De nuvens de gafanhotos por exemplo. Estamos no café, o
senhor da mesa ao lado pede um abatanado e só esta palavra, abatanado,
irrita-nos sobremaneira. Parece um café com dores de cabeça, pior que
pingado, que abananado, que é uma banana saturada de café.
E aí atiramos, o senhor já reparou nas nuvens de
gafanhotos que se formaram sobre o rio? O homem suspende o gesto de segurar na
chávena dupla onde navega um grama de cafeína e nós continuamos corajosamente,
às tantas devoram-nos as folhas dos citrinos e depois… Acentuamos este e
depois, mas deixamo-lo em suspenso, como os ditos gafanhotos. Como uma ameaça
velada de um perigo que nos roubará os limões, as tangerinas, as laranjas da
baía e quem sabe, as do algarve.
Ele balbucia, não percebi, e nós respondemos, claro que
não, é um absurdo.
Quem nos dera outro verde no ar.









