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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Paraíso Namban

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terça-feira, 21 de julho de 2015

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sábado, 25 de outubro de 2014

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terça-feira, 18 de março de 2014

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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Amarna

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domingo, 24 de novembro de 2013

cabelo vermelho coração azul


Era diferente. Na fala, nos gestos discretos, no andar contido, estar ou não estar, quem saberia dizer. A tristeza seguia-a, três passos atrás, por isso não tinha sombra.
Recortava máscaras que imaginava, ou outras que lhe sugeriam, e eram tão reais como as pedras dos muros, como a farinha para o pão, como a quentura das mantas nas noites frias. As crianças gostavam dela no empréstimo dos sonhos que sabia traduzir. Escondidos os rostos, tudo era possível de acontecer e de conquistar. Somos o que encenamos ser.
O teatro onde trabalhava sobrevivia, apenas. E ela construía os objetos de cena de quase nada e um golpe de luz e apesar dos dias escuros, o público acorria. Bater as palmas aquece, rir aquece, chorar faz brilhar os olhos, pano de palco é um vestido novo que se estreia à quarta-feira.
E quando ela própria cobria a face com a sua máscara perfeita, preferida, aquela que não dava nem cedia, o cabelo avermelhava-se e crescia. Nessas noites regougavam gritos pelos cantos da cidade e as velhas acautelavam galinheiros e fechavam as portas das cozinhas.
Era excessiva. E o que não consumia guardava, e possuía vinte esconderijos e não se esquecia do lugar exato de cada um nem do que lá escondia.
Depois o público levantava-se, dizia, bravo! Ela sacudia o coração azul e o pó pousava devagar já era madrugada.
contos de palco, o primeiro
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terça-feira, 5 de novembro de 2013

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sábado, 13 de julho de 2013

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domingo, 20 de janeiro de 2013

um pouco mais claro apenas

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas



Do outro lado da cidade morava um rapaz sozinho. Como a cidade era redonda ninguém sabia exatamente onde morava o rapaz.
Todos os dias atravessava a ponte, a estrada, o jardim, a rua ensolarada. Abria as portas do café onde trabalhava, enfiava pela cabeça um avental preto com um arranha-céus ao peito e sentia as pernas leves e a cabeça no lugar e na cozinha batia farinha, ovos, açúcar e chocolate, uma noz de manteiga. Depois a massa do bolo crescia em grandes tabuleiros e do forno fugia um cheiro bom que acordava nas pessoas uma vontade de beber três chávenas de café e entrelaçar cinco dedos de conversa. Apressava-se de mesa em mesa e os guardanapos de papel eram verdes alface que ia bem com o castanho chocolate e as chávenas pretas café e de cada cliente sabia o nome próprio, que é aquele nome que umas vezes vai bem connosco e a maior parte das outras, não.
Às oito horas em ponto ela atravessava a praça e a calçada ziguezagueava, as pedras assentes irregularmente sabiam da regularidade do andamento acelerado, uniforme era a cor do céu e os pássaros cantavam. O coração do rapaz batia mais forte e o equilíbrio entre o tabuleiro e as chávenas, perigosamente instável. Ela, não via nada. A saia esvoaçava, o cabelo de fogo a arder ao sol da manhã, as leggings pretas e pretos os sapatos e o casaco tal e qual o café. A rapariga da bicicleta azul atravessava a praça e o tempo parava.
No peitilho do avental o arranha-céus inclinava-se para a direita e na curva apertada virava à esquerda e metia água. As pessoas perguntavam, o que foi?
O rapaz entrelaçava cinco dedos de esperança e respondia, não foi nada.
Mas numa manhã azul ela travou, encostou a bicicleta a uma cadeira da esplanada e pediu, por favor quero um pão de sementes de sésamo com geleia e um sumo de maçã.
O rapaz sentiu a cabeça fora do lugar, respondeu, faça o favor de se sentar e correu para a cozinha, tremeu, chorou, deitou chocolate pelos olhos, pesou o fermento e a farinha, um pouco de água e sal, amassou, gritou, abre-te sésamo! e no forno o pão cresceu e estalou.
Na praça não existia mais ninguém, apenas o rapaz, a rapariga a trincar pão fresco e reineta era a maçã. Ele disse, com licença, tenho vinte anos e sentou-se ao pé dela. O arranha-céus aguentou firme. Eu também não tenho tempo para pessoas cinzentas, respondeu a rapariga e deram uma gargalhada. Os guardanapos verdes levantaram voo, abriram-se, fecharam-se, pousaram feitos folha nos ramos das árvores e pela calçada.
A rapariga da bicicleta azul morava no centro da cidade e tudo ia bem com ela.
  
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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

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