sendo invisível para os olhos da maioria das pessoas era importante para ele. Os pensamentos e os projetos por exemplo. Não se veem, mas são reais e o rapaz guardava-os para nunca se esquecer deles. Também era um rapaz com sorte. A mãe sabia costurar e ele acreditava que os seus dedos eram mágicos e que, se ela desejasse, poderia fazer-lhe um casaco com asas que lhe permitisse voar.
À noite o rapaz sentava-se num banco baixo junto dela e as agulhas iam e vinham e as linhas de cor e lá fora na rua gelada o ruído dos elétricos sobressaltava-os sempre um pouco, apesar de ali habitarem há uma eternidade. Para ele a eternidade tinha dez anos, exatamente a sua idade acrescida dos três anos que o separavam do irmão mais velho.
Se tivesse um casaco com asas e muitos bolsos, dizia o rapaz, levaria comigo tudo o que preciso e poderia voar até ao cimo das árvores mais altas ou dos cumes das serras ou dos mastros dos navios. Ou chegar às estrelas.
E o peso dos bolsos? Prendia-te ao chão, respondia-lhe a mãe.
O rapaz mordia o lábio inferior, hesitava um segundo mas não desistia.
E todas as noites, quando cansado, finalmente adormecia, a mãe costurava-lhe um casaco com asas e escondia-lhe nos bolsos assim-assim, estrelas, pingentes e cogumelos encarnados que recortava em feltro tosco, para que ele se surpreendesse nesse natal e fincasse um pé na terra, porque o outro, precisa de ar.
Nas traseiras do prédio onde moravam, protegida do barulho e da agitação da cidade, existia uma árvore grande despida de folhas que quase tocava nas varandas antigas de ferro forjado. Na primavera surgiriam os rebentos e encher-se-ia de pássaros e folhas, mas por ora, não.
Uma madrugada, uma luz estranha acordou-o. Aos pés da cama o casaco novo que a mãe lhe fizera e o rapaz pegou-lhe, contemplou-o, revirou-o, confirmou a existência das asas e por fim vestiu-o. Era tão lindo e sentia-se tão excitado que abriu a portada e saiu para varanda. Colocou um pé em cada grade, abriu os braços e gritou. À sua frente a árvore grande e despida e junto ao tronco caída na terra estava uma estrela e nunca tal facto fora antes visto e o coração do rapaz saltou-lhe no peito e um arrepio fê-lo tremer. Num impulso desceu as escadas a correr, saiu para a rua, pegou na estrela e ela brilhava na palma da sua mão.
Ninguém poderia afirmar se ele voara, se trepara um a um os ramos nus, ou se apenas sonhara. Mas leve, tão leve era o rapaz, que colocou a estrela no cimo da árvore e o seu brilho redobrou. Depois imobilizou-se um segundo a ganhar forças para a descida e porque era glacial a madrugada, meteu as mãos nos bolsos assim-assim para se aquecer e sorriu. A cada ramo prendeu um pingente ou um cogumelo encarnado ou uma estrela de feltro tosco. E porque dormiam, ninguém poderia afirmar se ele voara, saltara ou simplesmente sonhara.


[ Read More ]
domingo, 26 de novembro de 2017

para entardecer gosto do mar mesmo que chova

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Terá sido um acaso, uma mudança brusca na direção do vento, um batimento diferente do coração da mãe, mas o facto é que nascera diferente. À medida que foi ganhando pelo e peso, tornou-se notório que os pelos da cauda não formavam riscas horizontais, mas sim, verticais. Cresceu ágil e trepador, alheio ao sentido dos desenhos do seu corpo e aos comentários hostis dos que possuíam a espécie que afinal não era a sua. A mãe defendia-o com as unhas que tinha e um dia foi ele que se cansou de estar à defesa e foi-se ao mundo. Encontrei-o ontem na praia, ao entardecer.
Para escrever, eu gosto do entardecer. Para chegar a casa e atirar os sapatos para o lado, também. Para beber chá quente, para ouvir a gritaria das aves, ainda mais. Para soltar o gato, abrir a janela, cheirar a folhagem seca dos pessegueiros, o vazio dos ramos.
Para entardecer, gosto do mar mesmo que chova. Às vezes um pargo, um caranguejo, baleias nem tanto, por isso não me surpreendi de o ver ali, embora peludo. Andava pela beira da água, as patas dianteiras esfregavam as pedras à procura de qualquer coisa. Talvez seja um rato-lavadeiro a quem pintaram a cauda de branco.
Vê lá, não te cortes nos ouriços, disse-lhe eu, assim como quem verdadeiramente diz, vê lá, pareces-me longe de casa.
E olhei em volta, não fossem os cães tardios como nós ladrar-lhe às canelas. Ele saiu da água, sacudiu o pelo e sentou-se ao meu lado. Eu tirei do bolso um punhado de amêndoas que ele comeu levando-as à boca com os dedos. Depois contou-me o que já vos contei e seguiu-me até casa.


[ Read More ]
 
 

Blogger news

Powered By Blogger

Blog Archive