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quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Ana Hatherly

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domingo, 11 de janeiro de 2015

fio

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas


Uma leve camada de negro de fumo, espalhei, despigmentei. Depois fui acendendo fósforos na noite, a arderem o tempo breve de um fio de cabelo.
Qualquer dia as frésias no jardim, qualquer dia a crescerem ao deus dará.

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domingo, 28 de dezembro de 2014

domingo último

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Neste último domingo do ano não faço balanços, não arrumo gavetas, não deito fora o que não presta, não telefono, não envio mails, não ouço a campainha da porta.
Ligo todas as luzes da casa, ponho os óculos escuros e canto as janeiras. Está frio ainda.



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domingo, 14 de dezembro de 2014

amanhecer

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domingo, 7 de dezembro de 2014

primeiro conto do anoitecer

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas 

Era uma vez um plátano antigo e chegado a dezembro despiu-se de folhas. A mais pequena delas, da cor do fogo quando crepita, foi levada pelo vento norte e viajou dez dias e nove noites para um outro país. A segunda em tamanho e em beleza acobreou-se, veio uma rapariga e disse, dava uma jóia de encastrar e cativou-a para si. A terceira e última folha quebrou-se, perdeu o pé nas pedras da calçada, andou por ali, aos pedaços.
Todos os dias o plátano sentia saudades das suas folhas e chamava-as com voz de árvore e guardava-lhes um espaço no lugar do coração, acaso não fosse árvore mas gente.
Uma noite chegaram dois cisnes negros e um branco e quem sabe não eram cisnes mas gente e perguntaram, podemos ficar. E ficaram.
Ainda não era natal.
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domingo, 9 de novembro de 2014

fragmento






Acordou-os o pássaro, pela madrugada. Guardaram dois pedaços de rocha, arenito e calcário, talvez. A cidade permaneceu cá em baixo a vê-lo voar e não fora ave, seria peixe de olhos abertos e o mar e as algas.



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sábado, 25 de outubro de 2014

Zhangye, paraíso cromático

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domingo, 12 de outubro de 2014

quando a maré sobe o rio transborda

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas


Às vezes bate-me à porta, com o bico. A seguir grasna até eu aparecer. Os vizinhos não gostam dele, dizem que é enorme, que cheira a lodo, que o meio urbano lhe é hostil. Não vejo grande diferença entre possuir um pelicano ou um Labrador, a não ser pelo facto de os cães ladrarem toda a noite a implicarem uns com os outros e os pelicanos não.
Convido-o a entrar, ele abre as asas, dá três voltas ao quintal e conversamos um pouco, sentados na beira do poço. Ele conta-me que quando a maré sobe o rio transborda e os peixes abundam. Eu confesso-lhe que gosto deles grelhados na brasa temperados com um fiozinho de azeite e limão. E um lagostim, pergunto-lhe. Ao natural, responde-me.
Depois calamo-nos a observar por uns segundos os mosquitos que a chuva multiplicou, até que ele diga, vou-me embora, para a próxima trago-te uma perca do Nilo, está bem.
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quinta-feira, 10 de abril de 2014

Les fleurs du bien



Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas


In tempo lirico (pinturas de Manuela BaPtista, para o aniversário do Paulo Intemporal)


Primeiro,
um mar e um céu e um tempo
onde a água inteira quente
cantava estrela cadente.

Sentei o dia a contar idades;
dos mundos encontrei finitudes
de flores de efémeras cores
em minhas linhas finas
irisadas e ternas
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domingo, 26 de janeiro de 2014

brilhante

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas


Era o mais belo. As patas traseiras bem assentes no chão, as dianteiras levantadas numa atitude de desafio, coxas firmes e musculadas, as narinas abertas num resfolegar de alegria, os olhos ternos e mansos a pedirem afagos, as crinas esvoaçando mal o vento soprasse.
O pelo era liso e brilhante e nas noites de lua cheia todos sabiam onde ele estava, tal o reflexo que emitia, como um copo de cristal em festa de reis confundido com o brilho dos lustres.
Os arreios não lhe pesavam, fixos, firmes no seu pescoço de raça e tilintavam ao som da música, compasso binário de uma polca cantada, sempre a mesma toada.
As pessoas diziam, que bonito e os meninos gritavam, Brilhante eu só quero o Brilhante. Lutavam entre si para o montar e zangavam-se e choravam e as mães diziam, não chores, vem cá, vamos comer algodão doce e andar no comboio fantasma. Mas as crianças tinham medo dos fantasmas e do comboio, temiam as suas curvas perigosas, o escuro imenso dos seus túneis, os estranhos esqueletos vestidos de teias de aranha e os sopros sinistros que vinham do nada. Sentiam a magia daquele companheiro de viagens, ouviam o seu sussurrar, as histórias que lhes contava entre passos e trotes, galopes e voos, sempre a rodar.
E quando por fim pela madrugada os sons se calavam, as luzes esmoreciam e um vento ligeiro arrastava as folhas e os papéis pelo chão gelado, Brilhante fechava os olhos e sonhava partir à desfilada pelos caminhos pedregosos, o mais veloz, o mais temerário de todos os cavalos.
Todos os anos os meninos voltavam, mais crescidos uns, mais feios outros, mais brigões, mais chorões e voltavam os meninos desses meninos e um dia, Brilhante, já não sabia que dia era esse, sentiu um peso no peito e as patas traseiras tremeram no chão e alguém disse, está sem cor este cavalo e ele pensou aflito, serei eu? e a polca tocava e como era monótona a polca e o seu coração bateu mais forte, tão forte, galopava em vez dele, chamava-o não sabia porquê e ele parado, cansado e triste percebeu como era redonda a sua caminhada e como o primeiro a chegar era sempre ele, porque na roda redonda não há princípio nem fim. 
E nessa noite, no seu sonho de todas as noites, Brilhante libertou as patas traseiras ainda agora assentes no chão, agitou as patas dianteiras desafiando o vento, coxas firmes e musculadas, as narinas abertas sedentas de aventura, os olhos ternos e mansos buscando o infinito e soltando-se num galope doido, relinchou três vezes, o mais veloz, o maistemerário de todos os cavalos.
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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Isto é um Miró :-)

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domingo, 5 de janeiro de 2014

de janeiro

Baltazar tinha uma coroa de açúcar mascavado, Gaspar possuía uma coroa de estrelas. Belchior não tinha coroa mas era feliz.
Pelos dias frios de janeiro encontravam-se aos domingos de manhã e trocavam muitos dedos de conversa. Depois para aquecer batiam as palmas e dançavam. Havia sempre alguém com uma harmónica no bolso.
Ainda hoje nos recordamos de reis assim.
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sábado, 21 de dezembro de 2013

Le Crabe-Soleil du Solstice d'Hiver

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domingo, 14 de julho de 2013

zeferino e o peixe

Zeferino era magrinho como uma cana-da-índia, esperto como um rato do campo, mas era do mar. Zeferino tinha um barco pintado de branco, duas riscas à volta, uma amarela a outra encarnada, na proa um olho espreitava para o livrar do mal e das tempestades, das vozes das sereias e das correntes malsãs. Zarpava ao entardecer e regressava ao nascer do sol, as gaivotas a esvoaçar a proa, calmas e mansas como se inútil tivesse sido a pescaria.
Não havia quem lhe ganhasse a escalar um peixe. Uma faca estreita e comprida e um movimento delicado e certeiro ao longo da espinha, uma erva, o sal marinho e as brasas no ponto. Depois um fio de azeite a desenhar círculos e ninguém resistia a dizer-lhe, não foras tu pescador, serias chefe de cozinha. Ele encolhia os ombros, indiferente, se não fosse pescador seria coisa nenhuma.
Nas noites de lua cheia, não pescava. Ficava ao largo a ver passar os cardumes prateados de peixe miúdo aos saltos sobre as ondas e esperava-o, ao peixe-pico. Não era pontual, chegava quando queria e era o peixe mais divertido das águas de Sesimbra. Contava anedotas de peixe e quando se ria o seu corpo redondo enchia-se de picos que tocavam uns nuns outros fazendo um ruído sibilante que confundia os peixes maiores. Às vezes perguntava, ó Zeferino, tu que és tão fino, porque é que nunca me conseguiste pescar? E rebolava-se a rir à tona de água e Zeferino ria-se e chorava a rir e até o olho pintado no barco deitava uma lágrima de alegria.
Quando a lua se escondia, o peixe pico ia à frente e o barco atrás com Zeferino à ré, navegavam algumas milhas, davam a volta aos rochedos, tocavam os faróis, descodificavam os sonhos das tartarugas marinhas e por fim adormeciam.
Muitas foram as histórias que contei de Zeferino o pescador, umas inventadas outras não, mas esta do peixe–pico é a mais feliz.
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domingo, 23 de junho de 2013

o trema do homem-pássaro

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Construo os poemas no ponto mais alto da minha cabeça, como o cantor coloca a voz esquecendo a garganta e o peito. Depois vou cortando palavras, raramente acrescento, a frugalidade imperfeita.
O homem viaja de pé na carruagem apinhada de gente. Ninguém o ouviu, mas ele não parece importar-se grande coisa. E continua: às vezes desejaria mudar tudo em mim, a roupa, o cabelo, como um pássaro que muda de penas, alterar a rota desta carruagem, desarticulá-la, desmembrá-la. Escrever o impossível.
Foi neste momento que sentiu qualquer coisa na parte detrás da boca, entre a língua e o palato, salivou, engasgou-se, deixou cair uma vogal na palma da mão. Sentiu-se outro.
Quando saiu do comboio era pássaro e tinha um trema no alto da cabeça.
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domingo, 16 de junho de 2013

pernaltas

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A decisão foi delas. Vieram das serras, das lezírias, dos sapais. Dos rochedos junto ao mar, dos promontórios, das ilhas desertas. Dos beirais dos telhados. Grasnaram na periferia da cidade quase deserta, prenhe de farrapos, de escarros à beira dos passeios. Os contentores do lixo ardiam e as paredes pingavam palavras que já ninguém lia.
Juntaram-se na praça mais bonita, ainda verde ainda pardais nos ramos, estorninhos-malhados, gaios, carriças e melros. Uma tapada onde habita a fuinha-dos-juncos, quem sabe.
As aves pisaram a calçada como quem mergulha tarsos no rio e despertaram os habitantes meio adormecidos. Do lado acordado soprou um vento sul e do outro lado soprou-lhes uma vontade de mudar de cor.
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domingo, 26 de maio de 2013

conto longo feito de partículas

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A voracidade das lagartas é atroz. Se é folha, tornam-se folha, se é fruto transfiguram-se em polpa e cor. Avançam em visco e rastejo mas se pisadas são ranho.
O senhor da sapataria perguntava, quer a caixa ou um saco? A mãe dizia, saco, eu respondia, caixa, para os bichos da seda. As amoreiras já eram árvores em vias de extinção. Andávamos quilómetros até à quinta dos gafanhotos, puxávamos a corda e o sino tocava. Descansávamos então sentados na berma da estrada, porque o caseiro era coxo e levava muito tempo para chegar da horta ao portão. O seu nome era Serafim, mas as pessoas diziam, Serafim o coxo. Hoje diríamos o senhor Serafim, o que tem um defeito numa perna. Não gostaríamos mais dele do que então gostávamos, seríamos apenas mais corretos. A correção pode ser também um enorme defeito, porque sendo falsa, é só por si uma imperfeição. A mim chamavam-me espirra-canivetes por ser alta e magra, o que é incorreto, pois esta expressão significa uma pessoa irritadiça, nervosa, coisa que nunca fui. As poucas vezes que andei à bulha fi-lo de uma forma perfeitamente calma, fria e distante. Bati para defender alguém e quando me batiam, caía sempre, porque tinha peso a menos.
A mais leve pesa zero vírgula três gramas e a mais veloz pode percorrer mil e quinhentos quilómetros no sentido sul-norte e passar desapercebida. As mais coloridas são diurnas, sofrem o stresse da competição, têm de ser as melhores, as mais belas, as únicas. As noturnas pacificam-se, dispensam o brilhantismo das cores, atraem-se, desenvolvem os outros sentidos e assim se perpetuam.
Serafim deixava-nos subir às amoreiras e apanhar apenas as folhas maiores. As mais tenras e pequenas tinham de ser protegidas para atingirem a maturidade. Depois dos sacos cheios, o ritual repetia-se, Serafim chamava-nos para debaixo da latada e colocava sobre a mesa de madeira um enorme melão. Com a sua faca afiada cortava as pontas, em redondo, a seguir abria-o no sentido do comprimento, retirava as sementes para um balde de lata e dividia connosco as fatias sumarentas. O sumo doce, ligeiramente picante, escorria-nos pelo queixo e matava a sede e a fome de merendar. Lanchar era a fala das cidades, onde jamais se encontrariam melões ligeiramente picantes e alaranjados.
As asas são formadas por escamas. Seriam dorso de peixe, barbatana. A longevidade de um ser mede-se pela intensidade da sua vida e um mês pode ser eterno. A Monarca vive nove meses, quatro fases de vida e só se alimenta em duas delas.
A pele dos bichos-da-seda era suave e macia. Devorar era o seu objetivo e a sua cegueira confundia-me. O cheiro a cartão da caixa misturava-se com o cheiro das folhas de amoreira, dos ovos, dos casulos, das borboletas a acasalar. Nauseava-me. Andei quilómetros, subi à amoreira e larguei os bichos e as folhas e a caixa dos sapatos.
Um dia somos as partículas de deus.
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domingo, 28 de abril de 2013

sem título


Gosto de atirar pedras ao charco, acordar as rãs. Somos parecidas, que eu desse conta, não possuímos cauda e respiramos através da pele. Escolho uma pedra arredondada, achatada, o peso ideal é uma coisa intuitiva para rodar pelo ar e à tona de água tocar uma, duas, três vezes. Até cinco, é o meu melhor. Os peixes fingem assustar-se, os mosquitos alados voam e as ditas rãs, saltam, os membros posteriores longos, flexíveis e aquele movimento, impulso, que as faz lançar para cima e para a frente.
É um jogo de aproximação afastamento. E ficamos por aí. Não me interessa a fisiologia, o chamamento, o ciclo de vida. Da primeira vez que dissequei uma rã, caí para o lado, o cheiro a éter, o coração a latejar e eu nauseada. Não se devem beijar sapos, raramente são príncipes. E no entanto há uma toxina latente em cada um de nós, uma língua pegajosa, um tímpano mal tapado.
A rã noturna usa a artimanha da máscara, da camuflagem, da viscosidade. É o seu mecanismo de ataque. Uma noite distrai-se, inocula-se com o seu próprio veneno, incha, arrebenta, implode.
E eu com as rãs a soltar juncos, a coaxar lagos.
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domingo, 7 de abril de 2013

lomamis

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Cercopithecus lomamiensis
Uma linha de água separou-os. Nem deram por isso.
De pé na floresta húmida, parece pequeno, cinquenta centímetros de músculos, ossos, cartilagens, coração, pulmões, sangue, cabelos, olhos, boca. O solo rente, o odor primitivo do mundo.
A noite que lhe dá segurança, curiosidade, destreza, também atrai o perigo. Um descuido e torna-se presa, caçado, privado de liberdade, desfeita a vida. Isso, apenas o saberá no momento exato da captura, não antes, não quando ainda não existia.
Talvez tenha medo do ruído das torrentes, da luz dos relâmpagos, dos ramos emaranhados das árvores, da picada das cobras, da peçonha das aranhas.
Talvez tenha saudades de andar às costas da mãe, de mordiscar o pescoço dos irmãos, de rebolar na erva, único, perfeito.
Nos eclipses da lua interroga-se sobre a mancha que cresce e ocupa a luz, nos do sol cala-se, porque lhe é familiar a natureza da privação. O grupo que o protege é em número reduzido, reconhecem-se pelas vocalizações que emitem, pelo território que ocupam. Escutam os sons da floresta e o estalido das folhas e por fim mergulham nos grandes lagos, superfície líquida, pura que emerge do olhar.
Nós ficamos deste lado e do outro, timidamente maravilhados.
É uma espécie vulnerável. Nós também.
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Almada

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