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sábado, 9 de agosto de 2014

Vaga lua cheia, de verão

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segunda-feira, 24 de junho de 2013

Unesco: Monte Fujiyama faz parte do Património Mundial da Humanidade

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domingo, 31 de março de 2013

pássaro branco em folha preta


os pássaros de Johann Knopf desenhados por mim
Quando desenhou o primeiro pássaro ainda não era quinta-feira e os cantos da folha eram apenas três.
A chuva permanecia líquida e as trovoadas noturnas sucediam-se a um ritmo considerado perfeito para fazer crescer a alfazema e o alecrim. Com a primeira, enchem-se pequeninos sacos de talagarça bordados a ponto cruz. Com o segundo, tempera-se o cordeiro e as batatas novas.
Nunca tinha visto um pássaro assim, nem mesmo os que pintara nos azulejos mate da cozinha e que aos primeiros sinais da primavera, levantaram voo em busca das andorinhas dos beirais numa profusão de cantos e de gritos.
Este não aceitava a cor nem o movimento das linhas, estilizava-se provocatoriamente e resmungava, quero ser um pássaro branco numa folha preta. O homem achou perfeitamente natural ouvir a voz do pássaro e quando a sexta-feira chegou, tinha desenhado dois pássaros brancos presos numa folha preta.
Na manhã de sábado, multiplicados os pássaros, os cantos da folha eram quatro e o homem percebeu que o ar se respirava de uma outra forma, que o seu peso tinha mudado como se já não precisasse de braços nem de pernas.
No forno, os folares doces pincelados com a gema amarela dos ovos inundavam a casa de um cheiro a fermento ázimo e o silêncio pousava ainda sobre as coisas.
Abriu as gavetas, limpou o pó às cadeiras, passou a ferro as toalhas e os guardanapos, enfeitou as jarras com as rosas-chá e escondeu os ovos de chocolate nos canteiros e no vaso das túlipas.
Na folha preta os pássaros bicavam, batiam as asas e nas cabeças tinham-lhes crescido as cristas e as poupas.
Então o homem rasgou os quatro cantos da folha, soltou o pássaro branco e junto com os outros pássaros iniciaram o seu voo de passagem, dando-se margem, leito e foz.
Era domingo e o bronze dos sinos repicou.
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domingo, 3 de fevereiro de 2013

raiar

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas



Marcamos uma linha, um traço. De um lado terra do outro mar. Fronteira é o risco.
O horizonte também é uma linha e pode ser perspetivado ou racional.
Construiu o mais simples, uma estrutura de canas em forma de losango, papel de seda amarelo torrado, círculos azul cobalto. Foi cuidadoso com a corda e o carreto e acrescentou uma cauda para estabilizar.
Disseram-lhe, não voa, vai cair, enrolar. Ele não ouviu. As pessoas falam sempre demais.
Encontrado o equilíbrio entre a força do vento e a da corda aguentou-se no ar, subiu, desceu, volteou, raiou as cabeças das crianças na beira das ondas, estalou ao mudar de direção.
Foi assim o tempo que ele quis, o papagaio estrela, a corda e a perícia dos dedos. Uma eternidade. Depois num impulso, largou-o, soltou-o e antes do mergulho brilhou sobre o mar.
Os peixes-serra e os ratões olharam desconfiados aquele ser nem pássaro nem peixe tal qual os que disseram, não sabe nadar, afoga-se. Na ignorância do que falavam, estabilizou as cartilagens, consolidou a cabeça e as barbatanas, chicoteou a cauda, serenou uma curva em corrente descendente e deixou-se ir na amplitude da água.
Lá no fundo dois ou três grãos de areia trocaram de lugar.
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