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sábado, 11 de fevereiro de 2017

Nicolai Gedda (1925 - 2017)

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quarta-feira, 4 de maio de 2016

Querubim Lapa

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domingo, 11 de janeiro de 2015

fio

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas


Uma leve camada de negro de fumo, espalhei, despigmentei. Depois fui acendendo fósforos na noite, a arderem o tempo breve de um fio de cabelo.
Qualquer dia as frésias no jardim, qualquer dia a crescerem ao deus dará.

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domingo, 9 de novembro de 2014

fragmento






Acordou-os o pássaro, pela madrugada. Guardaram dois pedaços de rocha, arenito e calcário, talvez. A cidade permaneceu cá em baixo a vê-lo voar e não fora ave, seria peixe de olhos abertos e o mar e as algas.



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domingo, 23 de fevereiro de 2014

tardio

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas


Foi um grito no céu, três pares de asas pretas, volteios e contravoltas, depois o silêncio.
Deu-me uma saudade de bandos, telhas de marselha e chá de hortelã-pimenta, eu sei lá se eram ou não as andorinhas.
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domingo, 26 de janeiro de 2014

brilhante

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas


Era o mais belo. As patas traseiras bem assentes no chão, as dianteiras levantadas numa atitude de desafio, coxas firmes e musculadas, as narinas abertas num resfolegar de alegria, os olhos ternos e mansos a pedirem afagos, as crinas esvoaçando mal o vento soprasse.
O pelo era liso e brilhante e nas noites de lua cheia todos sabiam onde ele estava, tal o reflexo que emitia, como um copo de cristal em festa de reis confundido com o brilho dos lustres.
Os arreios não lhe pesavam, fixos, firmes no seu pescoço de raça e tilintavam ao som da música, compasso binário de uma polca cantada, sempre a mesma toada.
As pessoas diziam, que bonito e os meninos gritavam, Brilhante eu só quero o Brilhante. Lutavam entre si para o montar e zangavam-se e choravam e as mães diziam, não chores, vem cá, vamos comer algodão doce e andar no comboio fantasma. Mas as crianças tinham medo dos fantasmas e do comboio, temiam as suas curvas perigosas, o escuro imenso dos seus túneis, os estranhos esqueletos vestidos de teias de aranha e os sopros sinistros que vinham do nada. Sentiam a magia daquele companheiro de viagens, ouviam o seu sussurrar, as histórias que lhes contava entre passos e trotes, galopes e voos, sempre a rodar.
E quando por fim pela madrugada os sons se calavam, as luzes esmoreciam e um vento ligeiro arrastava as folhas e os papéis pelo chão gelado, Brilhante fechava os olhos e sonhava partir à desfilada pelos caminhos pedregosos, o mais veloz, o mais temerário de todos os cavalos.
Todos os anos os meninos voltavam, mais crescidos uns, mais feios outros, mais brigões, mais chorões e voltavam os meninos desses meninos e um dia, Brilhante, já não sabia que dia era esse, sentiu um peso no peito e as patas traseiras tremeram no chão e alguém disse, está sem cor este cavalo e ele pensou aflito, serei eu? e a polca tocava e como era monótona a polca e o seu coração bateu mais forte, tão forte, galopava em vez dele, chamava-o não sabia porquê e ele parado, cansado e triste percebeu como era redonda a sua caminhada e como o primeiro a chegar era sempre ele, porque na roda redonda não há princípio nem fim. 
E nessa noite, no seu sonho de todas as noites, Brilhante libertou as patas traseiras ainda agora assentes no chão, agitou as patas dianteiras desafiando o vento, coxas firmes e musculadas, as narinas abertas sedentas de aventura, os olhos ternos e mansos buscando o infinito e soltando-se num galope doido, relinchou três vezes, o mais veloz, o maistemerário de todos os cavalos.
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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Doris Lessing: um vazio recheado de plenitude, na suavidade da Literatura

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domingo, 3 de novembro de 2013

litania para espantar o engano dos dias

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas


Às vezes pensamos, é hoje, com o coração preparado para o hoje que é e sem sabermos como, hoje já é amanhã e não foi hoje e não sabemos quando será. É como encontrar o ninho de um pássaro sem pássaro, esperamos o pássaro todas as tardes, dizemos, como pode haver um ninho sem pássaro, e à terceira tarde do terceiro dia aceitamos que apesar do ninho, anda por aí um pássaro sem ninho ou apenas um ninho que se perdeu de um pássaro.
Se dizemos, um dia, deixamos em aberto todos os dias, sem portas, sem trancas, não há chave que dê a volta, não há armário que os guarde, não há poço onde mergulhem, não há rede onde permaneçam cativos. Estão soltos, lançados à velocidade da luz e até a luz vacila quando os encontra em aberto, vulneráveis, voláteis.
Quando percebemos que um dia não são dias, encontramos o perfeito dos nossos dias e desejaríamos que nunca terminasse, que cada hora fosse uma vida e assim teríamos vinte e quatro vidas e a eternidade seria a dimensão de uma bem-aventurança até ao fim dos nossos dias.
Também há os que recusamos, a quem gritamos não pode ser, não quero, não deixo. E temos uma faca escondida no peito, uma pedra da sorte guardada no bolso, uma folha quadriculada dobrada em quatro e cada quadrícula é uma porta secreta onde escondemos uma parte de nós, tantas partes de nós tão secretas e até pensamos, olha, vai ali uma parte de mim, tão bonita esta parte de mim, como é que eu não vi esta parte de mim.
Com a faca, com a pedra e com a folha, cantamos um canto encoberto, oculto, íntimo, que retira o medo dos corredores profundos e estreitos, daqueles que levam e trazem os dias, onde apenas há espaço para cada um de nós.
E num tempo cavado tão fundo, teremos nos olhos o espanto de um dia em que reencontraremos todos os dias na fragilidade abismada de sermos o pássaro que encontrou o ninho.
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segunda-feira, 8 de julho de 2013

O Verão, enquanto nos soar Vivaldi

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domingo, 12 de maio de 2013

rodando

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Maria é tímida, silenciosa, gosta de pássaros, de poemas serenos e tem um vestido branco de algodão.
Teresa é cruel, insensível, corajosa, os animais deixam-na indiferente, desinquieta os homens e não ama nenhum. Usa um vestido vermelho de seda pura.
Joana é alegre, carinhosa, determinada, o seu vestido é de linho azul e canta ao amanhecer.
As três são fisicamente tão parecidas que apenas se distinguem pela cor dos vestidos e pela tonalidade da voz. Como o voo suave de um pássaro, como cristais de gelo, como a água de um rio.
As pessoas dizem:
-Passou um pássaro.
É Maria.
-Que frio.
É Teresa.
-Bonito este canto.
É Joana.
Nenhuma delas se pode ver ao espelho porque se assusta com o reflexo das outras. Nenhuma delas caminha ao entardecer porque tem medo da própria sombra.
Moram numa casa térrea virada para o mar, com sete portas, sete janelas e um pátio onde em noites de muito calor se deitam no chão a conversar e a olhar as estrelas.
Nesses instantes as suas vozes confundem-se e os cristais de gelo derretem-se, o pássaro voa mais alto e a água do rio galga as margens ou desce suave pelas encostas. O riso abandona o seu esconderijo e dobra-se e desdobra-se a desinquietar.
No roupeiro, os vestidos brancos, os vermelhos e os de linho azul saltam dos cabides, ganham vida, percorrem a casa, sentam-se nas cadeiras, abrem as janelas, fazem bater as portas.
Pela madrugada adormecem as três e de manhã desperta apenas uma.
E veste um vestido preto.
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segunda-feira, 29 de abril de 2013

Os 60 anos da Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva

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